20090324

Exames nacionais

Alguns estudantes pedem o fim dos exames nacionais por serem uma barreira no acesso ao ensino superior. Estes estudantes estão iludidos. Os exames nacionais (salvo uma pequena e relevante excepção que referirei no final deste post) não são uma barreira. São uma garantia de equidade para os estudantes.
Há uma barreira no acesso ao ensino superior, mas não é o critério de acesso, é o facto do número de vagas ser inferior à procura. Mude-se o critério de acesso (por. ex. só as notas do secundário) e o número de vagas preenchidas será o mesmo. Há uma excepção, que se refere aos cursos que não preenchem as vagas todas, e que exigem uma nota mínima (9,5). Mas neste caso (que corresponde a um número reduzido de vagas) está-se apenas a recusar alunos que manifestamente não estão preparados para frequentar o ensino superior.
Assim, estes estudantes mostram uma total falta de inteligência. Se querem reduzir barreiras ao acesso podem pedir o aumento do número de vagas (e a eliminação das notas mínimas), mas não o fim dos exames nacionais. Os exames são a única garantia de equidade entre alunos, ao assegurar a comparabilidade de diferentes estabelecimentos de ensino, minimizando o efeito de escolas demasiado brandas ou exigentes, e das situações de "compras" de notas.
Estes estudantes propõem reduzir a meritocracia e aumentar o chico-espertismo. O chico-espertismo até pode ser útil para muitas situações. Mas raramente é útil para concluir um curso superior.

Moeda mundial a caminho: DSE - Direitos de Saque Especiais

Alguém explica à ERC o que é a livre iniciativa privada?

"Quanto à Telecinco, a entidade reguladora considerou que as estimativas para o plano de negócios eram “claramente irrealistas”, tendo em conta a actual situação do mercado publicitário em Portugal."
Eis o cúmulo dos entraves ao empreendedorismo: o Estado impedir a criação de uma empresa porque ela pode dar prejuízo.

Título alternativo: Porque não colocar a ERC a avaliar os projectos do Estado (TGV, Aeroportos, etc)?

Não lêem o Norteamos...

Jornal de Negócios Online
Aconteceu o inevitável. Com a paragem total da produção da fábrica alemã de Dresden, única cliente e fornecedora de matéria-prima da unidade portuguesa, a Qimonda de Vila do Conde vai estar parada entre a próxima sexta-feira e o dia 13 de Abril.


20090323

Margem esquerda ou direita, no TGV

Rui Moreira, no Público, recentemente acusou os que defendem a passagem do TGV pela margem esquerda do Tejo (i.e., pela margem sul), de quererem prejudicar o Norte.

Infelizmente, creio que Rui Moreira baralhou várias coisas importantes.

Primeiro. Lisboa será sempre uma cidade de destino final em qualquer linha de TGV. Portanto, discutir a passagem do TGV pela margem sul não tem a ver com o acesso a Lisboa, tem a ver com a ligação ao futuro aeroporto em Alcochete, que ainda tenho esperança que venha a ser cancelado, e à linha para Madrid.

Acontece que também é verdade que se se optar por fazer o TGV andar pela margem sul/esquerda, igualmente se pode fazer a ligação a Lisboa mais a Sul, em Alhandra seria provávelmente o melhor local; deste modo se pouparia muito dinheiro, que faz falta para outros projectos e, se não for para outros projectos, para outros pontos de uma rede ferroviária moderna. Com essa ligação, poderia poupar-se esse erro crasso que é a 3ª travessia do Tejo no Barreiro, ainda por cima ferro-rodoviária, e podia permitir-se a passagem do TGV de Madrid para Lisboa, pelo menos numa primeira fase, pela mesma ligação (Alhandra). Com pouca perda de tempo, segundo dizem os especialistas e com grande poupança de recursos financeiros para o Estado (que é como quem diz, para nós todos). Os erros, politicamente motivados, de quem nos tem andado a impingir essoutras soluções caríssimas, não merecem que se confundam desta forma simplista questões essenciais com questões secundárias... O TGV Porto Lisboa dificilmente será rentável; não é por se pretender que se faça com subordinação a Alcochete que se torna rentável, nem que se inviabiliza a ligação ao Norte. O problema está noutro lado; em primeiro lugar no transporte de mercadorias; em segundo, na ausência de ligação de Pedras Rubras à linha Porto (Braga)-Vigo; finalmente na asneirada da ligação proposta para o Barreiro.

Segundo, a ligação do aeroporto de Pedras Rubras à rede de TGV é uma urgência que devia mobilizar o Norte. Infelizmente, isso não está a acontecer. Do mesmo modo, e por razões inversas, não faz muita falta ligar a linha do norte de TGV a Alcochete. Mas se a linha passar por lá antes de se dirigir a Madrid, não se perde grande coisa...

O erro, o maior erro de toda esta discussão, continua a estar em centrar o debate no transporte de passageiros. Esse é um favor que se faz aos interesses de quem quer impor o TGV sem pensar em rentabilização de investimentos, em relações de custo-benefício e em escassez de recursos.

Do que Portugal precisa e o Norte por maioria de razão, é de uma rede de transporte de mercadorias em bitola europeia. É isso que a RAVE e outras autoridades competentes tem esquecido. É disso que os partidos não falam. Será essa a maior consequência, negativa, das redes que nos andam a impor. E que as nossas empresas exportadoras pagarão muito caro...

Assim como é um erro calamitoso não separar a Ana por aeroporto, antes de a privatizar. É por aqui que se movimentam os interesses dos futuros monopólios público-privados; é por aqui que tem se conduzir o ataque.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

Lisboa a regar-se de gasolina

O especulador sociológico portuense Pedro Arroja, à custa de tantas teses produzidas por dia, acaba por acertar algumas vezes. Já alguém fez uma experiência com macacos a lançar dados com decisões de compra e venda de acções, e acabaram por bater o DowJones...
Adiante.
Uma especulação recente de Pedro Arroja é que Portugal entrará em guerra civil. Penso que acerta.
O texto ontem publicado no Público por Rui Moreira (cada vez mais presidente da CM do Porto) é verdadeiramente incendiário. O desepero da «máfia» que circula o Terreiro do Paço por negociatas leva-os a ignorar o peso populacional a Norte e a subestimar o descontentamento. Estão a regar-se de gasolina. Na prática, MFLeite e assessores, estão a destruir a utilidade do PSD fora de Lisboa e a criar espaço para partidos regionalistas, o que vai ser positivo.
Muitos suspiram pelo fim do regime ou pela clarificação do panorama político nacional. Tão importante como isso é o fim dos desequilíbrios territoriais, ou no nosso caso, a permanente inovação nos investimentos decididos na capital/gestão da administração pública, que tem apenas como objectivo sabotar/drenar o desenvolvimento fora de Lisboa e beneficiar os traficantes de influências lá instalados.

Antigamente, os chefes de Estado e governantes estrangeiros visitavam Portugal. Agora só visitam Lisboa. Na verdade, era hábito do protocolo de Estado promover a sua vinda ao Porto, depois de passarem por Lisboa, onde faziam contactos com os órgãos de soberania. No último dia da visita, costumavam chegar ao Porto de manhã, geralmente na companhia dos embaixadores e de um membro do Governo. A comitiva dividia-se, então, em contactos de negócios, visitas culturais e passeios turísticos. Depois, os ilustres visitantes eram recebidos nos paços do concelho, onde lhes eram entregues as Chaves da Cidade, eram homenageados pela Confraria do Vinho do Porto e almoçavam no Salão Árabe com a sociedade civil e com as autoridades da cidade, antes de rumar ao aeroporto, de onde partiam, após as honras militares. Foi sempre assim, a exemplo do que acontece noutros países, como sucedeu com a visita do nosso Presidente à Alemanha, onde ele não ficou cativo de uma só cidade. Mas o que era hábito entre nós, e hábito salutar e de justiça, agora deixou de ser, como se viu recentemente com a visita do presidente de Angola e dos reis da Jordânia. Não me recordo de uma única visita de Estado ao Porto, em três anos desta presidência, para quem não há utilidade em mostrar mais do que Lisboa aos dignitários estrangeiros e aos empresários, artistas e jornalistas que sempre os acompanham. E nada disto acontece por acaso.
O presidente da CIP, baseando-se num estudo da ADFER (a "associação do desenvolvimento ferroviário" que conta, entre os seus associados, com todos os autores do desastre da modernização da Linha do Norte) defende que o TGV entre o Porto e Lisboa não deve entrar na capital pelo norte, como está projectado. Em vez disso, deveria antes flectir para sul, algures no Ribatejo, através de mais uma travessia do Tejo e depois parar em Alcochete, de forma a aproveitar a entrada em Lisboa pela terceira travessia, que também servirá a linha de TGV para Madrid. Ora, sendo conhecido o enlevo do presidente da CIP pelo aeroporto de Alcochete, e sabendo-se que este fica beneficiado se estiver mais acessível ao Norte de Portugal, e já tendo a Rave denunciado este estudo como incorrecto sob vários aspectos, tudo isto não seria mais do que um fait--divers feito de interesses, se não tivessem aparecido algumas vozes do PSD a aplaudir a CIP e a secundar a sua estranha tese.
É certo que a oposição tem todo o direito de contestar a política do Governo e de lhe complicar a vida. Mas não é recomendável nem oportuno que o faça à custa da nossa região. Depois da líder do PSD ter estado no Porto e ter afirmado que não tinha sequer opinião formada sobre o modelo de gestão do Aeroporto Sá Carneiro, o que diz bem da importância que atribui aos interesses e sensibilidades desta região, só nos faltava ouvir agora algumas das vozes fortes do partido, ainda por cima eleitos pelo Norte, a subalternizar os interesses estratégicos da região. Quando todos pensávamos que o PSD era liminarmente contra o TGV, e que manteria essa linha de rumo, aparece a defender para o projecto uma tese absurda e insultuosa. Absurda, porque se o TGV do Porto entrar pelo sul, demorando mais vinte minutos no trajecto pelo efeito combinado do aumento da distância e da paragem adicional no aeroporto de Alcochete, o custo por minuto poupado no trajecto Porto-Lisboa face ao pendular aumenta em flecha, o que prejudica a análise custo-benefício de um projecto que, para muitos, seria dispensável se a modernização da Linha do Norte fosse concluída. Insultuosa, porque subalterniza o Norte e, como me dizia José António Barros, o presidente da AEP com quem falei sobre a matéria, porque sacrifica a viabilidade do Aeroporto Sá Carneiro, que não está ligado à rede do TGV, que poderia aumentar a sua área de influência e, em vez disso, vê os seus clientes naturais serem conduzidos através dessa mesma rede ao aeroporto de Lisboa...
E, mais uma vez, nada acontece por acaso.

PS: Resposta à SSRU: A questão de mais ou menos reabilitação, não afecta a abrangência ou a credibilidade da candidatura de Rui Moreira à CMPorto. O que afectará a sua credibilidade é confundir economia de mercado com PPP/privatizações/tráficos de influências ou afins, praticado por Lisboa e por Rui Rio. Caso ele, como presidente da CMPorto, o confunda, não haverá sebastianismo que o salve e eu estarei ao lado do Teixeira Lopes do bloco histérico, que é perito em criar alarido com esse tipo de práticas. A simpatia demonstrada por Rui Moreira com um político nacional que tem uma sexualidade inpompatível com as posições políticas e ligado a suspeitas de tráfico de influências na aquisição de material militar, não é de facto nada auspicioso.

20090321

Régua

Sobre direitos de autor ler esta nota.

Jogos perigosos

Imprescendível a leitura no Semanário de «Jogos perigosos» de Paulo Gaião.
Soares e Alegre são alguns dos senadores completamente incoerentes, que defendem agora o que não praticaram antes.
António Alves dizia há tempos que Portugal só muda a força. A referência à causa corporativa militar na génese do 25 de Abril prova isso mesmo.




20090319

Alguem sabe como foi ontem os Olhares Cruzados ?

Há video offline ?
Terá havido algo mais do que um choradinho do BE e do bispo vermelho contra o «capitalismo selvagem» e contra os despedimentos efectuados por Américo Amorim ? Suspeito que não.
Será que abordaram as suas próprias responsabilidades na alienação das massas regionais (religião, «as causas fracturantes» do BE) ? É que se nãoo, deviam poupar-nos o moralismo.
Se ficaram pelo diagnóstico, tornam-se irrelevantes. A conferência também.

Inflacção

Quantitative easing explained
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