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20080702

Não existe xenofobia em Portugal II

A sério, não existe xenofobia em Portugal. É perfeitamente normal assistir a um debate político e não conseguir fazer mais do que reparar na forma de falar de um dos participantes. Ao contrário do autor de tão grandiloquente postagem, até pode ser que ele (Prof. José Manuel Moreira) troque os Vês pelos Bês mas, tal como Garrett, dificilmente trocará a liberdade por servidão.

Mas enfim, que mais se poderia esperar de alguém que ressabia nos seus posts utilizando títulos como "Aviso à tripeiragem ressabiada"?

Adenda: Interessante teria sido notar que, no lado que defendia as vantagens de um país não subsidio-dependente, ambos eram do Porto. Sintomático, não?

20080222

Não existe xenofobia em Portugal I

"(...) A determinada altura, Rui Moreira deu um exemplo feliz dos tiques do centralismo ao falar da maneira como foi recebido, pelos panditas da capital, o estudo sobre a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa, promovido pela Associação Comercial do Porto.

A reacção generalizada na capital ao estudo veio sob a forma da pergunta enfadada: «E o que é que esses tipos do Porto têm a ver com isso?», como se por alguma lei secreta estivéssemos inibidos de nos pronunciar sobre tudo quanto se passa no resto do país e circunscritos a opinar sobre as coisas da nossa região.

Embalado por esta denúncia, o ministro falou da existência em Lisboa de um «racismo» (foi esta a palavra usada por ele) contra as pessoas do Porto, detalhando que ele próprio e a ex-ministra da Cultura tinham sido vítimas desse «racismo». (...)" No Bússola.

P.S. Narciso Miranda queixou-se do mesmo. Fernando Gomes foi perseguido como todos vimos. Agora é noutro governo, 10 anos depois. Logo, não é um caso isolado.

20071029

Millennium SLB?

Parece que o problema de Berardo é que o BPI é um banco do Norte*.

Será que ele ainda está convencido que isto é a OPA ao Benfica?


* Pelo que depreendi das palavras de Berardo, este considera inaceitável que um responsável da CMVM com origens nortenhas regule a actuação de um Banco com sede no Norte. Ah, o ministro das finanças também não pode ser do norte se existirem bancos do Norte.

20070909

Indemnizações compensatórias II

Vejamos:

1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)

2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.

3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...

4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?

Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...

Indemnizações compensatórias

O Diário Económico publicou sexta-feira um artigo sobre as indemnizações compensatórias às empresas públicas. O seu título era simplesmente vergonhoso e claramente persecutório: Metro do Porto recebe quatro vezes mais em compensações estatais.

De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.

Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.

Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€

É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.

Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.

20070903

O Faroeste, Dupla Ética, e Xenofobia

Quase todos os meses viamos notícias sobre mortes e violência na noite de Lisboa. Recentemente o fenómeno chegou ao Porto, com várias mortes nos últimos meses. Curiosamente, o Porto foi rapidamente comparado à Chicago de Al Capone, os arautos do costume falaram em máfias, e repisou-se o novo estereótipo que querem impôr aos tripeiros, uma verdadeira pentalogia do crime: Futebol, Câmaras municipais, Negócios da noite, Ministério público, e Polícia.

Se há algo que salta à vista é a dupla ética dos meios de comunicação social. A violência habitual em Lisboa é tratada como uma coisa típica de uma grande metrópole, própria do desenvolvimento. A violência esporádica (pois não é habitual) no Porto, muito menor que em Lisboa, é tratada como uma coisa siciliana, própria de uma região sub-desenvolvida povoada por gente mafiosa.

Obviamente que isto são ideias que só poderiam vir de mentes peregrinas que vivem noutro mundo. As discotecas são um negócio excelente para lavar dinheiro (alguém passa factura?). A consequência é simples: tendem a ser dominadas pelo sub-mundo do crime. Mas os "iluminados" pensam que isso só acontece na terra dos outros.

Hoje, pelos vistos (infelizmente), os problemas com seguranças de discotecas voltaram a acontecer. Desta vez em Lisboa. Pergunto-me então se somos todos metrópole ou Sicília. Uma coisa é certa. Os arautos do costume não se atreverão a comparar a capital com Chicago, nem a falar de mafias a controlar a noite.

Por vezes pergunto-me se as gentes do Norte conseguem perceber a discriminação que sofrem nos meios de comunicação social (ainda por cima nos públicos, pagos por todos nós). Encontrei a resposta na leitura destes comentários. Os nortenhos não andam a dormir.

Recordo-me ainda do ex-ministro Fernando Gomes (e ex-presidente da CMPorto). Foi completamente perseguido pela imprensa por duas razões: por dispensar os cerca de 40 assessores de imprensa (grande poupança de custos) e por ser do Porto (e do FCP). A criminalidade não subiu, mas as notícias de crimes (sempre na linha de Sintra) não pararam enquanto ele não foi "remodelado". Até a Lídia Franco veio para os telejornais dizer que achava que a tinham querido violar.

A linha de Sintra ainda lá está, e a Lídia Franco (comentário sarcástico removido pelo autor)... Mas agora surgiu uma nova onda de crime, que percorre as duas maiores cidades portuguesas. Começou desde que o Ministro Rui Pereira tomou posse. Pela mesma razão, os Media já deveriam estar a pedir a sua cabeça. Ah, mas falta a outra razão: ele não é do FCP...

Não sou ingénuo: a culpa não é dos lisboetas. É dos imbecis preconceituosos (e que sofrem de futebolite) que dominam a comunicação social. Ainda assim, confesso que por vezes me dói a alma de viver num país onde a xenofobia entre portugueses é tão impune, e onde a política tem mais em conta o futebol do que a justiça e o bem estar das populações.
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