20080327
Colonialismo
Recentemente, numa clara atitude de arrogância colonial, e à revelia das autoridades locais, a EDP abriu um estradão nas margens do Tua causando uma ferida aberta na paisagem. Foi um acto típico de quem, a 500 km de distância, trata o território como se fosse um feudo medieval ou terra colonizada onde a vontade dos nativos não conta minimamente.A EDP, empresa (significativamente) com sede na Praça do Marquês do Pombal em Lisboa onde, além da administração, emprega largas centenas de pessoas, tem uma significativa parte da sua capacidade instalada de produção hidroeléctrica (30% do total) no Douro. Esta empresa obteve em 2007 lucros líquidos superiores a 1100 milhões de euros. Desse total, segundo o economista Eugénio Rosa, 250 milhões foram obtidos, com a conivência do Governo e da Autoridade da Concorrência, à custa de preços da energia mais elevados que noutros países da União Europeia. Ora, uma parte significativa desse dinheiro foi directamente gerado em Trás-os-Montes e Alto Douro. Quanto é que lá fica ou é lá reinvestido? Praticamente nada.
A EDP actua colonialmente em Trás-os-Montes explorando os seus recursos naturais. A energia potencial das águas dos rios trasmontanos é o equivalente ao petróleo dos árabes. Alguém imagina os Emirados sem usufruir dos lucros do seu petróleo?
Trás-os-Montes está, como diz um amigo meu, numa situação colonial ainda pior do que estavam antigamente muitos territórios africanos. É que nesses ainda se criavam, embora mal pagos, numerosos empregos. No Douro nem isso. Para todas as Barragens do Douro a EDP tem cerca de 150 funcionários na Régua e no Porto (a maioria). Trás-os-Montes é espoliado dos seus recursos sem ser devidamente compensado. Calcula-se que o valor da energia lá produzida ascende a mais de 500 milhões de euros. Toda esta riqueza devia estar a pagar o desenvolvimento regional; a pagar a renovação da Linha do Douro e a reactivação da ligação a Barca D’Alva e Salamanca; a subsidiar a promoção do enorme potencial turístico de toda a Região.
Construir uma barragem no Tua, ainda por cima uma que pouco acrescenta à capacidade produtiva de energia eléctrica, arruinando para sempre um património ferroviário único no mundo que pode ser uma incalculável mais-valia para o turismo local como complemento, por exemplo, aos cruzeiros no Douro, será um crime patrimonial e económico. Infelizmente a mesma espécie de autarcas que deixou encerrar o caminho-de-ferro trasmontano a troco de promessas vãs, prepara-se, mais uma vez, para hipotecar o futuro com a miragem de uma albufeira ou dos postos de trabalho que, dizem, serão criados. Quanto a postos de trabalho e albufeiras para ver o que fica depois da fase de construção basta visitar o Pocinho e avaliar o deprimente deserto que lá resta. A única honrosa excepção de lucidez e bom senso reside no autarca de Mirandela.
A região trasmontana para terminar com esta inaceitável situação deverá tomar o seu destino em mãos, livrar-se destes autarcas submissos aos directórios dos partidos centralistas, exigir autonomia, auto-governo, autodeterminação e exigir o Direito a Decidir sobre os seus próprios recursos. Urge matar de vez o colonialismo interno que nos atrofia. Se se mantiverem na actual apatia só poderão queixar-se de si próprios.
António Alves
PS: António, devido à qualidade do texto, não resisti e antecipei-me à sua colocação no Norteamos.
20070729
Abertura ao transito da A7
O que é que ainda falta?
-A4 (mais do que qualquer outra via).
- Ligação a localidades como Cabeceiras de Basto.
- Ligação a Verin para o objectivo desta malha ser cumprido: ligar o Porto à AE das Rias Baixas.
- Resto do IC5.
É pena que as coisas nesta região andem sempre mais devagar, mas pelo menos já se vê um ou outro progresso.
20070702
QUE FUTURO PARA A REGIÃO DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO?
Do ponto de vista demográfico, a situação é muito preocupante. TMAD perdeu 30% da população nos últimos 40 anos, mais de 230 mil pessoas. Cresceram igualmente os desequilíbrios populacionais no interior da região, com uma mais acentuada desertificação de alguns concelhos, em contraponto à concentração em Vila Real, Chaves, Régua, Bragança e Mirandela. A diminuição da natalidade e a migração de jovens para o litoral, em números significativos, são outra grande inquietação.
As empresas, maioritariamente de muito pequena dimensão, apresentam grandes fragilidades; não existe um tecido industrial significativo.A agricultura familiar atravessa grandes dificuldades e os agricultores são predominantemente idosos; apesar dos incentivos à instalação de jovens agricultores, não tem havido rejuvescimento do tecido agrícola nos últimos anos, e os apoios não são acompanhados de verdadeiros programas de incentivos, capazes de dar continuidade à actividade.
Nos três quadros comunitários, os fundos provenientes da União Europeia foram concentrados no litoral, em prejuízo do interior, em particular da nossa região. TMAD é hoje uma região com fortes índices de subdesenvolvimento, que atravessa uma profunda depressão económica, social e cultural.