20081202

Soluções para crise: Via Espartana e a outra.

Carlos P Cruz em o Ponto de Singularidade e António Maria em Os Dilemas da Crise colocaram ontem interessantes artigos sobre a Crise que vivemos e como soluciona-la. Eu não vejo outra saída para a crise ocidental e nacional que não seja aceitar de forma adulta as verdadeiras causas e passar a ter um comportamento oposto ao que a gerou, durante o tempo equivalente.

Um individuo, uma familia, uma empresa, só são estatisticamente viáveis se forem «capitalistas», isto é, se acumularem «capital» derivado de terem mais activos do que passivos, se as receitas forem superiores aos custos, consumo improdutivo, juros, etc.

O que se viveu nas últimas décadas no mundo Ocidental foi o desvirtuar do «capitalismo», via excesso de dívida para consumoi e investimento pessoal, empresarial e estatal não produtivo ou pouco rentável: Desde a compra de habitação a preços especulativos, às fusões que aumentam quota de mercado, bonus de gestores e custos de gestão (mas matam a rentabilidade das empresas) até às bombas «high-tech» e caríssimas largadas no Afganistão sobre rebanhos de cabras. Dai as falências das famílias, bancos, empresas e eventualmente Estados. A propósito, «Cotadas devem quase tanto quanto valem em bolsa» e «Gestores do PSI 20 ganham três vezes mais» do que as restantes cotadas ou mesmo as não cotadas, diria eu.

Para solucionar, é necessário regressar ao básico, à frugalidade, ao «capitalismo», à acumulação estrutural de capital, a activos e receitas substancialmente superiores aos passivos e custos. Apenas assim se vai absorver as perdas passadas. O Ocidente, Portugal e os portugueses terão que fazer o mesmo, antes ou depois de FMI ou a UE o dizerem. O excesso de Estado Social, as ineficiências na administração pública (300 autarquias, Estado Central concentrado em Lisboa onde o metro quadrado e salários são mais elevados), o desperdício via corrupção ou encomendas empoladas aos lobbis betoneiros terão que acabar, com ou sem revolta generalizada, com ou sem emigração em massa. A sustentabilidade regressará. Este é o caminho espartano, à chinês. É o caminho de quem efectivamente se desenvolve.

Obviamente que há atalhos facilitistas e presumo que serão usados para adiar a crise por mais uns anos/decadas: Vender os aneis que restam e endividar os que ainda não nasceram. Conretamente, tal como propõe Obama e Socrates, mais PPP, mais endividamento externo garantido pela venda das infra-estruturas na posse do Estado, estradas, aeroportos, rede de águas e saneamento, portos, rede electrica, etc. Quem comprará ? As formigas chinesas e afins. Tenho a impressão que este caminho será mais facilmente implementável nos EUA do que em Portugal, e portanto teremos mesmo que ser Espartanos.

PS: Nem mais. Via FT, a Polónia junta-se à Alemanha no grupo dos Espartanos. No grupo das Cigarras, os EUA e UK.

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