20080213

da incompetência



Existe um fenómeno muito estudado em psicologia que se chama "projecção". Quando fracassamos, quando somos incompetentes, a tendência é projectarmos a culpa nos outros. Desse modo a nossa "dissonância cognitiva" será menor. No caso presente, além disso, também existe a estratégia declarada de culpar sempre os mesmos.

20080212

Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua

Completa-se hoje um ano sobre uma das mais negras horas da Linha do Tua: a 12 de Fevereiro de 2007, uma fatalidade fez com que a automotora Bruxelas fosse arrastada para as águas do Tua, levando a vida a três pessoas e ferindo outras duas. Foi o segundo acidente mortal em 120 anos de História da Linha do Tua.

Um ano depois a contestação contra a construção de uma barragem na Foz do Tua nunca foi tão grande, nem a incoerência dos intervenientes com poder governativo tão gritante face ao crescente número de entidades que sublinham o seu NÃO a tão grave atentado.

Se por um lado a REFER tem vindo a investir, e prevê ainda mais investimento para o reforço da segurança e condições de exploração da Linha do Tua, a CP vem agora finalmente abrir a Linha do Tua a uma mais ampla exploração turística.

O ICN – Instituto de Conservação da Natureza refere explicitamente que não se deve construir barragens na foz de um rio, a CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional tece críticas a este plano nacional de barragens, o IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico refere que o levantamento do Património foi feito apenas no papel, a APPI – Associação Portuguesa do Património Industrial, representante em Portugal do organismo internacional consultor da UNESCO, aponta a destruição da Linha do Tua por uma possível barragem como um dos mais graves atentados ao património português.

A situação actual do Vale e da Linha do Tua é insustentável. De uma forma pouco clara, ilegal, e com uma celeridade nunca antes vista em processos deste tipo em nenhum outro país da União Europeia, aprova-se uma barragem sem referir os seus efeitos nefastos, e atribui-se um direito de preferência de construção à EDP. Defendem do Governo que é em prol das energias renováveis e limpas: todo o pacote de 10 novas barragens contribuirá para nada menos que 1% de redução de emissão de gases de efeito de estufa, e sendo que a retenção de grandes massas de água só vem contribuir para o seu aumento. E isto num país como Portugal, abençoado com vento e sol durante todo o ano; nem os parques eólicos nem os de painéis solares fotovoltaicos acarretam consigo os efeitos negativos das grandes barragens. Refira-se ainda a rápida e dramática erosão da nossa costa, que será agravada com a retenção de inertes a montante nos rios, presos pelas barragens.

Por seu lado, o Ministério do Ambiente gere as suas competências através da lógica do menos mal: Nunes Correia vem a público referir que uma barragem no Tua "não terá um impacto muito expressivo" já que "não estão em causa povoações com centenas de habitantes". Já Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, refere que "os benefícios sociais da construção de uma barragem serão superiores", inaugurando em 150 anos de História dos Caminhos-de-Ferro Portugueses a justificação da destruição de uma via-férrea como de "interesse público".

Perguntamos a estes governantes, pelo singular conteúdo das suas afirmações trazidas a público, se realmente conhecem algum aspecto sobre o que estão a falar, e que deveriam conhecer a fundo.

Ajudamos ainda a senhora Secretária de Estado Ana Paula Vitorino a enumerar os benefícios sociais que certamente queria referir:

· Destruição do último caminho-de-ferro do distrito de Bragança, o pior de todos em níveis de transportes públicos e mobilidade dos seus habitantes. Por conseguinte, acaba com o transporte de milhares de passageiros por ano, repartido pelas crianças em idade escolar e idosos que do comboio dependem para as suas deslocações, e de turistas que todos os anos vêm conhecer o Vale do Tua, vindos do Douro – com a reabertura da Linha do Douro à Espanha, o número de turistas irá aumentar de forma imprecedível, sendo um autêntico motor do turismo e comércio de cidades como Mirandela;

· Destruição de vinha de produção de Vinho do Douro directamente por submersão, e indirectamente por uma área mais vasta com o aumento dos níveis de humidade, calor e gases com efeito de estufa;

· Destruição das Caldas de Carlão e de São Lourenço;

· Criação nula de postos de trabalho. Enquanto durar a construção da barragem, esta será maioritariamente suportada por mão-de-obra que não é local, finda a qual desaparecerão da zona. A conservação e gestão da barragem é feita por uma equipa de técnicos que não são da zona, e em número reduzido, e controlada a partir da Barragem de Bagaúste;

· Serão construídas mais linhas de alta tensão, com todos os problemas de saúde a si associadas;

· Uma vez que as empresas que vão usufruir da construção e exploração da barragem não são sedeadas em nenhum dos concelhos atravessados pelo Tua, os impostos não ficarão na região, sendo que as margens que permanecem para as autarquias não revelam o verdadeiro lucro que se tira das barragens, que não será o da produção de energia, mas o da "venda" da água.

As grandes barragens em Portugal têm dois exemplos claros em situações antagónicas dos grandes "benefícios sociais" que acarretam: em Castelo de Bode as populações foram obrigadas a partir para Lisboa em busca de melhores condições de vida, depois de a barragem lhes ter tirado todo o sustento e qualidade de vida; em Foz Côa elevou-se um património à categoria de Património da Humanidade, e o PIB do concelho foi o único da sua zona a crescer.

O MCLT, no dobrar de um ano sobre uma tragédia, vem por este meio fazer-se ouvir para que se evite uma tragédia ainda maior. Nunca a curiosidade e vontade em se viajar e conhecer a Linha do Tua e o Vale do Tua foram tão grandes, e tanto REFER como CP estão a desenvolver esforços no sentido de capitalizar os seus investimentos neste conjunto singular entre a bravura da Natureza e a dos Homens. Urge desenvolver-se o Nordeste Trasmontano, e sem vias que suportem esse desenvolvimento está-se a condenar uma região já de si explorada à total desertificação. Para esse desenvolvimento se conta com um dos principais negócios do país, o Turismo, para além do qual o tráfego regional de pessoas e bens nunca poderá ser esquecido.

Defendemos o melhoramento das condições de operacionalidade da Linha do Tua, e a sua reabertura a Bragança e conclusão definitiva do seu traçado até à Puebla de Sanábria, onde a Alta Velocidade espanhola vai ter uma estação, no que deverá ser a implementação de uma lógica de rede de transportes integrada e sustentável.

Defendemos também o assumir de uma coragem política em se discutir todo este processo conduzido em bastidores CONTRA o povo e a favor de interesses por demais claros.

A Barragem do Tua NÃO faz falta aos trasmontanos, nem faz falta a Portugal; porque se insiste, e quem insiste na sua construção?

Leituras 20080212

Ensino superior

·         UP sai do armário: Voltarei ao tema oportunamente;

·         Maiores politécnicos do Norte vão discutir consórcio regional;  

·         Domotica UA premiada;

·         Álvaro Cunha (FEUP) premiado pela Sociedade Americana de Mecânica Experimental;

Minho:

·         RT Verde Minho em Bruxelas com a Adeturn; Fizeram as pazes ?  

·         IEMinho e IAPMEI lançam o “Portal do Empreendedor”;

·         Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia quer conquistar Inditex, Pescanova e Lactogal; Demasiada ambição e instabilidade para dar certo...

·         Ricon (Famalicão) ganha 25 milhões com venda da Gant à Lacoste;

·         Primavera (Braga) conquista mercado espanhol;

Reflexão:

·         Aos poucos a Blogosfera descobre que a corrupção em Lisboa é maior do que a praticada no resto do país;

·         Não ao Empreendedorismo da administração pública local/regional! De facto, quem quiser ser empresário tem é que fazê-lo na actividade privada !

Mundo:

·         Directamente do Energy Information Administration (EUA) um XLS que demonstra que o Peak Oil foi em Maio de 2005; Desde então ainda não se ultrapassou essa produção !

·         Via Bloomberg, os novos banqueiros mundiais: 3 dos 5 maiores bancos do mundo são chineses; Recomendo a constituilção de depósitos a prazo em Renminbis (moeda chinesa).

20080211

Princípios base da organização da "coisa pública"

Princípio da Subsidariedade: as responsabilidades pela governação pública devem ser desempenhadas pelo nível mais baixo da organização administrativa que assegure, com eficiência e eficácia, a produção dos resultados e dos impactos desejados;

Princípio da Localização do Benefício: as responsabilidades pela governação pública devem localizar-se nas instituições públicas correspondentes ao nível territorial onde os respectivos benefícios – isto é, os resultados e os impactos desejados – ocorrem e têm efectiva relevância.

Estes princípios justificam a existência dos municípios, das regiões, dos países e da U.E. como entidades governativas dotadas de competências específicas (e respectiva legitimidade democrática). Justificam ainda o individualismo (no sentido em que ao indivíduo dizem respeito as decisões que mais o afectam, sem que entrem de forma relevante na esfera de outrém) e a existência do Estado (uma vez que acções colectivas são legitimadas pela sua eficiência/eficácia de uma forma que o individualismo não permite). O Centralismo é tão somente a deturpação destes princípios.

Timor e o Centralismo

Como se pode lêr aqui o principal culpado para a tragédia timorense foi o desleixo da administração central nacional durante muitos anos. Se esta se ocupasse apenas dos assuntos da Defesa, Justiça, Finanças, Segurança e Negócios Estrangeiros, teria energia/recursos/concentração suficiente para ser mais eficiente. Se as pastas relacionadas com o Desenvolvimento da Educação, Saude, Economia, Âmbiente, Segurança Social, Transportes, Território, estivessem nas mãos das 5 Regiões ou 30 Autarquias fundidas, a administração central provavelmente não teria sido incompetente no assunto Timor.

Um futuro para Braga, Porto e Aveiro: Cidades dormitório

Uma das consequências da ligação ferroviária de velocidade elevada Porto-Minho-Vigo é colocar a população jovem de Braga a escassos minutos do mercado de trabalho em Vigo. Portanto Braga corre o risco de vir a ser um cidade dormitório...

Mas, como refere Ricardo Arroja, com o TGV/CVE/AlfaPendular/«whatever» Porto-Lisboa a reduzir o tempo de viagem e a liberalização do sector a reduzir o seu custo, o Porto, Aveiro e Coimbra podem também se tornar em cidades dormitório da mega-Lisboa que se vai construindo: «Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.»

Para que tudo isto se concretize é necessário:

·         Que o processo de «Drenagem» de desenvolvimento para Lisboa continue;

·         Que a sociedade civil a Norte continue adormecida;

Acham que estou a ser pessimista ? Então recomendo a análise da demografia de Trás-Os-Montes no útlimo século... Não esquecer quem ganha e quem perde com este processo: Os proprietários de imóveis em Lisboa e arredores ganham. Os restantes proprietários perdem... Por isso o crédito mal parado na AMPorto já é maior do que na capital...

20080209

Barragens

Em Trás-os-Montes e Alto Douro estão localizadas actualmente 9 grandes barragens hidroeléctricas, com uma potência instalada de cerca de 1600 MW (mais de 30% da potência total do país no sector hidráulico), produzindo um valor médio anual de 5970 GWh. A preços de mercado, e numa estimativa grosseira, a energia produzida anualmente valerá qualquer coisa como 539 milhões de euros.

Trata-se de um contributo relevante para a tão propalada autonomia energética nacional e, não menos importante, para a redução das emissões de CO2, indispensável a um desenvolvimento mais sustentável do país e do planeta. Mas qual é o retorno para a região da utilização deste importante recurso local? Pagamos a energia mais barata? Não. Não pagamos. Beneficiamos com a criação, directa ou indirecta, de centenas de empregos? Não. Poucos, muito poucos, são os empregos gerados pela exploração destas barragens. Na região apenas estão alguns funcionários permanentes para “vigiar as máquinas”, já que gestores, quadros técnicos e demais colaboradores do grupo empresarial detentor das concessões, a EDP, estão quase todos instalados no Porto e em Lisboa. E até grande parte dos serviços comerciais distribuídos pela região foram encerrando aos poucos, em nome da racionalidade e da eficiência económica. Recebemos uma fatia significativa dos impostos pagos pela EDP oriundos das mais valias geradas na região? Não. Os municípios abrangidos recebem uma renda diminuta (muito inferior aos 2,5% impostos por lei no caso dos parques eólicos) e nada em termos de IRC, uma vez que este imposto é pago no local onde a empresa tem a sua sede social. Em contrapartida, como o valor da energia produzida é contabilizado no PIB municipal, deparamo-nos, em muitos casos, com níveis de riqueza completamente distorcidos.

Nos próximos anos, a região poderá “ganhar” seis novas barragens: Sabor, Tua, Alto Tâmega, Daivões, Gouvães e Padroselos. Caso sejam todas construídas, o aumento do potencial hidroeléctrico será de 793 MW e a produção média anual de energia de 1107 GWh. O investimento global previsto, na construção civil e nos equipamentos, ronda os 985 milhões de Euros. O que ganhará a região com estes investimentos? Alguns milhares de empregos? Com toda a certeza, durante a fase da construção. Nas obras públicas, no comércio local, no alojamento e na restauração. E depois da construção, sobrará alguma coisa? Nada. Como é visível nos concelhos onde já existem barragens. Encherão os municípios os seus cofres com a cobrança de novas rendas e impostos? Não creio, muito embora alguns deles vejam nas receitas futuras uma solução para aliviar o aperto financeiro em que se encontram. Mas dificilmente estas receitas permitirão resolver o principal problema com que se defrontam: a criação e fixação de riqueza e de emprego. E sem os quais não será possível estancar a sangria demográfica que os atormenta.

Não sou contra a construção das barragens, muito embora compreenda e subscreva parte dos argumentos daqueles que se opõem à construção de algumas delas em nome da defesa do património natural e histórico, como é o caso do Sabor e do Tua. Mas sou contra está “lógica extractiva” dos recursos da região, e de todo o Interior, sem contrapartidas efectivas para o seu desenvolvimento social e económico. O que está em causa é sobretudo a forma como o País e o seu Estado encaram o problema. Porque razão é que uma parte das mais valias geradas não há-de ser reinvestida nessas regiões? Porque razão é que a atribuição das concessões não há-de incentivar e premiar as empresas que se comprometam a instalar actividades, serviços e competências geradoras de emprego duradouro e qualificado nos municípios onde vão operar? E porque razão é que o Estado não promove o desenvolvimento de um cluster energético em Trás-os-Montes e Alto Douro (como o fez, e bem, em Viana do Castelo), apoiando, por exemplo, a instalação de iniciativas empresariais e de um centro de investigação e desenvolvimento? Perguntas que merecem resposta e sobretudo acção se queremos construir um País mais justo, coeso e desenvolvido como tanto se apregoa.

Por Luis Leite Ramos

 

20080208

Universidade do Minho

Após ter classificado a Universidade do Porto como a melhor universidade de Portugal, o Webometrics Ranking of World Universities lançou um top200 de 569 repositórios mundiais em que o RepositoriUM aparece em 11º a nível mundial

Parabéns a esta instituição que continua a ser motivo de orgulho para toda a região

Braga-Porto 40 minutos e CVE Porto-Minho-Vigo: É preciso mais lobby !




Caros promotores do Braga-Porto 40 minutos,

Desde logo os meus parabéns pela vossa iniciativa.

Apesar de meritória, ela será impossível de realizar se não houver uma alteração radical na estratégia que o MOPTC tem para o canal ferroviário Braga-Porto, mesmo após a conclusão da variante da Trofa. Reparem que está previsto pelo MOPTC:

  • A utilização do canal Braga-Porto para a circulação do Comboio de Velocidade Elevada (CVE) Porto-Minho-Vigo (PMV);
  • A utilização do canal Braga-Porto para o trasnporte de marcadorias;
  • Para a zona da Maia-Trofa, jundo à Siderurgia Nacional, a instalação de uma plataforma intermodal;

Por outro lado, não está prevista a quadruplicação da linha entre Porto-Ermesinde. Neste cenário, com excesso de trafego e falta de canal horário, a vossa proposta será impossível de realizar !

No entanto, há uma alternativa: A ligação do CVE PMV, a sul de Braga, usar um novo cana litoral em vez do actual, tal como explico aqui. Criando uma ligação Braga-Nine-AeroportoSáCarneiro-Campanhã, em perfil de velocidade elevada, ficariam assim garantidas condições para que efectivamente os sub-urbanos da CPPorto efectuassem o percurso entre as 2 cidades nos 40 minutos pretendidos.

Assim, apelo ao vosso movimento para se juntar ao Norteamos na defesa do traçado litoral do CVE PMV, pelo menos a sul de Braga com passagem obrigatória no ASC.

20080207

Nortear politicamente...

Frequentemente se ouve falar de um rumor, que podendo não ser verdadeiro, relata uma decisão tomada já há algum tempo pelas elites nacionais, de acordo com o qual estaria "demonstrado" que na Península Ibérica só haveria lugar para três grandes metrópoles: Madrid, Barcelona e Lisboa. Essa ideia seria assim o fundamento para se investir fortemente na região da capital portuguesa, procurando manter as condições de afirmação dessa cidade nacional no contexto ibérico.

Em tempos tive conhecimento de um outro rumor que acrescentava a essas três metrópoles, como motores de desenvolvimento, os eixos Valência-Alicante e Porto-Corunha.

A realidade demonstra claramente, do lado português, qual tem sido a opção dos nossos governantes. Do mesmo modo, também deixa claro quais são as consequências dessa opção para o resto do País, a começar pelo Porto mas sobretudo a acabar no interior. (Ao passo que em Espanha as cidades médias se tem conseguido afirmar, com notável vitalidade...)

Perante isto, que dizer?

Na minha perspectiva, há que reconhecer em primeiro lugar que as coisas não se passaram assim por exclusiva responsabilidade do Terreiro do Paço. Muita da culpa do que foi feito e do que não se fez cai claramente nos ombros das elites nortenhas, mas não só, pelo silêncio e passividade com que encararam as consequências da opção atrás referida. Se fosse necessário especificar, daria um único exemplo: foi necessário que a CIP assumisse a contestação pública à Ota para que instituições do resto do País, incluindo o Norte, assumissem o seu direito a participar no debate!!!

Depois, há que assumir a necessidade de levar mais longe o reequilíbrio do discurso, das opções e dos investimentos públicos, porque é desses que estamos a falar, para se promover uma outra ideia do País, que possa aproveitar mais plenamente o potencial do seu território, das suas cidades e das suas gentes.

Creio ser apenas neste contexto que faz sentido o debate que aqui no Norteamos se tem aprofundado, sobre as formas de intervenção política para promoção dos interesses, neste caso do Norte. Desde já quero deixar claro que considero que todas as opções são válidas e que, numa democracia saudável, é natural que diferentes pessoas optem por diversos instrumentos de participação cívica. Dito isto, discordo da noção de criação de um partido regional ou mesmo regionalista. Passo a explicar.

A política deve ser dominada por uma ideia transformadora da realidade, no sentido desejado, que se consubstancie em outros tantos projectos susceptíveis de promover a mudança em concreto, capazes de constituirem os pilares em que se realiza a tal ideia transformadora. Por conseguinte, qualquer partido político que se esgote no objectivo de concretização de um qualquer desse projectos, como é o caso da regionalização, não reúne em si as condições de mobilização necessárias à transformação da realidade. A não ser que a ideia transformadora seja a independência de uma dada região. Caso contrário, faz mais sentido promover movimentos cívicos, de preferência suprapartidários, que reúnam todos os que comungam dessa prioridade, independentemente de outros projectos ou objectivos.

Pela minha parte, estou convicto que o mal não é apenas do Norte ou do Interior. O mal é do País. A vários níveis. Desde logo, creio que as grandes metrópoles urbanas acarretam consigo um conjunto alargado de problemas que, em muitos aspectos, ameaçam destruir elementos essenciais do modelo de vida ocidental na versão europeia - penso nos novos guetos, nos focos de exclusão social e económica, na marginalidade criminosa, etc.

O Portugal com que sonho, é um País em que as grandes urbes são desconstruídas e reconstruídas, com o objectivo de recolocar os cidadãos no centro da coisa pública, numa lógica de proximidade.

Com projectos concretos, de que já abordei muitos nomeadamente aqui; por exemplo, recentrar a relação do cidadão com o Estado nas juntas de freguesia ou em associações destas, com inspiração no modelo das lojas do cidadão, mas aperfeiçoado no sentido de um verdadeiro "front-office" do Estado, um "ponto único de contacto" onde o cidadão trata de todas as suas questões públicas.

Esse nível administrativo seria também o adequado para resolver as questões da segurança - uma esquadra -, da escolaridade básica, pré e pós-escolar (pré-primária, primária e tempos livres), da saúde (através de centros de saúde ou médicos de família), e do apoio à terceira idade. Com capacidade para organizar, gerir, contratar e despedir.

Isto implica uma descentralização séria e aprofundada, com atribuição de competências e meios de financiamento adequados, obviamente à custa do Estado central e desconcentrado. Com diferenciação entre freguesias urbanas e rurais.

E por aí acima. Com reorganização das competências municipais e criação de regiões. Por exemplo, no sentido de as Câmaras serem responsáveis pelo ensino do segundo ciclo, que é aquele que prepara para a Universidade ou para a profissão. Por exemplo, onde as regiões são responsáveis pelo ensino do terceiro ciclo, investindo, por um lado, na investigação que assegura o futuro e a integração na economia global, nos planos nacional e internacional, e, por outro lado, preparando os seus filhos para as profissões que a economia da região solicita.

Sempre à custa do Terreiro do Paço. Sempre no sentido de aproximar as capacidades decisórias dos centros dos problemas e das pessoas. Sempre com as regiões mais ricas do País a financiarem as menos ricas, que é a única forma que conheço de se financiar a coesão nacional.

Nesse meu sonho, o País atinge a modernidade não porque tem uma cidade igual às dos outros, mas porque tem uma rede de cidades onde as pessoas gostam de viver e beneficiam das excepcionais condições geográficas e climáticas do território nacional, onde a segurança é organizada pelos interessados, onde as escolas se preocupam em aproveitar ao máximo o potencial do nosso maior recurso, que são as pessoas, em ligação próxima e coordenação com a economia real, onde a saúde é assunto dos interessados, organizada pelos próprios, onde as estradas são feitas porque são necessárias e não quando sobram recursos no Terreiro do Paço, etc.

Enfim, um País melhor porque mais Humano. Um País mais eficiente, porque o Estado está mais próximo.

Por tudo isto, e tudo o mais que fica por dizer (para já), acredito que o instrumento para transformar Portugal são os partidos políticos nacionais. No meu caso, escolhi o CDS. Em breve começarei a dar publicamente a cara por estes sonhos.

É possível um Portugal melhor. Basta querer!

Isto não é Portocentrismo

Para os mais distrídos, isto não é Portocentrismo. Quando aqui se debate a região do Porto está-se a falar da AMporto e não do Norte. Entretanto, agradeço que comuniquem ao Norteamos os eventos equivalentes do Alto e Baixo Minho, Aveiro Norte e Sul, Douro, Trás-Os-Montes, Vale do Tâmega e Vale do Sousa.

Candidaturas ON2 - O Novo Norte

No website do ON.2 serão divulgados todos os avisos de concurso para apresentação de candidaturas ao ON.2, bem como a informação e documentação de apoio respectiva.
Concursos Abertos
Formulários de Candidatura

Concursos Abertos e Datas Limite
Acções de Valorização do Litoral 21 de Março de 2008
Acções de Valorização e Qualificação Ambiental 21 de Março de 2008
Gestão Activa de Espaços Protegidos e Classificados 21 de Março de 2008
Património Cultural 28 de Março de 2008
Política de Cidades - Parcerias para a Regeneração Urbana 11 de Abril de 2008
Requalificação da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-escolar 28 de Março de 2008
Saúde 11 de Abril de 2008
Sistema de Apoios à Modernização Administrativa 4 de Abril de 2008

Sistemas de Incentivos ao Investimentos das Empresas A 15 de Novembro de 2007 foram publicados Avisos de Concurso à Apresentação de Candidaturas nos três Sistemas de Incentivos ao Investimento das Empresas: Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas; Inovação; Qualificação e Internacionalização de PME.

Fonte: http://www.apoiosqren.com/

Sites oficiais:
QREN: http://www.qren.pt
Sistemas de Incentivos às empresas: http://incentivos.qren.pt
QREN Região Norte: http://www.ccr-norte.pt/novonorte/

20080206

Jardim "vira" federalista



O "vira" está bem entre aspas. Jardim foi sempre, pelo menos, federalista. É uma estratégia gradualista que culminará na mais ampla autodeterminação.

in Global Notícias

Estratégia para o Calçado

Ao cuidado de Felgueiras e S. João da Madeira:

A indústria portuguesa de calçado deve abandonar definitivamente o mercado dos preços baixos e apostar em «parcerias consolidadas» nos segmentos mais altos e especializados dos mercados de Espanha, França e Itália, defendeu o economista Daniel Bessa.

O Norteador CCZ vai mais longe ao desmontar o desatento conceito de Produtividade de Pedro Arroja: É possível aumentar a competitividade subindo os salários:

Quem conhece o mercado dos seus produtos e serviços, quem conhece os clientes dos seus produtos e serviços, e tem um caso amoroso com esses seus produtos e serviços, pode vir a descobrir que existe uma outra alternativa, espectacular, porque muito mais poderosa que as outras duas, para aumentar a produtividade, para dar saltos de produtividade. Para isso há que apelar ao lado direito do cérebro, ao lado criativo, ou como diz Pedro Arroja, o lado católico. A criatividade permite partir, rebentar as grilhetas, as algemas limitativas dos custos, e descobrir um mundo novo o mundo da criação de valor, o infinito mundo da criação de valor. Nesse novo mundo, a produtividade aumenta, mesmo que aumentem os custos, desde que eu produza peças diferentes, peças com maior valor acrescentado, peças tão diferentes e atractivas, que os clientes estão dispostos a pagar mais por essa diferença e atracção.

Fica entretanto aqui o exemplo de uma empresa de Gaia que conseguiu dar o salto:

Olímpio Martins criou um novo conceito de sapatos, provando que é possível inovar em sectores tradicionais como é o do calçado. A Made in Space representa um produto versátil e confortável que vem dar resposta à crescente necessidade de adaptação a situações diversas. Se sair de casa com sandálias e começar a chover, o problema desaparece num minuto, o tempo de correr o zipper, e convertê-las em botas.

 

20080205

Leituras 20070204

·         Neiva Oliveira desejado na AEP; É desta que o actual presidente ser reforma ?

·         A norte de Lisboa discute-se o traçado do TGV; A norte do Porto não se ouve/lê/vê nada...

·         O senhor em causa não é nada credível. Mas a pegunta é pertinente: Quem falou que as regiões-plano são consensuais?

·         Vale a pena lêr a entrevista do professor Pedro Baptista ao 1º Janeiro. Eu, que costumo ser ácido para com o PS Porto, tenho alguma expectativa com este senhor. Mas também já o tive com Rui Rio em 2001. Portanto, nestes assuntos, as minhas qualidades de Norteador não são grandes...

Leituras recomendadas