20081229

As razões pelas quais os Planos Anti-Crise do Sócrates e de Durão Barroso apenas servirão para piorar a crise I

There's No Pain-Free Cure for Recession por Peter Schiff, via Balanced Scorecard

3 comentários:

vitorsilva disse...

uma dúvida referente à seguinte parte do artigo:
"As more factors of production come under government control, the more inefficient our entire economy becomes."
porque razão é que isto é assim? não são as mesmas pessoas que trabalham no sector público e no privado?

PMS disse...

Essa frase deve ser lida no seu contexto. A ideia completa é:
"And if the government chooses to save inefficient jobs in select private industries, more efficient jobs will be lost in others.As more factors of production come under government control, the more inefficient our entire economy becomes."

Ou seja, se o Governo intervém para salvar as empresas ineficientes:
- essa intervenção implica inevitavelmente o aumento dos encargos sobre as empresas eficientes (logo aumenta a probabilidade de uma boa empresa falir para salvar uma má)
- está a impedir que as empresas eficientes ocupem o espaço das ineficientes, o que tornaria a economia globalmente mais eficiente.

Desde a década de 30 que sabemos, por Shumpeter, no conceito de "destruição criativa", que é precisamente o mecanismo das falências que permite a substituição das empresas ineficientes por outras mais eficientes.

PMS disse...

Embora seja alvo de debate ideológico (a meu ver, erradamente na maior parte dos casos), é verdade que o controlo governamental/político das empresas leva a uma maior ineficiência da economia.

Não significa isto que o mercado livre seja também a opção mais eficiente, embora o devamos considerar por defeito. Há situações em que, ou o ponto de equilíbrio não é o mais eficiente para a economia (por ex. no caso de monopólios naturais) ou em que a optimização económica pode não corresponder a uma solução politicamente aceitável (por exemplo, bens de primeira necessidade em alguns casos - veja-se o caso das necessidades de aquecimento na Ucrânia). Nesses casos é desejável a existência de regulação.

A opção pela detenção directa dos factores de produção pelo Estado apenas deve ser tomada ou quando estamos perante funções de soberania do Estado (Justiça, Segurança, ...) ou quando a regulação não é viável (ou por questões de urgência, ou por elevada complexidade na regulação - por exemplo é o caso da saúde), ou porque não existem privados disponíveis para o efeito.

Mas porque é assim? Porque é que a detenção directa dos factores de produção pelo Estado é em regra menos eficiente, mesmo que sejam as mesmas pessoas a desempenhar as funções?

Por uma coisa chamada INCENTIVOS. Os incentivos de uma empresa pública e de uma empresa privada são diferentes. E os incentivos dos seus trabalhadores também o são.

Só para referir alguns incentivos que estão distorcidos no caso de empresas públicas:
- a avaliação do desempenho (bem como a selecção) da administração tem em conta critérios políticos, para além do desempenho económico.
- Esta distorção acaba por percorrer toda a cadeia hierárquica, e os trabalhadores tornam-se mais ciosos de agradar ao chefe do que aos clientes...
- Uma empresa pública tem maior capacidade de acesso a fundos públicos, logo tem tendência para investir em projectos menos rentáveis (e por vezes projectos de "grande visibilidade política", pois são esses que asseguram avaliação positiva dos políticos e opinião pública).
- Uma vez que não há risco de falência, acesso fácil a fundos públicos, e menor pressão para resultados económicos, a focalização na contenção de custos é reduzida.
- A empresa pública tem acesso a crédito mais barato (pois é garantido pelo Estado, não correspondendo a uma maior eficiência intrínseca da empresa). Isso cria-lhe uma vantagem artificial face a empresas igualmente eficientes (e cujos impostos pagam essa vantagem).
- Mesmo que o accionista (o Estado) tome medidas para que estes incentivos distorcidos não existam (incluindo assumir publicamente que deixará a empresa falir, permitir despedimentos, etc) e que inclua, no conselho de administração, administradores profissionais independentes e qualificados, há uma diferença chamada "span of control". O accionista principal tem um campo de actuação demasiado vasto para que consiga disponibilizar uma atenção especializada e com a dedicação adequado.

E concordemos também no seguinte: sendo possível minorar os incentivos distoricidos que existem nas empresas públicas, não só isso assume grande complexidade (logo será sempre um factor de ineficiência) e os Governos por seu turno não têm incentivo a fazê-lo (alguém aceitaria que o Governo deixasse falir uma empresa pública?).

Leituras recomendadas