20081017

Frase do dia





«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»




 Eça de Queiroz

Razão para expansão «lowcost» do Metro : Vale do Tâmega é a região mais pobre de toda a Europa

ASC em «Damage control»

Estou bastante céptico relativamente ao futuro do ASC e à estratégia da ACP/JMP/Sonae/Soares da Costa. Porquê ? Basicamente porque os agentes regionais são ridiculamente ingénuos. O futuro do ASC está estrategicamente encalhado devido aos erros passados e só nos resta o «damage control».

Vejamos:

  • A ACP/Rui Moreira baseou a sua estrategia para a gestão autónoma em armadilhar compromissos verbais com Teixiera dos Santos/Sócrates. Ora, estes, como é habitual, renegam o que fôr necessário para atingir os seus fins. Não resulta.
  • A JMP com Rio à frente só serve para retirar poder negocial. É que este senhor acha que não se deve berrar com Lisboa. Do lado de lá, já devem dizer «pois, pois, a gente compreende».
  • A participação da Sonae e da Soares da Costa é um caso de «moral hazard», como relata Honório Novo:
    • Efectivamente Belmiro, anda há muitos anos em dissonância cognitiva. Por um lado o Estado Central nega a posse de bancos, OPA à PT e agora a gestão do ASC. Por outro lado ele manifesta-se contra a Regionalização ou contra qualquer outra alternativa que altere o «status quo».
    • A posição da Soares da Costa neste filme é revelador do cínismo e do «lobby» do betão: Há uns anos esta empresa sacou do OGE uma expansão megalómana de fraca qualidade do ASC via Ludgero/Cardoso/Jorge Coelho/Guterres e agora propõe-se gerir o ASC.

É certo que a importancia do ASC me deveria fazer branquear o passado. Porém os erros estratégicos anteriores do poder económcio a Norte, cumplice habitual do Centralismo, AEP/Ludgero/ACP/AIMinho/Sonae/BPI/AICCOPN, continuam a manifestar-se ainda hoje. Efectivamente os privados andaram a baldar-se e agora invocam o desenvolvimento regional. Durantes decadas, foram ingénuos e cumplices com a Drenagem do território, a troco de negócios, incentivos, obras, juros bonificados, licenças administrativas. Agora, não grande tem credebilidade nem geram vaga de fundo da sociedade civil, claro está.

Sobrevalorizam o seu poder, julgando que por serem gigantes no nosso territorio também o são a nível nacional ou ibérico. Efectivamente não tem o peso político, económico, social que tem a mega região de Lisboa e seu bloco de interesses, «máfias», MSM, e população acéfala consumidora de propaganda. Não percebem que são David contra Golias. Desperdiçaram oportunidades de ganhar poder regional há 10 anos e agora é tarde. A gestão autónoma do ASC está condenada ao falanço e a prova disso é o contra ataque da artilharia pesada do Centralismo como revela António Maria a propósito do recente excesso de zelo alfandegário com turistas galegos no ASC:

Nada acontece por acaso! Eu, como alguns amigos galegos cultos e bem informados, temos a mesma teoria: sempre que a Galiza se aproxima de Portugal, alguém de Madrid ou de Lisboa, começa a provocar, e depois a sabotar. Desta vez, creio que as armadilhas estão a ser colocadas por gente do Terreiro do Paço (oriunda da nova loja sino-maçónica, envolvida na especulação da Portela, no assalto à ANA e na ocupação territorial das terras de Alcochete), e ainda por gente da Moncloa e do Palacio de Oriente, que detesta as teorias de Richard Florida sobre as mega-regiões, preferindo manter isolado o seu quintal galego. Porto, organiza-te!!

Resta-nos «damage control», exigir contrapartidas:

  • Direito à participação da JMP ou CCDRN na gestão privada da Ana;
  • CVE Porto-Minho-Vigo a passar no ASC via ramal de Leixões;
  • Muito importante: Reclamar o restabelecimento de algumas rotas TAP para principais aeroportoes europeus, Londres, Paris, Frankfurt em início e fim de dia de forma a permitir deslocações profissionais ao Norte num único dia de trabalho, sem ser por lowcost. Alternativamente, conceder uma taxa aeroportuária excepcional à BA, Luftanhsa ou AirFrance para o fazer.

PS1: Sugestão para as negociasções. Belmiro exigia o «write off» da toda a dívida para ficar com a gestão do ASC. Não poderá ser apenas parte da dívida. Isto é, não se poderá considerar que uma componente foi investimento público e que portanto não transita para os privados ? É que se Belmiro assumisse parte da dívida teria muito maior poder negocial. Depois até poderia revende-la fazendo um peditório pela região. Eu até era capaz de dar para tal.

PS2: Há cerca de 15 dias estive no ASC, na ala sul. A certa altura havia uma porta exterior aberta a cerca de de 20 metros de um difusor de calor. Não percebo nada disto, mas acho revelador de incopetenca na conceção do edifício.

PS3: Enquanto o trafego nos restantes aeroportos desce, no ASC continua a subir.

20081016

No sítio do costume

Não, não é o Pingo Doce. É o sector de dos Bens e Serviços Transaccionáveis em acção, no sítio do costume, isto é, a Norte:

Engenharia portuguesa chega à Volkswagen Navarra - A engenharia automóvel portuguesa já chegou a Espanha. O CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (Maia) acaba de estender a sua actuação à fábrica da Volkswagen em Pamplona para apoiar, para já com a presença directa de dois engenheiros, os processos de produção do Volkswagen Polo.

20081015

PIDDAC 2009: padrões usuais

Conclusões:

  • Os 100000 residentes no Alentejo Litoral recebem tanto como os 1,2 milhões de minhotos (Minho-Lima, Cávado, Ave);
  • Os algarvios recebem o dobro dos bracarenses (NUTS3 Cávado);
  • O Alentejo Central (Évora) recebe o dobro de Alto Trás Os Montes;
  • O 353 000 residentes do Oeste (Leiria) recebem mais do que o milhão de residentes no Douro, Tamega e Entre Douro e Vouga;
  • A penísula de Setúbal recebe 3 vezes mais do que que a sub-região do Tâmega;
  • O distrito do Porto litoral recebe 10 vezes mais do que o distrito do Porto interior;
Fonte: OE/PIDDAC 2009

20081014

Linha bi-bitola?

No Relatório e Contas da RAVE referente ao ano de 2006 pode ler-se, na página 19, o seguinte:

“Numa primeira fase, será construído de raiz um novo troço Braga-Valença, executado em bitola ibérica com travessas polivalentes, acautelando a posterior mudança de bitola que venha a ser decidido realizar conjuntamente com as autoridades espanholas, completado com a actual infra-estrutura Porto-Nine-Braga, valorizada ainda por intervenções a empreender no troço Contumil-Ermesinde e em Trofa;
Esta primeira fase deverá ter um horizonte de concretização compatível com o das restantes linhas prioritárias, devendo estar concluída até ao final de 2013;
Numa segunda fase e dependendo da evolução da procura e da taxa de utilização da capacidade da via existente, será concretizado o novo traçado entre o Aeroporto Sá Carneiro e Braga – cuja reserva do espaço canal estará garantida.”

O relatório de 2007 nada acrescenta nem retira ao anterior no que respeita à Linha Porto-Vigo. No entanto, hoje, no Público, podemos ler o seguinte:

“Em 2013, a viagem Porto-Braga, utilizando a linha actual com remodelações, demorará 33 minutos, enquanto o troço Braga-Valença-Vigo, em linha nova, será cumprido em 34 minutos, garantiu à Lusa Paulo Gomes, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, notando que é preciso ainda contar com "três ou quatro minutos" para a mudança de bitola em Braga, já que a linha nova não terá a mesma bitola que tem a actual linha.”

Ora é aqui que a bota não bate com a perdigota. A RAVE diz-nos que a linha é na fase inicial em bitola ibérica (mais larga) assente em travessas polivalentes e só depois, em sincronia com os espanhóis, será mudada para a bitola europeia (mais estreita). O vice da CCDRN diz-nos que não. Diz-nos que afinal o troço Braga-Vigo é logo em bitola europeia e que até vai haver em Braga um intercambiador de eixos para os comboios mudarem de bitola, daí a perda de “três ou quatro minutos”. Ou a RAVE mudou de ideias, ou então a RAVE e a CCDRN não estão a falar do mesmo projecto. Eu não sei. Mas gostava que uma delas, ou ambas, me esclarecessem. O que eu sei é que não ouvi dizer que os espanhóis tivessem mudado de ideias. Esclareça-me quem saiba.

Agora, o que eu também sei é que, caso seja como diz o vice da CCDRN, está provavelmente posta em causa a intenção da via ser mista, prevista para uma operação conjunta de passageiros e mercadorias, pelo menos durante a fase em que terá duas bitolas diferentes. Não estou a ver serem comprados dezenas, ou até centenas, de caríssimos vagões de eixos telescópicos para transporte de mercadorias, tanto por nós como pelos espanhóis, para serem utilizados durante a fase bi-bitola. Pior ainda, a operação de mudança de bitola de um longo comboio de mercadorias, aí com uns 500 metros, não levará apenas cerca de “três ou quatro minutos”. Consumirá bastante mais tempo, o que trará alguns problemas operacionais de conjugação de tráfego de passageiros e mercadorias. Mas enfim, manda quem pode. Mas eu gostava que me esclarecessem, lá isso gostava. Talvez o doutor Rio Fernandes, que nos momentos estratégicos cá vem informar-nos das excelsas intenções do governo, seja capaz de nos esclarecer.

APEPortugal e Partido da Emigração e Regiões

A APEportugal – Associação dos Portugueses no Estrangeiro é independente dos partidos políticos e das associações religiosas, não prosseguindo nem se associando aos interesses de uns e de outras, sem prejuízo de dialogar com todas as instituições que se preocupem com os direitos dos portugueses residentes no estrangeiro, com vista à realização do escopo social

A APEportugal manterá uma postura rigorosamente independente relativamente a todos os governos, sem prejuízo de cooperar com os que respeitem os direitos dos portugueses residentes no estrangeiro e de adoptar as acções que entender como adequadas à contestação das medidas que os prejudiquem.

A APEportugal - Associação dos Portugueses no Estrangeiro, que agora se forma, quer e vai constituir-se na alavanca que projectará os anseios legítimos desses Portugueses que vivem e labutam fora do território nacional. Funcionaremos como a verdadeira Associação de defesa dos Portugueses Emigrantes e ex-emigrantes.

Curiosamente esta associação tem objectivos idênticos ao «estatuto editorial» do Norteamos... Tudo isto para dizer que hoje me encontrei pessoalmente e brevemente com o presidente da APEPortugal, senhor José Morais e com o senhor Manuel Carrelo, dinamizador do Partido da Emigração e Regiões.

 

Como patinar o presidente da CM Porto mais submisso de sempre ao Estado Central ?

No Domingo passado, Rui Rio veio para o JN lamentar-se do governo Sócrates e do Centralismo. A incoerência e irresponsabilidade deste presidente de câmara é trágico para o Porto. O despertar tardio de Rio para a histórica dupla ética do Estado Central face ao Norte, significa que os portuenses elegeram um ingénuo para presidir ao nosso destino. O Porto e a AM são prejudicados porque tem à frente um político que adopta posições que colocam em causa as possibilidades de desenvolvimento regional e enrequecimento material e imaterial da população. Apenas 2 exemplos:

Durante os últimos anos andou sempre a reboque das posições públicas das forças vivas regionais, nomeadamente Rui Moreira, ACP, Blogosfera e comunicação social regionalista. A estratégia de não berrar contra Lisboa, porque ele próprio tenciona ir para lá, é inaceitável. Dentro do PSD de MFLeite cada vez tem menos poder. Ele próprio se caracteriza: «Acho, no entanto, que não é difícil de perceber que só nos tratam desta maneira, precisamente, porque também há cá gente que, comportando-se servilmente, não se dá, ela própria, ao respeito». É um «bluff» vergonhoso para o Porto. Como patinar o presidente da CM Porto mais submisso de sempre ao Estado Central ? Não sei. E isto é um grande problema.

 

 

20081013

Se eu fosse um geógrafo

Se eu fosse um geógrafo portuense filiado políticamente teria:

Porém eu sou um economista independente.

 

20081011

Resumo divertido e didáctico

Gato por lebre

«Algum tempo após a publicação do meu trabalho acima referido, tive conhecimento que o percurso espanhol entre Madrid e Badajoz, passando por Talavera, Cáceres e Mérida (actualmente com a extensão de 461 Km) deverá ficar mais comprido do que eu previa rondando, agora, os 430 Km; o que vem confirmar a ideia que os espanhóis não estão interessados na muito alta Velocidade, contentando-se - e bem - com a velocidade Elevada e que a Ministra do Fomento chamou de "altas prestaciones" para contento dos pacóvios de cá e de lá.»

Henrique Oliveira e Sá confirma neste texto, mais uma vez, aquilo que eu aqui já tinha alertado. Este facto vem tornar ainda mais imprescindível a ligação Porto-Braga-Vigo. Será a única via de ligação minimamente competitiva à rede ferroviária transeuropeia que restará a esta região.

António Alves

Ao cuidado dos imobiliários portuenses

O sector FIRE – Financials, Insurance e Real-Estate é o principal afectado pela contracção do crédito: WallStreetJournal: «Businesses are dumping office space at the fastest pace since the months after the Sept. 11 attacks, increasing the financial stress on commercial-real-estate owners and their lenders, many of them already ailing financial institutions».

O governo Sócrates, e bem, aprova Plano de Gestão de Imóveis que consagra o pagamento de rendas pelos serviços públicos. «Visa optimizar a utilização dos espaços ocupados pelos serviços do Estado no que diz respeito a custos e ocupação de espaços, levando em linha de conta as perspectivas de evolução do mercado imobiliário»

Ora, há aqui uma oportunidade para todos os portuenses de alguma forma ligados ao sector imobiliário: Captar para o Porto, AMPorto ou Norte, unidades organicas/departamentos da Administração Central.

Exemplos passados:

  • API
  • INE
  • Centro Português de Fotografia

Exemplos de organismos/departamentos de caracter nacional sediados no Porto

Exemplo de iniciativa idêntica em Castelo Branco: Até final do ano, entrará em funcionamento o único Contact Center nacional da Segurança Social.

A isto chama-se Desconcentração da Administração Pública (os serviços continuam na dependência de uma hirearquia central, mas estão territorialmente espalhados pelo território nacional). Cria empregos e actividade económica fora de Lisboa. Isto também se chama Capitalismo (operadores imobiliários regionais a mobilizarem-se para captar novos clientes).

PS: Este post é especialmente dedicados aos «bloggers» TAF, Rocha Antunes, Pedro M Simões e Carlos Ferraz, pelos contactos profissionais que tem e pela preferência que demonstram em colaborar no desenvolvimento regional via actividade profissional.

20081008

Défice e Divida Externa

Será que com esta crise financeira mundial, que encontra um Portugal (leia-se famílias e governo) fortemente endividado e com um défice da balança de pagamentos de 10% do PIB (leia-se "os portugueses consomem mais do que produzem"), o problema do défice e dívida externa vão finalmente passar a estar na agenda política?

Até quando vai o país tentar manter um nível de vida artificial através do crédito? É que nos EUA isso não resultou e a "almofada" de pertencermos ao Euro não vai durar para sempre.

Ministro da Ciência desafia Toshiba a criar parceria com Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia

"O Ministro da Ciência e Tecnologia propôs hoje à Toshiba a criação de uma parceria com Portugal e Espanha no desenvolvimento do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em construção em Braga, que deverá estar operacional no próximo ano.

Mariano Gago afirmou que Portugal e Espanha estão a operar conjuntamente no desenvolvimento daquele que será "certamente o maior laboratório da Europa e um dos maiores do mundo" nesta área e frisou que está aberto à participação de outros países e empresas.
"Portugal e Espanha quiseram que [este laboratório] fosse, por tratado, uma organização internacional, sujeita ao direito internacional e aberta à participação de outros países e empresas a partir do momento em que estiver construído e operacional", disse o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

O governante adiantou ainda que "há contactos que estão a ser desenvolvidos com grandes empresas que têm capacidade de investigação no domínio da nanotecnologia". - Lusa

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