20080211

Um futuro para Braga, Porto e Aveiro: Cidades dormitório

Uma das consequências da ligação ferroviária de velocidade elevada Porto-Minho-Vigo é colocar a população jovem de Braga a escassos minutos do mercado de trabalho em Vigo. Portanto Braga corre o risco de vir a ser um cidade dormitório...

Mas, como refere Ricardo Arroja, com o TGV/CVE/AlfaPendular/«whatever» Porto-Lisboa a reduzir o tempo de viagem e a liberalização do sector a reduzir o seu custo, o Porto, Aveiro e Coimbra podem também se tornar em cidades dormitório da mega-Lisboa que se vai construindo: «Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.»

Para que tudo isto se concretize é necessário:

·         Que o processo de «Drenagem» de desenvolvimento para Lisboa continue;

·         Que a sociedade civil a Norte continue adormecida;

Acham que estou a ser pessimista ? Então recomendo a análise da demografia de Trás-Os-Montes no útlimo século... Não esquecer quem ganha e quem perde com este processo: Os proprietários de imóveis em Lisboa e arredores ganham. Os restantes proprietários perdem... Por isso o crédito mal parado na AMPorto já é maior do que na capital...

20080209

Barragens

Em Trás-os-Montes e Alto Douro estão localizadas actualmente 9 grandes barragens hidroeléctricas, com uma potência instalada de cerca de 1600 MW (mais de 30% da potência total do país no sector hidráulico), produzindo um valor médio anual de 5970 GWh. A preços de mercado, e numa estimativa grosseira, a energia produzida anualmente valerá qualquer coisa como 539 milhões de euros.

Trata-se de um contributo relevante para a tão propalada autonomia energética nacional e, não menos importante, para a redução das emissões de CO2, indispensável a um desenvolvimento mais sustentável do país e do planeta. Mas qual é o retorno para a região da utilização deste importante recurso local? Pagamos a energia mais barata? Não. Não pagamos. Beneficiamos com a criação, directa ou indirecta, de centenas de empregos? Não. Poucos, muito poucos, são os empregos gerados pela exploração destas barragens. Na região apenas estão alguns funcionários permanentes para “vigiar as máquinas”, já que gestores, quadros técnicos e demais colaboradores do grupo empresarial detentor das concessões, a EDP, estão quase todos instalados no Porto e em Lisboa. E até grande parte dos serviços comerciais distribuídos pela região foram encerrando aos poucos, em nome da racionalidade e da eficiência económica. Recebemos uma fatia significativa dos impostos pagos pela EDP oriundos das mais valias geradas na região? Não. Os municípios abrangidos recebem uma renda diminuta (muito inferior aos 2,5% impostos por lei no caso dos parques eólicos) e nada em termos de IRC, uma vez que este imposto é pago no local onde a empresa tem a sua sede social. Em contrapartida, como o valor da energia produzida é contabilizado no PIB municipal, deparamo-nos, em muitos casos, com níveis de riqueza completamente distorcidos.

Nos próximos anos, a região poderá “ganhar” seis novas barragens: Sabor, Tua, Alto Tâmega, Daivões, Gouvães e Padroselos. Caso sejam todas construídas, o aumento do potencial hidroeléctrico será de 793 MW e a produção média anual de energia de 1107 GWh. O investimento global previsto, na construção civil e nos equipamentos, ronda os 985 milhões de Euros. O que ganhará a região com estes investimentos? Alguns milhares de empregos? Com toda a certeza, durante a fase da construção. Nas obras públicas, no comércio local, no alojamento e na restauração. E depois da construção, sobrará alguma coisa? Nada. Como é visível nos concelhos onde já existem barragens. Encherão os municípios os seus cofres com a cobrança de novas rendas e impostos? Não creio, muito embora alguns deles vejam nas receitas futuras uma solução para aliviar o aperto financeiro em que se encontram. Mas dificilmente estas receitas permitirão resolver o principal problema com que se defrontam: a criação e fixação de riqueza e de emprego. E sem os quais não será possível estancar a sangria demográfica que os atormenta.

Não sou contra a construção das barragens, muito embora compreenda e subscreva parte dos argumentos daqueles que se opõem à construção de algumas delas em nome da defesa do património natural e histórico, como é o caso do Sabor e do Tua. Mas sou contra está “lógica extractiva” dos recursos da região, e de todo o Interior, sem contrapartidas efectivas para o seu desenvolvimento social e económico. O que está em causa é sobretudo a forma como o País e o seu Estado encaram o problema. Porque razão é que uma parte das mais valias geradas não há-de ser reinvestida nessas regiões? Porque razão é que a atribuição das concessões não há-de incentivar e premiar as empresas que se comprometam a instalar actividades, serviços e competências geradoras de emprego duradouro e qualificado nos municípios onde vão operar? E porque razão é que o Estado não promove o desenvolvimento de um cluster energético em Trás-os-Montes e Alto Douro (como o fez, e bem, em Viana do Castelo), apoiando, por exemplo, a instalação de iniciativas empresariais e de um centro de investigação e desenvolvimento? Perguntas que merecem resposta e sobretudo acção se queremos construir um País mais justo, coeso e desenvolvido como tanto se apregoa.

Por Luis Leite Ramos

 

20080208

Universidade do Minho

Após ter classificado a Universidade do Porto como a melhor universidade de Portugal, o Webometrics Ranking of World Universities lançou um top200 de 569 repositórios mundiais em que o RepositoriUM aparece em 11º a nível mundial

Parabéns a esta instituição que continua a ser motivo de orgulho para toda a região

Braga-Porto 40 minutos e CVE Porto-Minho-Vigo: É preciso mais lobby !




Caros promotores do Braga-Porto 40 minutos,

Desde logo os meus parabéns pela vossa iniciativa.

Apesar de meritória, ela será impossível de realizar se não houver uma alteração radical na estratégia que o MOPTC tem para o canal ferroviário Braga-Porto, mesmo após a conclusão da variante da Trofa. Reparem que está previsto pelo MOPTC:

  • A utilização do canal Braga-Porto para a circulação do Comboio de Velocidade Elevada (CVE) Porto-Minho-Vigo (PMV);
  • A utilização do canal Braga-Porto para o trasnporte de marcadorias;
  • Para a zona da Maia-Trofa, jundo à Siderurgia Nacional, a instalação de uma plataforma intermodal;

Por outro lado, não está prevista a quadruplicação da linha entre Porto-Ermesinde. Neste cenário, com excesso de trafego e falta de canal horário, a vossa proposta será impossível de realizar !

No entanto, há uma alternativa: A ligação do CVE PMV, a sul de Braga, usar um novo cana litoral em vez do actual, tal como explico aqui. Criando uma ligação Braga-Nine-AeroportoSáCarneiro-Campanhã, em perfil de velocidade elevada, ficariam assim garantidas condições para que efectivamente os sub-urbanos da CPPorto efectuassem o percurso entre as 2 cidades nos 40 minutos pretendidos.

Assim, apelo ao vosso movimento para se juntar ao Norteamos na defesa do traçado litoral do CVE PMV, pelo menos a sul de Braga com passagem obrigatória no ASC.

20080207

Nortear politicamente...

Frequentemente se ouve falar de um rumor, que podendo não ser verdadeiro, relata uma decisão tomada já há algum tempo pelas elites nacionais, de acordo com o qual estaria "demonstrado" que na Península Ibérica só haveria lugar para três grandes metrópoles: Madrid, Barcelona e Lisboa. Essa ideia seria assim o fundamento para se investir fortemente na região da capital portuguesa, procurando manter as condições de afirmação dessa cidade nacional no contexto ibérico.

Em tempos tive conhecimento de um outro rumor que acrescentava a essas três metrópoles, como motores de desenvolvimento, os eixos Valência-Alicante e Porto-Corunha.

A realidade demonstra claramente, do lado português, qual tem sido a opção dos nossos governantes. Do mesmo modo, também deixa claro quais são as consequências dessa opção para o resto do País, a começar pelo Porto mas sobretudo a acabar no interior. (Ao passo que em Espanha as cidades médias se tem conseguido afirmar, com notável vitalidade...)

Perante isto, que dizer?

Na minha perspectiva, há que reconhecer em primeiro lugar que as coisas não se passaram assim por exclusiva responsabilidade do Terreiro do Paço. Muita da culpa do que foi feito e do que não se fez cai claramente nos ombros das elites nortenhas, mas não só, pelo silêncio e passividade com que encararam as consequências da opção atrás referida. Se fosse necessário especificar, daria um único exemplo: foi necessário que a CIP assumisse a contestação pública à Ota para que instituições do resto do País, incluindo o Norte, assumissem o seu direito a participar no debate!!!

Depois, há que assumir a necessidade de levar mais longe o reequilíbrio do discurso, das opções e dos investimentos públicos, porque é desses que estamos a falar, para se promover uma outra ideia do País, que possa aproveitar mais plenamente o potencial do seu território, das suas cidades e das suas gentes.

Creio ser apenas neste contexto que faz sentido o debate que aqui no Norteamos se tem aprofundado, sobre as formas de intervenção política para promoção dos interesses, neste caso do Norte. Desde já quero deixar claro que considero que todas as opções são válidas e que, numa democracia saudável, é natural que diferentes pessoas optem por diversos instrumentos de participação cívica. Dito isto, discordo da noção de criação de um partido regional ou mesmo regionalista. Passo a explicar.

A política deve ser dominada por uma ideia transformadora da realidade, no sentido desejado, que se consubstancie em outros tantos projectos susceptíveis de promover a mudança em concreto, capazes de constituirem os pilares em que se realiza a tal ideia transformadora. Por conseguinte, qualquer partido político que se esgote no objectivo de concretização de um qualquer desse projectos, como é o caso da regionalização, não reúne em si as condições de mobilização necessárias à transformação da realidade. A não ser que a ideia transformadora seja a independência de uma dada região. Caso contrário, faz mais sentido promover movimentos cívicos, de preferência suprapartidários, que reúnam todos os que comungam dessa prioridade, independentemente de outros projectos ou objectivos.

Pela minha parte, estou convicto que o mal não é apenas do Norte ou do Interior. O mal é do País. A vários níveis. Desde logo, creio que as grandes metrópoles urbanas acarretam consigo um conjunto alargado de problemas que, em muitos aspectos, ameaçam destruir elementos essenciais do modelo de vida ocidental na versão europeia - penso nos novos guetos, nos focos de exclusão social e económica, na marginalidade criminosa, etc.

O Portugal com que sonho, é um País em que as grandes urbes são desconstruídas e reconstruídas, com o objectivo de recolocar os cidadãos no centro da coisa pública, numa lógica de proximidade.

Com projectos concretos, de que já abordei muitos nomeadamente aqui; por exemplo, recentrar a relação do cidadão com o Estado nas juntas de freguesia ou em associações destas, com inspiração no modelo das lojas do cidadão, mas aperfeiçoado no sentido de um verdadeiro "front-office" do Estado, um "ponto único de contacto" onde o cidadão trata de todas as suas questões públicas.

Esse nível administrativo seria também o adequado para resolver as questões da segurança - uma esquadra -, da escolaridade básica, pré e pós-escolar (pré-primária, primária e tempos livres), da saúde (através de centros de saúde ou médicos de família), e do apoio à terceira idade. Com capacidade para organizar, gerir, contratar e despedir.

Isto implica uma descentralização séria e aprofundada, com atribuição de competências e meios de financiamento adequados, obviamente à custa do Estado central e desconcentrado. Com diferenciação entre freguesias urbanas e rurais.

E por aí acima. Com reorganização das competências municipais e criação de regiões. Por exemplo, no sentido de as Câmaras serem responsáveis pelo ensino do segundo ciclo, que é aquele que prepara para a Universidade ou para a profissão. Por exemplo, onde as regiões são responsáveis pelo ensino do terceiro ciclo, investindo, por um lado, na investigação que assegura o futuro e a integração na economia global, nos planos nacional e internacional, e, por outro lado, preparando os seus filhos para as profissões que a economia da região solicita.

Sempre à custa do Terreiro do Paço. Sempre no sentido de aproximar as capacidades decisórias dos centros dos problemas e das pessoas. Sempre com as regiões mais ricas do País a financiarem as menos ricas, que é a única forma que conheço de se financiar a coesão nacional.

Nesse meu sonho, o País atinge a modernidade não porque tem uma cidade igual às dos outros, mas porque tem uma rede de cidades onde as pessoas gostam de viver e beneficiam das excepcionais condições geográficas e climáticas do território nacional, onde a segurança é organizada pelos interessados, onde as escolas se preocupam em aproveitar ao máximo o potencial do nosso maior recurso, que são as pessoas, em ligação próxima e coordenação com a economia real, onde a saúde é assunto dos interessados, organizada pelos próprios, onde as estradas são feitas porque são necessárias e não quando sobram recursos no Terreiro do Paço, etc.

Enfim, um País melhor porque mais Humano. Um País mais eficiente, porque o Estado está mais próximo.

Por tudo isto, e tudo o mais que fica por dizer (para já), acredito que o instrumento para transformar Portugal são os partidos políticos nacionais. No meu caso, escolhi o CDS. Em breve começarei a dar publicamente a cara por estes sonhos.

É possível um Portugal melhor. Basta querer!

Isto não é Portocentrismo

Para os mais distrídos, isto não é Portocentrismo. Quando aqui se debate a região do Porto está-se a falar da AMporto e não do Norte. Entretanto, agradeço que comuniquem ao Norteamos os eventos equivalentes do Alto e Baixo Minho, Aveiro Norte e Sul, Douro, Trás-Os-Montes, Vale do Tâmega e Vale do Sousa.

Candidaturas ON2 - O Novo Norte

No website do ON.2 serão divulgados todos os avisos de concurso para apresentação de candidaturas ao ON.2, bem como a informação e documentação de apoio respectiva.
Concursos Abertos
Formulários de Candidatura

Concursos Abertos e Datas Limite
Acções de Valorização do Litoral 21 de Março de 2008
Acções de Valorização e Qualificação Ambiental 21 de Março de 2008
Gestão Activa de Espaços Protegidos e Classificados 21 de Março de 2008
Património Cultural 28 de Março de 2008
Política de Cidades - Parcerias para a Regeneração Urbana 11 de Abril de 2008
Requalificação da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-escolar 28 de Março de 2008
Saúde 11 de Abril de 2008
Sistema de Apoios à Modernização Administrativa 4 de Abril de 2008

Sistemas de Incentivos ao Investimentos das Empresas A 15 de Novembro de 2007 foram publicados Avisos de Concurso à Apresentação de Candidaturas nos três Sistemas de Incentivos ao Investimento das Empresas: Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas; Inovação; Qualificação e Internacionalização de PME.

Fonte: http://www.apoiosqren.com/

Sites oficiais:
QREN: http://www.qren.pt
Sistemas de Incentivos às empresas: http://incentivos.qren.pt
QREN Região Norte: http://www.ccr-norte.pt/novonorte/

20080206

Jardim "vira" federalista



O "vira" está bem entre aspas. Jardim foi sempre, pelo menos, federalista. É uma estratégia gradualista que culminará na mais ampla autodeterminação.

in Global Notícias

Estratégia para o Calçado

Ao cuidado de Felgueiras e S. João da Madeira:

A indústria portuguesa de calçado deve abandonar definitivamente o mercado dos preços baixos e apostar em «parcerias consolidadas» nos segmentos mais altos e especializados dos mercados de Espanha, França e Itália, defendeu o economista Daniel Bessa.

O Norteador CCZ vai mais longe ao desmontar o desatento conceito de Produtividade de Pedro Arroja: É possível aumentar a competitividade subindo os salários:

Quem conhece o mercado dos seus produtos e serviços, quem conhece os clientes dos seus produtos e serviços, e tem um caso amoroso com esses seus produtos e serviços, pode vir a descobrir que existe uma outra alternativa, espectacular, porque muito mais poderosa que as outras duas, para aumentar a produtividade, para dar saltos de produtividade. Para isso há que apelar ao lado direito do cérebro, ao lado criativo, ou como diz Pedro Arroja, o lado católico. A criatividade permite partir, rebentar as grilhetas, as algemas limitativas dos custos, e descobrir um mundo novo o mundo da criação de valor, o infinito mundo da criação de valor. Nesse novo mundo, a produtividade aumenta, mesmo que aumentem os custos, desde que eu produza peças diferentes, peças com maior valor acrescentado, peças tão diferentes e atractivas, que os clientes estão dispostos a pagar mais por essa diferença e atracção.

Fica entretanto aqui o exemplo de uma empresa de Gaia que conseguiu dar o salto:

Olímpio Martins criou um novo conceito de sapatos, provando que é possível inovar em sectores tradicionais como é o do calçado. A Made in Space representa um produto versátil e confortável que vem dar resposta à crescente necessidade de adaptação a situações diversas. Se sair de casa com sandálias e começar a chover, o problema desaparece num minuto, o tempo de correr o zipper, e convertê-las em botas.

 

20080205

Leituras 20070204

·         Neiva Oliveira desejado na AEP; É desta que o actual presidente ser reforma ?

·         A norte de Lisboa discute-se o traçado do TGV; A norte do Porto não se ouve/lê/vê nada...

·         O senhor em causa não é nada credível. Mas a pegunta é pertinente: Quem falou que as regiões-plano são consensuais?

·         Vale a pena lêr a entrevista do professor Pedro Baptista ao 1º Janeiro. Eu, que costumo ser ácido para com o PS Porto, tenho alguma expectativa com este senhor. Mas também já o tive com Rui Rio em 2001. Portanto, nestes assuntos, as minhas qualidades de Norteador não são grandes...

20080204

Quem ri por último…

A Linha do Tua reabriu o troço de 52 quilómetros entre Mirandela e Tua, quase um ano depois do acidente em que morreram três ferroviários. Esta reabertura como a manutenção da linha entre a estação de Foz-Tua e Mirandela deve-se exclusivamente à pertinência e empenho para uns, teimosia parola para outros, inveja, como já ouvimos por não ser contemplado com espelho de água, do presidente da Câmara Municipal de Mirandela. A transformação da via-férrea em metro de superfície por acção de José Gama, ridicularizada pelos bens pensantes de Lisboa, era o segundo metropolitano do país e nasceu muito antes do ansiado portuense. A obra inserida num vasto conjunto de realizações, entre elas pontuavam o Espelho de água e a Ponte Europa, pôs Mirandela do avesso, isto é, "pôs Mirandela no mapa", tornando-a mais conhecida e a mais visitada cidade do distrito de Bragança. O caminho-de-ferro tem-se mantido ao longo de uma boa dúzia de anos com uns comboios lentos e estranhos, sem casas de banho, pintados de verde, com um baixo índice de utilização, cujos utentes, particularmente turistas, são atraídos pela beleza do vale e pelo caricato da realidade descrita.

José Silvano, herdeiro natural de Gama, aparece nesta luta de salvar a linha do Tua quase sozinho, isto é, sem a solidariedade dos outros presidentes dos municípios ribeirinhos, nomeadamente Carrazeda de Ansiães, Alijó, Murça e Vila Flor, sem grande adesão dos naturais que grosso modo verão mais vantagens na construção da barragem, mas com o visível apoio de uma pequena estrutura partidária, “Os Verdes”, que politicamente está nas antípodas do seu pensamento e do Movimento Cívico pela Linha do Tua.

O autarca não poderia agir de outra maneira por variadas razões. Primeira, a linha férrea do Tua é actualmente uma criação de Mirandela e dos seus autarcas, existe graças a eles, e quem não gosta que se preservem as sua obras? Em segundo lugar, Silvano apresenta-se como o putativo líder distrital dos social-democratas, pertence ao restrito Conselho Nacional do PSD, é apontado por muitos como cabeça de lista das próximas eleições legislativas, terá de consolidar este perfil de liderança distrital como paladino e defensor dos interesses da região. Em terceiro lugar, o concelho mirandelense não tem directamente nada a ganhar, como todos os outros, com a construção de uma albufeira na foz do Tua, só perde um possível foco de aposta turística que a via-férrea também transporta. Por último, ao extremar a argumentação na defesa do comboio, parte para uma posição de força na negociação com o Governo e a EDP que só lhe pode trazer benefícios, quando forem distribuídas compensações, numa mais que provável construção da barragem e destruição da linha do Tua.

Todos os outros autarcas sorriem displicentes e irónicos pela “dita” inutilidade dos protestos e do folclore. Veremos quem rirá por último.

Sondagem aponta para partido regional

Quando coloquei a sondagem, para animar o blogue, não imaginava o resultado. Apesar de não científica, apesar de Carnaval, a sondagem revela uma grande predisposição para intrevenção política, partido ou lobby. O que fazer então, caro António e demais leitores e participantes ?
Gostaria em primeiro lugar de relembrar que a esfera da administração pública não é responsável pelo desenvolvimento. A privada sim. Neste momento a justificação de um partido/movimento/lobby é precisamente a necessidade de alterar o status quo em que vivemos, isto é evitar a sabotagem que a administração pública de Lisboa exerce sobre a actividade privada a Norte e o total adormecimento em que grande parte do Norte vive.
Feita a justificação, vejamos a oportunidade. Aparentemente é oportuno:
  • Estamos a ano e meio das próximas eleições autarquicas;
  • As mesmas «máfias» do Centralismo que tiraram Santana Lopes do governo, vão agora fazer o mesmo a Socrates. Vários bloggerscomeçaram a detectar movimentações. Fala-se da implosão do PS, PSD e de Governo de Cavaco.
  • Apesar de em Portugal os apoiantes só aparecerem no dia das vitórias, o regionalismo a Norte continua a crescer.
  • Por outro lado o modelo de campanha de Ron Paul, baseada na Internet e trabalho voluntário, permite campanhas «low cost» livres de financiamentos privados...
  • Por fim vale a pena ler a estratégia que publiquei na Baixa do Porto para um lobby regional à cerca de 2 anos.

Porém é necessário lembrar riscos e dificuldades:

  • Apesar de poder assumir que cerca de 200 leitores diários do Norteamos partilham as mesmas preocupações e agenda dos autores do blogue, não existe ainda qualquer coerência interna necesária a uma organização deste tipo;
  • Num novo partido há risco de infiltrações como o PND teve recentemente;
  • Nem todos os participantes/leitores do Norteamos são desfiliados politicamente;
  • Eu próprio estou indisponível para integração em listas para eleições.

Alternativamente à criação de um novo partido, há que considerar também caminhos mais curtos:

Fica então uma nova sondagem aqui ao lado. O email do Norteamos (no Gmail) está também disponível a quem quiser debater o assunto directamente.

20080201

Vamos ver se este é o Norte ou não!

Conheço o Manel, é meu colega. Tenho esperanças, por ser médico e por ser do Norte que algumas asneiras já feitas possam voltar à primeira forma.

Mas, se calhar, sou eu só a ser optimista e naïf.

Petição contra o condicionamento da criação da base da Ryanair no Porto

TA RyanAir pretende instalar uma base no Porto (Aeroporto Sá Carneiro). Tudo indica que a ANA pretende evitar que tal aconteça, perdendo-se assim a possibilidade de se obter 4 milhões de passageiros por ano para a região Norte, assim como a criação de 200 novos empregos directos, e muitos mais indirectos. Numa região assolada por alta taxa de desemprego nada disto é de somenos. Se, por absurdo, viermos a perder esta oportunidade para a Galiza, já que a Ryan Air também já se mostrou interessada em Santiago de Compostela, julgo que será chegada a hora das pessoas desta região começarem a considerar a hipótese de reagir duma vez por todas,

usando todos os meios possíveis*,

contra todos aqueles que nos pretendem hipotecar o futuro.

Petição contra o condicionamento da criação da base da Ryanair no Porto

* A Política é a luta pelo poder entre os indivíduos e os grupos e a consequente rapartição dos bens escassos. Por outras palavras: tem tudo a ver com a quantidade de comida, bem-estar, livros,educação, etc. que cada um de nós poderá obter para si e para a sua família. Objectivos destes estão sempre legitimados. Principalmente quando outros pretendem retirar-nos a parte que justamente e equitativamente nos pertence.

Norte de Portugal e Galiza constituem em Abril primeiro Agrupamento de Cooperação da União Europeia

Viana do Castelo, 31 Jan (Lusa) - "A cooperação transfronteiriça entre o Norte de Portugal e a Galiza vai receber um novo impulso a partir de Abril, com a constituição oficial de uma entidade jurídica com poder de administração de recursos e competências.
"As relações entre a Galiza e o Norte de Portugal já são boas, mas com este organismo de cooperação transfronteiriça vão ficar excelentes", disse à Lusa o presidente da Junta da Galiza, o socialista Emilio Pérez Touriño.
Sublinhou que a Galiza e o Norte de Portugal vão ser o primeiro espaço comunitário internacional a constituir-se como agrupamento de cooperação e enfatizou a importância da "massa crítica" de uma euro-região com seis milhões de habitantes, 90.000 milhões de PIB e um elevado nível de intercâmbios culturais e económicos.
O Governo daquela região autónoma de Espanha iniciou hoje mesmo os trâmites para a constituição do novo organismo, denominado Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal.
Trata-se de "uma entidade jurídica própria, com administração própria de recursos e competências" e cuja sede ficará em Vigo, conforme já acordado com o Governo português.
Para o Executivo liderado pelo socialista Emilio Pérez Touriño, esta é uma localização "estratégia e de alto valor", tendo em conta que Vigo fica "no coração da euro-região" Galiza-Norte de Portugal.
Na reunião semanal do Conselho da Junta, realizada esta manhã, foi aprovado apresentar ao Governo de Espanha a autorização para constituir aquele agrupamento de cooperação, bem como o correspondente convénio com Portugal e os estatutos do novo organismo.
"

VCP.
Lusa/fim

O futuro do Norte é risonho. O presente é que não.
Leituras recomendadas