20080117

Metro de Lisboa ganha o prémio de "O mais ineficiente do Mundo"

"Os custos operacionais de exploração do metro da capital são os mais elevados entre 14 metropolitanos estudados em todo o Mundo. Os mais “económicos” custam três a quatro vezes menos.

O Metro de Lisboa é dos metropolitanos mais caros em todo o Mundo. Segundo um estudo recente de uma consultora internacional especializada em transportes, a que o Diário Económico teve acesso, o Metro de Lisboa é mesmo o mais caro em termos de custos operacionais de exploração em 2005, entre um conjunto de mais treze sistemas de metropolitano analisados em todo o Mundo.“ (Diário Económico)

Mais um prémio para Portugal. Curiosamente, o Governo não descansou enquanto não implementou no Metro do Porto (com resultados muito superiores a Madrid e Paris) o mesmo sistema de (des)governação do Metro de Lisboa, que "tão bons resultados tem dado".

A relação entre o Metro de Lisboa e o encerramento das urgências no interior

Por anti-comuna, em comentário no Blasfémias:

"Fico impressionado com o meu país. É mesmo caricatutral, mas tem a sua ponta de verdade. Os portugueses são uns mansos.Vem isto a propósito da estação de metro que já mete água. Uma estação de metro certificada por um engenheiro muito conhecido.

Lui même, o Pinócrates. Que assegurou ser aquela estação a prova provada do novo Portugal que ele imprimiu. Mas mais que a água que a dita estão de metro vê-se inundada, é a água que mete a gestão do metro de Lisboa. Sim, o metro de Lisboa mete água e a sério na sua gestão financeira.

"Passivo do Metro de Lisboa equivale a 2,2% do PIB: "O Metropolitano de Lisboa (ML) está a perder cerca de 160 milhões de euros por cada exercício de actividade, situação deficitária crónica que elevou o passivo acumulado da empresa para o limiar dos 3.300 milhões de euros, o equivalente a cerca de 2,2% do PIB nacional. Em entrevista ao Diário Económico, Joaquim Reis, que tomou posse como presidente do ML no início de Novembro de 2006, revela que, “para 2007, muito provavelmente, os custos globais da massa salarial do Metro vão aproximar-se dos 100 milhões de euros". Além destes 100 milhões de euros anuais, o ML despende, por ano, 75 milhões de euros com encargos financeiros com a dívida (juros), 40 milhões de euros para FSE – Fornecimento de Serviços Externos e ainda entre 30 e 40 milhões de euros com amortizações." (Notícia do DE http://diarioeconomico.sapo.pt/e...llo/ 726290.html , picada no blogue http://antiprovinciano.blogspot....quivale- 22.html).

Vejam lá bem a coisa. 2,2% do PIB é quanto o metro de Lisboa tem como passivo. E, lá está, Portugal continua na senda do paraíso cor-de-rosa. O que me espanta é o seguinte. 160 milhões por ano é uma fortuna, mas que são justificado para mobilizar os alfacinhas. Mas no resto do país fecham maternidade, serviços públicos vários e até dizem que assim é que está bem.Vamos a ver. É verdade que o défice público é elevado.

Mas poderia o Estado contornar o fecho de urgências, maternidades e escolas? Sim, poderia. E até com dois argumentos. Um, o estatista. Não cabe na cabeça de ninguém que em Lisboa, cidade-capital da parte mais rica do país, se torre mais de 160 milhões de euros por ano e, simultaneamente, se feche os poucos serviços públicos do interior, marteriazado pela incompetência do Estado em... Lisboa. O outro, menos estatista e Liberal, diria. O Estado podia privatizar os serviços públicos e apenas garantir a prestação dos cuidados de saúde. Financiano-os. Assim, além de garantir a tal rede social que é marca de uma sociedade desenvolvida, também promovia uma mais eficente alocação dos recursos, pois os privados, por norma, gerem melhor que o Estado.

Mas mais caricato é o seguinte. Quem ouvir o ministro das morgues portuguesas, leia-se, SNS, até parece que os fechos dos serviços no interior se justificam pela inexistência de uma procura real e sustentada por esses mesmos serviços públicos. Essa justificação política é uma porno-xaxada politiqueiro e demagógica. A prova está que, onde fecham serviços do Estado, abrem serviços privados. Porque existe procura. Mais. Se os privados abrem, é porque o Estado garante que aqueles serviços cumprem os requisitos mínimos de fiabilidade, se não não lhes permitira o funcioanamento dos serviços, que promoviam o risco das populações que acedam aos serviços privados. A menos que o fecho de maternidades, urgências e outras valências hospitalares, em vez de terem um fito de elevar a qualidade dos serviços prestados às populações, tenha apenas como única razão cortar nos custos.

Ora, aí é que este país se mostra insano. Então poupa-se uns milhões no interior, abandonando as populações aos critérios de riqueza no acesso aos serviços públicos, e estouram-se muitos mais milhões em Lisboa, na porcaria do metro? Ou seja, os portugueses do interior nascem e morrem nas ambulâncias, só para que os portugueses de Lisboa, já de si beneficiados por viverem na zona mais rico do país, sejam sybsidiados nos seus transportes urbanos?

É claro que isto não interessa debater, nas televisões do Estado e nas privadas. Na imprensa sedeada em Lisboa ou no Porto. Logo, estas anomalias vis e desestruturantes de uma coesão social necessária para elevar a própria competividade do país, não deveriam se robjecto de análise por parte da "inteligentzia" portuga?

É claro que esta forma de destruir o país terá custos elevados. Não estão a ver uma Intel investir em numa região em que os serviços estatais funcionam assim, pois não? Em que um acidente laboral para ser tratado implica custos elevados, até em termos de vidas humanas, numa deslocação entre o local de trabalho e o hospital, pois não? É que muitos julgam que este tipo de investimentos, feitos pelas vilipendiadas multinacionais, também encerram este tipo de capítulos nas razões de escolha de um determinado local para a localização de uma fábrica. Não conta apenas um aeoroporto. Assim sendo, com esta forma de desgovernar o país, o Pinócrates aplica mais um profundo golpe nas aspirações dos mais pobres que vivem no interior do país.

Enfim, Portugal afunda-se."

anti-comuna 17.01.08 - 8:02 pm #

Nota: O défice em 2006 era 2,2% do PIB. Já fiz as contas para 2007, e são pelo menos 2,4%. A infraestrutura tem 60 anos. Não há qualquer razão para haver tamanho défice de exploração. Parece-me ainda muito dinheiro para um serviço público que não funcionou durante vários dias o ano passado. Entre outras coisas, por causa de um subsídio para abrir e fechar as portas do veículo. Perdoem-me a frieza. Mas tenho informações internas que me dizem que aquilo tem unidades com o triplo do pessoal necessário. Alguém paga isso. Mas eu não beneficio nada.

via Baixa do Porto

De: João Medina - "Mais um «porquê» para a regionalização"

Submetido por taf em Quinta, 2008-01-17 16:59

No Público de hoje:

"A construção da nova sede do Museu dos Coches insere-se no programa Belém Redescoberta, lançado pelos ministérios da Economia e da Cultura, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, para revitalizar toda esta zona ribeirinha, e deverá ser financiada, no essencial, pelas contrapartidas financeiras que o Governo obteve ao autorizar a abertura do Casino Lisboa."
Aqui vemos o Governo nacional activamente empenhado na requalificação de uma parte de uma cidade. Qual? Nem vale a pena perguntar. Eu também queria revitalizar a Zona Ribeirinha do Porto; e a Baixa; e as Fontaínhas; e o Centro Histórico; e Campanhã; e o Freixo; e... Fico à espera do Governo (ou de quem saiba atraí-lo para cá).

Acho que nos estão a tentar burlar outra vez...


Compreendo que seja necessária uma nova ponte para o TGV. Não compreendo é que se fale numa nova ponte por causa do novo aeroporto, quando essa nova ponte (Chelas-Barreiro) fica mais longe do aeroporto que a Ponte Vasco da Gama. Porque nos querem "vender" esta nova ponte com base num artifício quando isso não é necessário?






P.S. Se a nova ponte apenas tiver tráfego ferroviário, não é necessário renegociar o contrato com a Lusoponte...


P.P.S. Mais uma vez é notória a falta de visão dos nossos governantes. Não deveria a opção ferroviária ter sido acautelada aquando da construção da Ponte Vasco da Gama. Não são eles especificamente pagos para antecipar cenários futuros, garantindo opções em aberto em condições favoráveis?


P.P.P.S. Façam a nova ponte, mas digam adeus à reabilitação da baixa. Uma e outra opção são incompatíveis. É melhor cortar em algum dos dois lados...

Na verdade, o Porto-Vigo já existe !

20080116

Se acertamos, então norteamos III

20071228

O BCP está numa situação de «pré-pré-falência», como estão muitos bancos ocidentais. Os accionistas tem que permitir que o Estado Central tome conta da gestão. Caso contrário perderiam mesmo muito dinheiro. Portanto, aceitam a «OPA» da CGD. Obviamente que as «Máfias» aproveitam a fraqueza para se abastecerem. Quem são elas:

·         Mais lugares para Boys do PS quer na CGD, quer no BCP;

·         Certos empresários de Macau, via Boys do PS, aproveitarão para retalhar a parte africana do BCP;

·         O BPI, BES, aproveitarão tudo isto para aumentar as respectiva quota de mercado nacional;

Conclusão, certos portugueses da zona de Lisboa, aproveitarão para obter lucro/poder fácil. Aliás, a economia de Lisboa sempre foi assim, uma espécie de Marxismo-Yeltsinismo. Este modelo consiste no investimento em sectores de bens e seviços não transaccionáveis internacionalmente, orientados para o mercado interno, abrigados da concorrência, de elevadas margens, com alto patrocínio do Estado Central (condicionamento industrial, regulamentação protectora, etc), pago com impostos de todos os Portugueses e posterior «privatização» dos negócios. Estamos agora na fase do Yeltsinismo, onde as «Máfias» ligadas ao poder central aproveitam as oportunidades para se tornarem «empresários», tal como aconteceu na União Soviética pós-colectivista.

20080115

Filipe Pinhal, numa longa declaração em resposta a um requerimento, "tranquilizou" os accionistas face aos níveis de solvabilidade e liquidez do banco, afirmando que numa reunião com o Banco de Portugal, comunicou ao Governador as opções que o banco tinha caso os rácios de capital se deteriorassem. (...) Na reunião com Constâncio, Pinhal comunicou que "percebemos que o desempenho da economia portuguesa não era bom e a situação de alguns devedores, quer nas PME quem nos particulares, poderiam entrar em incumprimentos e fazer deteriorar as condições de exploração do banco".  Pinhal diz que o BCP identificou uma série de activos de que se poderiam recorrer e reforçar os capitais próprios, tais como participações financeiras, património imobiliário e operações no exterior. Estes activos no exterior seriam escolhidos, em caso de necessidade, em termos de rentabilidade e retorno financeiro, pelo que algumas delas poderiam ser alienadas para poupar aos accionistas ao esforço de recorrer a um aumento de capital.

20080116

Deutsche Bank recomenda "vender" BCP e corta "target" para 2,20 euros

BCP será o único a registar uma queda nos lucros em 2007

200801..

Dramatização (real ou fabricada) da situação financeira do BCP, obrigará à venda de certos activos, beneficiando finalmente as «Máfias» acima indicadas.

 

Qual o impacto económico na nacionalização do BCP?

Fácil: Destruição de 1.000 milhões de euros de valor económico em menos de 5 minutos. BCP desliza 11% e perde mais de mil milhões numa só sessão.

O Centralismo é sobretudo isto: a tendência do Estado Central em interferir em todo e qualquer assunto da vida económica, de forma intransparente, dissimulada, e raramente defendendo verdadeiramente o interesse público.

Afinal, para além da politização do maior banco privado português, note-se que o crescimento do BCP nos próximos anos será feito à custa da CGD, banco que a nova gestão do BCP conhece por dentro e para o qual definiu a estratégia.

Talvez algum leitor discorde da minha opinião. Façamos o seguinte teste: se todas as falcatruas que se fizeram no BCP forem descobertas, divulgadas, e punidas, eu darei o braço a torcer dizendo que a intervenção do Estado Central é positiva e o interesse público defendido (naquilo em que deve ser defendido*). Se, pelo contrário, o assunto entrar numa decadência progressiva, sem a identificação de novos factos relevantes, será notório que a "nacionalização" visa apenas aumentar a capacidade interventiva do Estado, enquanto protege a "máfia" do costume. Infelizmente, estou certo de que o tempo me dará razão.

*Pressupõe-se que os resultados do BCP também melhorem: é que tudo isto tem de ser conjugado com as exigências do mercado. A empresa é formalmente privada, logo deve entregar resultados aos investidores privados.

P.S. Santos Ferreira teve mais votos, mas foi Cadilhe que teve mais accionistas a apoiá-lo (não se aplica a regra "um homem, um voto"). Dir-se-ia, por conseguinte, que a vontade democrática era a de que o candidato do governo tivesse sido derrotado, e o BCP mantivesse a sua independência política. Sem sobra para dúvidas, Cadilhe foi derrotado nas urnas, mas saiu vencedor aos olhos dos portugueses. Obrigado.

20080115

Porque é que a gestão do Aeroporto Sá Carneiro é uma oportunidade de negócio para uma empresa privada?

Agradeço as vossas sugestões para responder à questão enunciada.

Obrigado.

Dupla ética - Metro

Metro Porto: Linha Gondomar ainda sem financiamento garantido.

No passado mês de Dezembro, foi tornado público um empréstimo de 400 milhões de euros que o Estado teve que fazer para prosseguir o plano de expansão do Metro de Lisboa.

A explicação para a dualidade de critérios vem na segunda notícia: "Os portugueses vão poder ir de qualquer ponto do Metropolitano de Lisboa até à estação ferroviária da Reboleira no primeiro trimestre de 2011." Como se sabe, o Metro de Lisboa serve todos os portugueses. O Metro do Porto só serve os portuenses.

Entretanto, ouvi esta manhã na rádio que o "túnel mais seguro do mundo", junto à estação do terreiro do paço, e que derrapou 165M€ (o custo de uma casa da música foi 130M€), já está a ter infiltrações. Mais um buraco para afundar o nosso dinheiro...

É curioso: no Porto é preciso batalhar durante meses, reunir um imenso lobbying, ..., para conseguir aprovar a execução de um conjunto de linhas de metro, e chegamos ao fim, e pagamos bilhetes mais caros que os de Lisboa, o dinheiro chega sempre atrasado, e por vezes nem chega. No Minho, como ainda não se conseguiu fazer barulho suficiente, o Metro é uma miragem: nem sequer está na agenda política do Estado Central. Mesmo que a sua rede "core" custasse tanto como a ligação a Sta. Apolónia. Mas em Lisboa, nunca há ondas. Tudo é rapidamente aprovado, sem complicações. Há portugueses de primeira e de segunda... e também há aqueles que só são cidadãos para o ministério das finanças, no final de cada mês.

Nota: Actualizando as conta do Antiprovinciano, a dívida do Metro de Lisboa deverá neste momento rondar 2,4% do PIB português. O suficiente para fazer o Aeroporto de Alcochete, incluindo derrapagens, e sobra para pagar os hospitais de Trás-os-Montes até 2030.

distraído

Resta-nos esperar que Sines não venha a ser construído.

Mais do mesmo

A escolha da construção do novo aeroporto para o campo de tiro de Alcochete tornou-se uma decisão quase consensual e é aplaudida de norte a sul do país. Todos os partidos, todos os técnicos, a grande maioria da população portuguesa parece vergar-se ao peso do estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. O Sul porque sim, é mais um instrumento que vai trazer mais pessoas, potenciar a troca de mais mercadorias, mais investimento público e comunitário. A região Norte respirou de alívio, rejubilou e descansou pela defesa da manutenção da importância do seu aeroporto Sá Carneiro; através do seu ascendente paladino que mais se afirma na região, o Dr. Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto vangloria-se com o seu contributo e promessas de estudo ter esvaziado a Ota e afastado a sombra do aeroporto para mais longe da sua área de influência. Os partidos da oposição cantam vitória, pois conseguiram demover o “jamais” do ministro Mário Lino e pela primeira vez, não me lembro de outra, de fazer recuar a denominada “firmeza decisória” do nosso primeiro-ministro. O governo esfrega as mãos porque conseguiu fazer vingar a velha receita do betão que significará mais empregos, mais negócios e em consequência mais votos. Perspectivam-se bons negócios para as grandes empresas. O povo está feliz porque acabou a barafunda e a novela já tinha ultrapassado o prazo de validade.
A opção pela Ota era um investimento muito mais descentralizado e na perspectiva do desenvolvimento do país criava um pólo dinamizador de progresso, mais centrado em termos geográficos, alargando a sinergia de desenvolvimento para além da área metropolitana de Lisboa e da península de Setúbal. Alcochete acrescenta mais uma ponte sobre o Tejo, mais estradas, mais um ramal de TGV, mais infra-estruturas, mais investimentos públicos e privados que irão também ser euro-financiados. Uma grande quota do bolo das verbas europeias, das finanças públicas vai ter um claro destinatário – a zona do país mais desenvolvida. Aí se vai concentrar mais riqueza e mais população continuando a alargar-se o fosso com o resto do país. Continuaremos a construir um país cada vez mais desequilibrado e centrado. O que vai sobrar serão uns trocos.

ótistas versus alchochetistas = autistas

Tem sido divertido assistir aos tipos do oeste e da margem sul do tejo apelidarem-se mutuamente de megalómanos.


Este prós & contras tem sido fantasticamente esclarecedor: com aquelas guerras todas julgo que cada vez mais portugueses se convencem que não é preciso mega aeroporto nenhum.


Afirmações esclarecedoras de um certo modo de pensar têm sido também as de Augusto Mateus. "Lisboa tem condições magníficas para ser o intermediário da economia portuguesa, precisamos de construir uma cidade aeroportuária capaz de competir com Barajas, etc e tal", ou algo do género. Passando por cima desta eterna mania de querer competir com gigantes, o que querem é obrigar-nos a usar o mega aeroporto nas nossas viagens e com as nossas mercadorias. Pagar-lhes o serviço e a portagem. Isto é uma espécie de sequestro económico. Faz lembrar as histórias dos seringueiros no Brasil superiormente retratados por Ferreira de Castro no romance "A Selva". O explorador pagava-lhes, mas o desgraçado do seringueiro, sequestrado na selva amazónica, não tinha outra hipótese senão alojar-se, alimentar-se, curar-se e vestir-se nos estabelecimentos do patrão. E claro, este cobrava preços de tal modo exorbitantes que o infeliz trabalhador, apesar de fuçar na selva como um louco, estava em permanente dívida para com o seu algoz. O sertanejo, obviamente, morria na selva assassinado pelos índios - talvez a melhor das hipóteses - ou fragilizado pelo trabalho violento e pelas febres.

20080114

Drenagem revoltante

Já tinha previsto este cenário em conversa com familiares ex-colaboradores da empresa.

«Até tu, Unicer?

A Unicer também já se rendeu aos encantos da capital. Depois de ir buscar um mediático político lisboeta decidiu que boa parte dos colaboradores do departamento de marketing (pelo menos neste departamento) se deslocassem para Lisboa...

Menos oportunidades de emprego cá para cima...» (via Baixa do Porto)

É a mais uma prova que a Drenagem existe. É mais um argumento para chamar de traidor a todos os que a Norte desvalorizam o caracter maligno do actual status quo Centralista e drenador. É revoltante.

Piada do fim de semana

Na estação de metro de Sta Apolonia tem lá escrito o seguinte, na placa de inauguração:

" o presente projecto co financiado pela União Europeia, contribui para a redução das disparidades sociais e economicas entre os cidadãos da união"

20080113

Autarcas do Oeste e Vale do Tejo pedem compensações pelos benefícios criados pelo investimento público

"Mais de uma centena de autarcas do Oeste, Vale do Tejo e região Centro exigem contrapartidas ao Governo após a decisão de construir o novo aeroporto internacional de Lisboa em Alcochete."

Os autarcas do Oeste pretendem ver finalmente reconhecidas as suas pretensões a serem indeminizados pela poluição causada pela abrangente rede rodoviária que foi construída nos últimos anos no seu território para servir o novo aeroporto. Um dos autarcas mais exaltados chegou a afirmar que não compreendia como é que, com tanto dinheiro gasto em autoestradas novas no Oeste, o Governo não tinha ainda aprovado o seu projecto de pavilhão multi-usos integrado em rotunda.

No Vale do Tejo, o cenário é um pouco diferente. Os autarcas entendem que os 6 mil milhões de euros a gastar na região é muito dinheiro, e que deverão ser compensados por isso. O município do Seixal é um dos mais reinvindicativos, afirmando que a nova ponte deveria ser Chelas-Seixal. O município do Barreiro replica que não se importa de ter a nova ponte, mas deverá ser ressarcido. A margem sul em peso afirma que o seu território "é um deserto" e reclama a construção de estradas, hospitais e escolas. Protesta ainda contra a poluição do novo aeroporto.

Fontes seguras afirmam-nos que o Governo irá aceder a todas estas pretensões, tendo já preparado um extenso programa de obras públicas no Oeste e Vale do Tejo como compensação pelos investimentos anteriores, pelas falsas expectativas de investimento futuros, pelos investimentos futuros não expectados, e uma compensação adicional pelo incómodo.

Também Lisboa se sente prejudicada, e pede uma indemnização anual até 2017 porque só então poderá urbanizar a Portela, e outra a partir de 2017 porque irá nessa altura perder o seu aeroporto. Pede o pagamento antecipado já este ano para resolver o problema da dívida. António Costa avisa o Governo: "Se quiser construir hospitais, escolas, estradas, metropolitanos, Expo's, ou pontes no município, terá de pagar a construção e o terreno por inteiro." É neste contexto que se enquadra a venda do terreno por 13,4M€ para o novo hospital de Lisboa, quando todos os outros municípios teriam que, não só dar o terreno, como até pagar parte da construção do hospital. O Governo mostra rigor: "É verdade que cedemos, mas apenas abriremos este tipo de excepções para Lisboa. É preciso controlar o défice...".

Estes programas de investimentos serão financiado pelo portajamento das SCUTs do Norte, Algarve e Centro. O Governo já fez saber que não acederá a quaisquer pedidos oportunistas de compensações por parte destas regiões, até porque não estão abrangidas pelos critérios de atribuição dos casos anteriores. Segundo o Governo, só poderão ser compensadas as regiões que tenham sido benefíciadas por investimentos passados. Como as referidas regiões não foram alvo de investimento público de relevo nos últimos anos, não se verifica qualquer benefício. Razão pela qual não faz sentido serem compensadas.
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