20071031

Paroquialismo bacoco: o maior aliado do centralismo (II)

A questão do paroquialismo bacoco a que António Alves sistematicamente alude causa-me diversas perplexidades, entre as quais importa destacar:

1. Não é mais que o reeditar das bandeiras que os lisboetas centralistas repetidas vezes agitam contra o Porto e o Norte. Além do mais, é uma cópia de argumentos de fraquíssima qualidade. Seria mais interessante que António Alves se concentrasse na discussão das ideias em vez de qualificar sistematicamentes aqueles que, como eu, discordam da sua visão portocêntrica do Norte.

2. Acusar algúem de fazer favores ao centralismo só porque defende um modelo de alternativo de Regionalização é o pior serviço que se pode prestar à causa que todos defendemos. Além do mais, a 'Regionalização a Cinco' não é nenhuma vaca sagrada que não possa (e não deva) ser questionada. Dá ideia que vivemos numa espécie de «se não és pelo que eu digo, és contra o Norte!»

3. Estranha-se que aqueles que mais doentiamente defendem o Norte Único sejam precisamente os mesmos que afirmam que para o centralismo Porto até seria melhor estar sozinho. Mas que estranha beneficiência esta de defenderem o que lhes é mais prejudicial... Se para os portuenses seria melhor estarem sozinhos e se o que eu defendo é a AMP seja uma região, não se percebe tamanha reacção ao que venho defendendo.

Para uma Leitura Complementar:
Norte, Tamanho Único e Pronto a Vestir

Paroquialismo bacoco: o maior aliado do centralismo

Ainda o Portocentrismo

JPM, comentando este post, escreveu o seguinte:

«Se a construção do hospital fosse da responsabilidade directa do Município de Braga já estaria aberto há muito ao público. Ou tem dúvidas?»

Concordo. É exactamente por isso que me custa ver avançar uma Regionalização em que o Porto vai acabar por fazer ao Norte o que Lisboa tem feito ao país...

O post acima, publicado no Avenida Central por Pedro Morgado, é o exemplo paradigmático do pior provincianismo que campeia por este norte fora. Sem qualquer fundamentação, porque a construção de um hospital em Braga não tem rigorosamente nada a ver com o Porto, nem esta cidade, município, ou área metropolitana tem qualquer poder para decidir sobre o assunto, Pedro Morgado, num exercício da mais completa desonestidade intelectual, fruto dum estranho ressabiamento ou complexo de inferioridade - porque nele estas atitudes são recorrentes -, conseguiu tirar a ilação de que caso a Regionalização avançasse o "Porto vai acabar por fazer ao Norte aquilo que Lisboa tem feito ao país". Não disse porquê nem como, mas isso, obviamente, são pormenores que em nada põem em causa a elevadíssima lógica do seu pensamento.

Enfim, cada vez mais me convenço que o futuro dificilmente passará por este tipo de discussões. A minha única esperança é que um dia o povo chamado a decidir seja capaz de distinguir entre o que verdadeiramente interessa; saiba distinguir o trigo do joio e atire para o caixote do lixo da história este tipo de cassandras que não passam de instrumentos nas mãos do mais obscuros poderes interessados em perpetuar o actual estado de coisas.

Defendem estes "regionalistas" que a Norte deverão ser criadas duas regiões - Grande Porto separado do resto do Norte. Não haverá melhor forma de beneficiar o putativo centralismo do Porto que esta solução. A escassa inteligência destas mentes (ou inconfessáveis interesses) impede-as de dizer que o Grande Porto é responsável por 42% do PIB da região, congrega 34% da população e concentra no seu território as principais infra-estruturas vectores da internacionalização da economia. Se sem qualquer capacidade política e orçamental autónoma é capaz destes resultados, maiores e melhores alcançaria se dessas prerrogativas já usufruísse há muito. Porque se tal cenário um dia vier a materializar-se, a área metropolitana do Porto com certeza que se alargaria ainda mais, como aliás já é evidente com a adesão de muitos dos mais dinâmicos municípios do norte do distrito de Aveiro à chamada Grande Área Metropolitana do Porto da já morta reforma Relvas. Estou em crer que nesse caso ela se alargaria mesmo a outros concelhos a norte como, por exemplo, Vizela e Famalicão. Tal concentração demográfica e capacidade produtiva autonomizada do resto do Norte será a condenação ad eternum do restante território nortenho ao subdesenvolvimento.

Se é esta espécie de Singapura que pretendem que se crie a norte - tal como Lisboa se prepara para fazer a sul - força, para a frente com isso!! Conheço no Porto quem rejubilará perante tal cenário. E, nesse caso, o Porto fará mesmo ao Norte -porque a dinâmica assim criada o tornará inevitável - o que Lisboa faz ao resto do país.

Já alguém disse a esta gente que o milhão de minhotos terá um poder eleitoral imensamente superior numa Região Norte integrada do que tem actualmente perante o sistema centralista e poderá de facto condicionar os governos regionais fazendo valer os seus legítimos interesses como nunca foi capaz até hoje? Ou será que o que eles pretendem é impor-se desequilibradamente aos escassos 400 mil trasmontanos e durienses?

PS - A Grande Área Metropolitana do Porto agrupa 14 concelhos que no censo de 2001 totalizavam 1 759 958 habitantes em cerca de 1573 km^2 (densidade populacional próxima 1119 hab/km^2). Esses concelhos são:

Arouca

Espinho

Gondomar

Maia

Matosinhos

Porto

Póvoa de Varzim

Sta. Maria da Feira

Santo Tirso

S. João da Madeira

Trofa

Valongo

Vila do Conde

Vila Nova de Gaia.

Os concelhos de Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, actuais membros da Grande Área Metropolitana de Aveiro irão (ou iriam), a curto prazo, pedir a transferência para a Grande Área Metropolitana do Porto, por forma a que todo o Entre Douro e Vouga permaneça coeso. Deste modo, a Grande Área Metropolitana do Porto irá abranger mais dois concelhos e verá a sua população aumentada em cerca de 100.000 habitantes. A anexação destes dois municípios fará com que a densidade populacional da Grande Área Metropolitana do Porto se situe próximo dos 1.000 hab/km^2. (http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rea_metropolitana_do_Porto)

Leituras 20071031

·         É por estas e por outras que além da defesa da Regionalização tradicional, se deve debater a agregação de concelhos em Autarquias Regionais pelo padrão NUTS3 acrescida da descentralização de funções economicas e sociais do estado central;

·         Mais dupla ética: Ninguém se preocupa com os actuais custos da Assempleia da República; Com os custos das Regiões já 30 olhos...

·         CIP propõe Alcochete face à Ota; ACPorto propõe Portela + Montijo;

·         Traições antigas: «Eduardo Catroga também teve a sua participação activa na guerra da compra do BPA pelo BCP. Num primeiro momento, o do lançamento de uma OPA a 40%, o ministro das Finanças afirmou que não venderia a participação do Estado, próxima dos 25%. Mas depois de não ter conseguido descobrir uma réstia de entendimento no chamado núcleo do Norte, que controlava o BPA – e onde Belmiro de Azevedo tentava impor a sua vontade a mais de uma dezena de empresários –, optou por vender na OPA total finalmente lançada pelo BCP. Os empresários nortenhos envolvidos (Manuel Falcão, Salvador Caetano, Laurindo Costa, Manuel Gonçalves, entre outros) e o CEO de então, João Oliveira, nunca perdoaram a Eduardo Catroga.»;

·         Nas caixas de comentários da blogosfera encontram-se comentários agressivos. Ás vezes são bem humorados e pertinentes: «Para alem de ter problemas mentais, é estúpido. Conseguiu não perceber uma palavra do que foi dito. É natural, é do excesso de vinho tinto que bebe nos jogos do benfica, misturado com os anti-depressivos depois dos jogos. Recomendo menos futebol, menos drogas, e mais livros de História, bem como umas viagens pelo país (i.e. fora de Lisboa). Vai encontrar uma realidade surpreendente. E bem mais agradável do que a sua urbe ultra-congestionada fruto da excessiva engorda resultado da tendência para canibalizar o resto do país.»

20071030

O Procurador

Este é mais um com entradas de leão que, ao que tudo indica, terá saídas de sendeiro. O homem acha que o podem escutar da rua e até lhe recomendaram falar junto ao televisor para o evitar. Segundo ele com estas coisas que se vendem na internet não há ninguém seguro. Mas este homem debaixo de que pedra é que saiu? Enfim, é o mesmo que formou uma equipa especial para investigar a suposta batota na bola mas acha que o mesmo não é necessário para investigar as denúncias de pedofilia na Casa Pia. Todos nós sabemos porquê. É um artista português e do ...

Tua - Qual a estratégia de desenvolvimento?

Agora que o Turismo foi definido como prioridade estratégica para o Douro, não faz qualquer sentido destruir um dos seus principais atractivos turísticos, através da construção de uma mega-barragem, e da transformação do caminho de ferro em ciclovia. É certo que o Tua não é a prioridade neste momento. Mas é o prolongamento natural do desenvolvimento turístico do Douro. Ao destruirmos o Tua, estamos a limitar o potencial turístico de todo o Douro. Daí que me surjam um conjunto de questões a que gostaria de saber dar resposta:

A análise de externalidades teve em conta o valor patrimonial (turístico, ambiental, cultural) potencial da zona? Ao construir a barragem não estamos a eliminar uma das melhores oportunidades para desenvolvimento da região? Não a estamos a condenar ainda mais à desertificação?

Faz sentido destruir uma linha de caminho de ferro fantástica para construir uma ciclovia? Quantas pessoas irão usar a ciclovia? Não tem o caminho de ferro um valor económico potencial que justifique a sua manutenção, com vista a manter em aberto a opção da sua rentabilização económica futura?

Mas sobretudo, há aqui questões de compensação às populações da região. A barragem é um bem com utilidade para o país, i.e., com externalidades nacionais, mas o custo de oportunidade é apenas local / regional. Não deveria haver uma compensação da região / um redireccionamento para a região das externalidades produzidas? Não haverá aqui uma injusta menorização das necessidades de desenvolvimento da região?

Não sei se a construção da barragem é a melhor solução global (quanto à ciclovia não tenho dúvidas que não é). Mas aqui, tal como em tudo o resto no nosso país, falta informação. Falta transparência. Falta democracia.

20071029

Millennium SLB?

Parece que o problema de Berardo é que o BPI é um banco do Norte*.

Será que ele ainda está convencido que isto é a OPA ao Benfica?


* Pelo que depreendi das palavras de Berardo, este considera inaceitável que um responsável da CMVM com origens nortenhas regule a actuação de um Banco com sede no Norte. Ah, o ministro das finanças também não pode ser do norte se existirem bancos do Norte.

3 questões milionárias

1. Ontem, em entrevista ao PortoCanal, José Teixeira, administrador da DST, importante empresa de construção civil e obras públicas sediada em Braga, afirmou que ao contrário do restante sector, não andava a pedir obras ao Governo. É de louvar. Porém, momentos antes de dizer estas palavras, tocou na sua própria face com a sua mão. Isto é um sinal de não verdade segundo a interpretação da linguagem gestual. O que será verdade ? O novo espírito objectivamente afirmado ou a velha prática inconscientemente revelada ?

2. O MP anunciou o arquivamento do processo do naufrágio do barco de pesca «Luz do Sameiro». Se fosse um veleiro de Cascais ou se o organismo responsável pela salvamento fosse uma autarquia, o resultado seria o mesmo ?

3. Desde que o PSD mudou de líder subiu oito por cento nas intenções de voto, revelam os resultados do barómetro da Marktest para o DN e TSF; Onde, em que zona de Portugal será que LFM ganhou intenções de voto ? Eu já fiz a minha aposta.

 

PS: Neste último artigo há um comentário interessante de um tal de Antero Reis que também prova que o Norte está a mandar novamente: «O PS já está preparando a substituição de Sócrates: Segundo fontes relativamente fidedginas, socialistas dos Açores e do Norte do País, estão a preparar um plano B na eventualidade do Sócrates ter que sair de cena o mais rápidamente possível. A justificação é que em 2009 o PS vai ter uma derrota maior do que a do Santana.»

Defesa da Linha do Tua

Outros links:
www.alinhadotua.cjb.net
http://victortrains.fotopic.net/c589455.html
http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=646
http://www.ocomboio.net/diaporama/linha_do_tua_2006

20071028

PSD quer Regiões?

PSD vai discutir regiões já em 2008.O secretário-geral do PSD garante que o partido vai lançar a discussão sobre a criação de regiões administrativas já em 2008. Em entrevista ao programa "Primeiro Plano", do Porto Canal, Ribau Esteves diz que "o ano crucial deste debate é 2008", justificando a pressa com as "várias eleições" do ano seguinte. O objectivo é só um "Discuti-la para a fazer, para a fazer bem".Quanto ao Tratado de Lisboa, as atenções dos sociais-democratas centram-se no prometido conselho nacional, de onde sairá a posição oficial. Ribau insiste na ratificação parlamentar, dizendo que não faz sentido convocar Pacheco Pereira, adepto do referendo, "só porque é comentador político".Quanto à polémica com o suposto afastamento de barrosistas de comissões parlamentares, o dirigente é peremptório "O que é isso dos barrosistas? Olhe eu próprio sou um barrosista!", diz, adiantando que entraram críticos de Menezes nas comissões.
in jn


Será que o PSD só quer discutir a regionalização para inglês ver ou está a "falar" a sério.

20071027

Douro: Boas noticias ou más promessas?

Ana Paula Vitorino, garantiu ontem que a electrificação da Linha do Douro até á Régua será uma realidade, e que a abertura do troço Pocinho Barca d' Alva exige a intervenção dos privados.

Não sei se isto será promessa ou não, mas mesmo sendo realidade, eu não concordo que não seja necessário a modernização alem Régua, visto que a Linha do Douro até Salamanca, seria uma óptima alternativa à possível linha de alta velocidade Aveiro - Salamanca.

É de saudar o anuncio das obras do IC26 entre a Régua e Amarante.

Estas duas noticias podem ser lidas aqui e aqui

Lisboa e Porto são Portugal... O Resto é Portagem!

1. Quem viaja entre Braga e Guimarães e entre Braga e Barcelos paga o preço mais alto por quilómetro do país. É o princípio do utilizador-pagador.

2. A viagem entre o Porto e a saída de Braga Sul (A3) custa 2,85€. Sair no cruzamento anterior (S. Tiago da Cruz) fica por 1,75€. O argumento é o de que quem sai em Braga tem que pagar a circular externa da cidade. No sentido inverso da A3, os utentes não pagam VCI's nem tão pouco os quilómetros de auto-estrada entre a praça da portagem e a entrada do concelho do Porto.

3. Os vianenses que queiram ir até ao Porto vão passar a pagar portagem na A28 com o argumento de que os contribuintes do resto do país não têm nada que financiar aquela estrada.

Nesta lógica, é absolutamente inaceitável que os contribuintes de todo o país continuem a financiar os transportes urbanos de Lisboa e do Porto. A situação é grave e merecia, mais do que palavras de ocasião, uma tomada de posição firme das forças vivas da região. Braga, Viana, Guimarães, Barcelos, Famalicão deviam unir-se na reivindicação de igualdade de tratamento por parte do governo central.

Contributos muito interessantes para esta discussão nesta caixa de comentários.

Decisões sobre transportes da administração central: É tempo de pressionar !

Após a derrota da OTA é necessário que todos os residentes a Norte voltem a prestar atenção às (más) decisões aeroportuárias e ferroviárias que a administração central anda a tomar. Segue-se um ponto de situação de António Cerveira Pinto:

«Resumindo, são estes os dados da equação que o burro do MOPTC não consegue resolver:

1.       o petróleo, o gás e os recursos naturais entraram numa empinada e duradoura espiral inflaccionista;

2.       o paradigma Low Cost, iniciado com as ligações aéreas ponto-a-ponto de médio curso, mas que vai estender-se às distâncias de longo curso, a outros meios de transporte (comboios, barcos e rent-a-car), e ainda aos vários sectores económicos integrados na fileira das Short Break Holidays (hoteis, restaurantes, casinos, feiras e congressos, etc.), veio para ficar, e assim sendo, tenderá a fazer implodir as chamadas companhias de bandeira, sobretudo estatais, devido aos respectivos maus hábitos administrativos, mordomias políticas, lastro despesista e um sem número de ineficiências operacionais;

3.       a compra da PGA foi uma burla de Estado, pois na aparência dum acto de gestão corrente de uma empresa pública, obrigada a seguir as regras do mercado, o Estado, sob os auspícios do governo e do burro do MOPTC, libertou um banco privado das suas responsabilidades empresariais, atirando com o ónus das más previsões deste (prejuízos de exploração, capital fixo moribundo e força laboral excedentária) para as contas de uma empresa pública em vésperas de privatização, comprometendo irremediavelmente o êxito de tal operação. Ou seja, o Estado comprou um fruto que sabia estar podre, desembolsando para o efeito 144 milhões de euros (29 milhões de contos!) dos bolsos de todos os contribuintes. Onde estão os advogados do povo?! E os jornalistas?

4.       a TAP está num estado crítico, por falta de visão estratégica atempada, por má gestão e por efeito da concorrência crescente das Low Cost. Isto significa que dificilmente resistirá até 2016. No imediato, não lhe resta outra alternativa que não passe pela alienação de empresas do grupo e por despedimentos colectivos. Salvo se for resgatada por um milagre angolano, russo, chinês ou árabe, será forçada a abrir falência mais cedo do que todos desejaríamos;

5.       o "Estado exíguo" (Adriano Moreira dixit) a que chegámos, politicamente hiper-instável, impede a subsistência prolongada de situações de impasse económico-financeiro como o que actualmente vive a transportadora aérea nacional;

6.       a captura, directa ou indirecta, do Estado e partidos do arco parlamentar pelos carteis da construção civil, do imobiliário e da banca, tem vindo a atrofiar gravemente as possibilidades de definição de uma estratégia de transportes coerente e sobretudo útil ao estádio actual das nossas reais necessidades no contexto da acrescida competitividade ibérica, europeia e mundial;

7.       O Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), nas presentes circunstâncias nacionais, europeias e mundiais, fazendo sentido pelo lado da estratégia e da política, não tem provavelmente nenhumas condições de viabilidade e será um desastre económico se for adiante, pelo que o Estado português deveria condicionar um tal projecto à avaliação rigorosa da sua sustentabilidade económica e impor sem margem para dúvidas toda a responsabilidade do negócio nas mãos do sector privado. Isto é, SCPC - SEM CUSTOS PARA O CONTRIBUINTE!

Prioridades absolutas:

·         adequação efectiva (e não aldrabada!) dos aeroportos existentes às necessidades reais do mercado, com incidência especial nas seguintes infra-estruturas: Portela-Figo Maduro, Montijo, Sá Carneiro e Faro-Algarve;

·         modernização dos aeródromos de Fátima, Évora e Beja em regime SCPC;

(..)

·         finalização das escandalosas obras da Linha do Norte por forma a permitir os Alfa Pendulares (2) circularem em maior número e a velocidades médias superiores (baixando o tempo de viagem para valores entre as 2h30mn e as 2h10mn), ao mesmo tempo que se introduzem radicais melhorias na manutenção do material circulante e no serviço de atendimento especial, nomeadamente o prestado a bordo: garantia de rede móvel em todo o percurso, acesso Internet de banda larga, tomadas para ligação de computadores em todos os lugares, estacionamento gratuito e refeições ligeiras para viajantes em classe conforto, marketing agressivo sobre as vantagens económicas, psicológicas e de segurança para quem viaja de comboio, e muita, muita simpatia :-)»

Ainda sobre estes temas:

·         A hipótese aérea Portela+1 e a Tap;

·         AEROPORTO NO SUL POUPA 3 MIL MILHÕES;

 

 

20071026

As causas dos males da nação!

Surgiu hoje um artigo no JN acerca de um lançamento de um livro intitulado "A Sociedade da Desconfiança". Os autores concluem que somos dos mais ou os mais desconfiados da Europa:

"
Desconfiam os cidadãos e as empresas do Estado; e desconfia este dos outros. Este determina a burocracia a cumprir e isto implica custos."

No entanto, os autores também tiram outras conclusões:

"20% dos portugueses entendem que para se alcançar algum sucesso é preciso ser corrupto.

o comportamento registado entre os diplomatas de 146 países nas Nações Unidas no que respeita ao cumprimento das regras de trânsito,entre 1997 e 2005 - os diplomatas portugueses foram os que mais infracções cometeram mas beneficiando de imunidade.

Os portugueses não são os menos cívicos, mas apenas são ultrapassados por mexicanos e franceses, ocupando também a terceira posição entre os povos que acham legítimo receber apoios estatais indevidos (baixas por doença, subsídios de desemprego etc.), adquirir bens roubados ou aceitar favores no exercício das suas funções."

A meu ver, é esta mentalidade mesquinha e egoísta que nos causa o atraso. Infelizmente, na nossa líderança política é fácil encontrar os sintomas desta doença endémica. Acima de tudo o país precisa de honestidade.

Concorrência ao Norteamos

Surgiu um novo blogue, muito mediático, que copia os objectivos do Norteamos e se propõe a ser «líder  de reflexão e intervenção, para a defesa dos interesses do Norte». Bem vindos. Em termos de sitemeter, já vão à frente. Em termos de artigos publicados, muito atrás. Espermos que ganhe o Norte.

«Para a Galiza fica a carne, para Portugal os ossos!»

O Norteador CCZ tem andado ausente deste blogue. Porém detectei no seu blogue uma muito pertinente antevisão sobre os feitos do QREN na economia do Norte de Portugal. Isto é mais uma consequência das intervenções do estado Central na economia. Caso existam (os liberais não concordam com elas), na minha opinião, deveriam ser muito mais regionalizadas. Aqui se vê a falta que a Regionalização ou Fusão de Autarquias+Descentralização faz.

«Todas as propostas de valor são honestas e respeitáveis.

No entanto, a minha reacção instintiva é a de desconfiar sempre das motivações de quem aposta no negócio do preço.

O negócio do preço é, muitas vezes, a proposta de valor seguida, mas não escolhida. Ou seja, é-se empurrado para ela pelas circunstâncias.

Uma aposta no preço, com pés e cabeça, deve pressupor que se pode dar cartas nesse campo, que se tem um pulmão que permite gerir a concorrência.

Infelizmente, o que costuma acontecer é que as empresas estão no negócio do preço não por escolha, mas por imposição externa, por sucessivas reacções às pressões do mercado, optam por espremer o modelo do negócio, na esperança de que o que resultou no passado, continue a funcionar no futuro. Assim, em vez de planeamento, em vez de organização, acaba-se a apostar em expedientes, numa sucessão de expedientes sem sustentação, depende-se sempre do que é que outros concorrentes vão fazer, vive-se tempo emprestado.

Mesmo quando se sobrevive, só se sobrevive, só dá pão seco e água. Corre-se, corre-se, corre-se, mas ganha-se muito pouco, quando se ganha alguma coisa.

Escrevo tudo isto porque acabo de ler no jornal Público um artigo, assinado por Natália Faria, que ilustra, que muita gente ainda acredita que receitas antigas resultem nos tempos modernos "Patrões da têxtil querem travar aumentos e suprimir alguns feriados do calendário".

Eloquentemente:

"Os patrões do sector têxtil e do vestuário português querem que o Governo ponha travão às expectativas de aumentos salariais para os próximos anos e que suprima alguns feriados do calendário nacional. É a única forma, segundo Paulo Nunes de Almeida, o presidente da Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal (ATP), de "garantir a competitividade das empresas de mão-de-obra intensiva, em particular as confecções"."

"Mas as reivindicações não se ficaram por aqui. Além de preconizar a redução do número de feriados, e como forma de contrabalançar a subida do salário mínimo, a ATP reclamou a isenção dos descontos para a Segurança Social das horas suplementares, a limitação dos montantes globais das indemnizações por despedimento, bem como a alteração do pagamento do total do rendimento anual dos trabalhadores de 14 para 12 meses, ou seja, o fim dos subsídios de Natal e de férias. São medidas necessárias, na opinião de Daniel Bessa. "Não se pode ter tudo ao mesmo tempo e se há problema que tem atingido a economia portuguesa é o encarecimento excessivo dos últimos anos e isso tem muito a ver com a evolução dos salários reais", declarou ao PÚBLICO o presidente da Escola de Gestão do Porto, mostrando-se igualmente a favor da supressão de alguns feriados.

Há semanas, Daniel Bessa escrevia no semanário Expresso, sobre as empresas do passado que

"... faltou sempre o dinheiro que o "Portugal profundo" preferiu gastar na "ajuda" a "empresas em situação económica difícil"...

Por isso estranho o que li a seguir:

"Quanto às queixas relativas aos atrasos na regulamentação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) - que enquadra os 21,5 mil milhões de fundos comunitários a que Portugal terá direito entre 2007 e 2013 - Pinho anunciou que as linhas fundamentais dos PO Competitividade e PO Regional serão apresentadas na próxima semana e que, a partir do dia 15 de Novembro, as empresas poderão concorrer a esses fundos através da Internet, "de um modo muito simples". "

Quer dizer que o futuro é a continuação da aposta no preço? Vamos gastar o dinheiro alimentando essas empresas a soro!!! No fim, quando se acabar o soro... acaba-se a vida. Não se cria futuro.

""Na Galiza há uma série de competências que temos a menos e que são importantes, nomeadamente em matéria de distribuição e de marca, e os galegos parece que vêem em Portugal capacidade industrial e conhecimento operacional que lhes interessa", precisou Daniel Bessa, "

Para a Galiza fica a carne, para Portugal os ossos!

" sobrevivência das empresas têxteis portuguesas não passa pela criação de marcas. "Uma marca é uma coisa muito boa, todos admiramos uma Zara, mas esse é um caminho difícil, caro e com muito risco", disse, considerando que à maioria das empresas portuguesas "falta escala" para o percorrerem"

Ou seja, estamos condenados, como país, à pobreza!

Não creio que seja mais difícil apostar na subida na cadeia de valor na fileira têxtil, do que na actividade farmacêutica (... transpirava visão, um trabalho de fundo, profundo, paciente)

Se uma empresa minha optasse por prestar serviços industriais a empresas de marca, mesmo assim tentaria fugir do preço, apostando na rapidez, na flexibilidade, no serviço. Porque, havendo muitas empresas a fornecer minutos de trabalho às empresas de marca, por cada euro recebido do QREN, imagino o que vai acontecer... a redução do preço de venda do serviço às empresas de marca num euro, logo, quem vai receber o dinheiro do QREN... será a empresa de marca.»

Leituras recomendadas