20090307

Campanhã, Porto

Sobre direitos de autor ler esta nota.

«Máfias» verdes

Mais um episódio de mistura entre negócios privados e agentes políticos localizados em Lisboa.

O António Maria: Portugal 89
(...)Enfim, chega desta prosa bocageana que, no caso em apreço, é muito mais do que um incidente linguístico ordinário. Na verdade, o que este incidente mostra é o estado de nervosismo crescente e o descontrolo iminente das elites corrompidas do Bloco Central. O modelo neoliberal que o PS, PSD e CDS comungaram em alegre promiscuidade ao longo dos últimos vinte anos entrou em colapso. A dimensão do mesmo, e sobretudo as consequências, são ainda imprevisíveis. Mas que os cacos começaram a cair, disso não há a menor dúvida.

O incidente foi rapidamente abafado pela turma de zombies que decora o nosso parlamento —quando seria de esperar que fosse imediatamente remetido para uma comissão de disciplina interna da Assembleia da República (ignoro se existe ou não), e o deputado insultante fortemente penalizado. Assim, como os colegas deputados vão certamente assobiar para o ar, eu faço a pergunta:

* senhor deputado José Eduardo Martins, porque se irritou tanto com a insinuação do seu adversário político Afonso Candal?
* Tem ou não interesses profissionais e/ou económicos no sector económico do ambiente?
* Está ou não ligado a empresa desta área?
* Aufere ou não vencimentos, comissões ou vantagens patrimonias ou de qulquer outro tipo de empresas ou fundações vinculadas explícita ou genericamente aos negócios do ambiente?

Eu ignoro o que se passa com o deputado laranja neste particular, como aliás desconheço completamente a história da sua vida pessoal, profissional e mesmo política. Tenho escutado as suas prestações no "Frente-a-Frente" que o Mário Crespo promove diariamente no Jornal das Nove, entre protagonistas da nomenclatura político-partidária que temos, e a impressão até era boa! Vivo, rápido nas respostas, embora invariavelmente elíptico como é a esmagadora maioria dos nossos políticos. Não estava, apesar de tudo, mal. Mas agora, depois deste incidente, a sua credibilidade caíu por terra. Ou esclarece rapidamente as dúvidas que pairam no ar sobre a sua independência política, ou vai para o rol dos socratintas sem apelo nem agravo.

O negócio do ambiente é provavelmente o mais escandaloso dossier da nossa democracia recente. Os casos da EDP, que tem um plano secreto para se apropriar do direito público da água —para isso servem as onze barragens que quer construir (1); da Mota-Engil/Martifer/Suma, que quer tudo, da construção de barragens, às auto-estradas, portos e aeroportos, do duopólio da microgeração solar ao biodiesel, da limpeza urbana ao tratamento de lixos e reciclagem; ou ainda das misteriosas fundações e empresas de consultoria onde os cozinhados do Bloco Central têm lugar —Fundação Ilídio Pinho/Fomentinvest, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Fundação Mário Soares, Banif - Banco de Investimento/Fundação Horácio Roque, Caixa Geral de Depósitos (2), são de pôr os cabelos em pé! Não há mesmo outra explicação para o arrastamento inconclusivo do escândalo de corrupção Freeport, e para o silêncio aterrador do Presidente da República. A economia neoliberal dos parvenues lusitanos do Bloco Central faliu, mas tirar as mãos da massa e desnovelar todo este antro de desperdício, mentira e negócios muito mal explicados, quando não ilegítimos e corruptos, vai ser uma dor de cabeça para a actual nomenclatura democrática, sem excepção.


20090306

Obrigado Caixa

Vivo numa região que nos últimos anos perdeu grande parte dos seus centros de decisão regional para a capital. Não poucas vezes ouvi que a culpa era nossa. Que o mundo era assim, que as empresas apenas iam para onde tinham melhores condições competitivas.

Fosse verdadeira a explicação, e eu a aceitaria. No entanto, as deslocações não se deveram à competitividade de Lisboa (basta comparar os salários de quadros qualificados para ver que isso é falso), mas a incentivos do governo ou aos benefícios do compadrio e corrupção que usufrui quem circunda o Terreiro do Paço. E que simetricamente são negados a quem não o circundar.

Pelos vistos a eficiência e competitividade (com os quais eu concordo) já não servem quando são os centros de decisão regional de Lisboa que estão em causa. Nem que para isso tenham que gastar dezenas de milhões de euros dos nossos impostos. Tenho sérias dúvidas que tal tenha valido a pena. Para ser sincero, o único resultado que vi na defesa dos centros de decisão nacional foi a criação de monopólios ou oligopólios, preços mais elevados para a indústria e consumidores portugueses, e perda global de competitividade.

Em todo o caso, agradeço em nome dos portugueses à Caixa. Em particular em nome daquela meia dúzia que faz parte do Conselho de Administração da Cimpor. Nestes tempos de crise, esses são os empregos prioritários a proteger.

Já vejo a próxima comunicação do Sócrates: salvaremos todos os milionários que pudermos.

Os economistas marxistas e austriacos tem razão no diagnóstico: A explicação recorrendo apenas a uma imagem

DJIA

Uniões de Facto passam a ter divórcio

Se bem entendo, a união de facto é uma relação caracterizada pelo livre contributo de cada um dos elementos para essa relação (enquanto no casamento esse contributo é previamente alvo de um compromisso) e pelo não desejo de formalização da relação.

Há uns meses o Governo aprovou um diploma que dispensa os casados de qualquer responsabilidade pelo cumprimento dos deveres assumidos aquando do casamento.

Agora, o Governo decidiu alterar o regime das uniões de facto. Com a nova lei, os unidos de facto poderão ter de indemnizar a outra parte em caso de separação e (...) os membros da união respondem pelas dívidas contraídas por qualquer um deles.

Efectivamente há muitas formas de família possíveis. Mas para esta esquerda a diferença está só na aparência, no nome adoptado para a relação (casamento ou união). Porque todas as famílias têm o mesmo valor, a esquerda pensa que todas devem ter os mesmos direitos e deveres. E para quem quiser "viver junto" sem assumir compromissos legais, a única solução é deixar de coabitar a cada dois anos. Caso contrário, o Estado "assina os papéis" por nós. Salazar agradece.

Norteamos apresenta alternativa ao financiamento das PMEs

Carlos Lage dirige ao Governo apelo para a aplicação urgente de medidas que evite perdas de negócios e paragens de produção

CCDR-N RECONHECE SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA NOS SECTORES EXPORTADORES NO ACESSO AOS SEGUROS DE CRÉDITO

Tendo auscultado nos últimos dias representantes dos sectores do Têxtil, do Vestuário e Calçado da Região do Norte, a Presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) reconhece a situação de extrema gravidade e de emergência das empresas destes sectores no acesso ao crédito à exportação, com especial atenção nas Pequenas e Médias Empresas (PME).

Verificando-se, em muitas unidades exportadoras, a ameaça de perda de negócios ou mesmo de paragem de produção, em resultado da rejeição ou anulação de apólices de garantias por parte dos operadores de seguro de crédito, o Presidente da CCDR-N, Carlos Lage, apela ao Governo Português a aplicação urgente das medidas anunciadas para assegurar créditos à exportação, assim como a responsabilização das entidades seguradoras, se necessário através de iniciativas mais radicais, no sentido do cumprimento das suas obrigações, num quadro de razoabilidade.


O meu modesto contributo:
- www.lubbus.com
- www.smava.de
- www.prosper.com
- www.boober.nl
- www.zopa.co.uk




20090305

Uma Casa da Música no porto de Leixões

Esta reunido o cenário para mais um erro no investimento público, tal como foi a Casa da Música:
  • Ausência de análise custo-benefício;
  • Uso do dinheiro público;
  • Investimento no imobiliário;
  • Iniciativa de autarquia do PS (Matosinhos);
  • Crença piedosa na importancia das «industrias criativas» e nas «incubadoras tecnológicas»;
  • Aposta num sector de bens e serviços transaccionáveis (Tursimo) mas ignorando a procura e a conjuntura (Number of Britons taking holidays in Spain plummets by 20% as the pound tumbles)
No mesmo porto de Leixões, os comboios de mercadorias praticamente nada transportam de e para os barcos atracados. Mas o que interessa é que é «in», dá votos, negócios aos amigos dos decisores e ilusão de desnvolvimento ao povo. Enfim.

Adenda: PMS e José Modesto asseguram na caixa de comentários a necessidade de um terminal de cruzeiros. Não contesto. Mas também será necessário um edifício de autor tipo Casa da Música como a imagem documenta ? O edifício de recepção dos passageiros precisa de ter uma dimensão que rivalize com os próprios barcos e que até tenha espaço para albergar um Pólo do Mar da UP , incubadora de empresas e residência universitária ? Não havia mais metro2 disponível ?

20090304

Cavaco lê Norteamos

Jornal de Negócios Online -O Presidente da República mostrou-se hoje céptico em relação a uma solução para a Qimonda após o encontro, no âmbito da visita oficial à Alemanha, com a chanceler Angela Merkel.

Já escrevi várias vezes no Norteamos que não há futuro para a Qimonda de Vila do Conde.


Estamos entregues à bicharada !

Venha daí essa bicharada! - Bússola

Jorge Fiel anda a perder qualidades. As suas crónicas de defesa do Norte tem passado por crenças utópicas no potencial das «industrias criativas», Serralves e afins. Agora vem  com a ideia do maior e melhor jardim zoológico da Europa !!! Enfim.

PS: "Bicharada" no sentido de animais de jardim zoológico e mais nada.


Será isto «portocentrismo», caros bracarenses ?

Jornal de Negócios Online
O grupo bracarense DST vai investir 80 milhões de euros na criação de uma rede de fibra óptica na cidade do Porto. Com uma extensão superior a mil quilómetros, abrangendo mais de 360 mil utilizadores, o investimento deverá ficar concluído dentro de cinco anos.

Na minha opinião, não. Trata-se apenas de agentes privados e locais. Braga poderá fazer o mesmo.


20090303

Novo jornal vai falhar

TVI24: O novo jornal diário que será lançado pela Sojormedia até ao Verão vai chamar-se «i», avançou esta segunda-feira a administração e direcção durante uma apresentação feita a todos os trabalhadores, em que a agência Lusa esteve presente.
Na minha modesta opinião, avançar com um Jornal na actual conjuntura económica e tecnológica é irrealista. Se acrescermos o facto de ser um grupo de comunicação fora de Lisboa (neste caso da região Centro), o cenário fica pior.


Fará sentido manter expectativas relativamente ao uso das infraestruturas de transporte ?

Jornal de Negócios Online: Em 2008: Crise económica reduz transporte de mercadorias em Portugal. O transporte de mercadorias diminuiu, no ano passado, em todos os meios de transporte (marítimo, ferroviário e rodoviário) com a crise económica a afectar sobretudo os movimentos internacionais. Os aeroportos nacionais viram o movimento de passageiros desacelerar face a 2007, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Dados interessantes:
- O descréscimo no transporte de marcadorias foi mais acentuado na forma rodoviária, seguindo-se a marítima a e ferroviária. O transporte de mercadorias por via aérea incrementou.
- Aeroporto do Porto aumenta trafego de passageiros mais do que o aeroporto de Lisboa;
- Metro de Lisboa reduziu procura face a 2007, enquanto que o Metro do Porto incrementou;

A estes dados deveremos juntar a persistente perda de utilizadores nas auto-estradas nacionais.

Conclusão: As justificações para investimentos públicos no sector de transportes (NAL, TTT, TGVs, Portugal logístico, expansão de redes de Metro, etc) tem que ser revistas à luz da conjuntura económica.


20090302

PP ganha na Galiza

La Voz de Galicia. Elecciones Gallegas 2009: El Partido Popular reconquista el voto urbano.


Marxistas «say it better»: A explicação da crise por um Sociólogo (não, não é o PA, «for god sake»!)

O leitor conhece a Sociologia à moda de Pedro Arroja ? Pois bem. O que trago hoje não tem nada a ver.
John Bellamy Foster (sociológo de um país protestante) explica a crise actual com fundamentação científica e pouco enviesamento ideológico. Sobretudo porque identifica padrões de longo prazo na história económica dos últimos 200 anos. O início da entrevista é mesmo arrbatador:
«I think it is true, as you say, that the American people have been misled by analyses of the crisis into focusing on mere symptoms, or on the straws that broke the camel's back, such as subprime loans. There is still a great deal of toxic financial waste out there in the financial superstructure of the economy, but the real problems go much deeper. One reason for this failure to account realistically for the crisis is that those at the top of the system have very little clue themselves, given the near bankruptcy of orthodox economics. A second reason is that the dominant ideology is designed to naturalize/externalize economic disaster, pretending it has nothing to do with the inner contradictions of the system but is simply the result of human psychology, mistakes of federal regulators, deregulation, corruption of a few individuals, etc. Under these circumstances, what you get from the elites and the media is mostly nonsense, though there are individuals in the financial community, in particular, that are now analyzing the problem at a deeper, more realistic level.
The first thing to recognize is that this is a very serious crisis, of an order of magnitude comparable to the Great Depression. It is not a regular business cycle downturn or credit crunch. This should suggest that there are long-term forces at work. These include, over the last third of a century, stagnation, or the slowing down of the economy, and the financialization, the shift in the center of gravity of the economy from production to finance. Financialization refers not to just one or two financial bubbles (such as the New Economy bubble and the housing bubble) but to the growing reliance on financial speculation, which can be treated as a whole series of bubbles one after the other, each new one bigger than the last. This has been the dominant economic development since the 1970s, and especially since the 1980s. This financialization was occurring on top of a "real economy" or productive economy that was more and more stagnant. Given the rot below, financial speculation thus became the only game in town, serving to lift the economy. More and more economic activity was geared not to production but to the pursuit of paper claims to wealth. The last bubble-bursting episode, associated with the housing or subprime bubble, was so severe that it brought financialization to an end, generating what we call in the title of our new book The Great Financial Crisis.»
Da leitura deste e outros artigos, vislumbro uma solução: Assim com a financiarização da economia foi uma tentativa de responder à estagnação económica das economias industrializadas, poderão surgir futuramente outros caminhos: Incluir na economia formal actividades que actualmente não contam para o PIB: protituição, tráfico de droga e até trabalho informal de serviços pessoais (limpeza doméstica, acompanhamento de crianças e idosos, etc). Preparem-se para alterações drásticas na sociedade. Como se referia na entrevista: «Very often between one historical period and another, ten years suddenly might be enough to reveal the contradictions of a whole century».
Quanto mais se perceber esta crise, melhor. Quer seja a nível pessoal, profissional, regional ou nacional.
Leituras recomendadas