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20090730

Credibilidade e má fama

As PPP exigem ainda mais transparência que os concursos públicos - Nestes o que está em causa é o fornecimento de bens e serviços circunscritos. São por natureza mercados líquidos, onde há mais do que um fornecedor. Nas PPP, não é apenas o fornecimento de um produto ou empreitada/serviço que está em causa. Há lugar à exploração e eventualmente ao financiamento, construção e criação de entidade juridica própria. São, devido à maior comlexidade, concursos menos líquidos, com menos candidatos. A necessidade de transparência e estudos é maior. Escondendo, não esclarecendo, levanta suspeitas. Na CMPorto ou no TGV.

As PPP precisam de mandato político pois envolve a privatização de funções exercidas até então pela administração pública
- As PPPs significam passar para privados a gestão de serviços e não apenas a sua exceução. Na prática dispensa-se competências. Tal como as Privatizações de empresas públicas, em Portugal ou quem qualquer parte do mundo, a implementação de um programa sistemático de concessão de serviços a privados por parte da CMPorto deveria ter sido apresentado ao eleitorado. Se é feito de forma não declarada, levanta suspeitas. A Democracia não pode ser concessionada...


O dilema dos fornecedores de serviços de construção civil e obras públicas (CCOP)
- Há cerca de 2 anos, ainda antes da crise, Rocha Antunes afirmava que em Portugal, naquela altura, 2/3 dos arquitectos, construtores, engenheiros, desenhadores, empreiteiros, trolhas, «whatever», estavam a mais e condenados a desaparecer ou a mudar. Presumo que com o colapso da procura e alteração de paradigma económico, o número referido tenha aumentado... Tal como acontece em qualquer outro sector, o excesso de capacidade instalada resolve-se com falências dos menos competitivos e não com políticas públicas especiais pagas pelos restantes contribuintes dos outros sectores. É esta a economia de mercado que defendo. Ora, os operadores do «cluster» das CCOP, pequenos e grandes, locais e nacionais estão perante um dilema. Ou aceitam contribuir para campanhas partidárias ajudando o partido que promete mais encomendas ou correm o risco de desaparacer por falta de encomendas. Não acredito que todos entrem no «jogo». Mas acredito que alguns, sabendo que existe, tentam varrer o assunto para debaixo do tapete quando é discutido, não vá o azar bater à porta. Como diria uma personagem televisiva, «isso agora não interessa mesmo nada». É compreensível. Assim como é compreensível a minha reacção de contribuinte com contas em dia, que não está para sustentar a rentabilidade de outros sectores económicos


Racionalidade dos negócios privados com administrações públicas
- O site Transparência na AP arrepia. Aqui, não falta referências a comportamentos/situações menos claras de prejuizo público a favor de privados. Portugal já o pais da Europa com uma das maiores densidades de AE, pavilhões gimnodesportivos e como a discussão sobre o Palácio de Cristal demonstra, seremos brevemente um dos paises com maior número de centros de congressos. Onde
paramos ? Ao contrário da Alemanha, onde um uso privado de viatura oficial por membro de governo, escandaliza, em Portugal até se acharia uma «ninharia». Por isso apena 1% dos portugueses confiam em políticos. Será por causa da irracionalidade das decisões ? Por isso é que há quem diga e com conhecimento de causa que «Políticos portugueses "são marionetas ao serviço de interesses obscuros"».

Política de Rui Rio
- Atentemos nos seguintes factos:

Eu obviamente não tenho provas de corrupção contra políticos portuenses no activo nem respecitvos fornecedores privados. Mas a falta de transparência e levantamento de suspeitas começa pelos próprios políticos da CMPorto. Eu limito-me a observar os conflitos de interesse existentes, o contexto nacional, os factos e interpreta-los sem medo.
Pode-se dizer que Rio é sério e que está imune a suspeitas ou ao meu alinhamento dos factos. Sobre isto uma pequena história. Um conhecido blogger portuense e próximo de Rui Rio disse-me uma vez que o dito era incorruptível. Foi há vários anos. Entretanto, parece que já não são assim tão próximos. Pelo menos dentro do PSD estão em facções diferentes e faz parte de um blogue onde pontuam vários ex-apoiantes de Rui Rio...

Conclusão
: Para terem credibilidade:

  • os beneficiários/fornecedores de determinada política de uma administração central ou local não podem querer ocultar o esclarecimento público.
  • os políticos que promovem determinada política com padrão significativo tem que estar mandatados pelo voto e também não se podem furtar ao esclarecimento público.
  • é necessário transparência e respeito Democrático.
Caso contrário, surgem legítimas suspeitas e cria-se má fama. Ninguém se pode queixar de uma má fama fundamentada. Portanto as questões colocadas por JMCastro/SSRU são pertinentes e quem anda a chuva molha-se, dito de forma politicamente correcta ou não.

PS1: Não estou interessado em prolongar este tema. Por um lado, não estou para fazer «o trabalho de casa» da oposição à CMPorto. Por outro lado, não quero de forma alguma, afrontar participantes na Baixa do Porto, com os quais nutro respeito pessoal e intelectual, mesmo estando em desacordo.

PS2: A «Reserva de Indios» fica para depois.

20090728

Quem dá boleia a uma prostituta não se pode queixar das possíveis interpretações

20080317: «O projecto do Bolhão tem características desnecessárias para um projecto de reabilitação. É um projecto comercial e não cultural, para dar lucro. Não me choca. O que choca é a necessidade de ocultar tudo isto. Será este «Concessionismo» uma opção ideológica, que também não me choca ? Se o fosse deveria ter apresentado no seu programa eleitoral. Como não o fez, o motivo será outro. Depois de ser dispensado da CMPorto, Paulo Morais descobriu que na actividade camarária se financia os partidos. Deve ter chegado a esta conclusão após experiência como vareador. Se Rio suspeita que com quotas de 6 euros se «lava» dinheiro então eu também tenho o direito a suspeitar que o súbito «Concessionismo» pode servir para o financiamento partidário...»

As questões levantadas sobre o «Concessionismo» pelo deputado José Machado de Castro pela SSRU, de forma mais ou menos secreta ou moralista, tem que ser enquadrada na má imagem que os políticos tem em Portugal: É a classe profissional menos credível, provavelmente por haver a noção que se deixam comprar por privados, fornecedores de serviços à administração pública. Rio e a actual coligação não é excepção.

Como TAF questiona, quem votou para que Rui Rio fosse mandatado para concessionar/«PPPzar» o património camarário ? Apesar de eu não concordar com as PPP e afins, tal como o muito liberal portuense LR o diz, a questão que se coloca não é ideológica nem de eficácia. É de seriedade.

A nível nacional, lá por Lisboa, abundam PPPs que eram hiper-urgentes e hiper-necessários e afinal deixavam muitas dúvidas sobre a utilidade, interesse e pertinência. No Porto é o mesmo. Por exemplo, há alternativas mais baratas de expansão do Metro, que aliás, aposto acabarão por ser implementadas for força da crise...

Por causa da má fama de muitas PPPs, melhor seria mesmo suspende-las por uns tempos. Como isso não acontece e eleitor/contribuinte atento e escaldado de água fria tem medo, cria-se uma natural aversão a estes negócios. Assim, quem os faz com estes políticos «poluídos» não se pode queixar, mesmo que esteja coberto de honestidade e legalidade, como acredito que seja o caso dos intervenientes Rocha Antunes e Paulo Ponte. Tal como, quem dá boleia a uma prostituta não se pode queixar das possíveis interpretações.

PS: A derrota de Rui Rio, a ocorrer, passará por aqui. Mostrar à larga reserva eleitoral de indios no concelho do Porto, leia-se bairros sociais orientais, alimentados a RSI, Láferias, Rádio Festival e corridas de calhambeques, que o seu susposto protector, Rio, os manipula; Só gastou com eles as migalhas suficientes para dar votos (alem do mais, segundo Elisa Ferreira, com dinheiro do Estado Central) e investiu as receitas na rica reserva ocidental/indemnizações para alem da sua carreira em Lisboa. Façam o apuramento dos investimentos camarários per capita por freguesia e verão... Perceberá a candidata do PS alguma coisa de Porto ou terá capacidade para isto ? Duvído. Os indios atingem ? Duvído ainda mais ... O povo se fosse inteligente não era povo, mas sim elite.

20090521

A cidade do Porto tem os decisores políticos que merece

A definição de linhas de Metro no Porto é uma verdadeira história da Carochinha ...
A falta de rigor e competência só é explicável pelo facto de os decisores políticos receberem comissões dos fornecedores de obras, pagas pelos impostos de todos.
Após o Porto 2001, havia um viaduto com carris que foram retirados para as corridas dos calhambeques de Rui Rio.
Agora por causa do suposto estrangulamento da Senhora da Hora quer-se fazer um Metro Ocidental que necessita de outro viaduto que destroi mais um pouco do Parque da Cidade ou um tunel que custa mais uns milhares de euros.
Ninguem pensa em alternativas mais baratas.
Ninguem vê que a expansão do Metro do Porto prevista é um NAL, TGV ou TTT e que portanto não se realizará...
A cidade do Porto tem os decisores que merece ter. Por isso se não tivermos a sorte de Rio ser chamado para Lisboa, teremos que grama-lo por mais 4 anos.

20090101

Podcast "O Porto em Conversa" sobre o Porto cidade / região

"O "Porto em Conversa" é um podcast sobre o Porto cidade / região. A ideia é parecida com o blog "A Baixa do Porto" no sentido de criar um espaço para as pessoas exporem os seus pensamentos sobre a cidade / região mas aproveitando o facto de ser uma conversa entre 2 pessoas para poder explorar um pouco mais algumas ideias que por vezes não surgem por escrito. O podcast tem entre 40 a 60 minutos e uma periodicidade de 1 programa cada 3 ou 4 semanas dependendo da disponibilidade de toda as pessoas que irão participar neste projecto." - Vítor Silva

A primeira edição do podcast "O Porto em Conversa" será gravada dia 8 de Janeiro, e terá como convidado Tiago Azevedo Fernandes. Já está disponível o guião de conversa, que está aberto às sugestões que sejam colocadas na respectiva caixa de comentários.

Este projecto conta com o apoio da Bit_Rádio, um projecto radiofónico com emissão na Internet, sedeado na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa – Pólo da Foz.

20081111

Manifesto para repensar o Porto apresentado quarta-feira

Lusa - Vários cidadãos de diferentes quadrantes politicos e independentes do Porto apresentam, quarta-feira em conferência de imprensa, um manifesto sobre o Porto no qual questionam os valores e os princípios da cidade e apelam ao fim da negligência cívica.

A conferência de imprensa, sob o tema «Onde vais cidade? Apresentação de uma proposta cidadã para pensar e mudar o Porto», decorre na Cooperativa Gesto e conta com a presença do sociólogo e dirigente do BE, João Teixeira Lopes, e a professora Natércia Pacheco.

O manifesto, que levanta uma série de questões sobre a carga identitária da cidade, a mobilidade, a mistura social, as políticas de habitação e a sustentabilidade do Porto, foi já assinado por uma série de cidadãos, entre os quais João Teixeira Lopes, José Soeiro, Alda Sousa e Angelina Carvalho (membros do BE), o constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos, Tiago Azevedo Fernandes (do blog «A baixa do Porto»), o geógrafo José Rio Fernandes, professores, filósofos, jornalistas, e artistas como Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero.

Assinaram ainda o manifesto José Leitão (director do Teatro Art'Imagem), Mário Moutinho (director do FITEI), José Rafael Tormenta (Sindicato dos Professores do Norte), Serafim Silva (Associação Onda Verde), Alexandre Ferreira (Associação de Cidadãos do Porto), Nuno Quental (Associação Campo Aberto) e José Maria Silva (Movimento de Intervenção e Cidadania)

O documento apelida de negligência cívica os adiamentos da "acção descentralizada e pluridisciplinar ao nível das freguesias e bairros" e de "um projecto de internacionalização da cidade", salientando a "urgência de propostas que reinventem a participação dos processos de decisão, desde a formulação de orçamentos até à definição das grandes intervenções urbanísticas ambientais".

Depois de assinado, o manifesto será apresentado em reunião plenária e "num fórum de debate e concretização duma alternativa justa, solidária e insurgente", refere o documento que defende a "reapropriação da cidade pelos cidadãos".

20080929

Central Park

Foto: Dario Silva

Junto ao mar, o lado norte do Grande Porto, Matosinhos, é unido ao seu bairro central, o Porto, pela grande mancha verde do Parque da Cidade. Está em evolução um projecto para unir este ao Parque de Real em Matosinhos. Para isso a Circunvalação será enterrada nessa zona para dar espaço à ligação entre os dois parques.

20080611

A Propósito de «Serralves em Festa»

No passado Sábado experimentei um pouco da «Serralves em Festa», uma verdadeira síntese dos reais motivos pelos quais o Porto cosmopolita está a anos-luz da Braga que insistem em manter inusitadamente rural.

Enquanto passeava pelos magníficos jardins, lembrei-me dos parques que o poder autárquico está a dever a Braga e aos bracarenses. Mal habituados e pouco exigentes, aceitamos sem grandes controvérsias que nos impinjam que «é bom viver em Braga», uma cidade sem um único espaço verde para verdadeira e livre fruição dos bracarenses. Prometeram-nos um Parque Norte, um Parque da Ponte, um Parque do Picoto, um Parque em Lamaçães e muitos enormes parques de diversões, mas a verdade é que nos quedamos sem nada. Nada.

Mas a Fundação Serralves é bem mais que um parque ou jardim... É um centro de arte e de espectáculos eclético e a transpirar modernidade, tal como o Vila Flor em Guimarães ou o Centro Cultural de Belém em Lisboa. Braga continua a fazer-se em torno dos prédios, a que se acrescenta a nova jóia que dá pelo nome de «centros comerciais» gigantes, em descrédito e em desuso na Europa moderna, mas que hão-de entupir-nos até às entranhas nos próximos anos.

Em Braga, nem se aproveita o Cávado nem o Este, não se aproveita verdadeiramente o património nem a história, não se promove a arte nem a cultura. Falhámos redondamente na tentativa de colocar a cidade na rota cultural, arquitectónica e turística de Portugal e da Europa e, pior que isso, continuamos a falhar quotidianamente na simples tarefa de colocar a arte, a natureza e a cultura na rota dos bracarenses.

Em síntese, continuamos a frustrar a tentativa de ancorar esta cidade na modernidade. Mas talvez esse nunca tenha sido objectivo.

Também no Avenida Central

20071116

Processo de Regionalização em Curso

Sou um regionalista convicto. Não porque sinta especial emoção em ter nascido transmontano e crescido minhoto, mas porque encaro a reorganização administrativa do país como uma oportunidade de promoção do desenvolvimento integrado do país. O modelo das 5 regiões (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) parece ser o que reúne mais consenso. Apesar disso, creio que não é o que melhor serve os interesses do país.

A propósito da proposta de criação de uma Região de Turismo única a Norte, ergueram-se várias vozes críticas que puseram em causa a pertinência do modelo apresentado. De entre os críticos, é essencial distinguir aqueles que, sendo regionalistas, pretendem um modelo alternativo dos que, sendo anti-regionalistas, não desperdiçaram a oportunidade para fragilizar o Processo de Regionalização em Curso. Seja como for, as resistências à criação de uma Região de Turismo única a Norte não devem ser ignoradas porque são um excelente balão de ensaio para o que sucederá no próximo Referendo. Se é um facto que alguns (nos quais me incluo) deixarão cair a bandeira das duas (ou três) regiões a Norte no momento de contar armas a favor da Regionalização, a verdade é que será por aí que os anti-regionalistas tentarão captar a simpatia dos regionalistas menos convictos.

Atente-se ao que escreve Paulo Saraiva Gonçalves no Notícia de Guimarães: «O meu maior receio, enquanto vimaranense, foi que ao avançar para uma regionalização ou uma descentralização, Guimarães continuasse ostracizada e alheada dos centros de poder e que essa tal mudança para nada mais servisse que não fosse alimentar outros egos, continuando a “engordar outros porcos”...»

Todos os receios são legítimos. No entanto, a menos que o (nosso) bairro seja o limite, a melhor forma de combater a ostracização e alheamento dos centros de poder é, precisamente, a Regionalização. Não fosse esta uma via, por excelência, de aproximar os cidadãos dos centros de poder.

[também no Avenida Central]

20071027

Lisboa e Porto são Portugal... O Resto é Portagem!

1. Quem viaja entre Braga e Guimarães e entre Braga e Barcelos paga o preço mais alto por quilómetro do país. É o princípio do utilizador-pagador.

2. A viagem entre o Porto e a saída de Braga Sul (A3) custa 2,85€. Sair no cruzamento anterior (S. Tiago da Cruz) fica por 1,75€. O argumento é o de que quem sai em Braga tem que pagar a circular externa da cidade. No sentido inverso da A3, os utentes não pagam VCI's nem tão pouco os quilómetros de auto-estrada entre a praça da portagem e a entrada do concelho do Porto.

3. Os vianenses que queiram ir até ao Porto vão passar a pagar portagem na A28 com o argumento de que os contribuintes do resto do país não têm nada que financiar aquela estrada.

Nesta lógica, é absolutamente inaceitável que os contribuintes de todo o país continuem a financiar os transportes urbanos de Lisboa e do Porto. A situação é grave e merecia, mais do que palavras de ocasião, uma tomada de posição firme das forças vivas da região. Braga, Viana, Guimarães, Barcelos, Famalicão deviam unir-se na reivindicação de igualdade de tratamento por parte do governo central.

Contributos muito interessantes para esta discussão nesta caixa de comentários.

20071019

Sobre o Bairrismo Parolo

Pedir a sede da Região de Turismo do Norte Porto para Braga era... «bairrismo parolo». Quem o disse foi Mesquita Machado. A defesa dos interesses da cidade e do município exigiam que o edil bracarense viesse agora a público denunciar o «bairrismo parolo» do Presidente da Região de Turismo do Alto Minho por ter sugerido ao Governo que utilize o Castelo de Santiago da Barra para instalar os serviços da Direcção da Região de Turismo do Norte Porto. Rui Rio, outro «bairrista parolo», «manifestou desagrado pelo facto de a restruturação não contemplar a instalação, na segunda cidade do País, a sede de umas das novas regiões de turismo».

Para não sermos «bairristas parolos», arriscamo-nos ver fugir da terceira cidade do país, a Direcção Regional de Turismo para para Viana ou o Porto, depois de já termos visto sair a Direcção Regional de Agricultura para Mirandela e de se perspectivar a instalação da Direcção Regional de Cultura em Vila Real.

Para não sermos «bairristas parolos», alinhámos na imposição governamental das 5 regiões de turismo, alegando que «há um grande consenso numa futura regionalização desde que ela assente nas cinco regiões». Segundo o que relata o DN, o turismo está a ser «regionalizado à força». Afinal, onde é que está esse grande consenso?

Para não sermos «bairristas parolos», somos «provincianos parolos» e vamos desperdiçando, uma por uma, todas as oportunidades de ainda termos alguma relevância política no novo mapa administrativo nacional. É preciso dizer mais alguma coisa?

Publicado no Avenida Central

20070830

"Guerra" Porto vs. Estado Central II

Um erro muito comum é achar que o Porto luta pela autocracia por causa da sua importância económica. Não é verdade. Já muito antes do vinho do Porto (sec. XVIII) que o Porto luta pela autocracia. O Porto viveu em luta constante com os bispos que nela habitavam, e que procuravam controlar os poderes da cidade. Rapidamente serão os reis a querer controlar a cidade. Apenas no sec. XVI D. Manuel I conseguiu impôr o "juíz de fora" e revogar a regra que impedia a presença de nobres por mais de 3 dias - contra o que as instituições municipais e a população reagiu muito negativamente (afinal, tinham impedido os bispos de fazer o mesmo durante centenas de anos).

Esta aversão a todo o poder externo (rei, clero, nobreza) sempre caracterizou o Porto. É verdade que os ingleses trouxeram ideias liberais. Mas apenas no Porto residia o espírito proto-republicano onde estas ideias poderiam dar fruto.

Não é por acaso que a luta pela liberdade no país sempre residiu nesta cidade: na guerra civil de 1383-85, na revolução liberais, na luta pela restauração da carta constitucional, na luta pela República, ou mesmo no apoio popular ao Gen. Humberto Delgado...

Há quem apelide esta "luta" de ridícula, mas a verdade é que ela é tanto mais ridícula quanto é evidente que, enquanto o Porto luta pelo que é seu, outros lutam pelo que é do Porto.

Dizem que é um assunto que não tem importância, mas não abdicam do que não é deles. No final de contas, o verdadeiro espírito do provincianismo reside aqui: acham que, na sua rua, sabem o que é melhor para a rua dos outros.

20070829

"Guerra" Porto vs. Estado Central

Uma perspectiva histórica...

Há 800 anos que as gentes do Porto afirmam que as instituições da cidade são as mais adequadas para defender os seus interesses.

Há 800 anos que o Estado Central tenta convencer (impôr) às gentes do Porto que os interesses destas serão melhor acautelados pelos governantes da Capital.

Em 800 anos, as gentes do Porto não ficaram convencidas. Quantos mais anos serão necessários para se perceber o que é a democracia?

20070731

"POST ABERTO AO GOVERNO"

Exmo. Senhor Renato Sampaio
Presidente da Federação Distrital do Partido Socialista-Porto,

Afirmou V. Exa., no Jornal de Notícias de hoje, que o seu papel no Partido Socialista é (entre alguns outros) o de : "fazer a mediação entre os cidadãos e o poder" .

Admitindo que a cidadania que pratica, comporta gente sem vínculos partidários (como é o meu caso), mas que se interessa pela vida social, política e económica da sua região, venho através deste local de cidadania que é "O Norteamos", solicitar-lhe o favor de fazer chegar às mais altas esferas do seu partido (que está no poder) o seguinte:

  • Que não gosto de folclore político, mas que admiro e espero dos políticos, acções com coerência política e muita coragem
  • Que não sinto, dessa Federação suficiente vontade política e força representativa para zelar pelos interesses da região
  • Que, pelo contrário, reparo reforçada a centralização de poderes em Lisboa, com o Norte e o Porto em particular, cada vez mais entregues a si mesmos
  • Que não percebo nem vejo benefícios recolhidos e causas ganhas com a "estratégia" da Federação PS/Porto
  • Que não consigo compreender qual é o ganho, quando se perde alguma coisa, mesmo que seja emprestada (Refiro-me à RTP N)
  • Que não entendo como ainda credibiliza garantias e palavras de pessoas responsáveis pelo esvaziamento do Centro de Produção do Porto da RTP N (Ministro A.Santos Silva e Pres.RTP, Almerindo Marques), deslocando-o para Lisboa, e esquecendo que em Lisboa já estão concentradas 4 estações de TV em canal aberto (duas delas públicas) e quase duas dezenas de canais por cabo. Note-se o belo exemplo de simetria regional...
  • Que me indigna a submissão e o silêncio (ensurdecedor) da Federação PS/Porto, perante o folclore mediático do sistema judicial português apontado para o Porto (com o Apito Dourado), enfatizando prévias acusações e subvalorizando as defesas
  • Que não sei da razão objectiva da não promoção definitiva de debates abertos sobre a Regionalização, considerando que, na prática - para além da Madeira e os Açores - Lisboa, é já uma Região Autónoma e Administrativa, com indícios colonialistas (o que é gravíssimo)
  • Que pessoalmente, não me escondo atrás de V. Exa. para reivindicar o meu descontentamento e que o assumo aqui, abertamente

É possível que tantas dúvidas levantadas sugiram uma grande ignorância da minha parte, caso uma argumentação séria e factual permita concluir que não passam de mera ficção. Mas será preciso prová-lo, caso contrário, então, o ignorante (sem ofensa) será V. Exa., e nesse caso o conselho que lhe dou é que se demita rapidamente porque a sua missão política de representar o distrito falhou.

Rui Valente


PS-Como podemos nós Nortenhos almejar por um Líder, se os que eventualmente o podiam ser só reconhecem dois estilos: berrões (e em bicos de pés) e mudos (modelo Rui Rio, infinitamente sério...).

20070711

Autofagia?

O futebol, às vezes, é uma metáfora da sociedade.

Porque é que é no Porto que se concentram alguns dos mais ferozes críticos do FCP e dos portistas? E em Braga que se reúnem os maiores detractores do SCB e dos braguistas?

20070705

O PASSAGEIRO TIPO DO AEROPORTO DO PORTO

O passageiro tipo do Aeroporto do Porto é do sexo masculino, tem entre 30 e 40 anos, possui um curso superior e viaja, na maior parte dos casos, em negócios, adquirindo o bilhete preferencialmente em agências de viagens.
O retrato, que consta da mais recente versão do Plano Director do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, por onde passaram no ano passado 3,4 milhões de passageiros, refere ainda que o viajante tipo é um quadro médio ou superior, que viaja em classe económica.
Os dados estatísticos indicam que 35,4 por cento dos passageiros que utilizaram aquele aeroporto têm entre 30 e 40 anos, enquanto 23,2 por cento se situam na faixa etária entre os 20 e os 30 anos e outros 22,6 por cento têm entre 40 e 50 anos.
Relativamente às habilitações escolares, 44,1 por cento concluíram um curso superior e 21,1 por cento possuem um curso médio. Em termos profissionais, os dados referem que 25,6 por cento dos passageiros possuem um curso superior, enquanto 23,9 por cento concluíram um curso médio e 14,2 por cento são empresários.
Entre os passageiros que utilizaram o Aeroporto do Porto, a grande maioria (69,1 por cento) são homens, sendo os negócios a origem de 44,5 por cento das viagens, enquanto o turismo representou apenas 30,2 por cento do total.
O passageiro tipo do Aeroporto do Porto viaja em classe económica (90,6 por cento), realiza duas ou três viagens por ano (38,2 por cento) e compra o bilhete de avião numa agência de viagens (43,6 por cento), ainda que uma percentagem significativa também recorra à Internet (23,2 por cento).
O objectivo actual é que o aeroporto atinja um movimento de cinco milhões de passageiros em 2010. As actuais infra-estruturas têm capacidade para processar até seis milhões de passageiros/ano, mas os planos de expansão admitem o alargamento até 11 milhões de passageiros anuais.
Leituras recomendadas