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20080228

Estratégia de desenvolvimento dos transportes no Norte de Portugal

Esta artigo foi publicado originalmente em 20070530. Atendendo à temática da sessão de logo à noite dos Olhares Cruzados sobre o Porto, republico-o novamente.

1. A construção da Ota e libertação dos terrenos da Portela é uma PPP propositadamente cara para alimentar lobbies financeiros, imobiliários e da construção civíl. A Portela não está assim tão saturada e com investimentos sensatos resolve-se o problema.

2. Através de práticas monopolistas do futuro dono da ANA, a Ota irá drenar a utilização do aeroporto do Porto, contribuindo ainda mais para o não desenvolvimento da região Norte e desvalorização do património imobiliário; A alternativa Portela +1, ou um novo aeroporto na margem sul, salvam Pedras Rubras.

3. A aviação civíl consome 7% do petroleo mundial. Estamos no «Peak Oil», ou pelo menos no «Imposed Peak Oil», onde os produtores de petroleo, Russia à frente, vão cobrar preços mais altos pelas suas matérias primas. Investimentos faraónicos em aeroportos é neste cenário um medida suicída;

4. O Norte e Centro ainda são regiões industriais e exportadoras que necessitam de custos de transporte competitivos. Continuar a escoar mercadorias para a Europa via TIR não é sensato. O sensato é apostar nos portos e ferrovia. Assim faz todo sentido ligar o porto de Aveiro à linha da Beira Alta, como está a decorrer, e usar o Porto-Braga-Vigo para transporte de mercadorias. O que não faz sentido é a linha do Douro e o ramal de Leixões, que liga o respectivo porto à ferrovia, não estejam a ser usados neste segmento. O que se passa com a intermodalidade rodo-ferrovia-portuária em Matosinhos, alguém sabe ? O Porto de Leixões tem capacidades que o de Aveiro não tem e que precisam de ser potenciadas !

5. A modernização ferroviária, passageiros e mercadorias, como alternativa à rodovia para «combater» o Peak Oil, passa pela alteração de bitola e não pela existência de TGVs (comboios de alta velocidade, +300 kmh); Estes só são rentáveis para elevadas distâncias. Para Portugal e para o Norte, comboios como o Alfa Pendular, de velocidade elevada (+200 kmh) servem perfeitamente.

6. O traçado Porto-Minho-Vigo em AP deverá ser bem estudado. A proposta do actual governo é Porto-Ermesinde-Trofa-Famalicão-Braga-PLima-Valença, sendo Braga-Valença em novo canal. Este traçado passa por concelhos que totalizam cerca de 400 000 pessoas. Alternativamente um traçado mais litoral que aproveite o ramal de Leixões a linha Vermelha do Metro do Porto e a linha do Minho a partir de Barcelos, servindo também 400 000 pessoas, passando por Vila Conde-Póvoa-Barcelos-Viana-Cerveira-Valença, seria MUITO MAIS BARATO e libertaria verbas para SIMULTANEAMENTE avançar com a linha «Trans-Minho», ligando Guimarães-Braga-Barcelos-Viana e quem sabe um metro dentro de Braga. Cabe aos bracarenses saberem escolher e evitarem também o centralismo de Braga no Minho... A OTA também está(va) decidida e porém... Adicionalmente, o traçado de velocidade elevada pelo litoral permitiria sua utilização por combios sub-urbanos e por exemplo a criação da linha Porto-Viana e passaria a escassos metros do Aeroporto. Também a linha da CPPorto até Caíde deveria ser modernizada e extendida até à Régua;

7. No trafego rodoviário de passageiros, as autarquias devem agarrar-se rapidamente a projectos de construção de metros ou comboios sub-urbanos, aproveitando linhas existentes ou desactivadas, um pouco à semelhança do Metro do Porto. Porém, nunca confundir metro (ligeiro, mais lento, mais frequente, menores distâncias entre paragens) com comboio sub-urbano (mais pesado, rápido, menos frequente e com maiores distâncias entre paragens). É necessário evitar novos erros como é o caso do Metro do Porto para a Trofa, Vila do Conde/Póvoa do Varzim ou para a zona do Vouga.

8. Adicionalmente, a recuperação do troço final da linha do Douro entre Barca d'Alva e Fregeneda permitiria a sua utilização turística. Também a modernização da ligação rodoviária entre Bragança e Sanábria colocaria o nordeste transmontano a 3 horas de Madrid por TGV.

9. Além dos metros actuais (do Porto e Mirandela), do Metro do Mondego em planeamento, deve-se equacionar o Metro em Braga (cidade), metro Agueda-Aveiro-Gafanha (linha do Vouga sul), Metro em Vila Real e Metro Espinho/Feira/SJoãoMadeira/OAZ/Ovar (linha do Vouga norte). Quase todos eles aproveitariam linhas estreitas antiquadas e com traçados à medida da tecnologia e urbanismo do início do século XX, bastando pequenas adaptações.

10. Com investimentos sensatos, todo o Centro e Norte de Portugal podem dotar-se de infra-estruturas ferroviárias a baixo custo, capazes de substituir importações de petróleo em alta, valorizarem património imobiliário urbano e exportarem competitivamente os bens cá produzidos. É preciso pressão da sociedade cívil junto do poder local e central. Passe a palavra divulgando este artigo.

20071208

Nem Ota nem mega-Alcochete IV: Imprensa americana revela: Séria crise no crédito provocará crise na aviação comercial e exploração de aeroportos

Na vida pessoal, das organizações e dos territórios, é necessário, imprescendível até, estar atentos às rupturas tecnológicas, económicas e sociais. Estas rupturas anunciam que daí em diante nada será como dantes. Exemplos são o aparecimento do Windows, da Internet, dos telemóveis, a Blogosfera, o 25 de Abrl, a queda do muro de Berlim, o 11 de Setembro. E também o modelo de negócio das «low-cost»,  o «Peak Oil» e o actual «Credit Crunch».

Vejamos então o que se escreve na imprensa americana que me leva a concluir que o nosso governo central desistirá da Ota e mega-Alcochete:

  1. «It's Not 1929, but It's the Biggest Mess Since», WashingtonPost, 20071205. Preciso de mais explicações ? Penso que não, de qualquer modo aqui fica o diagnóstico de um colega: «José Jorge, professor na Faculdade da Economia do Porto, apresentou, em Paris, um artigo sobre o papel dos mercados interbancários na política monetária. Eis o diagnóstico do professor português: "Os bancos continuam a não a confiar uns nos outros, pois continuam sem saber as exposições aos riscos de liquidez e à quebra de valor nos seus activos. Além disso, desconhecem, também, se as instituições financeiras serão capazes de suportar custos num cenário negativo", diz o economista. Questionado sobre o sentimento vivido no encontro que juntou especialistas de todo o mundo, responde: "o sentimento geral é de grande apreensão"».
  2. Vejamos também a cotação descendente  e o que se escreve sobre a empresa autraliana Macquire Airports, candidata à privatização da ANA: « Macquarie, which recently changed its name from Macquarie Bank Ltd. as part of a company restructuring, combs the globe for assets exposed to limited competition -- such as airports, toll roads and utilities -- and sells them in initial public offerings of shares or bundles them into managed funds, taking capital gains as well as advisory and management fees along the way. The institution's model has been under fire since May from a couple of well-known short sellers, notably Jim Chanos of hedge fund Kynikos Associates. Known for predicting the collapse of U.S. energy trader Enron, Mr. Chanos -- who this year put Macquarie on a list of public shares to short -- said the funds Macquarie manages are excessively leveraged and its model works only in an era of cheap debt and rising asset prices.» Wall Street Journal, 20071207. Como todos os bancos envolvidos em compras especulativas financiados com crédito barato, o Macquire dificilmente escapará. Evidentemente que tentará convencer os vendedores da sua solidez até ao dia em que os Estados tiverem que injectar dinheiro dos contribuintes...
  3. Também ontem o Dow Jones Newswires referia-se aos efeitos da crise do crédito, «peak oil» e recessão sobre a aviação comercial: «As financial firms tighten their corporate travel budgets, oil prices continue to hover near record highs and the risk of a U.S. recession looms, the civil aerospace sector looks set for a challenging 2008, with airlines and aircraft makers vulnerable to fallout from the global credit crisis. The International Air Transport Association (IATA) recently cut its forecast for global airline profitability next year to $7.8 billion from $9.6 billion, with a revised oil assumption of $67 barrel from $63. In a speech last month in Washington, IATA Chief Executive Giovanni Bisignani warned of potential turbulence ahead for the industry. "The credit crunch throws a shadow over the economic expansion that underlies our good performance. Airlines are $200 billion in debt and we could be heading for a downturn with little cash in the bank to cushion the fall," he said. Fuel costs are continuing to climb, with a total bill for the industry of $132 billion this year, more than four times what it was in 2002, according to IATA. (…) Other factors, such as slowing economic growth and the looming risk of a recession in the U.S., are also darkening the picture. Historically, air traffic growth has indeed been highly correlated to economic growth. Credit Suisse noted that while the euro zone and the U.S. have recently revised down their gross domestic product (GDP) forecasts for 2008, the downgrades have yet to feed through to airline outlooks». O trafego aeroportuário nacional é sobretudo originado pelas chegadas de europeus, que estando em recessão também reduzirão as suas viagens. A TAP, além de endividada, cancela voos diariamente por falta de passageiros. Não sei como é que se consegue imaginar crescimento de passageiros em transito na Portela nos próximos anos...

Conclusão: A crise do crédito e suas consequências estão aí. O Governo e os adeptos da OTA ou mega-Alcochete poderão julgar que nos enganam ao efectuarem uma fuga para a frente. Além do PS perder as eleições em 2009, arriscam-se a que o projecto seja posteriormente revisto ou suspenso. A opção está em parar agora ou parar antes de ser constuído. É sinal de inteligência parar agora. O lobby que quer fornecer estudos, assessoria, financiamento ou obras ao MOPTC pode alternativamente optar por modernização ferroviária/mudança de bitola (não confundir com TGVs), aeroportos «low-cost» em Fátima ou Bragança, mais barragens, metros de superfície em Braga-Guimarães, Vouga, Aveiro e Coimbra, ou simplesmente reestruturar-se e apostar na internacionalização como os lisboetas muito gostam de recomendar ao vale do Ave.

20090212

Peak Oil strikes again


Enjoy low oil prices while you can: guru

Henry Groppe, founder of Houston-based Groppe, Long & Littell, is 83 years old, a vegetarian and has been a forecaster in the oil and gas business since 1955. And he is not afraid to go against the conventional wisdom. One year back he predicted the oil price would collapse in the second half of the year -- and not reach the much talked-about price of US$200 a barrel.
Now Groppe, a special advisor to the Toronto-based Middlefield group of companies, has done his analysis and concluded that between now and year end the price of oil will double. If that forecast pans out, oil will hit US$80 a barrel, or more than double what others are predicting. His advice to consumers: Enjoy the current low gas prices, because they won't last for much longer.

A minha opinião é a mesma: Quer pela via do controlo da oferta por partes dos paises produtores, quer pela via dos riscos de inflacção a 2 dígitos, depois do fim do actual ciclo deflaccionista, o petroleo voltará a subir. Aliás, como o ouro que hoje está a 740€ a onça.

20090510

Norteando nos transportes: «Peak» Rodovia e «Peak Aviation»

Como referi em 2007, com «Peak oil» ou com recessão, isto é, com preços de transporte caros ou falta de poder de compra/redução de lucros devido à recessão em curso, as políticas de transporte terão que mudar. Deverá preferir-se a Ferrovia à Rodovia, apostando na intermodalidade com o transporte marítimo, gerindo com muito cuidado os investimentos em aeroportos e rejeitando as PPPs.
Relativamente à vantagem das Ferrovias sobre as Rodovias, o gráfico seguinte fala por si:


Recomendo a leitura do texto do Marxista Demétrio Alves e também de este relativo ao «Peak Aviations».

20080119

Porto-Minho-Vigo com muita cidadania


Defendi aqui um traçado litoral da ferrovia Porto-Minho-Vigo (PMV). O governo parece continuar a insistir no traçado interior e a ignorar a ligação ao ASC. Assim, na sequência do trabalho de António Alves, gostaria de acrescentar alguns tópicos a esta discussão reforçando a necessidade do traçado litoral a sul de Braga e no final fazer um apelo de cidadania.

Historial

O CVE Porto-Minho-Vigo não resulta de reclamações ou necessidades do Norte. Resulta sim de uma orientação estratégica da UE cedo antecipada e imposta por Espanha à administração central nacional. A nossa verdadeira necessidade seria ligar o Norte ao centro da península, via linha do Douro ou Aveiro-Salamanca. Mas como o Norte fica permanentemente a ver os electricos a passar, anestesiado com as vitórias do FCP, a administração central acaba por fazer o que quer, por iniciativa própria ou por suspeita e estranha insistência galega.

Ferrovia

Apesar de imposto não podemos negar o interesse. Temos o «Peak Oil», alterações climáticas e eco-taxas. A ferrovia é mais barata do que a rodovia, quer para passageiros quer para mercadorias. Com petroleo a encarecer, esta competitividade será reforçada. Por outro lado a liberalização prevista para o sector, que futuramente permitirá ter comboios da Renfe ou SNCF a operar nas vias nacionais, é provável que os peços fiquem ainda mais competitivos. O PMV custar tanto como hoje custa Porto-Coimbra em AP e eventualmente assutar a procura não terá grande significado no futuro. Lembremo-nos que a A28 Porto-Viana vai ter portagens e que genericamente o combustível rodoviário encarecerá nos próximos anos. Daqui por 5 anos os preços serão equivalentes. A propósito disto, eis um ralato recente da realidade em França: Sarkosi «propôs também um programa de investimento no sector dos transportes, nomeadamente para a construção de 2 mil kilómetros de novas linhas de TGV até 2020 (…) Em Paris, 1.500 km de vias para eléctricos será construída, contra os cerca de 400 existentes hoje. A ferrovia será privilegiada em relação à rodovia, sobretudo para o transporte de mercadorias a longas distâncias, limitando-se a expansão de mais autoestradas e aeroportos. Existirá uma taxa sobre os camiões pesados.» A ferrovia está então a renascer. Os críticos dos investimentos ferroviários deviam pensar 2 vezes antes de criticar: O PMV é um AlfaPendular, um simples comboio de velocidade elevada (CVE) e não uma megalomania da «capital do império».

Solução

Dado que aparentemente é uma decisão irreversível e faz sentido, há que potenciar o PMV através de um bom traçado. Na minha opinião, este deverá conseguir atingir os seguintes objectivos:

· Permitir a criação de uma linha sub-urbana, rentabilizando assim o investimento;

· Potenciar procura do ASC, alargando a sua área de influência/atracção/receitas através de uma ligação ferroviária directa ao Minho/Vigo e através da passagem do AlfaPendular que vem de Coimbra/Aveiro em direcção a Braga;

· Potenciar o desenvolvimento do turismo do Minho, distribuindo para norte do ASC os turistas da Ryanair, (tal como o Metro do Porto o faz para sul);

· Permitir resolver erros de planeamento do Metro do Porto e criar «jurisprudência» na expansão deste;

Assim, a solução é um traçado litoral pelo menos a sul de Braga, replicando a Norte a lógica da linha da Azambuja!

O canal da Linha da Azambuja a Norte

A linha da Azambuja é um dos ramos da CP Lisboa que liga Alcantara-Terra em Lisboa a Azambuja, próximo de Santarém. Como se pode ver nos mapas acima publicados, tem cerca de 53 km de extensão e 23 paragens: 8 paragens nos 10km a sul da Gare do Oreinte e 14 paragens nos restantes 43 km a norte desta estação. Daqui dá para ver que a frequência de paragem dentro da cidade de Lisboa é cerca de 1,25 km, enquanto for a é de 3,1 km. Dá para perceber, portanto, que esta linha tem um comportamento quase de metropolitano de superficie em canal próprio em Lisboa e de comboio suburbano fora. Alguns videos com os seus exóticos comboios aqui e aqui. Este canal tem outra particularidade: Tem um caracter circular sobre a cidade de Lisboa, como se pode ver no mapa, sendo também usada pelos CVE/AlfaPendular nas deslocações deste para/do Algarve. Ora, consegue-se, neste canal ferroviário, coexistir CVE com combio suburbano, que por sua vez executa funções claramente urbanas, de metro de superficie. É precisamente essa a minha (e do António Alves) sugestão para a AMPorto. Os mapas lado a lado são auto-explicativos. O caminho correcto é aproveitar a ligação a Vigo em CVE para criar um novo ramo sub-urbano da CPPorto, em direcção a Barcelos ou mesmo Viana, que desempenhe também funções de (semi-)circularidade urbana dentro da cidade do Porto, via ramal de Leixões e canal da linha Vermelha, tornando até desnecessários alguns investimentos do Metro do Porto.

Consequências para o Metro do Porto

Os erros de planeamento da rede do Metro do Porto só tem paralelo com o seu sucesso operacional:

· Ligação Trindade-Campanha matou a utilidade da estação de S.Bento; Aliás, se os comboios da CPPorto parassem em Campanhã, S.Bento ficaria vazia;

· Foi ignorado o ramal da Alfandega, canal/túnel pronto a usar entre Campanha e Alfandega;

· A linha para Gondomar canibaliza a procura as linhas da CPPorto dado que serão 50% coincidentes; O acesso ao estádio do Dragão poderia ser feito através de apeadeiro das linhas Porto-Braga ou Porto-Guimarães;

· A ligação ao aeroporto em metro cria o actual desincentivo a novos investimentos ferroviários nessa direcção;

· Ligações a Vila do Conde/Póvoa do Varzim e Trofa tem carácter sub-urbano, não deviam ser servidas com a frequência e composições de metro de superficie;

Assim o uso do ramal de Leixões para a ligação Campanhã-ASC assim como a transformação do canal da Linha Vemelha até Modivas ou Mindelo para a utilização pelo CVE PMV e por nova linha sub-urbana da CPPorto para Barcelos/Viana, teriam as seguintes consequencias para o Metro do Porto:

· Linha Vemelha seria reduzida apenas ao miolo urbano Vila do Conde/Póvoa do Varzim, deixando portanto de ser continua. Quem quisesse seguir para o Porto a partir da foz do Ave teria que fazer um transbordo em Modivas ou Mindelo para o novo sub-urbano da CP Porto;

· O facto de o Metro do Porto operar linhas não contínuas geraria «jurisprudência», nomeadamente para expansão do Metro para a zona do Vouga. Assim, haveria então 2 linhas descontinuas, Vila do Conde/Póvoa do Varzim e Espinho/Oliveira de Azemeis (upgrade da linha do Vouga), ambas conectadas aos comboios sub-urbanos da CPPorto;

· Adicionalmente, consegue-se circularidade dentro da cidade do Porto, muito mais barato do que o proposto pelo estudo megalomano da FEUP, onde se propunha gastar meia OTA na expansão do Metro. É bom sinal reconhecer-se que o Metro não pode resolver tudo (nem deve, digo eu);

· A linha Violeta para ASC ficaria um investimento duplicado, apesar de diminuto, revelando que foi um erro.

Cidadania

A definição do traçado do PMV será um teste à maturidade de muitos actores locais, regionais e nacionais. Faço então um apelo ao consenso:

· Rio Fernandes, blogue VimaraperesPorto: Parem de fazer fretes ao vosso partido e governo e deixem de defender o traçado interior; Já ninguem vos livra de terem defendido a OTA, contra os interesses do Norte. Não repitam o erro;

· AMPorto, AMTransportes, CCDRN: Os lugares remunerados e sem risco ninguém vos tira. Agora melhorem o planeamento de infra-estruturas;

· FEUP: Por alguma razão se diz nos paises anglo-saxónicos que «Não deixem os engenheiros sair da fábrica/laboratório». Proponham projectos, PINs tecnológicos. Não se envolvam em planear cidades ou redes de transporte. Deixem isso para os economistas, geografos ou urbanistas;

· Jornalistas do JN, Público, 1ºJaneiro, PortoCanal: Um jornalista e professor universitário numa conceituada faculdade americana de jornalismo dizia sobre a profissão: «Se fossem inteligentes, não seriam jornalistas». Não será melhor ler a Blogosfera antes de inundarem o MSM com asneiras e repetição acéfala de ideias pouco aprofundadas ? Não tem tempo para ler Blogosfera ? Recomendo o GoogleReader com subscrição do Norteamos;

· Senhores da MotaEngil e SoaresdaCosta que tem com principal cliente o MOPTC e indirectamente os nossos impostos: Em vez de 1 ou 2 obras grandiosas com estilo estalinista e explicações freudianas, pensem alternativamente em N pequenas obras que resolvam efectivamente os nossos problemas e que acabem por vos dar carteira de negócios sem onerar os nossos impostos. Lembrem-se que aquilo que para voçês é negócio, para o resto da população são impostos. Esquecer isto está a criar pobres, emigrantes e muito má imágem para o lobby do betão; De qualquer modo, o aproveitamento do ramal de Lexões não excluí algumas obras de maiores dimensões como por exemplo uma ligação por túnel entre o nó VCI/final da A3 e Campanhã, evitando assim o «serpentear» por Rio Tinto;

· Bracarenses: Apoiem o traçado litoral do PMV: Garante-vos o acesso directo ao aeroporto. Em Braga anda meio mundo a berrar contra a centralização do turismo no Porto e agora tem a hipotese de captar na origem os turistas da Ryanair;

· Minhotos: António Marques (AIMinho) pede ao governo o traçado com passagem no ASC; presidente da câmara de Guimarães (PS) pede um traçado que exclui Braga do CVE dando oportunidade para a ferrovia Barcelos-Braga-Guimarães. Va lá. Entenda-se mas não se aliem a Lisboa desta vez;

· Exportadores, AEP, AIMinho, CCIP, Dr Moreira: É preciso lobby na mercadorias, para além do ASC; O Peak Oil está ai; É necessário activar rapidamente exportação de mercadorias por via ferroviária; A existência de um único canal Porto-Braga privará o transporte de mercadorias de horários suficientes;

· Director da CP Porto: Apresente-se não sabemos quem é ou se existe! A sua cara tem que ser conhecida como a de Valentim ou Oliveira Marques.

· Senhores autarcas da AMPorto: Parem de interpretar as ferrovias como um forma de ajudar os vossos amigos imobiliários: Licenciamento de novas construções cresce à boleia do metropolitano. Encarem as redes de transporte como aquilo que são: Transportar com eficiência os vossos eleitores;

· MOPTC: Deixem de ter inveja do Porto ou Norte: Não é pelo facto de o CVE chegar ao ASC e de tornar a região mais competitiva, que equilibra a balança fortemente pendente para Lisboa desde há décadas. Se fôr necessário deixar para uma 2ª fase a ligação ASC-Camapnhã, muito bem, aceitamos. Por cá não é necessário novoriquismo. Basta eficiência. Revejam os estudos da Fase, por favor.

· Blogosfera e concidadãos em geral: O fim da OTA deveu-se sobretudo a vocês e à sorte de estarmos numa crise de crédito para grandes obras e numa recessão que fará cair a procura de transporte aéreo. A cidadania não deve terminar por aqui. Há muitos projectos onde um blogue ou cidadão esclarecido e munido de propostas sensatas e realistas pode fazer a diferença e assim assegurar melhores investimentos públicos, garantindo um melhor futuro colectivo. Repitam o lobby que resultou no fim da Ota; Mais responsabilidde menos aleinação futebolística, por favor!

PS1: Também não tenho terrenos para valorizar em função do traçado.

PS2: Elaborar este texto consumiu várias horas subtraídas à minha esfera pessoal e profissional. Solicito aos leitores a divulgação do link junto de contactos pessoais e institucionais.

20080102

Wishful thinking económico 2008

Nada melhor do que analisar as notícias do primeiro dia económico deste ano, para nos prepararmos para ele;

·         O gestor de conta do MillenniumBCP da empresa onde trabalho foi mudado para novas funções; Consta-se que há clientes e funcionários a abandonar o banco... Acções do BCP caem mais de 4%; Como já referi, o BCP não é caso isolado na actual instabilidade no sector financeiro: Forbes da semana passada: China Buys Wall Street (Banking);

·         Petróleo chegou aos 100 dólares; O Peak Oil está aí, como o próprio Wall Street Journal o reconheceu em Novembro: «Oil Officials See Limit Looming on Production» . É altura de reler este texto "Estratégia de desenvolvimento dos transportes no Norte de Portugal";

·         Milho atinge máximo de 11 anos; O incremento de preço das matérias primas agricolas terá também impacto significativo na economia a Norte: Desde actuais operadores a investirem no imobiliário com os lucros inesperados, até à valorização dos terrenos aráveis, passando eventualmente pelo desenvolvimento do interior-norte que mantem um grande peso na agro-industria.

Prevê-se um ano agitado e difícil. Entretanto, se quiser wishful thinking, consultar o OGE 2008 «made in Lisboa».

 

20080129

PeakOil a Norte: Primeiros passos, ainda que inconscientes

Introdução ao tema: A Crude Awakening

Eventos recentes:

Depois do WSJ assumir o PeakOil, é agora a vez do presidente da Shell o afirmar no próprio site da empresa: «We are experiencing a step-change in the growth rate of energy demand due to rising population and economic development. After 2015, easily accessible supplies of oil and gas probably will no longer keep up with demand».

Em Maio passado, em Sub-urbanização, «Peak Oil» e Ferrovias tinha referido a importancia de investir em ferrovias. Em Julho referia que um dos maiores investidores americano, Warren Buffet estava a investir na ferrovia, sector que apesar da crise nas bolsas tem tido uma valorização 10% a 20% acima do DJIA. Em ambas as situações alertava para a necessidade de a Norte dar prioridade aos carris. Entretanto novos eventos a sobre este tema por cá:

· Já não se fala no fecho da refinaria de Leça há um bom par de anos; Sinal que é muito rentável...

· A Retroconcept, empresa maiata pretende construir o EcoVinci. Já conseguiu assegurar a venda de algumas unidades à CMPorto. Quem diria. Na minha opinião, é a medida mais acertada do 1º e 2º mandato de Rio. Deixou-se de complexos neoliberais e decide pôr o poder de compra da CMPorto ao serviço da I&D nacional, com voluntarismo keynesiano sensato;

· Portugal e Espanha vão dar as mãos para fazerem o eixo Norte de Portugal/Galiza uma região especializada na produção de veículos de pequenas séries, associados a nichos de ambiente urbano. (...) O protocolo do projecto Mobilgreencar - que visa a produção anual até 10 mil veículos com uma incorporação de tecnologia ibérica acima dos 70%, através de 20 novos fornecedores industriais nas áreas de electrónica, novos materiais e motorizações - vai ser assinado pelos presidentes dos centros automóveis de Portugal (CEIIA) e de Espanha (CTAG), numa cerimónia apadrinhada pelos chefes dos governos português e espanhol, José Sócrates e José Luís Zapatero. Não sei se isto se refere ao EcoVinci ou não, mas é significativo.

· Reactivação de linha do Douro e Fafe quer aderir «novamente» à ferrovia;

· A empresa de fretes ferroviários Takargo Rail, do grupo Mota-Engil, vai começar a receber as primeiras de um conjunto de 15 locomotivas diesel em Outubro de 2008, disse Pires da Fonseca, presidente da empresa. As locomotivas, que foram compradas nos Estados Unidos, estão presentemente a ser montadas em Valência, Espanha. Falando durante o II Seminário de Plataformas Logísticas Ibéricas, em Setúbal, Pires da Fonseca adiantou que grupo Mota-Engil está, actualmente, a alugar 50 comboios por semana à CP para fazer os seus fretes.

Ao nosso ritmo habitual, ainda de forma inconsciente, lá nos vamos adaptando.

20080521

Debate energético

Numa altura em que o país está à beira da revolta por causa do preço dos combustíveis, o primeiro-ministro anda por aí a inaugurar auto-estradas sem portagens e a prometer construir ainda mais. Numa altura em que preço do petroleo em USD bate records (mesmo descontando a elevada especulação); Que a modernização ferroviária sobretudo nas mercadorias, para o Norte ainda fabril e exportador, mantem-se parada; Que está programada uma manifestação contra as portagens à volta do Porto, pelas razões erradas, na minha opinião e que a A4 avança para ser mais uma auto-estrada do «lá vem um», as implicações do Peak Oil continuam por debater em Portugal e a Norte:

A questão do Pico Petrolífero é central, pois determina todas as outras. Isto é importante, em particular e sobretudo, na questão dos grandes investimentos públicos. Trata-se de despesas muitíssimo vultosas, elas provocam dívidas que comprometem não só a geração actual como gerações futuras. Este governo prevê investimentos colossais – como novo aeroporto, TGV e agora um terceiro atravessamento do Tejo – que não podem ser suportados pela combalida economia portuguesa. Além de serem investimentos que não se destinam a aumentar a capacidade de produção nacional, eles estão a ser decididos sem que sequer se tente antever o que virá a ser o mundo pós Pico Petrolífero. Gastar recursos em activos fixos que estimulam o tráfego rodoviário, aumentam o consumo de petróleo e dentro de poucos anos ficarão sub-utilizados é má utilização de recursos públicos. Muitos empreiteiros ganharão com isso, mas a sociedade como um todo perderá. Tais erros terão de ser pagos no futuro.

Mas as alternativas verdes não são menos alienadoras:

Basta observar a actual corrida dos mercados financeiros e respectivos fundos de investimento em direção aos biocarburantes (biodiesel e bioetanol), e o envolvimento direto das empresas petrolíferas e energéticas no negócio, para percebermos que uma nova bolha especulativa está em plena formação. Chamem-lhe a BOLHA VERDE! Os protagonistas no terreno pressionam os governos, aturdidos pelas sirenes da alta do petróleo, para que lhes subsidiem os novos carburantes e em geral as energias alternativas. Pressionam os agricultores para enveredarem pelo cultivo intensivo dos agro-carburantes e, claro está, adoptarem os Organismos Geneticamente Modificados. Procuram entrar nos países com grandes áreas agrícolas efectivas e potenciais para aí implementarem os seus projectos de agro-carburantes. Contratam agências de comunicação e põem-nas a trabalhar na grande campanha mediática da década. (...) O biodiesel e os biorcarburantes não passam pois de alternativas de emergência ao pico petrolífero. São temporárias e insuficientes. E a explicação para esta transitoriedade é simples: se algum dia fossem produzidos na proporção máxima tolerada pelos actuais motores a diesel (30%), a capacidade de o planeta alimentar as suas criaturas ficaria irremediavelmente comprometida. (...) O problema energético actual tem, em suma, que ser visto como aquilo que é: uma emergência real e global, que exige respostas globais, rápidas, bem informadas, criativas, tecnicamente competentes e democraticamente supervisionadas. Menos do que isto, ou deixar as coisas como estão, i.e. num impasse e entregues aos oportunistas de ocasião, só poderá conduzir o mundo ao desastre.

No sector da empresa onde trabalho há produtos cuja margem não compensa o custo de transporte na exportação para a Europa além Pirineus. No sector do fabrico de tintas, a exportação é quase impossível. No vestuário, o problema não se coloca. O Norte abastece lojas mundiais da Zara, por exemplo. Para manter a nossa base industrial viável e para evitar que a nossa e futuras gerações paguem a carteira de encomendas actual do «lobby» betoneiro-projectfinance-PPP, é essencial que estes assuntos sejam amplamente debatidos.

PS: Uma alternativa sensata de produção de biodiessel a Norte: Norgen

20071125

Leituras 20071125

·         Portuense na presidência da RTP

·         UMinho recebe dois prémios European Enterprise Awards

·         Argumentos fracos da RAVE;

·         Empresa de confecções fecha em Penafiel;

·         MOPTC, ANA, Lino, não sabem o que é um rappel ! Por Rui Moreira, hoje no Público.

·         CP Porto, aliás, deveria ser CP Norte, atinge objectivo de passageiros transportados previsto para 2014; Sinal de crise, petroleo caro, Peak Oil, mas também maturidade da sociedade civil, que não tem complexos na utilização de transportes públicos. Também cliente ocasional deste serviço. 

 

 

 

 

20070703

Leituras 20070703

 

20080212

Leituras 20080212

Ensino superior

·         UP sai do armário: Voltarei ao tema oportunamente;

·         Maiores politécnicos do Norte vão discutir consórcio regional;  

·         Domotica UA premiada;

·         Álvaro Cunha (FEUP) premiado pela Sociedade Americana de Mecânica Experimental;

Minho:

·         RT Verde Minho em Bruxelas com a Adeturn; Fizeram as pazes ?  

·         IEMinho e IAPMEI lançam o “Portal do Empreendedor”;

·         Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia quer conquistar Inditex, Pescanova e Lactogal; Demasiada ambição e instabilidade para dar certo...

·         Ricon (Famalicão) ganha 25 milhões com venda da Gant à Lacoste;

·         Primavera (Braga) conquista mercado espanhol;

Reflexão:

·         Aos poucos a Blogosfera descobre que a corrupção em Lisboa é maior do que a praticada no resto do país;

·         Não ao Empreendedorismo da administração pública local/regional! De facto, quem quiser ser empresário tem é que fazê-lo na actividade privada !

Mundo:

·         Directamente do Energy Information Administration (EUA) um XLS que demonstra que o Peak Oil foi em Maio de 2005; Desde então ainda não se ultrapassou essa produção !

·         Via Bloomberg, os novos banqueiros mundiais: 3 dos 5 maiores bancos do mundo são chineses; Recomendo a constituilção de depósitos a prazo em Renminbis (moeda chinesa).

20081031

Leituras 20081031

 

PS: Ainda o episódio Pedro Morgado/António Alves. Falta-me fazer uma referência que deveria ter feito na altura. Considero o post do Pedro Morgado injusto, dado que António Alves nunca foi «portocêntrico», como aqui o Avenida Central comprova ao cita-lo. Porém a reacção foi desnecessária e além da urbanidade apropriada, mesmo que se considere normal a ocorrência regular deste tipo de «crises» na Blogosfera ou mesmo considerando que o comentário de Pedro Morgado possa ter sido permeditadamente provocador ou com má-fé.

20070628

Traçado litoral Porto-Minho-Vigo

Introdução

Neste momento o traçado Porto-Minho-Vigo previsto consiste no prolongamento do Alfa-Pendular Porto-Braga por um novo canal a norte desta cidade até Ponte de Lima e Valença (azul escuro no mapa). Porém, julgo que esta decisão do actual governo central deveria ser revista, tal como o foi a OTA. Este artigo é uma análise detalhada do ponto 6 deste artigo e propõe um traçado mais litoral (não confundir com linha à beira da costa), maximizando a utilização de canais ferroviários existentes, resolvendo o problema da passagem no ASC e sendo bastante mais barato do que o traçado do MOPTC.

Pressupostos

· Apesar de pessoalmente ter várias reservas ao «Keynesianismo do Betão» e às PPP, não vou questionar nesta fase a oportunidade e validade da ligação ferroviária prevista; Aliás, o Norteamos não pretende discutir ideologia ou avaliar a capacidade dos empreendedores portugueses. Para estes temas remeto para os blogues Destreza das Dúvidas (Braga), Blasfemias (Porto) e Empreender (Braga);

· Também não questiono se a ligação a Vigo é mais ou menos importante que a ligação a Madrid ou Lisboa;

· Este artigo tem presente o «Peak Oil», o facto de o transporte rodoviário custar 5 vezes mais do que o marítimo e 2,5 vezes mais que o ferroviário em termos de tonelada/km;

· Que a região Norte continuará a ser produtora de produtos transaccionáveis, físicos, para a Europa, sendo necessário transportes competitivos;

· Os transportes de mercadorias do Norte para a Ibéria, sul de França e norte de Itália serão mais competitivos em ferrovia, sendo que nos restantes destinos europeus o transporte marítimo será mais barato; Ao nível dos passageiros, as viagens em ferrovia dentro da Iberia ocidental tenderão ganhar competitividade à alternativa aerea em termo de preço e comodidade: «El tren de alta velocidad desbanca al avión en los viajes de negocios en la Península»;

· TGV (+300 km/h) não existe; Existe sim CVE (+200 km/h), tal como o AP actual;

· É altamente desejável que o CVE Porto-Minho-Vigo pare no ASC: «Rui Moreira pede a Rio para fazer TGV parar no aeroporto Sá Carneiro»

· Linha Vermelha do Metro do Porto é um erro de planeamento que está a ter procura e satisfação dos clientes inferior à esperada; Consta-se que há estações entre o ASC e Vila do Conde em que o Metro para, ninguem saí e ninguem entra...

Traçado alternativo Litoral (azul claro no mapa):

· Troço Valença - Caminha:, Modernização da linha actual junto ao rio Minho;

· Troço Caminha - Viana do Castelo (Meadela): Novo canal, sendo necessário provavelmente a construção de tuneis;

· Troço Viana do Castelo (Meadela) - Barcelos: Modernização do actual troço linha do Minho;

· Troço Barcelos – Póvoa Varzim norte (Estela): Novo troço, que poderia eventualmente aproveitar parte da antiga linha Povoa-Famalicao;

· Troço Póvoa Varzim norte (Estela) – Vila do Conde sul (Árvore): Novo troço, variante à actual linha Vemelha do Metro do Porto, evitando a circulação do CVE pela zona urbana das cidades da foz do Ave. O Metro do Porto passaria a ser descontínuo e apenas circularia entre o sul de Vila do Conde e o Norte da Póvoa do Varzim.

· Troço Vila do Conde sul (Árvore) - Aeroporto: Com a desactivação da linha Vermelha, este troço, plano e rectilíneo, passaria a ser usado no CVE. No termo deste troço seria efectuada então a ligação de poucas centenas de metros ao ASC;

· Troço Aeroporto-Campanhã: A ser executado poderia ser tal como António Alves o demonstra aqui, usando o ramal de Leixões, actualmente às sem uso.

Braga

Pela posição na hierarquia de cidades a Norte, pelo peso demográfico, e pela importancia politico-económica que tem, Braga e também Guimarães, não podem ficar fora do efeito estruturante que a este investimento ferroviário provoca. Porém há que encontrar um equilíbrio entre esta necessidade e a rentabilidade do investimento. Efectivamente o traçado interior, que passa por Braga é bastante mais caro do que o traçado litoral. Então a solução que proponho é precisamente ligar de forma propriada Guimarães e Braga a Barcelos também por ferrovia, com um traçado, frequência, velocidade e preços que tornem a utilização competitiva. Este novo troço de cerca de 25 km, tem vindo a ser estudado pelas respectivas autarquias, tem um custo inferior por Km ao da linha de velocidade elevada e atravessa zonas densamente povoadas por empresas e população, garantindo procura.. Este novo serviço, a que chamaria Transminho carece de maior detalhe em termos de percurso dentro das cidades de Braga e Guimarães, assim como eventuais ligações a Vizela e Lousada (linha do Douro) a escassos 30 km. Assim Braga não teria paragem do CVE, mas em contrapartida passaria a ser o centro de uma nova linha ferroviária (assinalada a verde no mapa).

Outras questões

· Tal como está previto no traçado Porto-Braga.Vigo, poderão circular nesta alternativa o CVE, comboios sub-urbanos e de mercadorias; Aliás, seria necessário criar uma linha da CPPorto entre o Porto e Barcelos ou Viana, à semelhança das ligações Porto-Braga, Porto-Guimarães e Porto-Aveiro. Seria precisamente este novo braço Porto-Barcelos ou Viana que asseguraria o transporte até ao troço descontínuo do Metro do Porto que sobreviveria entre Vila do Conde e Póvoa do Varzim

· Toda esta proposta (Porto-Minho-Vigo e Transminho) baseia-se em bitola europeia, podendo de raiz efectuar um investimento definitivo. Dada a proximidade entre o Aeroporto e o Porto de Leixões a ligação de mercadorias também seria executada em bitola europeia.

· Os tram-train actualmente previstos para a linha Vermelha poderiam ser na mesma usados na linha Transminho;

· A norte do paralelo que passa por Árvore e Trofa, a alternativa litoral serve exactamente o mesmo número de residentes (400 000 pessoas) que o traçado do MOPTC por Braga.

Vantagens

· Devido à orografia, o traçado litoral é mais barato que o traçado do MOPTC, permitindo o extra Transminho;

· Oportunidade de corrigir o erro de planeamento do Metro do Porto que foi o lançamento de linha Vermelha, reduzindo assim o deficit de exploração, de uma linha cuja rentabilidade e satisfação está abaixo das expectativas;

· Coloca o ASC no percurso proveniente do Minho e Galiza, evitando o seu esvaziamento;

· O canal litoral permite a construção de uma nova linha de sub-urbanos (Porto-Barcelos/Viana);

· O traçado litoral permite mais canal-horário para o transporte de mercadorias do que a alternativa do MOPTC por Braga;

· As expectativas de transporte ferroviário em Vila do Conde/Póvoa do Varzim e acesso ao CVE por Braga e Guimarães não seriam goradas;

· Provavelmente maior volume de negócios para os concorrentes das PPP;

Prós:

· Pessoas colectivas (empresas, imobiliários, autarquias, etc) e individuais em Viana do Castelo, Barcelos e Guimarães

· Eventualmente ACP e Metro do Porto;

· Operadores do ASC (Ana, Tap, Ryanair, etc) pois garantiriam mais passageiros galegos;

· «Cluster» ferroviário: Fornecedores (Transdev, Efacec Transportes, Siemens, Bombardier, etc) e Operadores (Máquinistas CP, candidatos às PPPs);

· Comissão de Utentes da Linha Vermelha do Metro do Porto.

Contra

· Eventualmente Pessoas colectivas (empresas, imobiliários, autarquias, etc) e individuais em Braga;

· MOPTC;

· «Cluster» Rodoviário (Combustível rodoviário, concessionários de auto-estradas, empresas de transporte de passageiros e mercadorias, etc)

Como diz o participante Ventanias: «Um melhor (Norte de) Portugal é possível».

PS: Este artigo tem seguimento aqui: Porto-Minho-Vigo com muita cidadania.



Leituras recomendadas