20100622
20100617
O Norte no jogo da dança das cadeiras
Como diz AEPritchard, «In my view, it is imperative that the whole western world reduces debt in a orderly fashion over 10 to 15 years.»
Em Portugal a tentação será grande para a hiperendividada economia lisboeta (42% da dívida privada nacional) adiar ou diluir a sua «desalavancagem» pelo resto de Portugal desviando ainda mais investimento/despesa pública do resto do território. Ou o equivalente pelos monopólios privados da economia não transaccionável sedeados em Lisboa, EDPs, bancas, comunicações, média, etc.
Volto a repetir: A prioridade do Partido do Norte não poderá ser Regionalização mas a protecção assertiva do território contra colapso lisboeta ainda em estado de negação. A protecção assertiva faz-se protestando contra as SCUT na zona de Lisboa e não no Norte e divulgando em Bruxelas, Berlim e na sede do FMI estudos que provam as injustiças e dificuldades criadas por Lisboa à economia a Norte, financeiramente mais saudável e equilibrada.
A altura certa para o Norte lutar pela Regionalização foi em 1998. Hoje a tarefa prioritária é impedir que o Norte seja arrastado e ainda mais prejudicado pela inevitável desalavancagem da economia lisboeta. Espero que o Norte não demore mais 12 anos a chegar a essa conclusão e não perca este jogo da dança das cadeiras.
20100615
O Norte foi a tartaruga e Lisboa foi a lebre.
- Exportação de calçado acelera - É caso para falar de um sector em contraciclo. As empresas portuguesas de fabrico de calçado atravessam nesta altura o melhor período dos últimos 10 anos, sobretudo no que toca à vertente da exportação.
- Exportações têxteis iniciam recuperação
- 2009/2010: Falências desaceleram em Braga, Bragança, Guarda, Castelo Branco e Leiria, estabilizam em Vila Real e no Porto e aceleram no resto do Continente, nomeadamente Lisboa (+20%).
Os sinais de desespero no modelo económico de Lisboa são visíveis e a nós cabe-nos protestar veementemente, permanentemente e profissionalmente contra cortes no investimento e despesa públicos territorialmente injustos, como por exemplo: «O PÚBLICO apurou que uma das maiores preocupações do Conselho de Administração da Refer está relacionada com troços da linha do Norte que precisam de intervenção urgente, nomeadamente no Ribatejo e entre Ovar e Gaia, onde a infra-estrutura está "presa por arames" porque, perante a expectativa da sua modernização, se deixou a manutenção em patamares mínimos. Agora, sem dinheiro, a solução passará por reduzir a velocidade dos comboios adequando-a às condições da linha. O novo cenário de contenção deverá levar também ao abandono das linhas do Corgo e do Tâmega e ao downgrade do projecto da linha do Douro que se limitará a uma requalificação entre Caíde e Marco de Canavezes, adiando-se a sua electrificação até à Régua».
20100603
Urgente mesmo é nos protegermos do colapso da economia lisboeta.
20100528
Algumas considerações sobre Partido Regional (ou Regionalista)
O Regionalismo já chegou ao Porto há muito tempo. Em Novembro de 2008 escrevia: 2008:
O Norte a salvar-se. O Norte tem um muito menor endividamento e não tem deficit comercial externo. E os casos de sucesso estão cá. Os emigrantes são nossos. As agencias bancárias a Norte lideram os depósitos a prazo. E como começam a provar dos dados empíricos, os próximos anos serão de crescimento do PIB a Norte e de decrescimento do PIB em Lisboa. Portanto, há que aproveitar e potenciar a boleia da força da gravidade que fará com que o PIB regional se contraia em Lisboa nos próximos anos. O Norte está e sempre esteve no caminho certo, uma economia baseada no verdadeiro capitalismo, «shumpetereano», tipo alemão.
Só temos que fazer trabalho de casa. Foi o que tentei fazer com este post que me custou algumas horas de trabalho.
20100519
Norte salva-se porque Lisboa vai ter que mudar de vida
Alavancagem: In finance, leverage refers to the use of debt to supplement investment.
Boletim estatístico de Abril de 2010 do Banco de Portugal, quadro B.4.4. - EMPRÉSTIMOS DE OUTRAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS MONETÁRIAS A SOCIEDADES NÃO FINANCEIRAS E PARTICULARES, Por distrito / região autónoma - Saldos em fim de ano de 2009:
- Dívida do Distrito de Lisboa: 109 317 milhões de euros
- Dívida total do Continente e Ilhas: 255 773 milhões de euros
Adenda: «Portugal está muito alavancado». Deveria ler-se «Lisboa está muito alavancada»
20100510
A Galécia na Federação da Europa Germanica ?
- UE vai passar a cobrar impostos;
- Governos nacionais, incluindo o de Lisboa, vão perder soberania; A política orçamental e fiscal será ainda mais controlada e exigente;
- Esta decisão ao dar mais um balão de oxigénio ao status quo político e à centralista e drenadora economia lisboeta dos bens e serviços não transaccionáveis, provavelmente o Norte, no futuro, terá mais solidariedade/sensibilidade de Bruxelas ou de Berlim do que da capital de Portugal;
- Para os que acreditam na viabilidade de separatismos pacíficos dentro da Europa, a decisão de ontem foi um grande passo. A Galécia tem agora uma oportunidade;
Francamente, acho tudo isto «too good to be true» para o «status quo» actual. É que o aumento das taxas de imposto não evitará a descida das receitas fiscais.
20100505
Os miseráveis músicos do Titanic
20100428
O estado de negação eufórico-alienado colidiu com parede betão
http://blasfemias.net/2010/04/27/de-downgrading-em-downgrading-ate/#comment-261239
http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2010/04/insustentabilidade.html
http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2010/04/lider-da-oposicao-procura-se.html
http://abrupto.blogspot.com/2010/04/rede-de-mentiras-during-times-of.html
http://o-antonio-maria.blogspot.com/2010/04/portugal-183.html
http://blasfemias.net/2010/04/23/citacao (comentários de anti-comuna)
Avaria ainda mais a dizer sobre Gaia falida, Rio imitador de Sócrates e o tardio despertar para a realidade de Rui Moreira depois de ter andado a ajudar a credibilizar expansões irrialistas do Metro do Porto.
20100420
Contas dos Hospitais e Regionalização
Por isso abundam os detractores do sistema: que é lento, que é complicado, que permite todas estas batotas, que a rapidez dos negócios de actualmente não se compadece com esses entraves (entraves a quê? à vigarice?)
Neste contexto foram criados os hospitais S.A. Dizia o Ministro da altura, um homem versado em adubos, mas que nunca tinha trabalhado em Saúde, que aos hospitais poderia ser aplicada toda a legislação das sociedades comerciais. Uma sociedade anónima de capital cem por cento estatal resolveria o problema dos mecanismos anquilosantes do Estado, dos estrangulamentos à boa gestão, da obrigatoriedade de concursos públicos, enfim de um sem número de factores que, segundo a sua douta opinião, provavelmente baseada na sua experiência profissional.
Esqueceu-se, porém, de um aspecto: os hospitais são, de facto “empresas” que prestam serviços, mas o cliente é único (chama-se monopsónio, dizem os especialistas) e decide quanto quer pagar por esses serviços. E, como não tem dinheiro que chegue, caso contrário teria que cobrar mais impostos, o que não é muito popular, paga pouco tarde e incompletamente.
Ora, como todos sabemos, por experiência própria, o dinheiro não estica. E ao gerar mais despesas, com uma prática de uma das melhores medicinas do mundo, recebendo muito menos que os países com que gostamos de nos comparar, as dívidas (chama-se passivo, no balanço da empresa) foram aumentando ao ponto de, se o sócio (que recordemos é 100% o Estado) não der mais dinheiro (para aumentar aquela parte “de cima”, nos balanços, chamada “capitais próprios”), a empresa vai à falência. A outra hipótese seria fazer aumentos de capital, mas aí o novo sócio quereria controlar a empresa e o hospital deixava de ser do Estado, como acho que muitos ainda desejam. Qualquer uma das alternativas não dava lá muito jeito.
Mudou-se então o nome, perdão, tudo. Em vez de serem Sociedades Anónimas, os hospitais passaram a ser “Entidades Públicas Empresariais”. Agora as práticas continuariam a ser “empresariais” (seja lá o que isso for), mas a propriedade será obrigatoriamente estatal. Apenas uma questão de nomenclatura?
Na prática acabaram as carreiras médicas e estão em vias de acabar as de enfermagem. Contrata-se agora profissionais a metro! Os contratos de trabalho mudaram de figura, acabando a ligação nacional à Função Pública como um todo, impedindo a mobilidade entre instituições. Os novos profissionais são contratados e pagos com base em contabilidade de custo de oportunidade para os hospitais, gerando injustiças entre especialidades.
Acabaram também os concursos públicos: as compras são feitas por negociação. Há acordos preferenciais com alguns fornecedores.
Mas o que a “empresarialização” poderia trazer de bom, não traz. Não há uma concorrência entre os hospitais, geradora de qualidade. Não há liberdade de gestão, sendo as ARS que fazem as organizações (e centralizações) de serviços de urgência, de decisão sobre programação de valências, sobre áreas de referenciação. Impõem-se limites ao aumento do consumo, mas esses limites são cegos, sem qualquer correspondência com a produção e o seu crescimento, com as necessidades da população.
E todas as ARS são iguais nesse controlo? Claro que não. Por isso é que recentemente foram amplamente divulgadas na imprensa as contas (que é como quem diz os prejuízos) dos hospitais EPE: dos 10 hospitais de Lisboa, apenas três não têm prejuizo e 50% dos prejuízos dos hospitais do Porto são do recém-criado Centro Hospitalar do Porto. No global são 295 milhões de euros. Solução: cortar a direito. Obrigar quem já fez o esforço de contenção a fazer o mesmo esforço do que os que ainda não o fizeram.
O pensamento estratégico preferencial continua a ser a planificação centralizada, como se todos fossem partes do mesmo todo, como se todos fossem geridos centralmente.
A criação das SA e depois das EPE, tal como foi feita por todos governos envolvidos, apenas serviu para tirar os défices dos hospitais do défice do Estado, para cumprir os critérios de convergência da EU. Não querem perder a capacidade de intervir.
A distribuição do orçamento da saúde deveria ser feita por regiões, per capita. Não é legítimo que com pouco mais de 20% de população, a ARS de Lisboa e Vale do Tejo tenha o dobro do orçamento do que a ARS Norte, sem que nada seja feito para acabar com este desperdício.
Também neste assunto é essencial a regionalização.
20100320
20100317
O PSD a Norte é francamente limitado. Por isso não vai votar Paulo Rangel e infelizmente este vai perder
Discursando em Abrantes perante algumas dezenas de apoiantes, Rangel afirmou “não compreender” que no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) não haja um adiamento da novo aeroporto, da terceira travessia e, eventualmente, do TGV entre Lisboa e Madrid”, obras que apelidou de “megalómanas” e que, acrescentou, “só vêm aumentar os impostos dos portugueses, penalizando-os em necessidades básicas como a saúde e a educação”.
“É uma contradição pedir mais sacrifícios aos portugueses e depois continuar a insistir em obras que ninguém compreende, afirmou Paulo Rangel, tendo acrescentado que o aeroporto de Lisboa “está operacional” e que o aeroporto de Beja também pode ser rentabilizado no transporte de mercadorias.
20100316
É neste tipo de iniciativas que se verifica quem tem capacidade estratégica
Salvador Caetano lança primeiros autocarros eléctricos ainda este ano
O grupo Salvador Caetano, sexto a nível europeu na distribuição de automóveis, tem em curso um novo desafio, apostando no fabrico de autocarros eléctricos. Os dois protótipos estarão prontos ainda este ano e a circular, um em Portugal e o outro na Alemanha.
Jorge Pinto, presidente executivo da CaetanoBus, explicou ao GP que “as exigências de mudança de cultura da empresa são grandes e é um desafio que o grupo tem pela frente”. A Salvador Caetano passa assim a construtora dos veículos na sua totalidade, estando, actualmente, em fase de investigação em termos de comportamento electromagnético do veículo e impacto dos passageiros. “A construção total dos autocarros é um campo em que não temos completo know-how, pelo que temos em curso um plano de transferência de tecnologia para a empresa
e estamos a contratar conhecimento estrangeiro que transmitirá a informação necessária aos portugueses”, explicou Jorge Pinto. O investimento estimado é de três milhões de euros em desenvolvimento e prototipagem e de um milhão em estrutura e produção.
“O que temos em plano é 50 unidades até ao final de 2011”, revelou o CEO da CaetanoBus. Numa primeira fase, o mercado-alvo é o mercado europeu, no entanto, dentro de cinco anos, a aposta poderá alargar-se a EUA e Canadá.
O autocarro eléctrico servirá os circuitos urbanos, terá carroçaria de alumínio, com piso baixo, e as baterias serão montadas nas paredes laterais com fácil acesso pelo exterior, para que se proceda facilmente à sua substituição. A autonomia mínima prevista situa-se entre os 100 e os 150 quilómetros, ainda um problema do ponto de vista do investimento, como lembrou Jorge Pinto.
Os equipamentos terão ainda que ser diferentes e adaptados ao perfil das zonas, pelo que a Salvador Caetano irá desenvolver estudos sobre as necessidades específicas do meio urbano.
Convicto de que o perfil de utilização do transporte colectivo é muito diferente do individual, Jorge Pinto sublinhou que a solução puramente eléctrica para o veículo individual “não será muito atractiva, pois para viajar é necessária maior autonomia”. O carro puramente eléctrico, segundo o engenheiro da SC, levará as pessoas a terem duas viaturas, pelo que, como acrescentou, “acreditamos que a utilização do híbrido, eléctrico para percursos pequenos e diesel para longos, será a melhor solução”.
In GrandePortoOnline.pt
20100310
Associação de Cidadãos do Porto – Posição sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento
Foi ontem anunciado pelo Governo, enquadrado no PEC, o adiamento de 2 anos das ligações ferroviárias de alta velocidade entre o Porto e Lisboa (de 2015 para 2017) e entre o Porto e Vigo (de 2013 para 2015).
A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) compreende, responsavelmente, as dificuldades orçamentais que o País atravessa e a necessidade de controlo dos gastos públicos nos próximos anos, contudo não concorda com nova penalização da Região Norte, que representa 45% da população e 60% das exportações portuguesas.
A ACdP exige que o PEC seja revisto, para que os cortes no investimento e seus benefícios sejam redistribuídos equitativamente, incluindo todo o projecto do TGV e não apenas as ligações que afectam Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria, através do adiamento da ligação Lisboa-Madrid ou do reassumir dos compromissos anteriormente firmados com as populações do Norte.
O Governo, ao propôr este PEC, não repensa os grandes projectos de investimento de forma a torná-los adequados à actual conjuntura, optando por sacrificar exclusivamente a Região Norte, ao adiar ambas as ligações ao Porto, enquanto mantém intocados todos os grandes projectos de investimento na região de Lisboa, como o novo aeroporto e a ligação por TGV a Madrid, numa atitude de manifesta e assumida falta de solidariedade e de coesão nacional.
Recordamos que o Norte representa 45% da população e 60% das exportações portuguesas, e que não pode ser simultaneamente privado da ligação a Vigo, essencial para a competitividade das suas exportações, e forçado a contribuir através dos seus impostos para a construção da ligação de Lisboa a Madrid, um projecto do qual não beneficia e que todos os estudos indicam que é financeiramente deficitário. Notamos também, que está previsto no PEC a introdução de portagens nas SCUT, medida altamente penalizadora para a Região, deixando de fora, contudo, a algarvia Via do Infante, no que é mais uma discriminação injustificada.
Sugerimos em particular que o projecto da alta velocidade em Portugal seja adequado à realidade do País, reconvertendo as linhas previstas para velocidades entre os 200 e os 250 kms / hora, adoptando tráfego misto de mercadorias e passageiros em bitola europeia e prioritizando as ligações aos aeroportos e entre capitais de distrito.
A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP – www.acdporto.org) é um movimento apartidário, que tem como único propósito a defesa dos interesses colectivos da Área Metropolitana do Porto e da Região Norte. A ACdP assume-se como uma plataforma de debate, de apresentação de propostas e de acção efectiva, onde através da congregação e mobilização de esforços e vontades, os cidadãos da AM Porto e Norte poderão voltar a ter uma palavra a dizer sobre o seu Futuro.
Nota: A FAN PAGE da ACdP está disponível no Facebook.