20080930

Meia decisão correcta

Fonte: Público

Tudo indica que o governo tomou a decisão correcta e deixou cair a Linha de Metro da Boavista em favor daquela a que temos chamado Linha do Campo Alegre e que há muito temos aqui vindo a propor. Sempre foi evidente que esta será uma via de muito maior utilidade para a população deste lado da cidade e verdadeiramente estruturante do sistema de transportes geral da urbe. A insistência de Rui Rio na Linha da Boavista tinha como único objectivo arranjar maneira de pôr a Metro do Porto a pagar-lhe a reabilitação desta artéria. Cometeu até a parvoíce de colocar o carro à frente dos bois e construir uma espécie de pista de aterragem inútil (pode ser que algum dia uma low coast pegue naquilo) no troço final da avenida que agora terá que arranjar maneira de pagar.

Apesar desta boa decisão, o Governo parece continuar a insistir numa redundância que será aquela ligação Senhora da Hora – Hospital S. João. Mas isso são outras histórias.

8 comentários:

G disse...

esqueceste-te foi de dizer que a linha pelo sul da avenida da Boavista irá custar muito mais (2x? 3x?) do que a linha pela boavista. e as obras na avenida nunca me pareceram mal - algum dia a avenida terá metro (ou mesmo o retorno do elétrico). e o que está feito terá uso e sentido então. tanto a obra junto à casa da música como junto ao parque da cidade iriam ser feitas de qualquer maneira. o que tu propões era que tivessem sido feitas de outra maneira, e que quando se construir o metro (ou o elétrico) se faça a obra de novo?

G disse...

mas concordo que algum dia essa zona do Porto (entre o Campo Alegre e o parque da cidade) tenha uma linha de metro, e que aproveite a nova via de Nun'Álvares para andar à superfície, como referiste em artigos anteriores. assim, quando esta via for feita, deve ter já o sítio para o metro passar, assim como aconteceu nos extremos da avenida da Boavista. mesmo que a linha do Campo Alegre não seja feita. concordas comigo nisto, não?

António Alves disse...

Caro g,

A opção Campo Alegre é prioritária em relação à Boavista. Serve muito mais população e polos geradores de tráfego como as faculdades. O facto de ser 3 vezes mais 'cara' não é argumento. O Metro mais barato é aquele que não se faz. O conceito de 'caro' ou 'barato' tem que se lhe diga. É tudo uma questão de custo/benefício. E parece-me que os benefícios aqui compensam largamente os custos. A linha pelo campo alegre alia a eficiência à eficácia.

Quanto à boavista: um linha de eléctrico moderno é o ideal para aquela via. Esse eléctrico pode conviver com os veículos da Metro no troço Castelo do Queijo- Senhor de matosinhos, coisa tecnicamente sem qualquer impedimento. Aliás, sou também de opinião que o troço Senhor de Matosinhos-Senhora da Hora devia também ser integrado na rede de eléctricos modernos. Teriamos assim duas rotas com excelentes interfaces com o Metro: linha Senhor de Matosinhos-Boavista e Senhora da Hora-Boavista.

Quanto ao "sítio" para o eléctrico passar na boavista: concordo! Mas não era necessário fazer aquela coisa larguíssima que reduziu obscenamente os passeios e levou ao abates de largas dezenas de árvores. O espaço antigo reservado aos eléctricos que lá existia servia perfeitamente. O Rio armou-se em burro e agora paga a estupidez e a arrogância que por vezes o caracteriza.

G disse...

a questão do preço tem muita lógica. é pensar assim, como é que vamos construir uma rede de metro o mais rapidamente possível? optando por começar pelas linhas que servem mais pessoas (concordo), e que se façam o mais rapidamente possível e pelo menor preço. são pelo menos três fatores a considerar. e, começando pelas mais baratas/com maior pessoas servidas/mais rápidas de concluir, podes depois fazer linhas mais caras. são contas. nunca há apenas um fator nas decisões.

e nem o elétrico na Boavista nem os autocarros em via própria resolvem a mobilidade. o elétrico moderno que propões não será muito diferente que o metro, mas sem via própria. ou seja, no meio do trânsito. não funciona. e o autocarro em via própria é o que já existe em parte da avenida, o que também não funciona porque em parte do percurso é utlizado para as viragens dos automóveis, o que pára a circulação dos autocarros.

António Alves disse...

o eléctrico antigamente funcionava perfeitamente na avenida. eu fiz centenas e centenas d eviagens nele. e posso também dar-te vários exemplos de como funciona em várias cidades por este mundo fora que eu já presenciei e experimentei. há coisas q só não funcionam em portugal...

P.S. fazer uma linha só porque é mais barata e ajuda a ter muitas linhas é uma estupidez

G disse...

na altura em que o Porto tinha uma rede de elétricos não havia os carros que existem agora. e não vale falar de lá de fora. estive em Melbourne e a cidade começa a encher-se de carros, o que acontece ao mesmo tempo que os transportes públicos começam a ter uma grande utilização. em Melbourne não existem autocarros, mas apenas elétrico e suburbano. o que acontece é que em quase toda a linha o elétrico anda no meio dos carros, e como cada vez há mais carros. bem, acho que tu percebes. deu para ver que tudo o que é nova linha de elétrico tem uma via própria agora, para se tornar independente do trânsito.

o teu p.s. não foi uma maneira educada de me chamar estúpido? ;)

abraço

G disse...

'há coisas q só não funcionam em portugal...'

tens toda a razão. temos mesmo carros a mais nas estradas.

António Alves disse...

caro g,

nunca foi minha intenção. quando muito disse que algumas ideias são menos avisadas. não confundo opiniões com as pessoas. ideias estúpidas todos as temos. eu por exemplo tenho dias em bato records mundiais. :-)

um abraço

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