20081021

PIDDAC 2009

Dotações do PIDDAC 2009 para alguns Concelhos significativos :



Fonte: OE/PIDDAC 2009

Eu nem me dou sequer ao trabalho de calcular a relação investimento por habitante para, por exemplo, os concelhos de Porto e Gaia, aos quais pertencem, respectivamente, a segunda e terceira cidades mais populosas do País. Ou então, no entender de muitos, uns pelas melhores e outros pelas piores razões, uma única cidade, a mais populosa de Portugal. No entanto, fico à espera das pavlovianas reacções do costume. Aposto que não haverá imediatas republicações desta imagem em certos espaços. E aposto singelo contra dobrado!

20081020

Utilizador-Pagador: Eles Usam, Nós Pagamos!

Eles usam e nós pagamos poderia ser a legenda desta curiosa imagem. Aqui se esquematiza aquilo de que já demos nota aqui, aqui, aqui e aqui. Perante a passividade dos políticos do Minho e do resto de Portugal para além de Lisboa e do Porto, os governos vão perpetuando uma situação de gritante injustiça social regional em que todo o país paga os transportes das duas maiores cidades do país.

Bem sei que por aqui "Norteamos", mas o Norte ainda não é o Porto e a área metropolitana do Porto ainda é a única beneficiária dos apoios da Administração Central a que António Alves aqui faz referência.

Outdoor!

Imagens como esta terão que ser afixadas por todas as cidades desta Região em gigantescos Outdoors. Só assim as pessoas serão sensibilizadas para a raiz dos problemas que as afectam.

20081019

Nota de imprensa: 2ª Reunião da Associação de Cidadãos pelo Porto

Realizou-se no passado dia 17 de Outubro, pelas 21h30, no Clube Literário do Porto, a segunda reunião da Associação de Cidadãos do Porto. A reunião, moderada por Alexandre Ferreira, assumiu a forma de uma tertúlia, com um elevado grau de informalidade. Neste segundo encontro, o movimento que pretende constituir-se como a Associação de Cidadãos do Porto, viu alargado o grupo de aderentes, relativamente à primeira reunião realizada em Setembro. O serão contou com uma agenda que incidiu fundamentalmente sobre dois pontos: uma análise da Região Norte tendo em conta o contexto nacional e um debate sobre soluções e instrumentos de futuro para a Região.

Na primeira parte foi traçado um diagnóstico, que teve como aperitivo uma apresentação de factos e números ilustrativos do potencial da Região e das desigualdades no tratamento relativamente a outras áreas do País, quando se fala de investimento público. Na análise colectiva que seguiu esta apresentação, foram abordadas questões como o empreendedorismo e investimento, factores de competitividade no contexto nacional e internacional, a captação e retenção de massa crítica ou características do tecido empresarial, tendo sido denotado, de uma forma geral, um descrédito na capacidade política do poder local e central para dar resposta às questões que mais preocupam as populações do Norte do País.

Na segunda parte foram abordados temas considerados fundamentais para o futuro da Região. Tendo-se verificado unanimidade relativamente à necessidade de a sociedade civil ter uma voz activa e do movimento que está a ser formado poder vir a desempenhar um papel fundamental na defesa dos seus interesses. Tendo sido identificados diversos temas relevantes para a Região, a discussão centrou-se num dos temas mais actuais: o modelo de gestão do Aeroporto Sá Carneiro.

Tal como já se verificou uma convergência de opiniões de diferentes actores institucionais como a Associação Comercial do Porto, AEP, Associação Industrial do Minho ou Associação Industrial do Distrito de Aveiro, bem como de empresas privadas, também na plateia houve unanimidade relativamente à importância e urgência deste tema para a Região. A consciencialização para a importância do ASC na economia e da convicção de que não se pode permitir que discussões fulcrais para o desenvolvimento regional possam ser tomadas à revelia da sociedade civil, levou à decisão de haver uma associação clara ao movimento que defende a gestão autónoma do ASC, procurando-se criar uma voz até agora inexistente: a dos cidadãos. Esta tomada de posição será acompanhada de um conjunto de acções com o duplo objectivo de consciencializar a população para o problema e de criar um elemento de pressão na defesa dos seus interesses.

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Tendo em vista uma preparação conjunta da terceira reunião e da sua agenda, foi criada uma mailing list, podendo os interessados inscrever-se enviando uma mensagem para o endereço porto.agora@gmail.com. Alguns blogers presentes, como Tiago Azevedo Fernandes (“A Baixa do Porto”), Pedro Menezes Simões (“Norteamos”), ou Rui Farinas (“Renovar o Porto”) propuseram também os seus espaços online para catalisadores de ideias e opiniões relativas a este movimento em geral e à tomada de posição relativa ao Aeroporto em particular. Todos os interessados terão assim à sua disposição um espaço onde poderão encontrar as mais recentes informações relativas a estes temas e contribuir online para esta discussão.

20081017

Frase do dia





«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»




 Eça de Queiroz

Razão para expansão «lowcost» do Metro : Vale do Tâmega é a região mais pobre de toda a Europa

ASC em «Damage control»

Estou bastante céptico relativamente ao futuro do ASC e à estratégia da ACP/JMP/Sonae/Soares da Costa. Porquê ? Basicamente porque os agentes regionais são ridiculamente ingénuos. O futuro do ASC está estrategicamente encalhado devido aos erros passados e só nos resta o «damage control».

Vejamos:

  • A ACP/Rui Moreira baseou a sua estrategia para a gestão autónoma em armadilhar compromissos verbais com Teixiera dos Santos/Sócrates. Ora, estes, como é habitual, renegam o que fôr necessário para atingir os seus fins. Não resulta.
  • A JMP com Rio à frente só serve para retirar poder negocial. É que este senhor acha que não se deve berrar com Lisboa. Do lado de lá, já devem dizer «pois, pois, a gente compreende».
  • A participação da Sonae e da Soares da Costa é um caso de «moral hazard», como relata Honório Novo:
    • Efectivamente Belmiro, anda há muitos anos em dissonância cognitiva. Por um lado o Estado Central nega a posse de bancos, OPA à PT e agora a gestão do ASC. Por outro lado ele manifesta-se contra a Regionalização ou contra qualquer outra alternativa que altere o «status quo».
    • A posição da Soares da Costa neste filme é revelador do cínismo e do «lobby» do betão: Há uns anos esta empresa sacou do OGE uma expansão megalómana de fraca qualidade do ASC via Ludgero/Cardoso/Jorge Coelho/Guterres e agora propõe-se gerir o ASC.

É certo que a importancia do ASC me deveria fazer branquear o passado. Porém os erros estratégicos anteriores do poder económcio a Norte, cumplice habitual do Centralismo, AEP/Ludgero/ACP/AIMinho/Sonae/BPI/AICCOPN, continuam a manifestar-se ainda hoje. Efectivamente os privados andaram a baldar-se e agora invocam o desenvolvimento regional. Durantes decadas, foram ingénuos e cumplices com a Drenagem do território, a troco de negócios, incentivos, obras, juros bonificados, licenças administrativas. Agora, não grande tem credebilidade nem geram vaga de fundo da sociedade civil, claro está.

Sobrevalorizam o seu poder, julgando que por serem gigantes no nosso territorio também o são a nível nacional ou ibérico. Efectivamente não tem o peso político, económico, social que tem a mega região de Lisboa e seu bloco de interesses, «máfias», MSM, e população acéfala consumidora de propaganda. Não percebem que são David contra Golias. Desperdiçaram oportunidades de ganhar poder regional há 10 anos e agora é tarde. A gestão autónoma do ASC está condenada ao falanço e a prova disso é o contra ataque da artilharia pesada do Centralismo como revela António Maria a propósito do recente excesso de zelo alfandegário com turistas galegos no ASC:

Nada acontece por acaso! Eu, como alguns amigos galegos cultos e bem informados, temos a mesma teoria: sempre que a Galiza se aproxima de Portugal, alguém de Madrid ou de Lisboa, começa a provocar, e depois a sabotar. Desta vez, creio que as armadilhas estão a ser colocadas por gente do Terreiro do Paço (oriunda da nova loja sino-maçónica, envolvida na especulação da Portela, no assalto à ANA e na ocupação territorial das terras de Alcochete), e ainda por gente da Moncloa e do Palacio de Oriente, que detesta as teorias de Richard Florida sobre as mega-regiões, preferindo manter isolado o seu quintal galego. Porto, organiza-te!!

Resta-nos «damage control», exigir contrapartidas:

  • Direito à participação da JMP ou CCDRN na gestão privada da Ana;
  • CVE Porto-Minho-Vigo a passar no ASC via ramal de Leixões;
  • Muito importante: Reclamar o restabelecimento de algumas rotas TAP para principais aeroportoes europeus, Londres, Paris, Frankfurt em início e fim de dia de forma a permitir deslocações profissionais ao Norte num único dia de trabalho, sem ser por lowcost. Alternativamente, conceder uma taxa aeroportuária excepcional à BA, Luftanhsa ou AirFrance para o fazer.

PS1: Sugestão para as negociasções. Belmiro exigia o «write off» da toda a dívida para ficar com a gestão do ASC. Não poderá ser apenas parte da dívida. Isto é, não se poderá considerar que uma componente foi investimento público e que portanto não transita para os privados ? É que se Belmiro assumisse parte da dívida teria muito maior poder negocial. Depois até poderia revende-la fazendo um peditório pela região. Eu até era capaz de dar para tal.

PS2: Há cerca de 15 dias estive no ASC, na ala sul. A certa altura havia uma porta exterior aberta a cerca de de 20 metros de um difusor de calor. Não percebo nada disto, mas acho revelador de incopetenca na conceção do edifício.

PS3: Enquanto o trafego nos restantes aeroportos desce, no ASC continua a subir.

20081016

No sítio do costume

Não, não é o Pingo Doce. É o sector de dos Bens e Serviços Transaccionáveis em acção, no sítio do costume, isto é, a Norte:

Engenharia portuguesa chega à Volkswagen Navarra - A engenharia automóvel portuguesa já chegou a Espanha. O CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (Maia) acaba de estender a sua actuação à fábrica da Volkswagen em Pamplona para apoiar, para já com a presença directa de dois engenheiros, os processos de produção do Volkswagen Polo.

20081015

PIDDAC 2009: padrões usuais

Conclusões:

  • Os 100000 residentes no Alentejo Litoral recebem tanto como os 1,2 milhões de minhotos (Minho-Lima, Cávado, Ave);
  • Os algarvios recebem o dobro dos bracarenses (NUTS3 Cávado);
  • O Alentejo Central (Évora) recebe o dobro de Alto Trás Os Montes;
  • O 353 000 residentes do Oeste (Leiria) recebem mais do que o milhão de residentes no Douro, Tamega e Entre Douro e Vouga;
  • A penísula de Setúbal recebe 3 vezes mais do que que a sub-região do Tâmega;
  • O distrito do Porto litoral recebe 10 vezes mais do que o distrito do Porto interior;
Fonte: OE/PIDDAC 2009

20081014

Linha bi-bitola?

No Relatório e Contas da RAVE referente ao ano de 2006 pode ler-se, na página 19, o seguinte:

“Numa primeira fase, será construído de raiz um novo troço Braga-Valença, executado em bitola ibérica com travessas polivalentes, acautelando a posterior mudança de bitola que venha a ser decidido realizar conjuntamente com as autoridades espanholas, completado com a actual infra-estrutura Porto-Nine-Braga, valorizada ainda por intervenções a empreender no troço Contumil-Ermesinde e em Trofa;
Esta primeira fase deverá ter um horizonte de concretização compatível com o das restantes linhas prioritárias, devendo estar concluída até ao final de 2013;
Numa segunda fase e dependendo da evolução da procura e da taxa de utilização da capacidade da via existente, será concretizado o novo traçado entre o Aeroporto Sá Carneiro e Braga – cuja reserva do espaço canal estará garantida.”

O relatório de 2007 nada acrescenta nem retira ao anterior no que respeita à Linha Porto-Vigo. No entanto, hoje, no Público, podemos ler o seguinte:

“Em 2013, a viagem Porto-Braga, utilizando a linha actual com remodelações, demorará 33 minutos, enquanto o troço Braga-Valença-Vigo, em linha nova, será cumprido em 34 minutos, garantiu à Lusa Paulo Gomes, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, notando que é preciso ainda contar com "três ou quatro minutos" para a mudança de bitola em Braga, já que a linha nova não terá a mesma bitola que tem a actual linha.”

Ora é aqui que a bota não bate com a perdigota. A RAVE diz-nos que a linha é na fase inicial em bitola ibérica (mais larga) assente em travessas polivalentes e só depois, em sincronia com os espanhóis, será mudada para a bitola europeia (mais estreita). O vice da CCDRN diz-nos que não. Diz-nos que afinal o troço Braga-Vigo é logo em bitola europeia e que até vai haver em Braga um intercambiador de eixos para os comboios mudarem de bitola, daí a perda de “três ou quatro minutos”. Ou a RAVE mudou de ideias, ou então a RAVE e a CCDRN não estão a falar do mesmo projecto. Eu não sei. Mas gostava que uma delas, ou ambas, me esclarecessem. O que eu sei é que não ouvi dizer que os espanhóis tivessem mudado de ideias. Esclareça-me quem saiba.

Agora, o que eu também sei é que, caso seja como diz o vice da CCDRN, está provavelmente posta em causa a intenção da via ser mista, prevista para uma operação conjunta de passageiros e mercadorias, pelo menos durante a fase em que terá duas bitolas diferentes. Não estou a ver serem comprados dezenas, ou até centenas, de caríssimos vagões de eixos telescópicos para transporte de mercadorias, tanto por nós como pelos espanhóis, para serem utilizados durante a fase bi-bitola. Pior ainda, a operação de mudança de bitola de um longo comboio de mercadorias, aí com uns 500 metros, não levará apenas cerca de “três ou quatro minutos”. Consumirá bastante mais tempo, o que trará alguns problemas operacionais de conjugação de tráfego de passageiros e mercadorias. Mas enfim, manda quem pode. Mas eu gostava que me esclarecessem, lá isso gostava. Talvez o doutor Rio Fernandes, que nos momentos estratégicos cá vem informar-nos das excelsas intenções do governo, seja capaz de nos esclarecer.

APEPortugal e Partido da Emigração e Regiões

A APEportugal – Associação dos Portugueses no Estrangeiro é independente dos partidos políticos e das associações religiosas, não prosseguindo nem se associando aos interesses de uns e de outras, sem prejuízo de dialogar com todas as instituições que se preocupem com os direitos dos portugueses residentes no estrangeiro, com vista à realização do escopo social

A APEportugal manterá uma postura rigorosamente independente relativamente a todos os governos, sem prejuízo de cooperar com os que respeitem os direitos dos portugueses residentes no estrangeiro e de adoptar as acções que entender como adequadas à contestação das medidas que os prejudiquem.

A APEportugal - Associação dos Portugueses no Estrangeiro, que agora se forma, quer e vai constituir-se na alavanca que projectará os anseios legítimos desses Portugueses que vivem e labutam fora do território nacional. Funcionaremos como a verdadeira Associação de defesa dos Portugueses Emigrantes e ex-emigrantes.

Curiosamente esta associação tem objectivos idênticos ao «estatuto editorial» do Norteamos... Tudo isto para dizer que hoje me encontrei pessoalmente e brevemente com o presidente da APEPortugal, senhor José Morais e com o senhor Manuel Carrelo, dinamizador do Partido da Emigração e Regiões.

 

Como patinar o presidente da CM Porto mais submisso de sempre ao Estado Central ?

No Domingo passado, Rui Rio veio para o JN lamentar-se do governo Sócrates e do Centralismo. A incoerência e irresponsabilidade deste presidente de câmara é trágico para o Porto. O despertar tardio de Rio para a histórica dupla ética do Estado Central face ao Norte, significa que os portuenses elegeram um ingénuo para presidir ao nosso destino. O Porto e a AM são prejudicados porque tem à frente um político que adopta posições que colocam em causa as possibilidades de desenvolvimento regional e enrequecimento material e imaterial da população. Apenas 2 exemplos:

Durante os últimos anos andou sempre a reboque das posições públicas das forças vivas regionais, nomeadamente Rui Moreira, ACP, Blogosfera e comunicação social regionalista. A estratégia de não berrar contra Lisboa, porque ele próprio tenciona ir para lá, é inaceitável. Dentro do PSD de MFLeite cada vez tem menos poder. Ele próprio se caracteriza: «Acho, no entanto, que não é difícil de perceber que só nos tratam desta maneira, precisamente, porque também há cá gente que, comportando-se servilmente, não se dá, ela própria, ao respeito». É um «bluff» vergonhoso para o Porto. Como patinar o presidente da CM Porto mais submisso de sempre ao Estado Central ? Não sei. E isto é um grande problema.

 

 

20081013

Se eu fosse um geógrafo

Se eu fosse um geógrafo portuense filiado políticamente teria:

Porém eu sou um economista independente.

 

20081011

Resumo divertido e didáctico

Gato por lebre

«Algum tempo após a publicação do meu trabalho acima referido, tive conhecimento que o percurso espanhol entre Madrid e Badajoz, passando por Talavera, Cáceres e Mérida (actualmente com a extensão de 461 Km) deverá ficar mais comprido do que eu previa rondando, agora, os 430 Km; o que vem confirmar a ideia que os espanhóis não estão interessados na muito alta Velocidade, contentando-se - e bem - com a velocidade Elevada e que a Ministra do Fomento chamou de "altas prestaciones" para contento dos pacóvios de cá e de lá.»

Henrique Oliveira e Sá confirma neste texto, mais uma vez, aquilo que eu aqui já tinha alertado. Este facto vem tornar ainda mais imprescindível a ligação Porto-Braga-Vigo. Será a única via de ligação minimamente competitiva à rede ferroviária transeuropeia que restará a esta região.

António Alves
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