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20080527

Que lições Braga pode aprender com a eventual ligação por metro entre Valbom-Campanhã ?




A questão da mobilidade ferroviária em Braga tem sido discutida ultimamente pelo Pedro Morgado no Avenida Central. Convém que se aprenda com os erros do Metro do Porto, hoje que se inaugura mais um troço em Gaia.

O ponto de partida é esta luta de Rio Fernandes e Pedro Baptista (o que se aproveita do PS-Porto, diaga-se). Efectivamente o argumento usado para evitar a ligação directa Valbom (Gondomar) – Campanhã (Porto) foi sempre a necessidade construir um carríssimo viaduto, atendendo ao vale do rio Tinto. Porém este argumento revela 2 padrões: Ignorância nas soluções técnicas possíveis e preferência por alternativas mais caras, que envolvam mais cimento. Isto é previsível: A nossa economia tem 3 vezes mais construtores e engenheiros civis/imobiliários/arquitectos do que as necessidades, como em tempos referiu Rocha Antunes.

Admitindo que existe procura entre os dois pontos, não faltam então alternativas viáveis e mais baratas:

Estas alternativas, como as imagens e os links do Wikipedia documentam permitem vencer declives mais acentuados, evitando caros viadutos ou tuneis. O leitor saberá que estes sistemas são usados Barcelona, Paris, Turin e Lile ?

É a grande lição que Braga pode tirar. Efectivamente, no desenho da sua rede de metro de superfície ou electrico, deverão excluir as ligações subrubanas, que deverão ser asseguradas futuramente por uma ferrovia pesada entre Guimarães-Braga-Barcelos-Viana e deverão considerar um metro em carris, pneus ou funiculares. Não conheço Braga o suficiente para propôr traçados, mas uma ligação entre o centro da cidade e o novo estádio poderia ser assegurada por um funicular, tal como ocorre em Barcelona relativamente ao estátio Montjuic. O importante é que o processo não fique exclusivamente na mão de políticos e fornecedores. É necessário alguem que represente os contribuintes e utilizadores. A Blogosfera pode ser essa terceira componente.

Voltando ao Porto, a utilização de funiculares/metros sobre pneus, que aliás a própria Bombardier também fornece, é uma alternativa para muitas ligações. Tenciono voltar mais tarde a este assunto, mas além de Valbom-Campanhã, acrescento a ligação da estação das Devesas em Gaia à sua zona ribeirinha e a ligação do polo do Campo Alegre da UP e da zona do hostipital Santo António também à respectiva marginal do Douro.

20071213

As Regiões também se medem ao Metro

«Custará 1500 milhões de euros, a preços actuais, o conjunto de ligações propostas pela equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), coordenada por Paulo Pinho, que elaborou para a Metro do Porto o estudo sobre a segunda fase da rede de metropolitano.» [Público]

O Metro do Porto prepara-se para absorver metade do custo estimado para o novo aeroporto de Lisboa e, enquanto isso, não serão mais do que migalhas aquilo que chegará ao Minho. Braga e Guimarães serão contentados com o Instituto de Nanotecnologias e a Capital Europeia da Cultura, tostões comparados às magnânimas intervenções que se perspectivam para as duas maiores cidades do país. O resto será o avolumar de uma injustiça que já é bem real, por exemplo, na exclusão da A7 do mapa nacional das SCUT's.

A Área Metropolitana do Porto vai fazendo (e bem) o que lhe compete, captando a atenção e os investimentos do poder central que, alapado nos Ministérios de Lisboa, está longe de conhecer a realidade do país. Mas se não a conhece, em parte, por incompetência própria, também não é desprezível o facto de estarmos entregue a líderes regionais locais incautos que nos mantêm órfãos de políticas de desenvolvimento regional integrado.

1500 milhões de euros. Quantas vezes menos custaria ligar por ferrovia Braga, Famalicão, Barcelos e Guimarães? Quantas vezes menos custaria criar um sistema de mobilidade urbana comum às cidades de Braga e Guimarães? Quantas vezes menos custaria, no imediato, implementar um sistema de tarifas justas que eliminasse a discriminação dos barcelenses? Quantas vezes menos custaria modernizar a Linha do Minho? Quantas vezes?

As respostas são óbvias, mas a política regional local minhota, salvo raríssimas excepções, continua a tecer-se no campo do acessório e do supérfluo. A pomposa Grande Área Metropolitana do Minho mais não faz que avençar administrativamente sucessivas autorizações para polvinhar de centros comerciais o débil comércio minhoto. As autarquias falham no estudo e na proposta de soluções que favoreçam a mobilidade intermunicipal, mas também falham ao ignorar aquele que poderia ser o precioso contributo da Universidade do Minho. As oportunidades desperdiçam-se com uma cadência aberrante e assustadora. Os minhotos vão pagando a factura.

Publicado em simultâneo no Avenida Central.

20070909

Pelo Regresso do Eléctrico a Braga

O Jornal de Notícias deste Sábado destacou, na sua edição Norte, a petição online, lançada no blog Avenida Central, que pretende o estudo e planeamento do regresso urgente do eléctrico à cidade de Braga.

O JN faz notar que «há assinantes de vários concelhos do distrito de Braga agradados com "uma ideia útil e ecológica que daria à cidade de Braga uma mais-valia não só em termos turísticos, mas também a outros níveis"». A notícia adianta ainda que «a Câmara de Braga, para já, remete-se ao silêncio e não quis prestar declarações sobre as intenções explanadas nesta petição».

Para ler e assinar a petição, siga este link.
O Ponto da Situação pode ler-se aqui.

20070726

Metro Braga- Guimarães

Amanhã será notícia no Jornal de Notícias (via Para quando a nossa revolução?):

«Afinal, as cidades de Braga e Guimarães poderão vir a ser ligadas através de metro de superfície. A novidade foi, hoje, apresentada pelo presidente de câmara de Braga no final da última reunião do executivo camarário antes das férias. Segundo Mesquita Machado, o estudo do metro de superfície está a ser equacionado no âmbito do projecto do Comboio de Alta Velocidade (TAV) pela Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN). “O metro de superfície é para ser incluído no Plano de Desenvolvimento Regional e pretende potencializar a rede rápida de comboio canalizando para o TAV, dois eixos citadinos importantes”.
O JN conseguiu apurar que este estudo ainda está numa fase embrionária e em cima da mesa estão todas as hipóteses. No entanto, a que está a ganhar mais força é a reabilitação da ligação ferroviária entre Braga e Guimarães, adaptando-o numa rede de metro superfície e que não terá muitas paragens. A ideia base será sempre “ter esta rede a andar à volta do TGV”, mas alargando a outros horários até “para ser mais facilmente rentabilizada”.
Para já, não há prazos nem financiamentos associados, mas a equipa que está a estudar esta possibilidade, espera que as primeiras carruagens estejam a circular na mesma altura do comboio rápido. Sem resposta fica, para já, a possibilidade de alargamento do metro às cidades de Famalicão e Barcelos.
Sem dar mais pormenores sobre o estudo, Mesquita Machado aproveitou para desenvolver mais o projecto do TAV. Segundo o autarca, haverá duas fases distintas: uma primeira que irá ligar a estação de Campanhã no Porto à actual estação de Braga, saindo daqui para a nova estação a construir perto da cidade e desta para Vigo; numa segunda fase a ligação será entre o Aeroporto Sá Carneiro e a nova estação e desta para Vigo. A ligação entre o Aeroporto e a cidade Invicta será feita pelo metro já existente.
»

Desta notícia emergem três tópicos que gostaria de realçar:

1. Os políticos do Minho estão finalmente sensibilizados para a importâncias da construção de uma ligação ferroviária entre Braga e Guimarães. É o primeiro caso em que, com suficiente evidência, a discussão na blogosfera precedeu a agenda dos políticos do Minho;
2. A notícia deixa entender que, ao contrário do que vinha sendo referido, a estação do Aeroporto Sá Carneiro será a principal estação do Porto (deixando de parar em Campanhã);
3. Está decidido que a alta velocidade pára em Braga, afastando definitivamente a ideia de que Braga poderia ficar à margem do TGV;
Leituras recomendadas