20090521

A cidade do Porto tem os decisores políticos que merece

A definição de linhas de Metro no Porto é uma verdadeira história da Carochinha ...
A falta de rigor e competência só é explicável pelo facto de os decisores políticos receberem comissões dos fornecedores de obras, pagas pelos impostos de todos.
Após o Porto 2001, havia um viaduto com carris que foram retirados para as corridas dos calhambeques de Rui Rio.
Agora por causa do suposto estrangulamento da Senhora da Hora quer-se fazer um Metro Ocidental que necessita de outro viaduto que destroi mais um pouco do Parque da Cidade ou um tunel que custa mais uns milhares de euros.
Ninguem pensa em alternativas mais baratas.
Ninguem vê que a expansão do Metro do Porto prevista é um NAL, TGV ou TTT e que portanto não se realizará...
A cidade do Porto tem os decisores que merece ter. Por isso se não tivermos a sorte de Rio ser chamado para Lisboa, teremos que grama-lo por mais 4 anos.

20090518

PSD a caminho do governo ? MFLeite, Balsemão e Manuel Pinho na reunião Bilderberg 2009

Via:
http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/2009/05/15/bilderberg-2009/
http://www.forumnacional.net/showthread.php?p=370636
Será que Rio já não regressa a Lisboa ?!?

A credibilidade começa aos 65

ABRUPTO - A razão por que a discussão actual sobre o Bloco Central é puro "cenário" é que ignora os muito complicados facts of life. Primeiro, com que PS se faria? Talvez com o de José Sócrates, se o PSD aceitasse uma hegemonia política do PS e um papel muito menor na coligação. Há um PSD disposto a isso, que veria com felicidade a partilha de lugares que ser servente do PS traria, mas esse PSD não é o PSD de Manuela Ferreira Leite.

Pacheco Pereira afirma que com o PSD de MFLeite a gestão da conjuntura económica iria ser séria e não se venderiam às «máfias» que orbitam o Terreiro do Paço.

Porque será que eu não acredito nisso ? Como se explica o súbito ataque de credibilidade depois dos 65 anos de idade ?

Há um político do PSD desejoso de colocar Lisboa na ordem e que tem um cadastro de cortar nos custos. Tem 8 anos de experiência na gestão da reserva de indíos, leia-se bairros sociais. No Porto, há uma maioria que o deseja ver pelas costas.

20090517

Como é habitual a intriga de Lisboa manipula o poder em Portugal: Já se fala abertamente em ª Costa como 1º Ministro e Santana na CMLisboa. Falta Rio a ministro das finanças e saber quem o vai substituir...

Semanário
Uma luta dentro do PS

Ele vem de dentro do PS e aposta que José Sócrates pode ser ainda e a tempo das próximas eleições, substituído por António Costa que, por razões patrióticas, acabaria por desistir da corrida à Câmara de Lisboa, tornando quase inevitável a vitória - que as sondagens anunciavam como improvável - de Santana Lopes nas autárquicas de Lisboa.
É aqui e apenas aqui que os interesses que dividem o PS e a oposição se encontram: a actual direcção do PSD ou dos partidos de esquerda atacam Sócrates, pois com isso asseguram que o PS não terá a maioria absoluta - o que já seria inevitável com a esquerda a ultrapassar ¼ das intenções de votos do eleitorado; a oposição interna, pois acha que negoceia com Costa o que Sócrates não lhes deu; e, finalmente, o próprio Santana Lopes que aproveitará com a saída de Costa para ficar com a Câmara de Lisboa.


20090516

Justifique lá, em alemão, esse plano de expansão do Metro do Porto»

A partir de Outubro a UE vai enviar um representante alemão ou nórdico para colocar em ordens as contas públicas portuguesas. A certa altura quererá saber o que é a expansão do Metro do Porto. E vai fazer solicitar essa explicação/justificação, tal como titulei, a um portuense que, presumo, domina o idioma alemão.


20090515

Uma notícia da Lusa que mistura Lisboa, «Máfias», doação de imóveis, PS e secretismo. Há disto a Norte ? Tenho ou não razão ?

Diário Digital
Maçonaria: GOL quer criar estrutura de serviços secretos

A obediência maçónica Grande Oriente Lusitano (GOL) pretende criar uma estrutura própria de serviços secretos, que designa por núcleo interno de intelligence, indicam documentos.

A proposta foi apresentada numa reunião da Grande Dieta, órgão que equivale à assembleia-geral do GOL a 21 de Março, e aprovada com 57 votos a favor e 21 contra.

O objectivo daquele núcleo é, segundo a acta da reunião, cumprir as «funções próprias daqueles organismos [de espionagem] no âmbito da defesa e prevenção», refere a acta da reunião.

A Lusa contactou o GOL, por correio electrónico, para obter do grão-mestre da obediência, António Reis, detalhes da estrutura e os fins práticos a que se destina, mas ainda não obteve qualquer resposta.

Na mesma dieta foi igualmente aprovada - com 77 votos favoráveis e sete contra - a «contratação de equipas técnicas externas, para fornecimento de serviços de consultadoria e apoio efectivo ao grão-mestre e ao Conselho da Ordem nos domínios da segurança de pessoas, património e informação».

Estas propostas foram apresentadas pelo presidente de uma comissão interna criada para determinar os autores de uma queixa apresentada no Departamento de Investigação e Acção penal (DIAP), em 13 de Novembro passado, contra o grão-mestre e os dois elementos que se lhe seguem na hierarquia da estrutura maçónica, António Justino Ribeiro e Fernando Manuel Lima Fernandes, e «desconhecidos».

Acusações de burla qualificada, falsificação por funcionário, abuso de poder, gestão danosa e abuso de confiança são usadas contra António Reis e os outros dois dirigentes do GOL, facto que levou o próprio grão-mestre a emitir um comunicado a 20 de Novembro dirigido a todos os seus irmãos maçons.

Nesse texto, António Reis diz que os nomes dos queixosos que surgem na participação são os de Vasco Lourenço e Jorge Sá, mas assegura que a sua identidade foi falsificada e que os próprios negam a autoria das queixas, como o fez Vasco Lourenço quando contactado na altura pela Lusa.

O grão-mestre apresentou um requerimento em tribunal «desmentindo a prática de tal acto e participando contra incertos por usurpação de identidade», ainda de acordo com o mesmo comunicado.

Os recursos à Justiça ocorreram depois de serem conhecidas divergências internas sobre a criação de uma fundação para gerir o património do GOL.

A contestação à criação da Fundação Grande Oriente Lusitano é sustentada por um grupo minoritário de opositores que questiona a razão da criação da instituição que vai receber, de forma irrevogável, o património das três instituições para-maçónicas do GOL, que integra mais de uma vintena de edifícios localizados em Lisboa e nas mais importantes cidades portuguesas.

A Fundação GOL foi registada notarialmente em Setembro passado, mas para ser reconhecida legalmente terá de obter o parecer favorável do ministro da Presidência ou de quem ele delegar, função que actualmente está atribuída ao secretário de Estado Adjunto da Presidência, Jorge Lacão, citado frequentemente na imprensa como membro do GOL.

Contactado terça-feira pela Lusa, um assessor de Lacão disse que não deu entrada na Presidência do Conselho de Ministros qualquer processo relativo àquela fundação.


20090514

Ao cuidado dos utópicos apoiantes do PS e das obras sem rentabilidade

Jornal de Negócios Online Paul Krugman - Economia mundial enfrenta "década perdida"
"Estou optimista em relação à economia mundial", diz Paul Krugman. "Mas só a partir de 2030", acrescenta. O prémio Nobel acredita que a economia mundial pode enfrentar "uma década perdida" semelhante à vivida pelo Japão nos anos 90.


Vai chegar a Portugal

FT.com - America’s triple A rating is at risk
America’s triple A rating is at risk

By David Walker

Published: May 12 2009 20:06

Long before the current financial crisis, nearly two years ago, a little-noticed cloud darkened the horizon for the US government. It was ignored. But now that shadow, in the form of a warning from a top credit rating agency that the nation risked losing its triple A rating if it did not start putting its finances in order, is coming back to haunt us.

That warning from Moody’s focused on the exploding healthcare and Social Security costs that threaten to engulf the federal government in debt over coming decades. The facts show we’re in even worse shape now, and there are signs that confidence in America’s ability to control its finances is eroding.

Prices have risen on credit default insurance on US government bonds, meaning it costs investors more to protect their investment in Treasury bonds against default than before the crisis hit. It even, briefly, cost more to buy protection on US government debt than on debt issued by McDonald’s. Another warning sign has come from across the Pacific, where the Chinese premier and the head of the People’s Bank of China have expressed concern about America’s longer-term credit worthiness and the value of the dollar.


20090513

As empresas nortenhas não necessitarão, antes, de outro tipo de apoios para melhorarem a sua competitividade externa?

Entrevista de Eduardo Catroga ao jornal I (via Balancedscorecard.blogspot.com):

Megaprojectos: grito de alerta

1. Portugal defronta uma crise económica com duas componentes: a estrutural e a conjuntural. A componente estrutural é evidenciada pela “década perdida” em matéria de convergência real (a pior desde a década de1920, em termos relativos), pelo crescimento do endividamento externo (10% do PIB, em 1995; 60% em 2004 e 100% em 2008), pela estagnação do Rendimento Nacional nos últimos anos (onde têm peso crescente os juros pagos aos credores externos) e pela evolução da taxa potencial de crescimento da economia (em declínio acentuado, sendo hoje apenas da ordem de 1%).
A componente conjuntural da crise é fruto da situação económica e financeira internacional e será ultrapassada quando a economia americana e europeia recuperarem. As políticas nacionais anti-cíclicas estão condicionadas pela deficiente consolidação orçamental realizada na última década, e devem minorar os efeitos da crise no campo social, reforçar os apoios às empresas, e acelerar investimentos públicos inquestionáveis com efeitos a curto prazo.
Mas a componente estrutural não se compadece com erros estratégicos nas respostas de curto prazo. Do contrário, sairemos da crise conjuntural com os problemas estruturais agravados. A sua solução exige um processo sustentado de actuação coerente sobre todos os factores críticos que afectam a competitividade da nossa economia. Entre eles na qualidade do investimento, que é urgente melhorar, pois os indicadores mostram que investimos mal na última década.


2. As transformações estruturais em curso na envolvente económica e financeira internacional representam o fim da era do endividamento fácil. Dependendo o financiamento da nossa economia da poupança externa (a interna é apenas de cerca de 50% da taxa de investimento), Portugal tem de saber aplicar bem os recursos financeiros provenientes da sua limitada capacidade adicional de endividamento externo.

Temos de saber seleccionar bem os projectos de investimento público com efeitos a médio e longo prazo.

A começar pelos megaprojectos no sector dos transportes.
São investimentos que representam um largo quinhão da riqueza nacional e que, através da filosofia das parcerias público-privadas (PPP), hipotecam o futuro com encargos vultuosos para os contribuintes. São projectos de alto risco para todos os que pagam impostos e taxas. Têm também elevados custos de oportunidade quando comparados com outras alternativas no ataque às nossas verdadeiras vulnerabilidades estruturais.


3. A política das parcerias público-privadas (PPP) precisa de ser repensada. Considerando os dados constantes do relatório do OE/2009, o valor actual (taxa de desconto 5%) dos encargos já assumidos, ou projectados, pelo Estado (directa ou indirectamente) para os próximos anos (sobretudo a partir de 2013) representa cerca de 12% do PIB de 2008 (ou seja, cerca de 20.000 milhões de euros, ou 4.000 milhões de contos na moeda antiga).
É um montante enorme, com tendência para crescer e pecando, só, por defeito, que põe em causa a sustentabilidade das frágeis finanças públicas, o financiamento futuro das despesas sociais com o envelhecimento da população (saúde e pensões), a competitividade fiscal, a justiça inter-geracional.
Acresce ainda que, na prática, a garantia de rentabilidade dada pelo Estado (directa ou indirectamente) a tais projectos de investimento em PPP tem externalidades negativas importantes que afectam a qualidade da alocação de recursos na economia, num contexto de crédito limitado: (i) leva os bancos (nacionais e estrangeiros) a preferirem tais projectos sem risco (ou quase), em vez de projectos empresariais com os naturais riscos de mercado, mas incomparavelmente mais importantes para a competitividade da economia; (ii) incentiva o sector empresarial privado a investir em sectores abrigados de concorrência internacional, quando a nossa competitividade externa se joga basicamente nos sectores dos bens e serviços transaccionáveis; (iii) tem um impacto potencial negativo no “rating” futuro da República e, logo, nas taxas de juro.


4. O plano rodoviário não pode ser cego e precisa de ser adaptado às novas realidades. Já possuímos uma rede viária eficiente, e não reside aí uma das nossas fragilidades estruturais.

Abusar da construção de auto-estradas caras, sem tráfego que as justifique, tem um custo de oportunidade enorme, em temos de produtividade e competitividade.

Somos campeões de auto-estradas, na Europa e entre os países da OCDE, mas na última década Portugal viu o seu posicionamento regredir nos “rankings” de competitividade a nível internacional…
Nas novas concessões rodoviárias a empresa pública Estradas de Portugal está a assumir com as PPP encargos enormes para o futuro, a adicionar aos já existentes. A empresa não pode raciocinar apenas a trinta ou setenta anos: “a longo prazo estaremos todos mortos”. Qual será a sua situação financeira nos próximos dez anos? Qual será, por exemplo, o “custo de oportunidade”, para a economia portuguesa, de se utilizarem os proveitos da prorrogação de concessões rodoviárias antigas no financiamento de novas auto-estradas de pouco movimento, em vez de outros tipos de aplicações, como, por exemplo, redução do imposto sobre os produtos petrolíferos?


5. Estima-se que os projectos da rede de alta velocidade (TGV) atingirão um investimento total da ordem dos 5% da riqueza nacional, ou seja, mais de 7.500 milhões de euros. Os estudos parcelares disponibilizados sobre a sua rentabilidade económica e social (mesmo se baseados em pressupostos optimistas) mostram que a sua contribuição previsível para a eficiência económica do país é muito diminuta, e pode até ser amplamente negativa em termos de Rendimento Nacional. Para além dos apoios estimados da U.E. (cerca de 20% do total, a fundo perdido), os restantes 80% (ou seja 4% do PIB) serão financiados por dívida externa (directa ou indirectamente).
Por outro lado, uma análise rápida, projecto a projecto, levanta questões ainda não esclarecidas. Entre elas: (i) o projecto Porto-Vigo é mesmo prioritário, tendo presentes as necessidades estratégicas da região Norte?

As empresas nortenhas não necessitarão, antes, de outro tipo de apoios para melhorarem a sua competitividade externa?

(ii) o projecto Lisboa-Porto pressupõe o encerramento do serviço público normal de passageiros e do Alfa-Pendular? Como se vai dividir a clientela futura, a rentabilidade, entre as duas linhas a operarem em paralelo? Não é verdade que o TGV, para ser eficiente, exige uma distância mínima de 400 Km? (iii) o projecto Lisboa-Madrid vai representar seguramente, durante muitos anos, um “buraco financeiro”: serão os contribuintes a subsidiar este modo de transporte de “luxo”? (iv) se existe mercado que justifique algum troço (ou todos), então porque não se adopta uma metodologia de execução (tipo construção/exploração, com os apoios a fundo perdido pré-definidos) em que o risco comercial do projecto e os riscos dos desvios de custo das obras fiquem do lado das entidades concessionárias, e não, essencialmente, do dos contribuintes? (v) se é estratégico para a União Europeia que Portugal execute, a curto prazo, todos os projectos de TGV, então porque não se negoceia uma duplicação, pelo menos, dos apoios a fundo perdido?
Não vale, por si só, o argumento de que outros países também investem no TGV. Esses países são da nossa dimensão geográfica, têm o nosso PIB per capita e o nosso nível de divida externa? E têm as nossas prioridades estratégicas? De salientar que a Espanha, além da maior escala geográfica, indutora de menor prejuízo financeiro, tem uma questão política que a levou (e leva) a investir no TGV: um problema de coesão política territorial face ao seu grave problema político regional.


6. Mas, para além da análise projecto a projecto, entendo que o programa de investimentos públicos deve ser avaliado globalmente, atendendo ao elevado montante e à sua elevada concentração temporal: numa década crítica para a economia portuguesa. Pode até justificar-se um ou outro projecto por razões estratégicas, mas o impacto consolidado (que não está medido), macroeconómico e empresarial, de todos os projectos de transportes (mais o “lastro” já acumulado nas empresas públicas do sector) e de outras parcerias púbico-privadas, em curso ou projectadas, torna o modelo económico-financeiro global consolidado inviável e/ou de alto risco para os contribuintes. Pelo que se impõe uma redefinição de prioridades, e de calendários, depois de uma cuidadosa hierarquização.

Por outro lado, convém não esquecer que as principais empresas do sector público dos transportes ferroviários e urbanos estão tecnicamente falidas.

Apresentam uma dívida financeira (na realidade dívida pública) já da ordem dos 10% do PIB e um défice de financiamento (exploração e investimento) anual avultado. A situação financeira do sector constitui uma verdadeira “bomba financeira” ao retardador sobre as contas públicas, com tendência para o agravamento. Qual será a dívida financeira da CP, da REFER, da RAVE, da Estradas de Portugal, do Metro de Lisboa e do Porto, etc., a 10 anos? Corremos o sério risco de transformar a “bomba” num “vulcão” enorme.


7. Por fim, as opções no sector dos transportes não podem ignorar as prioridades estratégicas globais da economia. Uma questão chave: onde investir, prioritariamente, para solucionar os verdadeiros estrangulamentos estruturais da economia portuguesa e assim aumentar a taxa potencial de crescimento, hoje apenas de 1%? Com este crescimento potencial, em queda na última década de 3% para 1%, como melhorar, sustentadamente, o bem estar económico e social e financiar no futuro o modelo social?
A capacidade de endividamento externo não é ilimitada, e exige escolhas.

Não vivemos num “oásis financeiro”. Governar é hierarquizar prioridades, e depois optar.
Entendo que o interesse nacional justifica uma análise global, integrada e quantificada em vários cenários, que não está feita, tendo em vista uma escolha dos projectos em função das vulnerabilidades estratégicas da economia portuguesa e das suas condicionantes financeiras. Não seria perda de tempo, mas um verdadeiro investimento numa questão crítica para o nosso futuro.
Não podemos vir a ter outra “década perdida”...
Daí o grito de alerta de um economista e cidadão contribuinte preocupado com o futuro das filhas e dos netos...

Economista, ex-ministro das Finanças


20090512

Braga é a Lisboa do Norte e o «Portocentrismo» é um bode expiatório

O populismo regionalista do Pedro Morgado, benéfico para as pedradas no charco que Braga necessita, mas simultaneamente pouco sério e fundamentado para com o Porto (portocentrismo), há muito que me obrigava a produzir esta reflexão. Despersonalizando, mas simultaneamente contribuindo para a entrevista de hoje de Vitor Silva, fica então aqui a minha tese e o respectivo apelo à reflexão por parte da elite bracarense que Pedro Morgado personifica: Braga é a Lisboa do Norte e o «Portocentrismo» é um bode expiatório.

Na minha opinião, a raiz do problema está no perfil económico da cidade e eventualmente no efeito castrador da Igreja Católica de Braga. Vou-me centrar na 1ª questão.
Ao contrário do Porto, Barcelos ou Guimarães, Braga é uma especie de mini-Lisboa, bastante dependente do sector dos bens e serviços não transacionáveis: serviços públicos típicos de capital de distrito (universidade, tribunais, hospitais, etc) e um peso enorme da construção civil e afins.
A industria de origem local é reduzida. Alguns exemplos:
  • Por exemplo, Guimarães e o Alto Ave tem um PIB per capita superior ao do Cávado, são exportadores e tiveram que lutar pela existência de um polo da UMinho;
  • Os dois casos de maior sucesso empresarial e tecnologia de Braga (Primavera Software e 3B/Uminho) são lideradas por pessoas que passaram importante parte da vida profissional no Porto…
  • Nos rankings universitários a UMinho está muito atrás da Uporto;
  • A UP e a UA foram pioneiras na passagem para fundação, enquanto a Uminho e a maioria das lisboetas mantiveram o estatuto público.
O peso excessivo do sector da construção leva a que haja mais pressão para a realização de negócios que preencham as carteiras de encomendas dos operadores do sector, nada mais nada menos do que se suspeita a nível nacional com TGVs, TTTs, NALs, etc. A corrupção inerente é retratada pelo próprio Pedro Morgado e como podemos ler aqui, que o PS Braga é o 2º financiador do PS nacional:
«"Muita gente em Braga sabe das associações perigosas entre empreiteiros e Mesquita Machado, sempre visando o patrocínio do Partido Socialista. Há alguns anos quando levei estas denúncias ao Largo do Rato, ouvi de um dos históricos do PS, a seguinte ” lição de moral”: ” O que havemos de fazer a um tipo que converteu todas as juntas de freguesia do Concelho de Braga ao socialismo e que, quando puxamos a parte financeira nos aparece como o segundo maior patrocinador do nosso Partido? Achas que campanhas políticas fazem-se à custa de feijões?”.»
Perante isto qual é a reacção da sociedade bracarense ?
Quando se pronuncia, Braga atrasa as tendências nacionais e do Norte, como foi a votação contra a Regionalização, ao contrário do Porto, Gondomar, e Matosinhos em 1998. O Porto, há 8 anos não gostou do regresso atabalhoado de Fernando Gomes nem do despesismo de Nuno Cardoso e colocou lá o «sério» ou pelo menos aprarentemente «sério» Rui Rio. Braga vive com Mesquita à mais de 30 anos e os bracarenses precisam de ajuda externa para se verem livres dele...

A culpa é dos bracarenses como se comenta na Avenida Central:
Estes senhores que comentam em blogs a situação do urbanismo de Braga levam-me a pensar o quanto as pessoas em Braga são acomodadas. É novidade a forma catastrófica como Braga está a crescer? O homenzinho que está na câmara está lá a fazer vigarices desde ontem? Não, está há 30 (trinta) anos. É novidade para alguém que Braga é uma faroeste com o polvo instalado entre câmara e os trolhas? Julgo não ser novidade nenhuma. Porque as coisas continuam assim? Única e simplesmente por culpa dos bracarrenses! De todos, sem excepção. Culpa dos que são ignorantes e/ou fazem parte do polvo e votam no homenzinho e dos outros que são acomodados.
Porque só aparece gente a comentar em blogs e na vida real nada fazem??? Porque sempre que se tentou organizar conversas/debates sobre a cidade de Braga quase ninguém aparecia? Porque não se denunciam situações que dia-a-dia estão á vista de todos?
Não se queixem dos media portugueses, logicamente que eles não vão dar destaque a Braga de livre iniciativa. Portugal é Lisboa e alguns dias, também, o Porto. Caso se pretendam colocar nos media os inúmeros escândalos que se vivem em Braga, a iniciativa terá que ser dos bracarenses. Durante 30 (trinta) anos todos conviveram com esta situação e ninguém nada fez de verdade para inverter isto. Criar blogs e comentar em blogs é fácil e confortável mas de nada adianta.A culpa é dos bracarenses! Sou de Braga mas tenho a perfeita consciência que Braga é um caso perdido. Não me revejo em Braga e tenho vergonha da fama que Braga tem: cidade de trolhas novos ricos, que andam em bons carros mas nem sabem falar nem comer à mesa.
MAs será que a única claustrofobia de Braga só vem (e vem) da Câmara ? E a clasutrofobia que vem da igreja, como o mostra os sucessivos casos do colégio D. Diogo de Sousa, um monumento do reaccionarismo local que usa o dinheiro dos seus alunos para perseguir, processar, despedir e expulsar, antes o silêncio cumplice do triste e incapaz arcebispo de Braga?

Perante a falta de coragem em mudar, Braga prefere encontrar um bode expiatório, o Portocentrismo:
«Que o Porto é centralizador como Lisboa isso toda a gente sabe. Que o resto do país é paisagem, mas que precisa de investimento, isso também toda gente sabe. Só não percebo, seguindo o raciocínio de certos intervenientes, como é que as zonas exteriores a estas cidades/AM beneficiaram de um maior centralismo! Não pensem que o Porto é um santo distribuir. Olhem para o resto do distrito do Porto sem ser da AM do Porto! Pois é, está igual ou pior que as populações do Minho. Sejam claros! Se querem uma grande cidade/metrópole, neste caso Porto, em que 90% da população do Norte viva ai, em que qualquer investimento realizado beneficie quase todos, todas as populações tem as mesmas oportunidades, digam. Se defendem este modelo das populações viverem na cidade, porque é que andam com rodeios. Deixem de tagarelice. As actuais orientações são claras, desenvolver a AM do Porto para que possa absorver o Norte nela. Será que é assim tão difícil de perceber. Todos esses projectos de novas linhas, trams e lá o que seja fora da AMP, por este andar, estão mortos à nascença. As linhas de Braga e Guimarães só foram renovadas por causa do EURO2004 porque senão nem cheta. Já agora gostava de ver as reacções das populações de Ponte de Lima se soubessem que foram os do Porto que foram buscar a IKEA para Paços de Ferreira, porque na realidade queriam era em Matosinhos ao lado da nova loja, mas a IKEA não quis! Gostaria também de ver as reacções das populações do vale do Ave, principalmente as desempregadas, se soubessem da pretensão de certas empresas de ai instalar unidades fabris mas, do "nada", construíram na Maia. Por acaso conheço as reacções das populações do Douro vinhateiro, indignadas com a propaganda portuense em relação ao turismo vinhateiro. Dizem que é para desenvolver a região, quando o turismo é durmam no Porto, visitam as caves em Gaia num dia, e noutro vão de cruzeiro pelo Douro acima e descem pelo mesmo no mesmo dia.
Obviamente que o Porto não tem qualquer poder público formal sobre Braga, porque não há governo regional. Quando muito os privados da Invicta usam legitimamenete os seus contactos para desviar negócios de Braga para o Porto. Ou os políticos do Porto berram mais para com Lisboa e conseguem gastar dinheiro mal gasto na expansão do metro portuense para a Trofa em vez de o investirem em Braga. Mas são apenas os privados ou políticos a berrar na comunicação social ou a egoisticamente sacar do PIDDAC para o seu concelho e não qualquer poder administrativo do Porto sobre a região Norte !

Até que ponto não será Braga, pelo seu peso demográfico, um centro do conservadorismo a Norte que impede o desenvolvimento deste ?
Tal como Lisboa, será Braga uma cidade que ambiciona mais do que as capacidades que tem, dedicando-se a prejudicar os vizinhos minhotos para alimentar o seu ego, à semelhança do que Lisboa faz a nível nacional ?
Será apenas uma capital distrital, aprendiz da lógica lisboeta, sem dinâmica económica e social suficiente para o lugar que tem ?

Não pretendo ser exaustivo e admito que falhem aspectos no meu raciocínio. De qualquer modo ficam aqui as falhas de raciocínio que encontro nos defensores da tese do «Portocentrismo».
Leituras recomendadas