20070731

"POST ABERTO AO GOVERNO"

Exmo. Senhor Renato Sampaio
Presidente da Federação Distrital do Partido Socialista-Porto,

Afirmou V. Exa., no Jornal de Notícias de hoje, que o seu papel no Partido Socialista é (entre alguns outros) o de : "fazer a mediação entre os cidadãos e o poder" .

Admitindo que a cidadania que pratica, comporta gente sem vínculos partidários (como é o meu caso), mas que se interessa pela vida social, política e económica da sua região, venho através deste local de cidadania que é "O Norteamos", solicitar-lhe o favor de fazer chegar às mais altas esferas do seu partido (que está no poder) o seguinte:

  • Que não gosto de folclore político, mas que admiro e espero dos políticos, acções com coerência política e muita coragem
  • Que não sinto, dessa Federação suficiente vontade política e força representativa para zelar pelos interesses da região
  • Que, pelo contrário, reparo reforçada a centralização de poderes em Lisboa, com o Norte e o Porto em particular, cada vez mais entregues a si mesmos
  • Que não percebo nem vejo benefícios recolhidos e causas ganhas com a "estratégia" da Federação PS/Porto
  • Que não consigo compreender qual é o ganho, quando se perde alguma coisa, mesmo que seja emprestada (Refiro-me à RTP N)
  • Que não entendo como ainda credibiliza garantias e palavras de pessoas responsáveis pelo esvaziamento do Centro de Produção do Porto da RTP N (Ministro A.Santos Silva e Pres.RTP, Almerindo Marques), deslocando-o para Lisboa, e esquecendo que em Lisboa já estão concentradas 4 estações de TV em canal aberto (duas delas públicas) e quase duas dezenas de canais por cabo. Note-se o belo exemplo de simetria regional...
  • Que me indigna a submissão e o silêncio (ensurdecedor) da Federação PS/Porto, perante o folclore mediático do sistema judicial português apontado para o Porto (com o Apito Dourado), enfatizando prévias acusações e subvalorizando as defesas
  • Que não sei da razão objectiva da não promoção definitiva de debates abertos sobre a Regionalização, considerando que, na prática - para além da Madeira e os Açores - Lisboa, é já uma Região Autónoma e Administrativa, com indícios colonialistas (o que é gravíssimo)
  • Que pessoalmente, não me escondo atrás de V. Exa. para reivindicar o meu descontentamento e que o assumo aqui, abertamente

É possível que tantas dúvidas levantadas sugiram uma grande ignorância da minha parte, caso uma argumentação séria e factual permita concluir que não passam de mera ficção. Mas será preciso prová-lo, caso contrário, então, o ignorante (sem ofensa) será V. Exa., e nesse caso o conselho que lhe dou é que se demita rapidamente porque a sua missão política de representar o distrito falhou.

Rui Valente


PS-Como podemos nós Nortenhos almejar por um Líder, se os que eventualmente o podiam ser só reconhecem dois estilos: berrões (e em bicos de pés) e mudos (modelo Rui Rio, infinitamente sério...).

Norte vai investir na agricultura acima da média nacional prevista

Os investimentos agrícolas na Região Norte deverão representar 335 milhões de euros em 2013, após os sete anos de aplicação do actual quadro comunitário de apoio, em vigor desde o início do ano. Aquele valor traduz um crescimento de 48,8% face ao investimento contabilizado em 2003 e significa um salto superior ao previsto para a média nacional, que na mesma década (2003-2013), apenas crescerá 18%. São dados retirados da versão provisória do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) para a Região Norte 2007-2013, em consulta pública até 15 de Agosto. O documento contém o diagnóstico da situação actual e da definição de objectivos e prioridades que irão orientar a selecção de candidaturas aos novos fundos comunitários - na ordem dos dois mil milhões de euros para o país inteiro e para os sete anos do Programa. A verba específica para a região ainda não é conhecida.
Entre as prioridades definidas, são apresentadas nove fileiras consideradas estratégicas. Vinho, azeite, floresta, leite, qualidade (produtos protegidos) e frutas.
O PDR, tal como está, deverá proporcionar ao sector primário da região um maior peso na economia. Os 894 milhões de euros (VAB) apurados em 2003 deverão subir para 1350 milhões de euros em 2013, com um crescimento de 51%, e, mais uma vez, acima da média nacional (48%).

20070730

sopram bons ventos de Barcelona...

no Porto Canal...

Através do Vida Económica, excelente semanário de informação económica publicado no Porto, fiquei a saber que parte do capital do Porto Canal foi comprado por uma empresa catalã. Agora que a RTPN vai deixar de exibir a única vantagem competitiva que tinha - ser feita a partir do Porto -, é cada vez mais importante o sucesso deste empreendimento televisivo. O investimento catalão, até pelo seu simbolismo, é bem vindo.

Estranha-se é o alheamento dos empresários do norte em relação a esta realidade. Depois, tal como Belmiro de Azevedo, descobrem, da pior maneira (OPA bloqueada pelo Estado sobre a PT), que ser do Norte é uma desvantagem competitiva e notam a falta de poder mediático. Estranha-se mais ainda em Belmiro de Azevedo, sempre tão senhor das suas certezas, ter descurado e, aparentemente, continuar a descurar, este poderoso meio de 'persuasão'. Cá para mim a culpa é o excesso de MBA's: aquilo é tudo muito marketing, muita bolsa e muita finança; esquecem-se de estudar mais sociologia, e, principalmente, ciência política. É aí, na ciência política, que se fazem os maiores negócios; seja aqui na parvónia, seja nos EUA, pátria do capitalismo mais ao menos liberal.

ProvincianismosII

A azul está a conquista do Torneio de Casablanca pelo Belenenses e a vermelho o apuramento do Leiria para a UEFA.

Os três jornais diários desportivos da Nação existem para 3 clubes de futebol, os suspeitos do costume, basta ver as capas de hoje. Sugiro uma ultra-liga a 3 e uma super-liga a 13.

É sobre provincianismos...

José Silva,
Bem que gostaria, tão cedo, de evitar as futebolices, mas como constatará, esse maldito está quase sempre presente na vida dos portugueses e não é tão irrelevante como imagina. Além disso, se o povão (do Porto e de Gaia, mas não exclusivamente) não fosse manipulado pela comunicação social preferencialmente pelo lado pior do futebol, talvez então por esta altura estivesse um pouco mais politizado e combativo. Mas mesmo assim, não nos iludemos nem pensemos que anda a dormir na forma (como parece), porque se lhe for dada voz, talvez tenhámos surpresas agradáveis...
Como sabe, aprecio futebol, mas, como a minha própria intervenção neste blog o comprova, não é por isso que deixo de me preocupar com assuntos mais importantes como é o caso da crise que assola a nossa região e que, afinal de contas, esteve na génese do Norteamos. Como eu, felizmente há muitos mais, mas quantos deles (provavelmente a grande maioria), terão instrução e condições económicas para acederem a um computador e depois à Net? O realismo que evocou, também deve ser considerado por este prisma.
Mas, titulei oportunamente de "provincianismos" este post para, lhe dar mais um exemplo de onde ele realmente nasce, cresce e emana, e como pode potenciar rivalidades insanas nesse "obscuro" mundo que é o futebol ...
Um conhecido jogador do Benfica recentemente transferido para o futebol espanhol, mereceu da parte da televisão pública e privada uma cobertura tão grande e abrangente, que em defesa do direito à preservação da sanidade mental pública não poderá ser excessivo adjectivá-la de: bacôca, parôla, ridícula e esbanjadora.
Foram todos os canais, mas só a SIC, fez um autêntico romance melo-dramático (houve lágrimas e tudo) com a sublimidade do acontecimento, abrindo com ele o jornal da tarde - onde consumiu à vontade 17 minutos numa 1ª. fase e cerca do mesmo tempo pouco a seguir - e fechando o Jornal da Noite também. Observe-se bem: sem o pedirmos nem desejarmos, ficamos todos a conhecer a família completa do jogador em questão, só faltando mesmo saber de que raça e côr seria o cãozinho de estimação da sua avozinha...que também nos foi apresentada.
Não imagino bem quanto a SIC (ou qualquer outra estação de TV) cobrará o 'segundo' por um spot publicitário, mas fazendo um cálculo aleatório a 100,00 € por segundo (deve ser muito mais), multiplicado à meia-hora dedicada ao tema teremos: 1800' x 100,00 € = 180 000, 00 €). Cento e oitenta mil euros de publicidade gratuita feita a um jogador e a um clube, apenas porque se transferiu para outro! Admitindo que o valor acima estimado é ainda assim baixo, podemos extrair uma certeza, que é a de ficarmos a saber que o tempo da SIC pouca valia tem para o desperdiçar desta forma. Um alerta portanto aos residentes que eventualmente tenham negócios do género com a estação e uma boa oportunidade para reclamarem uma boa rebaixa na tabela de preços da publicidade, porque a avaliar pela amostra, o tempo da SIC não vale grande coisa...
Ora, onde reside afinal a importância de assinalar este tipo de situações ligadas ao desporto e ao futebol em particular? Em primeiro lugar, por tudo aquilo que expliquei no parágrafo anterior. Em segundo, por ser um exemplo claro e inequívoco de provincianismo básico e abastardado (que não parte do Norte). Terceiro, para se entender como é diferente o comportamento dos orgãos de comunicação social lisboetas perante um mesmo facto, mas com protagonistas diferentes... Em último lugar, por destacar a sobriedade com que foi noticiada a transferência de outros jogadores de um outro clube (O FCP), por valores bastante mais elevados para clubes estrangeiros de muito maior prestígio (Manchester United).
Pela minha parte e para que não saia já a terreiro alguém a desencantar do "utilitário" baú dos complexos nortenhos, típicas e convenientes invejinhas para com o Sul como razões destes meus argumentos, quero informar desde já que prefiro - apesar de não ser por uma boa razão - a sobriedade informativa (não confundir com omissão) dedicada ao clube da minha afeição, do que a notícia terceiro mundista e pirosa que a capital dedica aos seus símbolos desportivos. Primeiro, porque os nortenhos não são pirosos e depois porque factualmente nessa matéria, os bons, somos mesmo nós. O que é pena, é que confundamos muitas vezes as coisas e insistemos a invertê-las em causas dos nossos problemas. Tanto a montante como a jusante.

Números

"Os maiores valores para as densidades populacionais (população por unidade de superfície do município), em 2005, foram observados na Grande Área Metropolitana do Porto (1567,4 habitantes por km2) e na Grande Área Metropolitana de Lisboa (946,9 hab./km2). Em ambos os casos, a densidade populacional excede largamente a média nacional (114,8 hab./km2) e da União Europeia a 25 países, que era de 117,5 hab./km2 em 2003 (último valor disponível). Importa ainda acrescentar que os quarenta primeiros lugares na hierarquia dos municípios com maiores densidades populacionais são ocupados por treze municípios da Grande Área Metropolitana de Lisboa (num total de dezoito que compõem este agregado) e por treze dos catorze municípios da Grande Área Metropolitana do Porto."

Anuário Estatístico de Portugal 2005, INE

Leituras 20070730

·         ASC pode receber voos nocturnos;

·         Tecnologia INESC Porto vendida a grupo ibérico;

·         Há maçonaria no Norte ? Acho que não. Há, no entanto, outro tipo de interesses, como relata o Pedro Morgado em «Causas do nosso atraso e urbanismo caótico»;

·         Um dos «benfiquistas» lamenta-se novamente aqui. Não seria mais coerente demitir-se ?

·         Outro «benfiquista» acerta: GaiaPorto em pequenos passos;

 

20070729

Abertura ao transito da A7

Está aberto ao transito o ultimo lanço da A7 entre Ribeira de Pena e a A24, ligando assim a cidade de Chaves ao litoral bem como ao Porto.

O que é que ainda falta?
-A4 (mais do que qualquer outra via).
- Ligação a localidades como Cabeceiras de Basto.
- Ligação a Verin para o objectivo desta malha ser cumprido: ligar o Porto à AE das Rias Baixas.
- Resto do IC5.

É pena que as coisas nesta região andem sempre mais devagar, mas pelo menos já se vê um ou outro progresso.

20070728

É sobre justiça...

"instrumentalização do testemunho de Carolina por parte de um elemento da equipa de Morgado"

Esperemos que isto venha a ser isenta e celeremente investigado. Uma coisa deste género seria muito grave, mesmo muito grave ...

Provavelmente precisam de ser norteadas

Caro Rui,

Como funcionário de um departamento comercial de uma empresa do vale do Ave não tenho qualquer problema em vender em Lisboa nem tenho qualquer preocupação com o desenvolvimento regional a Norte. As empresas, sobretudo as grandes, as industriais e de consultoria/serviços não tem qualquer sensibilidade à questão do desenvolvimento regional. O seu futuro não depende do porder de compra dos residentes. Os seus mercados são globais, ibéricos ou nacionais e vão ter com os clientes/vendas estejam elas onde estiverem. Apenas as empresas ligadas a mercados locais, pequeno comércio, turismo/lazer, o «cluster» imobiliário, proprietários de imóveis, saúde e educação privada, delegações locais de grandes empresas, como por exemplo as agencias bancárias, terão interesse no desenvolvimento regional. É fácil de perceber: O seu volume de negócios depende do andamento da economia local e regional. É preciso ter isto presente para não se criar expectativas irrealistas. Assim não deve esperar qualquer interesse pelo Norte de Belmiro ou de Joaquim Oliveira. Eles podem ter interesse como cidadãos mas não como gestores/empresários. Nunca irão subordinar as suas decisões empresariais a estas questões e por isso metade da Sonae está sedeada em Lisboa e surge então o Global Notícias. O mesmo não se passa ou não se deveria passar com o outro tipo de empresas. Provavelmente precisam de ser norteadas.

Entrevista de António Marques (AIMinho) ao JN

Apesar de regionalista de aviário, tipo frango com 3 anos («É necessária a regionalização». Há cerca de três anos, era absolutamente contra; «Fui um dos que assumidamente mudaram») António Marques acerta. Eis os tópicos mais interessantes.

«No Norte as pessoas unem-se para protestar, mas não para apresentar soluções.»

«Acho que não, porque não há liderança a Norte e, pior, há uma fragilidade da rede institucional na região. Os actores são convidados a desunirem-se - há um subsídio para aqui, um programa acolá, uma iniciativa ali… Qualquer Poder faz isso deliberadamente - dividir para reinar. As autarquias não se entendem, nem as associações, as universidades só agora começam a trabalhar em conjunto, as empresas não trabalham com as universidades, as universidades acham que os empresários não estão lá… Além da ausência de liderança, conjugada com a fragilidade da rede institucional, o processo de descentralização parou. Está moribundo, ou aliás, está ao contrário fecham Urgências, Centros de Saúde, serviços regionais, o que tem implicações muito negativas.»

«E, depois, os investimentos têm de estar todos muito ligados - o TGV, o aeroporto de Sá Carneiro, a rede logística, o metro do Porto, o Instituto Ibérico, em Braga... Tem de haver o casamento entre um conjunto de políticas e o ordenamento do território.»

«O TGV tem de parar, naturalmente, no Sá Carneiro, e não quero acreditar que a paragem seja em Campanhã - só se for para, em vez dos passageiros da Galiza ficarem no Porto, irem para o novo aeroporto... Como é possível falar da ligação Galiza-Norte de Portugal se não potenciarmos o Sá Carneiro? Como é possível falarmos em TGV e aeroportos se não cosermos isto tudo? Não é possível tamanha incompetência da parte do Governo. Os acessos têm de estar todos integrados e ligados, como nos países civilizados e desenvolvidos.»

20070727

Hoje em Vigo.....

Hoje em Vigo vi o que espero ver na nossa região daqui a uns anos: um pequeno grupo de manifestantes a protestarem em frente à delegação da Xunta da Galiza de Vigo. E a manifestação estava a ser devidamente coberta pela TV Galiza...

Claro que o que quero ver aqui no Norte não é a Xunta da Galiza nem a TV Galiza propriamente ditas..

Renovada, a Portela pode receber 20 a 25 milhões de passageiros

Declarações de João Ribeiro da Fonseca ao Diário Económico. A ler na edição de hoje em papel. Resumo disponível aqui e aqui.

A realçar da entrevista:
- Que o ministro Mário Lino apenas o consultou na véspera da apresentação do aeroporto da OTA. "Eram 19 horas quando me recebeu. Não houve tempo para nada."
- Que nunca foi avaliada a optimização da Portela (que permitiria entre 20 a 25 milhões de passageiros), e as obras que lá se fazem são "remendos e mais remendos". "Não há planeamento".
- Que "Figo Maduro é um espaço a aproveitar", e que deveria apstar na "construção modular de um aeroporto no Montijo".
- Que "o assunto é grave e tem provocado um forte movimento de manipulação da opinião pública para defender a inevitabilidade da OTA", e que "para chegarmos à conclusão que a Portela vai esgotar-se nos próximos anos, seria preciso demonstrá-lo (…) com um estudo sobre a Portela".
- Que "mais tarde se fosse preciso um aeroporto maior, o que levaria muitos anos, Alcochete seria o terreno ideal. Para isso bastaria reservar o espaço para esse efeito."

Fusão Porto-Gaia, Romanos, Dinarmaqueses e Japoneses

Poís é António. Eu não quero ser a vanguarda intelectual que sabe mais que o Povo. Mas vejamos, este mesmo Povo portuense e gaiense é aquele que consome toneladas da tal informação e conhecimento futebolístico, que várias vezes aqui referi e da qual não sou adepto. Um verdadeiro Pão e Circo (*) dos tempos modernos. Entretano os povos primitivos do reino da Dinamarca e do Japão avançam com as suas fusões de autarquias e reorganizações territoriais como se pode ler aqui e aqui. O Povo do Porto e de Gaia, estão na vanguarda europeia, sabem bem o que querem e não se deixam manipular por ninguém, como provam todas as estatísticas do desenvolvimento...

 

(*): Pão e Circo, uma maneira de contentar a população oferecendo comida e diversão, dessa maneira obliterando o espírito crítico e a capacidade ativista e contestadora

Sondagem

"O grosso dos habitantes da Área Metropolitana do Porto (AMP) - 70 por cento - recusa uma eventual fusão entre as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia. Este é o dado mais relevante de uma sondagem realizada pelo IPOM - Instituto de Pesquisa de Opinião e Mercado, para o Porto Canal, que hoje à noite será debatido nesta estação de televisão por cabo."

In Público
Leituras recomendadas