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20070909

Indemnizações compensatórias II

Vejamos:

1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)

2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.

3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...

4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?

Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...

Indemnizações compensatórias

O Diário Económico publicou sexta-feira um artigo sobre as indemnizações compensatórias às empresas públicas. O seu título era simplesmente vergonhoso e claramente persecutório: Metro do Porto recebe quatro vezes mais em compensações estatais.

De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.

Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.

Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€

É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.

Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.
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