20090731
20090310
20090303
Novo jornal vai falhar
Na minha modesta opinião, avançar com um Jornal na actual conjuntura económica e tecnológica é irrealista. Se acrescermos o facto de ser um grupo de comunicação fora de Lisboa (neste caso da região Centro), o cenário fica pior.
20090224
Porque o JN não merece solidariedade do Norte
Pedro Baptista detecta bem: O JN não é muito coerente. Aliás os respectivos jornalistas não são muito coerentes. Durante anos aceitaram ser manipulados pela Lusomundo/Lisboa. Libertaram-se um pouco quando Joaquim Oliveira entrou. Agora são novamente vítimas do «downsizing».
É o que dá servir interesses alheios. Como alguem dizia, quem troca liberdade por segurança não merece ambas. Quem troca a solidariedade e defesa do Norte pelo salário, não merece nem um nem outro.
Ainda por cima, parece que é o JN o único jornal da Controlinveste que dá lucro:
http://renovaroporto.blogspot.com/2009/02/quem-tudo-quer.html
20090126
JN, Jornal sem Norte
Há bem poucos anos o JN ignorava os assuntos de natureza regional. Era um jornal para vender a Norte.
Provavelmente na redacção do JN existe a mesma percentagem de portuenses que dizem que Lisboa são todos amigos, que defender o Norte é bairrismo. Ignoram que existe uma tentativa não declarada dos agentes económicos de Lisboa de drenar para lá as actividades de bens e serviços não transaccionáveis, mais abrigadas da concorrência internacional.
Portanto, não faz muito sentido agora reclamar que o JN vai novamente ser transferido para Lisboa.
A criação de centros de poder a Norte, nomeadamente na comunicação social, já devia ter sido implementado há muito tempo. Os actores correntes , a redacção do JN, andaram distraídos demasiado tempo, assim como por exemplo Rui Moreira e ACPs contra a Regionalização. Agora não ha nada a fazer.
20081122
Youtube Live : Início do fim da hegemonia comunicacional de Lisboa
A propósito do episódio da suspensão da Democracia por 6 meses, António Maria descreve como funciona a manipulação comunicacional sedeada em Lisboa: O MSM recebe indirectamente do Governo notícias prontas a difundir e implicitamente sabe que vai receber contratos publicitários do Estado Central:
(...) O actual governo "socialista", que começou por copiar o neo-liberalismo de Tony Blair (exagerando, claro!), sabendo das fragilidades económicas extremas do suposto Quarto Poder na era da globalização internética e blogosférica, seduziu os jornalistas e empresários de comunicação para um verdadeiro pacto com o diabo do poder. Em troca de uma generosa alimentação publicitária de Estado, a independente e ética comunicação social lusitana faria os fretes que fossem necessários à actual maioria e tríade de piratas que a sustenta. E assim foi!
Faltava, porém, um mecanismo de disfarce das operações de contra-informação montadas diariamente pelo actual poder político, ora para fazer propaganda ad nauseam da sua nulidade executiva, ora para esconder até ao limite as verdades inconvenientes (por exemplo, o caso da caricata licenciatura do primeiro ministro, ou o fracasso completo do aeromoscas de Beja), ora para realizar operações integrais de marketing político das suas decisões, por mais idiotas que se afigurem ao comum dos mortais (por exemplo, o caso do inabalável aeroporto da Ota, ou a ópera bufa em volta do portátil da Intel e da Microsoft, alcunhado de Magalhães). O mecanismo apareceu e prospera como nunca. Chama-se "agência de comunicação".
Uma agência de comunicação, em Portugal, é basicamente uma empresa de serviços dedicada à produção e disseminação de informação paga por clientes, e como tal confeccionada e infiltrada no tecido mediático dominante de acordo com as exigências de conteúdo e formais do cliente. Ou seja, a imprensa, trajada a rigor como virgem ética da verdade comunicativa, recebe informação gratuita (lembrem-se que as empresas de média estão virtualmente falidas), embora com uma condição de acessibilidade irrecusável: publicar na hora, não apenas a informação, mas a forma editada da informação, que as agências diligentemente obtêm dos seus clientes e fazem chegar às redacções. (...)
O Norte, aliás o resto do pais, tem que gramar e financiar com impostos para a RTP, toda esta manipulação, quer seja na publicidade negativa contra FCP, Metro do Porto, autarcas ou empresários do Norte, ou aceitar sem argumentação a retórica justificação de investimentos injustificáveis Otas, Alcochetes, TTTs, TGVs, NovAlcantara, Plano Oeste, que o governo quer implementar. Porém, como já tinha descrito no post anterior, o modelo de negócio da comunicação social está em rápida alteração. A Blogosfera já deu cabo da Imprensa e brevemente novas ferramentas darão cabo da rentabilidade das TVs generalistas. Ora, hoje, é precisamente um dia D: Arranca o YouTubeLive, isto é a possibilidade de realizar grátis emissões video ao vivo. Este serviço já é actualmente oferecido por operadores com menor base de utilizadores, pelo que, as emissões video ao vivo cresçerão de forma mais acelerada, como as sondagens aos hábitos de consumo de TV/videos online vão confirmando. É mais um passo para a maior liberdade de produção e difusão de conteúdos multimédia, que contribuirá significativamente para quebrar a hegemonia comunicacional de Lisboa.
Só precisamos de esperar mais uns 3 ou 4 anos
Para o Norte sair da situação em que está é fundamental a existência de comunicação social autonoma e actuante. É necessário desconstruir as mensagens interesseiras, parciais e ignorantes que a dita comunicação social nacional difunde e que seja agregadora dos concensos que regionalmente se vão criando em torno de projectos de desenvolvimento, de iniciativa privada ou pública. Isto tudo executado numa lógica de lucro, que necessita de conteúdos interessantes a custo controlado para atingir audiências e vender publicidade.
Apesar dos relatos negativos do «bussoleiro» Rogério Gomes, na minha opinião, nos últimos anos o Norte tem evoluído positivamente em matéria de Comunicação Social, nomeadamente com o aparecimento inovador de «opinion makers» «outsiders» na Blogosfera e com as TVs locais via Internet (GuimaraãesTV, UTADTV, VianaTV, FamalicãoTV, MinhoActual, AveiroTV, ValeSousaTV, DouroTV, BastoTV, etc). É certo que ambos ainda não tem o peso mediático da comunicação social tradicional (Jornais, Rádio, TV), mas para lá caminham. Além disso, há outros factos positivos: Existe o PortoCanal a RNTV/InvictaTV instável e um JN regionalista desde a entrada de Joaquim Oliveira (Não esquecer entretanto que quem emprestou o dinheiro a Joaquim Oliveira foi o BCP gerido actualmente por «mafiosos»... Portanto, pode um dia destes o JN regressar aos tempos de há 3 ou 4 anos atrás... ). Há ainda a entrada do regionalista Luís Costa para a direcção da RTP Porto (devia-se chamar e ser RTP Norte) ou mesmo a ida de Guilherme Costa, natural da AMPorto, para a própria presidência da RTP. No entanto, não espero alterações substânciais neste aspecto. A RTP Porto é uma unidade da RTP que é nacional. Não é nem nunca vai ser trincheira a partir da qual um região prejudicada lança contra-ataques mediáticos, verdadeiros e esclarecedores.
Mas o melhor está por chegar. É que enquanto a Internet for livre, o modelo de negócio da Blogosfera ou TVs Internet é muito mais competitivo do que os tradicionais. Hoje em dia qualquer um publica um blogue ou lê as notícias que lhe interessa através de ferramentas tipo GoogleNews ou GoogleReader. Mesmo na produção de contéudos multimédia, existe gratuitamente o Youtube e outras ferramentas espantosas que permitem produzir InternetTV em directo, tal com um estudio de TV tradicional. Falta ainda uma «killer application» para a recepção dos conteúdos, isto é, um MediaPortal que funcione como o GoogleReader dos videos na nossa televisão da sala de estar. Só precisamos de esperar mais uns 3 ou 4 anos ou menos. Nessa altura os contéudos das InternetTV locais que actualmente tem pouca procura porque o consumidor médio não tem tempo para os ver no PC, passarão a está à distância de um clique no comando à distância do televisor. Aí, a profissionalização, audiências e receitas publicitárias começarão. Sendo editorialmente livres começarão a estar do lado das reinvidicações de desenvolvimento que actualmente são silenciadas/negligências pela comunicação social a nível nacional.
Como afirma e bem a DouroTV, «O futuro da região passa por nós».
A prova de tudo o que afirmo é a disponibilização online do video da conferência dos Olhares Cruzados sobre o Porto, impensável hà 3 ou 4 anos atrás, disponível aqui.
Publicado originalmente a 2008.02.13.
20080314
20080215
Reflexões sobre o centralismo dos Media
É inerente ao pronvincianismo inato em cada ser humano: vemos a realidade em contentores e sob o nosso ponto de vista (não sob o ponto de vista imparcial, ou dos outros). O provincianismo decorre da miopia humana: vemos mal ao longe. Vemos melhor a nossa rua do que a dos outros... e às vezes nem sabemos o que lá se passa... "são bárbaros, bárbaros, quase não são gente..."
Também é assim com os jornalistas, falam do que lhes é querido, do que lhes é próximo. Tentam alertar para as realidades que os preocupam, pois são as que os afectam. Pergunto-me, sem qualquer julgamento moral, quando é que estes jornalistas estiveram em Braga ou em Bragança? Se calhar nunca. Se calhar apenas em turismo.
Daí que, para o que está longe da capital, o que importa é a gastronomia, o futebol, os arraiais, as feiras, as velhinhas, os contos do vigário enfim…o caricatural, o país parolo, a brejeirice, o ridiculo…mesmo que exista exactamente o mesmo ridículo (ou pior) em Lisboa…
Da mesma forma, a intolerância face às falhas dos outros ("são bárbaros, bárbaros, quase não são gente...") só é igualada pela displicência com que se encaram as falhas próprias. Só assim se explica que, num país com tamanho nível de corrupção na administração central, a percepção comum seja a de que os grandes problemas estão nas autarquias.
Solução para o problema?
Parte passa pela consciencialização do seu provincianismo inato (dos jornalistas).
Passa também pela existência de pólos descentralizados de decisão nos media actuais (ao exemplo do que fazia a RTP com telejornal ao meio-dia no Porto e à noite em Lisboa, mas não só por aí: a produção de notícias, de conteúdos, tem de estar muito mais descentralizada do que isso - e quem decide quais as notícias tem de ser uma equipa multi-disciplinar e multi-região).
Mas a única solução é a do mercado. Até quando é que os espectros de emissão continuarão sujeitos a licença do Estado? Nada o justifica:
- O espectro permite a existência de mais 50 canais. Com a "liberalização" esse espectro não seria todo ocupado (para os "ideólogos", neste caso liberalização não significa entrega aos privados / privatização, significa simplesmente livre acesso de todos a um bem que não é escasso). A situação actual dificulta enormemente a criação de canais regionais generalistas
- A necessidades de licenças de emissão leva, como sempre, à geração de relações de clientelismo entre os privados e os decisores políticos. Consequentemente, facilita o acesso a quem está próximo do poder central: reforçando o clientelismo e o centralismo.
(será que existe centralismo sem clientelismo? E vice-versa? A não descentralização não é sempre o resultado de um projecto de poder pessoal, ou a necessidade de um poder discricionário central para a entrega de recursos publicos a um poder externo não legítimo?)
A a nós, no Norte, o que nos resta? Financiar, no mercado os media regionais (i.e. adquirindo produtos e serviços). Pressionar os media nacionais a darem mais atenção à nossa região, tanto escrevendo cartas a directores, jornalistas e provedores, como boicotando certos media em situações que o justifiquem ou, o que é mais eficaz, boicote os seus anunciantes, avisando-os que o está a fazer.
Enfim, o nosso caminho aqui, como em tudo na economia nortenha, passa por defender o que é nosso, com um proteccionismo saudável, promovido pelos consumidores. "Buy north, and keep your neighbours job". Neste caso, compre um jornal do norte, e mantenha a capacidade de influência dos media regionais.
P.S. Aconselho a leitura muito atenta do texto do TAF, que considero um texto fundamental. Não muito diferente do que afirmei no fim, mas noutra perspectiva. O que é dito sobre o Porto aplica-se, sem alterações, ao norte. Deveria aplicar-se ao país. Não importa - façamos a nossa parte, em vez de esperar pelo D. Sebastião que ponha isto nos eixos. Sebastião é morto. Só restamos nós. "Pensa Global, Age Local, e que se lixe o poder central".
P.P.S. Não estive ontem presente na conferência "Olhares Cruzados sobre o Porto". O meu texto surge na sequencia da conversa com um amigo.
20070725
"Futebol, também ajuda a medir a democracia"
Agora, é Luís Marinho, director da RTP, a dizer: "é inevitável um certo centralismo" (JN de hoje).
Tudo o que possa esvaziar de poder o Porto e o Norte (não confundir Porto com todo o Norte, mas não se sonegue a relevância que tem para a Região), por mais ínfimo que ele seja, é encarado com a maior naturalidade. Aliás, dizer e fazer mal ao Porto, tornou-se já um hábito, quase uma moda. Como os criminosos nunca assumem os seus actos, chamam "complexados" aos que reagem ao crime e o denunciam.
A avaliar pela originalidade das expressões do Sr.Luís Marinho, àcerca das queixas de Narciso Miranda sobre a recente transferência do noticiário da noite da RTP N para Lisboa, podemos deduzir o incómodo que este de tipo acções de cariz "indiscutivelmente democrático" lhe provocam. Referiu também: "alguns estão com medo de perder o palco, mas isso não vai acontecer" .
Luís Marinho, reconhece implicitamente que o "palco" (como ele chama à televisão) é muito importante e por isso o reforça e concentra na capital, mas descansa os parôlos cá do Norte com garantias verbais de lhes oferecer uns pózinhos de visibilidade... Só que, confunde centralismo com proporcionalidade, se considerada a respectiva importância de cidades como Lisboa e Porto (a tal desconcentração de que reza a Constituição). Por confundir tão primariamente as situações é que considera inevitável o centralismo.
Para compôr o ramalhete, declara que "fazer informação, não é andar atrás de certas notícias",
mas esquece-se do sectarismo, da avidez de abutre com que a RTP nos serve os "Apitos Dourados" e as alegadas ligações de Pinto da Costa à corrupção desportiva. Casualmente, inocentemente (sublinhe-se), perde o apetite de rapina e "esquece-se" de nos informar quando se trata de praticar o constitucional direito ao contraditório sobretudo se este beneficiar a imagem dos visados.
Em termos de informação meramente desportiva (se é que tal existe), "respeita" a ordem natural das coisas e brinda-nos metodicamente com esta esta sequência: Benfica, Sporting e quando calha, o F.C. Porto. Ou seja, inverte a lógica das prioridades, colocando o 1º.classificado e campeão em terceiro, o segundo (Sporting) em segundo e o terceiro (Benfica) em primeiro (à naúsea). Naturalmente, e apesar desta arbitrariedade informativa, a RTP não comete o erro de deixar acumular demais estes critérios a fim de evitar que o balão lhe rebente por excesso de "ar" e então, de quando em vez (muito contrariada) lá abre a informação desportiva com o FCPorto...
É por estes e muitos outros motivos, que sempre considerei pertinente a inclusão pontual do tema "futebol" neste espaço e procurei sensibilizar os demais participantes para a superação das eventuais rivalidades clubísticas. Além de que, o Futebol Clube do Porto (goste-se ou não) tem sido a instituição nacional que mais tem contribuído para a visibilidade da cidade e do do próprio país
20070716
Cara de pau

O inenarrável Sampaio, deputado pelo distrito do Porto e "consultor de empresas", diz que o fim dos períodos de informação nocturnos da RTPN, a partir do Porto, é uma mera medida de gestão que não implica qualquer perda de importância do Centro de Produção do Porto. Para quem tem acompanhado a construção dos novos e gigantescos estúdios da RTP, na lisboeta Marechal Gomes da Costa a Chelas, nada disto espanta. Nem sequer a cara de pau do "deputado".
Do ponto de vista da RTP, se for vista como uma empresa sedeada em Lisboa, não pública e sem preocupações pela coesão territorial, é, obviamente, uma boa medida de gestão.
20070706
Governo de Portugal vs. Governo de Lisboa
Por Carlos Guimarães Pinto, via Insurgente
Número de resultados no google news da procura “governo de Portugal”: 20Número de resultados no google news da procura “governo de Lisboa”: 112