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20080215

Reflexões sobre o centralismo dos Media

Os jornalistas são tal qual cada um de nós: tendemos a dar especial atenção ao que nos afecta e ao que damos importância. Nós, no Norte não discutimos a problemática da península de Setúbal...discutimos a problemática do Ave. Queremos saber lá do Alqueva, queremos é saber do Douro…

É inerente ao pronvincianismo inato em cada ser humano: vemos a realidade em contentores e sob o nosso ponto de vista (não sob o ponto de vista imparcial, ou dos outros). O provincianismo decorre da miopia humana: vemos mal ao longe. Vemos melhor a nossa rua do que a dos outros... e às vezes nem sabemos o que lá se passa... "são bárbaros, bárbaros, quase não são gente..."

Também é assim com os jornalistas, falam do que lhes é querido, do que lhes é próximo. Tentam alertar para as realidades que os preocupam, pois são as que os afectam. Pergunto-me, sem qualquer julgamento moral, quando é que estes jornalistas estiveram em Braga ou em Bragança? Se calhar nunca. Se calhar apenas em turismo.

Daí que, para o que está longe da capital, o que importa é a gastronomia, o futebol, os arraiais, as feiras, as velhinhas, os contos do vigário enfim…o caricatural, o país parolo, a brejeirice, o ridiculo…mesmo que exista exactamente o mesmo ridículo (ou pior) em Lisboa…
Da mesma forma, a intolerância face às falhas dos outros ("são bárbaros, bárbaros, quase não são gente...") só é igualada pela displicência com que se encaram as falhas próprias. Só assim se explica que, num país com tamanho nível de corrupção na administração central, a percepção comum seja a de que os grandes problemas estão nas autarquias.

Solução para o problema?
Parte passa pela consciencialização do seu provincianismo inato (dos jornalistas).
Passa também pela existência de pólos descentralizados de decisão nos media actuais (ao exemplo do que fazia a RTP com telejornal ao meio-dia no Porto e à noite em Lisboa, mas não só por aí: a produção de notícias, de conteúdos, tem de estar muito mais descentralizada do que isso - e quem decide quais as notícias tem de ser uma equipa multi-disciplinar e multi-região).

Mas a única solução é a do mercado. Até quando é que os espectros de emissão continuarão sujeitos a licença do Estado? Nada o justifica:
- O espectro permite a existência de mais 50 canais. Com a "liberalização" esse espectro não seria todo ocupado (para os "ideólogos", neste caso liberalização não significa entrega aos privados / privatização, significa simplesmente livre acesso de todos a um bem que não é escasso). A situação actual dificulta enormemente a criação de canais regionais generalistas
- A necessidades de licenças de emissão leva, como sempre, à geração de relações de clientelismo entre os privados e os decisores políticos. Consequentemente, facilita o acesso a quem está próximo do poder central: reforçando o clientelismo e o centralismo.
(será que existe centralismo sem clientelismo? E vice-versa? A não descentralização não é sempre o resultado de um projecto de poder pessoal, ou a necessidade de um poder discricionário central para a entrega de recursos publicos a um poder externo não legítimo?)

A a nós, no Norte, o que nos resta? Financiar, no mercado os media regionais (i.e. adquirindo produtos e serviços). Pressionar os media nacionais a darem mais atenção à nossa região, tanto escrevendo cartas a directores, jornalistas e provedores, como boicotando certos media em situações que o justifiquem ou, o que é mais eficaz, boicote os seus anunciantes, avisando-os que o está a fazer.

Enfim, o nosso caminho aqui, como em tudo na economia nortenha, passa por defender o que é nosso, com um proteccionismo saudável, promovido pelos consumidores. "Buy north, and keep your neighbours job". Neste caso, compre um jornal do norte, e mantenha a capacidade de influência dos media regionais.

P.S. Aconselho a leitura muito atenta do texto do TAF, que considero um texto fundamental. Não muito diferente do que afirmei no fim, mas noutra perspectiva. O que é dito sobre o Porto aplica-se, sem alterações, ao norte. Deveria aplicar-se ao país. Não importa - façamos a nossa parte, em vez de esperar pelo D. Sebastião que ponha isto nos eixos. Sebastião é morto. Só restamos nós. "Pensa Global, Age Local, e que se lixe o poder central".

P.P.S. Não estive ontem presente na conferência "Olhares Cruzados sobre o Porto". O meu texto surge na sequencia da conversa com um amigo.

20070831

"FarNorth": Norte a caminho do Faroeste


Links e notas relevantes:

20070711

Autofagia?

O futebol, às vezes, é uma metáfora da sociedade.

Porque é que é no Porto que se concentram alguns dos mais ferozes críticos do FCP e dos portistas? E em Braga que se reúnem os maiores detractores do SCB e dos braguistas?

20070621

Rui Moreira apresenta coordenador do estudo na próxima semana

"Deverá ser anunciado, no início da próxima semana, o nome do coordenador do estudo da Associação Comercial do Porto, sobre a opção Portela+1.

A Associação Comercial do Porto pretende fazer um estudo sobre a hipótese de manutenção do actual aeroporto da Portela com o apoio de uma outra estrutura aeroportuária, estudo este que comparará, sobretudo, as diferenças de custo e benefício face a outras soluções.

Uma fonte da Associação garantiu à Renascença que para esse tipo de análise não será necessário um particular reforço de meios financeiros, pelo que a instituição irá suportar os encargos decorrentes dessa avaliação. A Renascença sabe também que Rui Moreira quer envolver a Universidade do Porto na elaboração do estudo e não exclui a possibilidade de contar com a colaboração de outros parceiros – fora da área de influência do Porto – como, por exemplo, a Associação Industrial do Minho."

Reitoria, FEP e FEUP ainda não foram contactadas, mas estão disponíveis para dar contributo "rigoroso" à discussão.

AEP foi contactada antes da CIP

"A Associação Empresarial de Portugal (AEP) foi contactada, ainda antes da Confederação da Indústria (CIP) para estudar alternativas à Ota."

De facto, a Luísa Moreira tinha razão. Resta saber porque motivo a AEP não aceitou participar, e agora que o mais dificil já está feito, decidiu voltar atrás. É, no mínimo, estranho.

20070618

Estudo Portela+1 vai ser feito

Afinal não era covardia, era sentido de oportunidade. Os meus parabéns, caro Rui Moreira. Portela+1 vai ser estudada e Gestão autónoma do ASC também.

A ler no Blasfémias.

E tal como disse nos comentários, a blogosfera está disposta a ajudar. Arranje um NIB e nós havemos de o promover. Eu, pessoalmente, já abaixo me tinha voluntariado para fazer uma transferenciazita. Não tenho muito dinheiro, mas dou com boa vontade. Todos juntos talvez possamos dar um empurrãozito. E também podemos pressionar alguns poderes a ajudar (ex. câmaras municipais), se for necessário. Afinal, é para isso que aqui estamos.
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