20080408

Nanotecnologias no Minho

Os Cientistas do mundo do invisível também falam português. Ferramentas e técnicas não observáveis a olho nu estão a invadir os dispositivos médicos, a electrónica, o têxtil, o automóvel, a energia, a embalagem e a cerâmica. A Universidade do Minho é um dos pólos de vanguarda na área dos materiais do futuro.

Com o lançamento da primeira pedra do futuro Laboratório Internacional de Nanotecnologia no centro de Braga, aquando da última cimeira luso-espanhola agora em Janeiro, o novo palavrão técnico começou a ter honras nos "media".

Nanotecnologias significa técnicas e ferramentas a uma escala nano (mil milhões mais pequena que a unidade de medida, o metro), que, é claro, não se vê, a olho nu - cerca de novecentas vezes mais pequena que um cabelo humano!

Algo inimaginável para o cidadão comum, mas a que as gerações do século XXI se irão familiarizar em áreas tão distintas como os dispositivos biomédicos, os tecidos inteligentes, os novos revestimentos cerâmicos, os novos materiais para o automóvel, novos processadores para a informática, um novo tipo de painéis solares com células ultra-flexíveis, a simples embalagem ultrafina ou a obtenção de energia a partir de diferenças de temperatura que, por exemplo, alimentem o seu relógio de pulso.

É uma área emergente em Portugal no investimento de projectos envolvendo cientistas e algumas empresas, e despoletando inclusive a criação de "spin-offs" de investigadores e alunos de doutoramento. A Universidade do Minho (UM) é uma das traves desta nova estratégia, prevendo um investimento total entre 2005 e 2008 na ordem dos 16 milhões de euros em projectos já em curso, refere-nos Manuel Mota, um dos históricos da biotecnologia portuguesa, vice-reitor desta universidade que tem um desenho bicéfalo, com dois "campus", um em Braga e outro em Guimarães.

Fertilização cruzada

A atracção pela nanotecnologia está a provocar um 'casamento' duradouro entre físicos e químicos, e a permitir a áreas como a microelectrónica, a biotecnologia ou a ciência dos polímeros migrar para novas oportunidades de investigação científica e aplicações empresariais. Os cientistas chamam-lhe "fertilização cruzada" entre diferentes abordagens, o que leva o físico João Pedro Alpuim, de 50 anos, um dos envolvidos numa nova geração de células fotovoltaicas que se podem dobrar com os dedos, a acreditar, entusiasmado, "na hipótese de tecnologias disruptivas", que, como o próprio nome indica, provocarão uma nova revolução tecnológica.

Por isso, abundam, naturalmente nos corredores da academia e de algumas empresas mais ousadas, os "projectos futuristas mas não de ficção" - como frisa José António Covas, de 51 anos, um especialista do Instituto de Polímeros e Compósitos, envolvido em projectos que vão desde as fibras têxteis "carregadas de tecnologia" a materiais nanoestruturados aplicáveis eventualmente aos aviões-espiões, o que é matéria classificada.

Tal como a genómica ou a clonagem humanas, esta é uma das áreas que está a empolgar a comunidade científica particularmente ligada à indústria. O físico Mikail Vasilevskiy, de 47 anos, um russo radicado há 11 anos na UM, chama a atenção para um dos materiais "invisíveis" recentemente descobertos, o grafeno (ver caixa), isolado a partir da grafite.

Dos nanotubos às nanomalas

Uma das áreas de aplicação destas tecnologias do invisível mais em destaque hoje em dia é a biomedicina.

José Higino Correia, de 43 anos, um especialista em microelectrónica industrial, na vanguarda da criação de dispositivos (com o formato de uma touca de banho ou de um boné) com eléctrodos para analisar as ondas cerebrais, vai 'fabricar', com colegas do Porto e de Espanha, um micro-sistema neuronal com nanotubos de carbono que possa ser implantado no cérebro sem riscos e sem grande aparato externo (ver fotografia). A aplicação no diagnóstico e monitorização de doenças neurodegenerativas (por exemplo, Parkinson, epilepsia e Alzheimer) é óbvia.

Por seu lado, o biotecnólogo Miguel Gama, de 44 anos, espera, a partir de celulose produzida por bactérias (diferente da celulose vegetal, usada na fabricação de papel), criar vasos sanguíneos artificiais, de baixo calibre, que estarão em testes em animais em 2009.

Finalmente, Rui Reis, de 40 anos, desenvolve com a sua equipa o que ele chama, por piada, de "malas", uma espécie de nanopartículas injectáveis no corpo do paciente, carregadas com um determinado fármaco, que "só se abrem, como uma mala, e descarregam o que levam, quando encontram o alvo".

Por Jorge Nascimento Rodrigues.

20080407

Leituras 20080407

·         Evidências de «Concessionismos»:  «Câmara do Porto: concurso polémico faz tremer coligação PSD/CDS, em particular na concessão para o tratamento do lixo da cidade»;

·         Jaime Silva acusa centralistas: Ministro com dificuldades em reduzir o número de funcionários do ministério da Agricultura. Nada de novo...

·         Bial (Trofa) 'obrigada' a vender negócio em Espanha; Álvaro Portela, muito condescendente com Centralismo, ficará agora mais livre ?

·         Tribunal decreta insolvência de Plataforma Minho- Associação de Desenvolvimento Regional: As associações de municípios, com múltiplos vértices, acabam por falhar. Mais um argumento para fundir Autarquias...

·         Governo lança em Abril concursos públicos para 4 barragens no Alto Tâmega: Mais PPP, mais «Colonialismo». Alguem da região irá lucrar, caro Vitor Pimenta ?

·         Ryanair no Centro e em Beja. Todos perceberemos o que significa a ausência da Ryanair em Bragança;

·         Instituto 3Bs (Guimarães), liderado pelo portuense Rui Reis, publica na Science.

Pessoas do Norte


20080405

Fora do tópico do Norteamos: Ataque dos EUA ao Irão

Pelas implicações que terá, se ocorrer, optei pela publicação no Norteamos. Funciona como alerta a todos cuja actividade profissional esteja relacionado com os mercados financeiros ou de mercadorias ou o desempenho da economia mundial: Former Chief Inspector of the UN Commission on Iraq Scott Ritter has claimed that there is an 80 percent chance of a US war with Iran.

Crónicas das «Máfias» do Centralismo 4: O caso das PPP rodoviárias/SCUT

·         Helena Garrido, Jornal Negócios: Regressaram as grandes obras públicas. Ponte, grande velocidade em comboio, aeroporto e estradas prometem, no mínimo, investimento em betão da ordem dos 20,5 mil milhões de euros, qualquer coisa como 12,5% do valor dos bens e serviços produzidos o ano passado em Portugal. (...) A tradução do investimento em mais crescimento potencial é mais certo nas barragens, mais incerto nas estradas, aeroporto e TGV por depender, nestes últimos casos, da capacidade de construir uma rede ajustada às necessidades. É aqui que a perspectiva é preocupante, face ao longo passado de ineficácia e às declarações que já se começam a ouvir;

·         Jorge Coelho na portuense-lisboeta Mota-Engil; «Jorge Coelho está a dias de se tornar presidente da maior construtora portuguesa, empresa com que negociou, enquanto ministro, concessões superiores a mil milhões de euros. João Cravinho, também ex-ministro das Obras Públicas do PS, sem querer particularizar o caso, considera intolerável que quem define parcerias com privadas vá depois gerir esses interesses». 1ª página do Expresso de hoje.

·         O Tribunal de Contas divulgou na sexta feira um relatório demolidor: as parcerias público-privadas no sector rodoviário têm servido apenas para contornar dificuldades orçamentais; o Estado não percebe do negócio, pouco aprendeu nos últimos dez anos e mantém-se refém das consultoras. Além disso, não avalia nem as concessionárias, nem as parcerias e lança-as mais por critérios políticos do que económicos.

·         «Num país com complexo de pequenez joga-se grande nas amostras de modernidade que contrariem os indicadores medianos, sobretudo no Livro dos Recordes. E Lisboa não tarda nada em afirmar-se no Guiness como a capital com mais pontes com mais de 10 km, com ou sem feijoada.» Vitor Pimenta, O Mal Maior;

·         «Amigo de ouvido atento alerta-me para o seguinte facto, relatado por estes dias no Rádio Clube Português Lisboa é a região europeia com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Vale a pena repetir: Lisboa é, no conjunto dos 27 países da União Europeia (UE), a região com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Que orgulho para Lisboa!» Paulo Ferreira, JN 20080402;

·         Depois do Aeroporto de Alcochete - 5.000 milhões de euros; a preços de 2007 - segue-se agora a nova ponte Chelas-Barreiro - 1700 milhões de euros. Não restam dúvidas! A grande "vantagem" de Portugal não estar dividido em regiões é que assim é possível continuar a fazerem-se mega-investimentos sempre no mesmo sítio ... por acaso na região, de muito longe, a mais rica de Portugal.

Conclusão: Nada de novo. Porém, na minha opinião, devemos ter uma atitude cristã, de dar a face, e não reivindicar a repetição destes erros a Norte. Por isso defendo o fim das SCUTs em Portugal e a aplicação de um modelo coerente nas portagens de auto-estradas. Só assim teremos credibilidade moral para os criticar e cedo ou tarde os «depor» da gorvernação de Portugal. Já faltou mais...

 

20080404

A Mota-Engil vota no PS

Jorge Coelho vai assumir a presidência executiva da construtora portuense Mota-Engil. Até aqui nada de novo. É prática corrente. A única novidade é a aposta forte da Mota na continuidade do PS à frente do governo. Eles acreditam que vai ser Sócrates e companhia a distribuir os milhões que se anunciam em sacrossanto betão pelo menos nos próximos 5 anos.

Vários tiros de partida na sucessão de Sócrates e Menezes

O FIM DOS DISTRITOS?

Instituídos a 25 de Abril de 1835, os distritos são uma criação do Liberalismo, inspirada nos “départements” franceses, com o objectivo de «facilitar a acção do governo e fazê-la chegar a todos os pontos da monarquia (…) e proporcionar aos cidadãos o recurso cómodo às autoridades» (Luís Silveira, Território e Poder, Patrimonia Historica, 1997). Os princípios e os critérios adoptados para a sua delimitação, tributários da proposta de divisão do reino em 17 comarcas, de 1827, foram o equilíbrio entre a extensão e a população das circunscrições e as características físicas que condicionavam as comunicações no seu interior.
A sua história é marcada por uma grande estabilidade do mapa original (apenas foi criado um novo distrito, o de Setúbal, em 1926) e do papel que sempre desempenharam no sistema político nacional: o de representação política do governo junto das populações e o de base das circunscrições eleitorais e das organizações partidárias. E talvez seja esta a explicação para a sua longevidade, uma vez que revelaram sempre uma invulgar capacidade de resistência às inúmeras tentativas de extinção, veiculadas por diferentes governos e regimes.
Nos últimos anos, a questão tem sido evocada por várias vezes. O anterior governo prometeu acabar com eles, uma vez que, como afirmava o Secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, «a divisão do país em distritos está completamente desajustada das novas realidades territoriais» e que estes «servem apenas para eleger deputados e para justificar a existência de governadores civis». O atual governo, mesmo sem falar do assunto, propõe a adopção de um modelo coerente para a administração desconcentrada do Estado, em torno das cinco regiões-plano e das chamadas NUT III (Nomenclatura de Unidades Territoriais). E passando das palavras aos actos, vai impondo este novo modelo de organização territorial nas diversas áreas, como a gestão do QREN, o associativismo municipal ou a organização do sistema judicial.
No caso da Região Norte, esta reforma vai ter repercussões importantes. Com a excepção do distrito de Viana do Castelo, cujos municípios vão integrar a unidade territorial Minho-Lima, todos os outros serão desagregados, passando os seus municípios a integrar 2 ou mais das novas unidades territoriais: Braga (Cávado e Ave); Porto (Área Metropolitana do Porto e Tâmega); Vila Real (Douro e Trás-os-Montes); e Bragança (Douro e Trás-os-Montes. O impacto será também significativo nos distritos de fronteira, em particular nos distritos de Aveiro e de Viseu, sendo que uma parte dos municípios do primeiro vão passar para a Área Metropolitana do Porto e dos segundos para a NUT III Douro.
Polémicas à parte, é indiscutível que a actual divisão distrital já não está ajustada à realidade territorial, demográfica e económica do país e não cumpre os seus objectivos e a sua missão original. Acresce que Portugal não pode continuar enredado neste emaranhado de divisões administrativas que fazem com que, por exemplo, um cidadão de Resende se tenha de deslocar a uma meia dúzia de locais para resolver os seus problemas com a administração pública. Urge, pois, adoptar um novo modelo de organização e de administração do território: homogéneo, coerente e funcional. Mas responderá este novo modelo a esse desafio?
Em princípio, sim. Mas convém chamar a atenção, desde já, para alguns aspectos que me parecem críticos para a sua implementação e o seu sucesso.
Em primeiro lugar, importa garantir que esta não seja mais uma divisão administrativa a acrescentar às muitas outras já existentes no país. O que implica que todos os ministérios passem a adoptar este modelo e que haja coragem para acabar de vez com os distritos e com a matriz político-administrativa que os suporta, instituindo novos círculos eleitorais e desafiando os partidos a substituir a sua organização distrital por uma outra baseada nas novas unidades territoriais.
Em segundo lugar, o mapa das NUT III revela algumas incongruências e aponta para dificuldades sérias na gestão dos inúmeros serviços públicos. Com efeito, o novo modelo, para além de desequilibrado do ponto de vista demográfico (a AM do Porto terá mais de 1,5 milhões de habitantes, enquanto Trás-os-Montes pouco mais de 220 mil), implica, por exemplo, que a população de Vila Nova de Foz Côa, habituada a deslocar-se à sua capital de distrito, a Guarda, passe a relacionar-se com Vila Real. Ora, esta alteração conduz a um aumento considerável da distância e sobretudo do tempo de acesso ao respectivo centro administrativo, o que não deixará de provocar reacções e contestações justificadas. Importa, pois, como aconteceu com o mapa judicial, prever a criação de circunscrições operacionais que permitam minorar situações como esta, ajustando a administração ao território.
Finalmente, em terceiro lugar, esta reforma só faz sentido se prenunciar uma efectiva descentralização e, complementarmente, a criação de regiões administrativas, com base nas actuais áreas de intervenção das Comissões de Coordenação e de Desenvolvimento Regional. Como tal parece ser o caso, cumpra-se então o anunciado no programa do governo, dotando estas instituições de competências substantivas na concertação estratégica e na coordenação das políticas e serviços sectoriais à escala regional. O País e o Norte agradecem.

20080403

O que revela a recente inauguração no Porto de Leixões





Revela que o Norte anda a dormir. FRANCISCO CARBALLO-CRUZ já o explicou aqui. Continuando com referências galegas, que o Norte tanto gosta de se comparar, gostaria de perguntar aos senhores do cluster da «Economia do Mar» da UP se consideram ou não o Porto de Leixões um elemento importante dessa política. É que na Galiza, que fabrica desde barcos de recreio até porta-aviões e exporta Pescanovas, de certeza que a evolução estratégica dos portos não é ignorada. Há realismo ou credibilidade em propor uma «Economia do Mar» quando assuntos básicos como a intermodalidade logística associada ao Porto de Leixões não avança ? Provas:



Os «Economistas do Mar» podem argumentar que são apenas «consultores» e não políticos ou empresários. OK. Para isso, então basta escrever em blogues como eu o faço. Falando em políticos, noto recentemente uma grande azáfama de Sócrates e PS a Norte. É esta inauguração sem significado no Porto de Leixões, é o «Douro Alliance», o investimento em Ponte de Lima, são os eleogios de Sócrates ao vale do Ave, o comicio no Porto. Porque andará Sócrates tão preocupado com o Norte quando no início nos desprezava ? Porque razão o PS Porto anda tão agitado, com tanta movimentação de Narcisos, Baptistas, Elisas, AcreditarenoNorte.com ou até mesmo a compra de clicks pelo blogue VimaraperesPorto para aumentar artificialmente as suas audiências ? Será apenas as eleições internas na distrital do Porto ou será que o PS já percebeu que vai ter uma derrota humilhante a Norte em 2009 ? E o que tem isso a ver com o regresso do D.Sebastião ? Será que Sócrates já percebeu que o mesmo golpe palaciano-mediático que ceifou Santana em 2004 lhe pode agora acontecer a ele próprio (algo até fácil de implementar, digo eu) ? Questões para abordar proximamente.

portofobia

O jornal gratuito Global Notícias publicou hoje na secção Cartas dos Leitores este texto dum tal A. R. Pereira.


Educação no Norte
■■■ “Quero deixar a minha
opinião sobre o caso
do taxista alcoolizado que
atropelou quatro crianças
no Porto e de seguida pôs-se
em fuga. Eu faria o
mesmo! Já é sabido que
no Norte levanta-se a mão
e abre-se a goela com a
mesma facilidade com
que se respira e, num local
como aquele, no Porto,
o condutor teria sido
insultado e a sua viatura
agredida pelos populares.
Fariam, talvez até pior se
ele ali assumisse o erro e
ficasse.Estes actos disparatados
a que o Norte já
nos vem habituando mancham
o nome do nosso
Portugal.Eu sugeria investirem
em cursos de ‘como
viver em sociedade’. Temos
que saber ouvir e calar
de vez em quando, porém,
nem as notícias que
recebemos das escolas do
Norte são incentivo para
se leccionar lá.”

A.R. PEREIRA

Em resposta escrevi eu próprio o texto que se segue. Espero que tenham a hombridade de o publicar com o mesmo destaque.

O leitor A. R. Pereira na edição de ontem, num discurso claramente preconceituoso e regional xenófobo, veio dizer-nos que, se tivesse acontecido com ele, teria o mesmo comportamento cobarde e criminoso do taxista alcoolizado que no Porto atropelou um grupo de crianças e fugiu. Segundo este leitor, a sua atitude justificar-se-ia pela suposta tradicional e generalizada tendência dos nortenhos em “levantar a mão e abrir a goela”; tendência, que ele considera uma vergonha nacional. Recomenda-nos a ainda o leitor A. R. Pereira que tiremos cursos de como ‘viver em sociedade’, embora ele julgue que as nossas escolas, pelas notícias que lhe chegam, não sejam próprias para isso.

Caro senhor Pereira, por muito que a realidade mediática pretenda fazer parecer o contrário, os dados oficiais dizem-nos que a criminalidade grave e violenta é muito mais elevada na região de Lisboa, que é lá que estão as escolas mais violentas, que é lá que os revisores dos comboios suburbanos têm que andar acompanhados por polícias, coisa que no Porto não ocorre existindo mesmos várias raparigas a desempenhar essa profissão, algo impossível na região de Lisboa. É também no Cacém que muitos moradores dizem nas páginas dos jornais que só saem à rua armados.

Estas manifestações de portofobia, que resvalam frequentemente para o insulto gratuito, derivadas de muito ressentimento futebolístico, são cada vez mais frequentes, alimentadas por muita comunicação social, e só envergonham quem as profere. A propósito: vergonha nacional é a continuada exploração sexual dos jovens carentes da Casa Pia (a ex-provedora Catalina Pestana garante-o) e o julgamento interminável deste caso que corre nos tribunais sem fim à vista onde já se percepciona que vai acabar num absolvimento geral com a excepção dos tradicionais dois ou três bodes expiatórios de importância menor. Vergonha também é termos uma capital cuja edilidade se revelou a mais corrupta, a mais esbanjadora e a mais desorganizada das autarquias. Isto apesar do sistema mediático nos ter andado a vender anos a fio a tese da corrupção das autarquias do Norte. Enfim, este país é dirigido há séculos por oligarquias sediadas no Sul. O resultado não se recomenda. Será uma questão de educação?

António Alves

Um país dois sistemas

"Enquanto em todos os países os governantes incentivam o espírito de iniciativa, colocando a criação de novas pequenas empresas no topo das prioridades, em Portugal faz-se o contrário. Há um excesso de pequenas empresas que devem cessar a actividade. E se elas não forem capazes de se extinguir por si próprias, o Estado dá a ajuda que for necessária. Como não existe uma arbitragem isenta por parte do Estado, os maiores operadores vão crescendo, retirando espaço e esvaziando o papel dos pequenos agentes. Na nossa lógica dos dois sistemas, há um que abriga o grande sector público, o sector parapúblico com uma dimensão considerável, e um número reduzido de grandes operadores, e há outro que fustiga as pequenas empresas e a iniciativa individual."

Ler o resto no vida económica, excelente jornal sobre economia feito a partir do Porto, cuja leitura recomendo vivamente. A lógica abordada neste artigo pode ser aplicada a quase tudo na vida sócio-económica portuguesa.

20080402

Banha da Cobra Neo-Liberal

A crise financeira ocidental motivada por excesso de dívida é séria. Claro que não é o fim do Capitalismo. Mas ele foi drasticamente alterado nos últimos 10 dias, como refere textualmente o WSJournal. Exemplo, a radical fusão do equivalente nos EUA ao Banco de Portugal + CMVM + Instituto de Seguros de Portugal. Falta saber se a FED será nacionalizada, dado que neste momento é privada...

Na minha opinião, o Neo-Liberalismo, é uma ideologia «comercial» inventada com o propósito de levar os eleitores a aceitarem a desregulamentação económica e financeira, aberturas de mercados, privatizações e PPP. Inevitavelmente beneficou uns mais do que os outros. Houve uma aumento do desvio padrão na distribuição da riqueza e poder sem corresponder necessariamento ao aumento da média. Apesar de toda a defesa da concorrência e mercado, o certo é que no mundo ocidental, nas últimas décadas, não se viveu em estruturas micro-económicas de concorrência perfeita, nem mesmo imperfeita, mas sim oligopólio, manipulando-se as vontades dos Estados. No sistema financeiro americano ou no episódio do BCP, quando a situação piora, os privados em vez irem à falência, são salvos pelo Estado/contribuintes, como descreve aqui o editor da CNN. Esta é a morte do Neo-liberalismo, porque todos percebem que é falacioso. O Capitalismo sobrevive. Os Libertários passam a ter mais popularidade, destacando aqui o blogger CN, o verdadeiro e quase único Liberal Português que reconheço coerência (já agora, um portuense radicado em Lisboa). Também sobrevirá uma Social-Democracia realista que não defenderá regalias sociais nem paternalismos impossíveis, nem tolerará a pirataria dos mais fortes. O caminho passará por muito mais maturidade, com um Estado Regulador, sem ajudas aos candidatos a monopolsitas privados mascaradas de privatizações, PPP ou «Concecionismos» à Rio... Estranhava há dias o silêncio da Blogosfera liberal nortenha sobre estes ventos que sopram do outro lado do Atlântico. Exceptuando Ricardo Arroja, os ditos, continuam entretidos com bizantinices tibetanas, a assobiar para o ar ou a negarem as evidências. Cronicamente é uma direita inadaptada à realidade... Va lá, ao menos, alguns deles vão defendendo a Regionalização...

O que tem isto a ver com o Norte ? É que está em curso a montagem de uma grandiosa campanha de venda de Banha da Cobra Neo-Liberal, em que o principal mercado seremos nós. Esta explicação fica para artigos seguintes.

Poder de compra de Lisboa é 3 vezes superior ao do Porto

20080401

Corrupção, a Al-Jazira, Lisboa ou uma boa jornada de propaganda do Zé Sá Fernandes?

Universidade do Minho em adptação

Parece que os tempos do campo de golfe em Azurem ficaram para trás. A UMINHO, Escola de Engenharia, analisa como se organizar e responder aos desafios do futuro: A discussão das propostas na Workshop 2 da Escola de Engenharia

A propósito da discussão ocorrida na passada sexta feira das duas moções em causa, uma delas, “Uma Escola ao serviço da Sociedade”, que vou referir como proposta B, da minha autoria e do colega Fernando Castro e a outra de A. Cunha (que refiro como proposta A), ocorrem-me algumas achegas a questões que ficaram talvez por explicar. Será também esta uma forma de divulgar junto dos colegas que visitem este blog e que não estiveram presentes na sessão o nosso ponto de vista sobre alguns dos aspectos das propostas e algumas sugestões (minhas) sobre a materialização das nossas ideias em projectos concretos (Associação de Centros/Departamentos).

1ª Projectos de Ensino.

Pareceu-nos que a este aspecto foi dada mais importância que seria de prever pela proposta A, uma vez que nem o RJIES refere qualquer alteração nesta área, nem a comunidade universitária mostrou interesse em tocar neste assunto, talvez até porque muito recentemente foram alterados, fundados e extintos cursos, quando da adaptação ao processo de Bolonha.

Pareceu-nos que a razão está no que vem a seguir, com o objectivo final de responder ao que está previsto como conclusão de todo este processo, que se prende com a nova orgânica das Unidades Orgânicas: Os “novos” Departamentos e Centros de Investigação. Foi referido logo na primeira WS que a Escola de Engenharia está muito fragmentada e por isso seria recomendável aproveitar os novos estatutos para fundir Departamentos e/ou Centros. Pareceu-nos que a proposta A justifica a associação de Departamentos na óptica dos projectos de Ensino, por isso deu tanta importância a este tema.

Para nós, da proposta B, esta via de associação de Departamentos peca por ser pouco diferente daquilo que já se faz pontualmente nos Conselhos de Cursos há muitos anos, e agora mais intensamente através dos projectos integrados pós-Bolonha.

Também não faz sentido que Departamentos tão diferentes como o DPS (Produção e Sistemas) estejam juntos com Departamentos que fazem maioritariamente Investigação em Materiais. Faria, por exemplo, muito mais sentido juntar o Departamento de Engenharia Civil com os outros departamentos de Engenharia que fazem I&D nesta área (Polímeros, Têxtil, Mecânica).

2º Investigação e Parcerias

O ECDU e agora o RJIES estão muito mais virados por uma Associação segundo Áreas do Saber, o ECDU com os grupos disciplinares e o RJIES com a relevância que dá aos Centros em detrimento dos Departamentos (vistos segundo uma óptica de Ensino) concedendo só aos primeiros representação no Conselho Científico.

Os Departamentos serão sub-unidades da Escola, tendo como responsáveis uma espécie de Vice-Reitores, à Escala da Unidade Orgânica, que serão delegados do Presidente da Escola, com funções “meramente” executivas mas não deliberativas. Será uma gestão “top-down” sem qualquer forma de um departamento exprimir o seu voto num Conselho deliberativo, uma vez que tal Conselho não existe.

Nós defendemos uma Associação de Centros/Departamentos, uma vez que defendemos também que uns e outros devem ser tendencialmente coincidentes, em áreas do saber.

Passadas 48 horas desde o debate e deixar alguns colegas insatisfeitos, e antevendo a proposta A de novos departamentos baseados nos clusters sugeridos, atrevo-me a deixar esta sugestão alternativa baseando-me nos princípios já referidos de associação de Centros/Departamentos que abrangem as actuais Áreas do Saber.

·         DEM-Departamento de Engenharia de Materiais (DEP,DET,DEM, DEC)

·         DEPSIE-Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas de Informação e de Electrónica (DPS, DSI, DEI)

·         DI-Departamento de Informática (DI)

No caso dos Materiais, a associação já foi referida na proposta B como sendo natural. No caso do agora designado DEPSIE, esta Associação de departamentos até já funciona, como Centro de Investigação, o Centro Algoritmi.

O caso do Departamento de Engenharia Biológica deixar-se-ia ao critério das Unidades Orgânicas (Escolas de Engenharia e e da Assembleia Estatutária de ficar como departamento independente sob a alçada da Escola de Engenharia, ou como um Departamento Autónomo ou Associado à Escola de Engenharia a uma outra Escola (Ciências).

O Departamento de Informática poderia ser autónomo, dependendo também da decisão da Unidade Orgânica e da Assembleia Estatutária.

Estes dois departamentos, sedeados em Braga, lucrariam com uma Associação às Unidades Orgânicas daquele Campus. Para os departamentos maioritariamente sedeados em Guimarães, já não justifica, quanto a mim, essa associação.

Quanto ao Departamento Autónomo de Arquitectura, só depende deles, já que há uma proximidade geográfica e sinergias podem ser criadas nomeadamente nas áreas mencionadas pela proposta A, que não nego possam ser interessantes.

Quanto aos Centros, conforme a nossa opinião de coincidência entre estas duas entidades, criar-se-iam respectivamente: o Centro de Materiais, que seria uma associação dos Centros FCT inseridos nos departamentos respectivos, com excepções de centros já com alguma identidade própria, tal como os 3B (só a título de exemplo), o CEPSIE (ex-Algoritni) e os Centros dos Departamentos de Informática e do de Engenharia Biológica manter-se-iam, tal como estão, por já haver uma coincidência entre Departamentos e Centros.

3º Interfaces

É notória a diferença entre as duas propostas também nesta área. A proposta A quer deixar tudo na mesma, com a ligação à Indústria e ao exterior a fazer-se através da Tecminho. Nós por outro lado, não advogando o fim da Tecminho, que teria a seu cargo áreas mais abrangentes, tais como o gabinete de patentes, GAPI, e a formação em áreas não abrangidas pela Escola de Engenharia, sugerimos uma outra interface dedicada à Transferência de Tecnologia e Formação na área da Engenharia. Esta Interface faria a coordenação das interfaces existentes no seio da Engenharia e de outras que seriam formadas noutras áreas relevantes para a indústria. Dar-se-ia assim um novo impacto a esta área tão relevante para a Escola e para a Universidade, e que é uma parte importante do nosso lema “Uma Universidade ao Serviço da Sociedade” .

Leituras recomendadas