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20090616

Anedota

Jornal de Negócios Online - O eixo Porto-Vigo não gera "cash-flow" suficiente para ajudar a financiar a linha, ao contrário do que acontece com os eixos Lisboa-Porto e Lisboa Madrid (a anedota).




20090615

Observatórios Centralistas

Observações de António Barreto « BLASFÉMIAS

Estes organismos são na sua maioria duplicações de estruturas da administração central já existentes e sediadas em Lisboa.


20090613

As obras lisboetas que o PSD de MFLeite vai propor depois de Outubro

Há 1 mês MFLeite dizia:

E como é que o Governo pode apoiar esse tecido empresarial ? Trocando, por exemplo, os investimentos megalómanos por investimentos como a recuperação das escolas, com que estou de acordo. São investimentos de proximidade e que têm efeitos imediatos sem gerar dívida externa. Mas há muitos outros que podiam ser feitos. Na reabilitação urbana. Nos hospitais. Na recuperação do património. São investimentos que exigem muita mão-de-obra, mão-de-obra local, e que podem arrancar depressa e ter efeitos imediatos, ao contrário dos grandes projectos. Eu não sou contra o investimento público, sou contra os investimentos que agravam o endividamento externo e que não têm efeito imediato na redução do desemprego.
Hoje a 1ª página do Expresso Economia preprara o clima :

«Empresários e gestores falam do potencial de Lisboa - Lisboa é cada vez mais recomendada em jornais e guias internacionais. Empresários turísticos fazem um circuito pela cidade e avançam propostas para o futuro».
Quem são esses «empresários» ? Ricardo Salgado e grupo Mello, ou seja, os mesmos de sempre.


Eis uma proposta de «futuro», já em curso:
PCP questiona necessidade da obra - PS chumba proposta para suspender construção do novo Museu dos Coches
As «máfias» habituais já se começam a posicionar para o novo cilco político e de investimentos em Lisboa.

20090607

Jornalista do PS vai presidir à AMTransportes do Porto

Isabel Oneto vai presidir à Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto - Jornalista de profissão, Isabel Oneto é licenciada em direito e tem o mestrado em ciências jurídico-criminais pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Antes de ocupar o cargo de governadora civil, Isabel Oneto foi vereadora pelo PS na Câmara do Porto foi vereadora do PS na Câmara do Porto.
Como é licenciada em Direito, será que vai conseguir interpretar os estudos de tarifários ou estatísticas de utilização de transportes ?

20070926

No espaço de um ano, o salário médio em Lisboa aumentou 63 euros, de longe a maior subida de todo o país. Um lisboeta trabalhador por conta de outrem ganhava, no final do segundo trimestre deste ano, 937 euros, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística. No outro extremo, a região Norte, cada pessoa levava para casa 647 euros - mais 11 euros do que um ano antes. Em pior situação estão os algarvios, já que o salário médio tem mergulhado. Em doze meses, perderam 47 euros na folha de vencimentos.
...

E a capacidade de atracção de mão-de-obra qualificada por parte da capital é cada vez maior, acrescentou Couto dos Santos, vice-presidente executivo da Associação Empresarial de Portugal (AEP). "O país está cada vez mais centralizado, no que toca à tomada de decisões, ao investimento e à atracção de recursos humanos e de elites". A perda de jovens qualificados preocupa especialmente a AEP. "Os bons técnicos saídos das universidades do Norte vão trabalhar para o estrangeiro ou para Lisboa. Aqui ficam os recursos pouco qualificados", cujo salário é inferior, disse.

Se as decisões do Governo contribuem para a disparidade salarial, entende Couto dos Santos, também os líderes da região têm responsabilidade. "Não há união nenhuma, as elites estão concentradas nas suas paróquias e rapidamente se deixam levar para Lisboa e se calam".
...


no JN

Começa a ser cada vez mais impossivél negar o que está à frente de todos nós. Vou ficar à espera das medidas dos responsaveis... mas decerto que a vergonha vai continuar. Acho que devíamos fazer o mesmo que a TAP, contratar gestores estrangeiros!

20070828

Factores de Desenvolvimento Económico

A proximidade de grandes mercados de consumo (áreas fortemente povoadas /com elevado poder de compra) costuma ser um dos principais factores apontados para explicar o desenvolvimento económico de uma região na Europa. Assim, as regiões próximas do "Triângulo Dourado" Manchester-Paris-Rhur têm uma vantagem em relação às restantes.


Por exemplo, em Espanha as regiões que mais beneficiam deste factor são as do nordeste (catalunha, valência, aragão, bilbau), pela proximidade ao centro europeu e a concentração populacional da Catalunha, e Madrid pela própria concentração populacional.

No entanto, uma análise histórica efecutada por Jesús Lopez-Rodriguez e J. Andrès Faiña revela resultados interessantes. Este factor tem cada vez menor capacidade para explicar o rendimento. Em 1982, a proximidade de grandes mercados explicava 58% da variação de rendimento entre regiões. Em 1999, apenas 42%.

Mais, ao analisar o gráfico disponibilizado apercebemo-nos que a Irlanda é, tal como Portugal, um país periférico. Eles são, no entanto, um dos países mais ricos da UE.

Em conclusão: A concentração é, cada vez menos, um factor relevante para o crescimento económico. As desculpas para o concentracionismo acabaram.

Estudo disponível aqui (seleccionar artigos, ensaios, e depois o seguinte ensaio: "Does distance matter for determining regional income in the European Union? An approach through the market potential concept").

20070822

Remar contra a maré

"Jornal de Notícias |Vive e trabalha no Porto há mais de um ano. Ainda alguma coisa o surpreende na maneira como se faz negócios e na relação com o Governo?

Pires de Lima | Surpreender não, mas que é frustrante é. A vida dos gestores é distribuída entre a gestão e a necessidade de, permanentemente, se deslocarem a Lisboa. A centralização política tem sido acompanhada por uma certa decadência económica das regiões fora de Lisboa, no Norte mas também no Interior."

Aqui fica uma entrevista interessante. Uma breve descrição das dificuldades que a centralização traz ao desenvolvimento do país. A impressão que tiro desta entrevista, é que actualmente nem mesmo no Porto é possivél levantar uma palha sem autorização ou compadrio de algum burocrata a 300km de distância. Como será possivél, então, desenvolver o resto do país, quando os estraves começam por aqueles que o dever seria ajudar. Somos governados por uma cambada de pessoas mesquinhas, tugas e chicos-espertos.

Mais uma vez, parece que é só o JN que aborda o tema! Até agora é só quem vive na fronteira que se desloca a Espanha para o que precisa (saúde, educação, etc.); talvez quando metade da população tiver emigrado para Espanha e a outra metade para Lisboa, o resto de comunicação acorde!

20070710

Dimensão do Estado Central e Clientelismo

O Norte está em crise económica. A crise económica em Portugal deve-se à crise económica do Norte.
A crise económica do Norte deve-se à dimensão e clientelismo do Estado Central.


Aditamento
Leituras relacionadas
- Numerus clausus desviam alunos do Porto para Lisboa.
- Favores Pessoais no IKEA: I e III.
- RTP emagrece Centro de Produção do Porto. A mesma RTP que, passado 15 dias, mandava vir técnicos de Lisboa para fazer a cobertura da presidência europeia.
- Estratégia de desenvolvimento regional sui generis (ou "Como conseguir que Lisboa tenha acesso aos fundos destinados pela UE às regiões mais pobres").
- O que é o centralismo, no Parque de Montesinho.
- A rapidez do Estado Central para resolver problemas locais (cerca de 43 anos).

Originalmente publicado às 14h00

20070705

Onde devo estudar se quiser um lugar político de destaque?

Pedro Menezes Simoes ficou deprimido com a triste constatação da realidade. Uma realidade que, aliás, não nos surpreende (I, II). Lisboa, Lisboa e Lisboa. Vejamos os locais de formação académica dos Ministros do Governo Sócrates.

LISBOA (12): Luís Amado: Economia pela Universidade Técnica; Pedro Silva Pereira : Direito pela Faculdade de Direito; Nuno Severiano Teixeira: História pela Faculdade de Letras; Rui Pereira: Direito pela Faculdade de Direito; Alberto Costa: Direito na Faculdade de Direito; Francisco Nunes Correia: Engenharia Civil pelo IST; Manuel Pinho: Economia pelo I.S.E.; Jaime Silva: Economia pelo I.S.E.; Mário Lino: Engenharia Civil pelo IST; Vieira da Silva: Economia pelo ISEG; Maria de Lurdes Rodrigues: Sociologia pelo ISCTE; Mariano Gago: Engenharia Electrotécnica no IST.

PORTO (3): Teixeira dos Santos: Economia pela faculdade de Economia; Isabel Pires de Lima: Filologia Românica na Faculdade de Letras; Augusto Santos Silva: História pela Faculdade de Letras.

COIMBRA (1): Correia de Campos: Direito pela Faculdade de Direito.

Será que Lisboa forma os melhores quadros, mesmo não dispondo, à partida, dos melhores alunos?
Será que os licenciados nas chamadas Universidades Novas (com mais de 30 anos de vida) não têm competência para integrar um governo?
Quem souber que responda.

Será que nos deram a independência e não sabemos...

... ou será lavagem cerebral... ou será a triste constatação da realidade? São tudo notícias diferentes, de vários jornais (Diario Digital, Visão, Sol, Jornal de Negócios, Mundo Português). Todas elas fazem referência ao Governo de Lisboa. Ao que parece, é um novo país... (O Público também tinha ontem uma assim, mas corrigiu-a depois de um comentário de um leitor atento).

A mega-operação dará a Portugal grande visibilidade externa durante seis meses e colocará o Governo de Lisboa no centro de praticamente todas as decisões comunitárias, bem como nos mais importantes palcos de negociações internacionais.

O chefe de governo de Lisboa, que participou hoje, em Bruxelas, numa conferência internacional sobre biocombustíveis.

Uma reunião, no Porto, entre o Governo de Lisboa e a Comissão Europeia preparatório das iniciativas a desenvolver no semestre, marcou a primeira manhã de trabalhos da presidência portuguesa da UE.

O Governo de Lisboa tem uma "agenda externa", que pretende seja "distintiva", para os seis meses da sua próxima presidência da União Europeia contando imprimir uma nova dinâmica ao relacionamento entre a Europa e o Brasil, bem como com África e com os países da bacia sul do Mediterrâneo.

Só pelo facto de se ter realizado, a primeira Cimeira UE- -Brasil é uma vitória para a presidência portuguesa da União Europeia e um motivo de orgulho para Lisboa, que conseguiu convencer os seus parceiros da necessidade de dar ao Brasil um estatuto idêntico ao das outras economias emergentes: China, Índia e Rússia.

Em conferência de imprensa conjunta, após a reunião do Governo de Lisboa com a Comissão Europeia, que assinalou o início da presidência portuguesa da UE.

A referência do primeiro-ministro à assinatura formal do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) entre o Governo de Lisboa e Bruxelas

Para Lula, a parceria estratégica de Lisboa surge numa conjuntura feliz (...) Por Lisboa, na plana da mão governamental a advertência do esperar para ver o que consta dos textos legais, enquanto nas costas da mão do executivo fulgura o “mandato claro”. (...) A Cimeira UE África tem muito para penar se Lisboa aceitar a presença de Robert Mugabe.

O chefe do Governo português lembrou que esta cimeira que trouxe Lula da Silva a Lisboa foi uma proposta portuguesa que Lisboa «ganhou», através da «luta diplomática».

O chefe de governo de Lisboa destacou a »ambição« portuguesa de antecipar para 2010 a meta dos 10% de biocombustíveis, quando a nível da UE a meta se refere a 2020.

Os governo de Lisboa e Brasília vêem com bons olhos a criação deste operador lusófono que concorra com os grandes players mundiais.

A reunião entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, hoje, ao fim da tarde, em São Bento, foi cancelada, disse à agência Lusa fonte do Governo de Lisboa.

Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa...

ARGH!!!! Isto numa pesquisa que demorou 10 minutos (incluindo fazer o post). Tudo notícias recentes... Não volto a fazer isto tão cedo. Fiquei deprimido...

20070704

Que pólos de competitividade para Portugal III

"Uma decisão estratégica

A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda. Iniciativas como as "Cidades e Regiões Digitais", "Acções Inovadoras de Base Regional", entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda e de reforçar os infelizmente nem sempre muito fortes níveis de cooperação e articulação entre actores territoriais (Municípios, Universidades, Centros I&D, entre outros).

Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assunção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento e de implementar "Pólos de Competitividade" ao longo do país, fixando dessa forma riqueza e talentos que doutra forma tenderão a concentrar-se unicamente na grande metrópole.

Neste contexto, a questão surge então – que Pólos de Competitividade deverá o país privilegiar e de que forma deverão ser operacionalizados ao longo do território? São conhecidos nesta matéria várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao conhecido modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas. Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria a particular especificidade do nosso país e as competências centrais de que dispõe. Acima de tudo, há que tomar opções de forma clara e ser muito claro que haverá zonas territoriais preteridas face a outras, mas o bem de uns é o bem de todos. O papel do Investimento Directo Estrangeiro de Inovação, articulado com Universidades e outros Centros de Competência, vai ser decisivo nesta área e ao Estado caberá a inelutável missão de regular com rigor e sentido estratégico.

Seria muito mau para Portugal e para os portugueses que, em 2015, 45,3% da população se concentrasse na Grande Lisboa. Portugal não é nem quer ser um país como o México. Portugal é um país da União Europeia, convicto do seu paradigma de desenvolvimento e apostado em fazer assentar o seu futuro num compromisso que se pretende sustentável entre a tradição duma história única e a inovação dum futuro diferente. É por isso que a urgência operativa do Programa dos "Pólos de Competitividade" se torna um imperativo de reencontro do nosso país com o seu futuro mais próximo."

Por Francisco Jaime Quesado

20070701

Que pólos de competitividade para Portugal II

"Uma metropolização incontrolável

Os dados do estudo "Prospectivas de Urbanização do Mundo", do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros. Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4.5 em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23.9% do total da população.

Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerá apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8.3% dos portugueses. Ou seja, uma clara secundarização do papel das Cidades Médias, o que contraria todas as tendências internacionais e a prática da política pública dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de Cidades Médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da Metropolização da capital que parece não ter fim.

O papel das Universidades e Institutos Politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado. A alternativa desenvolvida nos últimos anos, centrada nas infra-estruturas rodoviárias e na ancoragem de animação local através de "shopings" também não terá grande futuro, pois será muito limitada pela ausência de valor acrescentado gerado e pela incapacidade de manter estáveis níveis de consumo essenciais para manter a actividade local pretendida.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas "Novas Plataformas de Competitividade" a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos.

O aumento dos fluxos migratórios do interior para as grandes cidades, por um lado, e para o estrangeiro, por outro, envolvendo tanto talentos como segmentos indiferenciados da população afectados pela onda crescente de desemprego, tem que ter uma resposta cabal. Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país "dual", incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global."

Por
Francisco Jaime Quesado

20070629

Que pólos de competitividade para Portugal I

Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.

Apesar da tónica colocada no desenvolvimento do interior, o certo é que o tempo passa e as soluções teimam em aparecer. A definição estratégica do Modelo de "Pólos de Competitividade" para o país torna-se mais do que nunca decisiva e compete ao Estado o Papel central de dinamização dum Programa Estratégico para uma maior coesão social e territorial do país.

Numa Europa das Cidades e Regiões, onde a aposta na inovação e conhecimento se configura como a grande plataforma de aumento da competitividade à escala global, os números sobre a coesão territorial e social traduzem uma evolução completamente distinta do paradigma desejado.

A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta "dualidade" de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Por Francisco Jaime Quesado

20070625

O referendo como instrumento não-democrático

As recentes polémicas quanto à utilização ou não de um referendo para a ratificação do novo tratado europeu permitem-nos concluir que o
  • Quando se tem medo que o povo não aprove algo, utiliza-se a ratificação parlamentar (p.e. tratado europeu).
  • Quando se quer rejeitar algo que já está aprovado, ou se tem medo que o parlamento aprove algo, utiliza-se o referendo (p.e. regionalização).

É mais que conhecido o factor da "aversão à mudança". Em caso de dúvida, o povo vota não. Particularmente se tiver pouca e má informação. Também aqui o tratado europeu e a regionalização europeia estão em campos opostos.

Interessa aos políticos centralistas dar pouca informação sobre o tratado europeu. Mais informação implica maior discordância. Interessa aos políticos centralistas dar pouca informação sobre a regionalização. Mais informação implica maior concordância.

Para alterar a constituição, utiliza-se o parlamento. Mas para não cumprir a constituição, recorre-se ao referendo...

Note-se que a minha opinião é que todas as alterações significativas ao ordenamento político (no qual se englobam tratados europeus, regionalização e alteração da lei eleitoral) devem ser referendadas. Apenas queria realçar a dúpla ética dos políticos centrais quanto a estas matérias. Porque quando os políticos decidem pelo povo aquilo que apenas ao povo cabe decidir, isso também é centralismo.

20070622

RTP emagrece Centro de Produção do Porto

"O programa da tarde da RTP1, Portugal no Coração, e os noticiários da RTPN das 22h00 e 24h00, hoje produzidos e emitidos a partir do Centro de Produção do Porto, poderão passar para Lisboa no final do Verão.

A administração da RTP está a "estudar o plano de reestruturação da produção" da televisão pública e isso irá implicar essa redução de meios do Porto, admitiu, em declarações prestadas ao Público, o administrador Luís Marques.

O Portugal no Coração, apresentado por Júlio Isidro (que substitui José Carlos Malato), tem vindo a perder audiência para os concorrentes Contacto, da SIC, e as Tardes de Júlia, apesar de ter bons resultados nos canais internacionais. Luís Marques garante que o programa "será produzido internamente", negando qualquer intenção de o entregar a uma produtora externa.

O centro de Produção do Porto da RTP emprega 400 pessoas, parte delas em regime de prestação de serviços e que serão dispensadas se se concretizar a mudança para o novo centro de Produção de Lisboa, inaugurado em Março pelo Presidente da República."
In Público (20.06.2007)

Na boa. Mandem então para cá os programas feitos em Lisboa que estejam a perder audiências. Até poupam nos salários.

Nota1: A preocupação revelada é que a produção seja feita internamente. Normalmente, estas declarações de refutação do outsourcing visam descansar os trabalhadores quanto à sua segurança de emprego. Mas tendo em conta que os trabalhadores do Norte vão ser dispensados, a que emprego é que ele se revere?

Nota2: Por outro lado, não há qualquer "pingo" de preocupação com o facto dos portugueses subsidiarem uma televisão pública que, em 90%, apenas representa a realidade Lisboeta.

Nota3: Porque é que as reestruturações são sempre feitas no sentido de centralizar tudo onde os salários são mais caros, os terrenos são mais caros, o arrendamento é mais caro, há menor disponibilidade de talentos (todas as tv's recrutam em lisboa, não no norte). Há um prazer especial em perder dinheiro. Pena que seja o nosso.

20070619

Não é medo de represálias...

A verdadeira razão pela qual os empresários que pagaram o estudo de Alcochete quiseram o anonimato é bastante simples. Não é medo de represálias.

A verdadeira razão é a mesma pela qual todas as grandes empresas deslocaram os seus centros de decisão para Lisboa. Para receberem benefícios do Governo. As empresas em Portugal não vivem sem a protecção, subsídios, ou favorecimento do Estado Central. É contra isso que lutamos aqui no Norteamos. Contra a distribuição de benefícios baseada nas ligações pessoais, na troca de favores (e de cadeiras).

Não é medo de represálias... é medo do fim dos benefícios.

20070615

Manifestação em Lisboa contra a privatização do Rivoli

A ideia de estender o protesto a Lisboa «à última hora» era «chamar a atenção para este caso e também para a centralização, porque quando uma coisa se passa no Porto, parece que em Lisboa ninguém nota, não há comunicação entre as entidades artísticas das duas cidades», sustentou Joana Gusmão.

Independentemente da questão do Rivoli (confesso não estar suficientemente informado sobre o assunto para ter uma opinião partilhável), esta manifestação é sintomática. Os cidadãos começam a aperceber-se que as manifestações só têm real visibilidade se forem feitas em Lisboa. O que se passa fora de Lisboa raramente existe. (Curiosamente, a "Rivolição" até teve bastante visibilidade).

Infelizmente, a defesa do Norte poderá ter de passar por isto - invadir Lisboa em protesto...

20070613

Estratégia de desenvolvimento regional sui generis II

Qual a semelhança e a diferença entre Alenquer e Azambuja?

Diferença: Alenquer está na região do Centro e a Azambuja na região do Alentejo.
Semelhança 1: Ambas beneficiam dos Fundos da UE definidos para as regiões mais pobres.
Semelhança 2: Ambas pertencem ao distrito de Lisboa.

Guarda, Viseu, Covilhã, Castelo Branco, Coimbra, Beja, Évora, e Portalegre agradecem. Sem dúvida irão beneficiar dos fundos de coesão regional aplicados nesses 2 concelhos.


P.S. O governo está a analisar a hipótese de incluir nos Açores a ilha de Porto Santo e a parte norte da Madeira. Só ainda não decidiu se Chelas pertence ao Alentejo ou ao Centro...
Leituras recomendadas