Isto “Riscos para a economia agravaram-se imenso” é igual a isto «Efeitos a Norte da recessão económica internacional que se aproxima». A diferença é apenas a data de publicação.
20070910
Vitor Constâncio «consulta» o Norteamos
20070909
Indemnizações compensatórias III
In DN
A RTP, que recebe um financiamento (uma ignóbil exacção) através da taxa de audiovisuais, cobrado na factura de electricidade, e que passa publicidade a preços milionários, ainda recebe mais de 150 milhões de euros - leram bem: 152 300 000 €! - em nome de indemnização compensatória devido a serviço público prestado.
Dando de barato que exista serviço público - coisa que eu tenho dificuldade em descortinar -, este não será assim tão volumoso que justifique uma tal quantia de dinheiro (6 vezes mais do que é atribuido ao Metro de Lisboa e 13 vezes mais do que é atribuido ao Metro do Porto), principalmente quando comparado ao que é atribuido às empresas de transportes, porque essas sim fazem serviço público, e, mais ainda, quando comparado com aquelas que nada recebem e também prestam muitos e relevantes serviços públicos.
Este dinheiro serve para pagar uma coisa que se chama condicionamento das consciências e do pensamento dos cidadãos.
Indemnizações compensatórias II
1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)
2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.
3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...
4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?
Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...
Indemnizações compensatórias
De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.
Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.
Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€
É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.
Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.
Pelo Regresso do Eléctrico a Braga
O Jornal de Notícias deste Sábado destacou, na sua edição Norte, a petição online, lançada no blog Avenida Central, que pretende o estudo e planeamento do regresso urgente do eléctrico à cidade de Braga.O JN faz notar que «há assinantes de vários concelhos do distrito de Braga agradados com "uma ideia útil e ecológica que daria à cidade de Braga uma mais-valia não só em termos turísticos, mas também a outros níveis"». A notícia adianta ainda que «a Câmara de Braga, para já, remete-se ao silêncio e não quis prestar declarações sobre as intenções explanadas nesta petição».
Para ler e assinar a petição, siga este link.
O Ponto da Situação pode ler-se aqui.
20070908
Selecção avessa à província: ou como a drenagem também se faz na bola
Tudo não passaria de uma questão de "ciumeira" se, afinal, não se verificasse que, além do prestígio, outros valores se alevantam: o clube que cede o estádio leva 10% da receita de bilheteira e até pode acumular o gozo supremo de a selecção ser composta, exclusivamente, por jogadores de um rival...
...
Nos últimos 20 anos, o Minho, uma das regiões do país com maior densidade geográfica, só viu a selecção num jogo a sério, em Março de 1999, com o... Azerbaijão. Guimarães, onde mora uma das mais fervorosas falanges de adeptos, a do Vitória, só voltou a ter jogos da selecção num particular de má memória para a equipa de Scolari (0-3, com a Espanha, em Setembro de 2003). E Braga? Nem um joguinho oficial para amostra. Desde 1987, a selecção foi lá seis vezes, mas sempre em jogos a feijões. E Barcelos contentou-se com um amistoso, em Março de 2005 (4-1 ao Canadá)
ler o resto aqui
20070907
Gestores de topo

Dois gestores de topo portugueses participaram num congresso promovido por uma conhecida multinacional europeia que coordena uma popular indústria do entretenimento. Estes gestores, os únicos portugueses entre a escol da indústria europeia, chamam-se José Mourinho e Jesualdo Ferreira. Como sabem, dois ilustres desconhecidos. Talvez por causa disso os nossos media, incluindo os da especialidade, não deram o devido destaque ao mérito destes dois empenhados profissionais. :->
AVENIDA NUN´ÁLVARES III
Em resumo, a Junta (em coordenação com os particulares) irá tentar duas vias paralelas e complementares para corrigir a proposta, sempre com o objectivo de que algo sensato realmente se faça para tratar o espaço em causa:
- uma "dura", com recurso à Lei e aos tribunais, e outra "pedagógica", expondo as razões que parecem consensuais, sugerindo alternativas e demonstrando à Câmara a oposição da população ao projecto tal como ele foi proposto."
Vale a pena participar civicamente, mas de forma serena e civilizada. Parabéns ao Arquitecto Alexandre Burmester!
Devolution - Devolução e Regionalização
Devolution or home rule is the statutory granting of powers from the central government of a state to government at national, regional, or local level. It differs from federalism in that the powers devolved may be temporary and ultimately reside in central government, thus the state remains, de jure, unitary.
Any devolved parliaments or assemblies can be repealed by central government in the same way as an ordinary statute can be. Federal systems, or federacies, differ in that sub-state government is guaranteed in the constitution.
The devolution can be mainly financial, e.g. giving areas a budget which was formerly administered by central government. However, the power to make legislation relevant to the area may also be granted.
Tratado Europeu
Dir-se-ia até que é uma atitude provinciana de auto-amesquinhamento: Lisboa é bem mais famosa do que eles pensam.
Seria, portanto, muito mais útil para o nosso país que outra cidade tivesse a honra de acolher este tratado. Concordo com CAA, Coimbra é a cidade que mais proveito poderia tirar da situação. Porto, Braga (e talvez Évora) também.
O 4ª Dimensão decidiu avançar com um abaixo-assinado para que a designação do próximo tratado europeu seja "Tratado do Porto". Como eles já tomaram a iniciativa, o melhor é estarmos todos no mesmo barco e lutarmos por esta solução, do que nos dividirmos a pedir outros nomes. Aqui está o link para a subscrição. Enviem por mail para os vossos conhecidos.
20070906
AVENIDA NUN´ÁLVARES II
RECORDE ABSOLUTO!

A imprensa, o centralismo e a educação
Apenas quero acrescentar que, creio, há um factor estrutural por detrás disto; a educação (ou a falta dela). Vivo neste momento num país que tem pouco mais de 450 mil residentes (o Luxemburgo). No entanto, o principal jornal diário tem uma circulação superior a 120 mil exemplares. Em Portugal, esses níveis de circulação de jornais são impensáveis, apesar de haver perto de 10 milhões de residentes.
O defeito só pode estar no sistema de ensino. Não se educam as pessoas para quererem saber o que se passa no País e na sua região ou cidade. É grave e o preço será alto.
É também bom que nos lembremos destes factos simples sobre a ineficácia do nosso sistema de ensino, quando as notícias nacionais são dominadas pelas ineficiências do centralizado sistema que distribui os professores pelas escolas e que vai deixando alguns milhares sem colocação. É bom que nos lembremos que os professores também são autores do actual estádio do sistema de ensino. E bem assim os pais. E todos nós.
Se não tomarmos consciência da gravidade deste estado de coisas, o futuro só nos trará mais do mesmo. Se tomarmos consciência, não poderemos continuar passivamente imobilizados. Teremos de nos organizar, de protestar e de combater para alterar. Cabe ao Porto um papel determinante nessa luta; não é impunemente que se reclama a qualidade de segunda cidade do País.
É possível um Portugal melhor. Basta querer.
A Imprensa nacional e a Região Norte
A nossa imprensa reflecte bem o país. Os principais jornais diários estão em Lisboa e no Porto. Por sua vez, os principais semanários estão todos em Lisboa. Esta imprensa retrata um país que é, no essencial, Lisboa e, depois, o Porto. O "resto" conta pouco.
O lugar que a Região Norte de Portugal tem na imprensa é bom exemplo disso. É verdade que jornais não faltam. Temos várias dezenas (poderíamos arriscar mais de um centena) de jornais semanais ou quinzenais, quase todos de âmbito municipal, alguns jornais diários de difusão limitada (Braga, por exemplo, tem dois jornais diários), um jornal diário de âmbito nacional e larga difusão (Público), com uma edição "Porto" e outra "Lisboa" (sem indicação de sede na ficha técnica) e um jornal diário também de grande expansão, o Jornal de Notícias (JN), com sede no Porto. A nossa região é, salvo Lisboa, a mais rica do país em notícias. E, no entanto, não há um único jornal que cubra os acontecimentos da região Norte entendida como um todo.