20090425

Qualquer iniciativa de desenvolvimento para o interior Norte passa por reconhecer esta realidade

Por Pedro Arroja do Portugal Contemporâneo.
Quando recentemente visitei Trancoso fiquei a fazer contas acerca de quanto custaria cada trancosense ao erário público. Uma pequena fortuna, concluí. A cidade de Trancoso tem três mil e quinhentos habitantes, e o concelho dez mil.
Não existe indústria em Trancoo e muita da agricultura pareceu-me de subsistência. Os empregos parecem ser essencialmente nos serviços e, entre eles, sobressaem os do Estado. Existe a Câmara Municipal, os Correios, a Segurança Social, a Caixa Geral de Depósitos e depois existe o pequeno comércio. Aqui, destaque para o restaurante Área Benta, considerado recentemente um dos melhores restaurantes do país.
Os monumentos da cidade, de que se destaca o castelo, anterior à nacionalidade, estão bem conservados. A cidade apresenta um aspecto limpo e bem cuidado, graças aos serviços públicos. A qualidade de vida, para quem aprecia a pessoalidade, a comida, a tranquilidade, o ambiente, a paz de espírito e a paisagem é extraordinária. O ponto importante é que se não fosse o Estado, Trancoso seria hoje uma cidade fantasma.
Trancoso é tipicamente uma cidade à espera de pessoas e de iniciativa. Enquanto os trancosenses emigraram à procura de melhores oportunidades de vida, o Estado ficou lá a suportar a cidade.

5 comentários:

Suevo disse...

Silva Silva...
Desde quando é que Trancoso é "norte"?

Jose Silva disse...

Qual a diferença entre Trancoso e Vinhais ou Mondim de Basto, Suevo ?

Você não devia prestar tanta atenção às aparências... Acaba por não detectar os padrões...

José disse...

Interessante ponto de vista!!! É melhor "fechar o interior"!!! Para que serve??? Já agora contraponho em http://aforcadarazao.blogs.sapo.pt/1051.html este tipo de opiniões.FR

Jose Silva disse...

Caro José,

Obviamente que a solução não poderá ser desertificar ainda mais o interior.

A solução poderá passar por assumir que as políticas para o interior tem que ser diferentes para o litoral ou zonas mais populosas. Exemplo: Faz sentido insistir nas vias férrias no interior despovoado ? Se calhar não. Se calhar é preferível investir em aeroportos, subsídia-los, como se faz nas RA. Faz sentido atrair industria para o interior, longe de portos e de mercados ? Se calhar é preferível fomentar apenas as agra-industrias, chegando mesmo a criar centros de I&D neste sector.

Para o interior norte se desenvolver, considerando o estado desertificado em que está, não pode imitar as políticas de do litoral. Tem que ser diferentes.

Jose Silva disse...

Anyway, a linha do Tua deve continuar a existir, a barragem não deve avançar e a linha do Douro deverá ser usada para turismo e loística.

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