A apresentar mensagens correspondentes à consulta Soares da Costa ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Soares da Costa ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

20110420

Lição de «sociologia económica»: Diferenças Norte-Sul

Não conheço estudos actualizados sobre a actividade rent seeking em Portugal (e confesso-me um bocado preguiçoso para agora ir à procura) mas lembro-me de um, feito por uma instituição financeira internacional, que na altura chegou a haver ecos em Portugal. (Não se se voluntariamente, porque era um documento restrito de uma casa de investimentos, se não me falha a alcoólica memória. E esse apontava as causas da falência a prazo de Portugal (como veio a suceder, curiosamente), pois em Portugal estava-se a promover as actividades rent-seeking em detrimento das actividades produtivas rumo ao mercado. (Isto na altura do consulado guterrista.) Depois surgiu um outro estudo, este público, feito em Portugal, por portugueses, em que mostraram claramente que a generalidade dos lucros gerados em Portugal pelo sector empresarial estava nas actividades rent seeking.

Em Portugal aquele que mais escreveu com visibilidade sobre este tema foi o Abel Mateus que mais tarde viria a influenciar muito a política económica do governo do Durão Barroso e este confiou a este economista a tarefa vital de criação de uma Autoridade da Concorrência em Portugal, com poderes para tentar inverter o declinio económico de Portugal.
.
Vários outros autores tugas escreveram sobre o assunto, um deles conhecido na blogosfera, o Luciano Amaral e outros como a Conceição Castro, que versaram alguns estudos sobre o assunto. Mais tarde voltarei a estes dois autores porque me interessa realçar algumas coisas nos seus trabalhos.

Vamos lá descrever o que é sistema económico parasita de Lisboa. Começo com umas citações de um conhecido banqueiro tuga, tido como o Tio Patinhas de Lisboa e verdadeiro dono de Portugal. Ou pelo menos, um dos seus principais e influentes agentes económicos:

.
“O presidente do BES defende que Portugal deve apostar nos transportes, uma afirmação feita ontem na apresentação dos resultados semestrais que caíram 6,8%.

Na apresentação de resultados, Ricardo Salgado – que já vinha com uns slides preparados – defendeu os projectos de construção da rede de TGV que ligará Portugal a Espanha e do Novo Aeroporto. Portugal, diz, respondendo às questões do jornalistas, Ricardo Salgado, “vai desenvolver-se através da aposta nos serviços e estes estarão inevitavelmente associados aos transportes”. Alertou para o facto de só Madrid ter um PIB maior de que o português e de isso se agravar se não se construir a rede de TGV. Pelo que o Governo deve avançar com a realização, “tão cedo quanto possível”, destas obras.”
.
In http://economico.sapo.pt/noticias/ricardo-salgado-diz-que-tgv-e-aeroporto-devem-avancar_66218.html
.
.

“Presidente do BES defende aposta nas renováveis e exclui opção pelo nuclear”

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, defendeu hoje que o “desenvolvimento económico equilibrado” do país, em termos energéticos, deve passar pela aposta nas renováveis e excluiu a via do nuclear.”
.
In http://www.apren.pt/noticias/detalhes.php?id=161

Depois destas citações, algumas noticias para enquadrar as actividades económicas deste conhecido banqueiro.

“O presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES) anunciou esta tarde que votou com a maioria pela venda da Vivo à à Telefónica.”
.
In http://www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=67199

Num encontro ontem realizado com jornalistas Ricardo Salgado, presidente do BES negou que o grupo Espírito Santo esteja a preparar uma contra OPA em resposta à avançada pela Sonae no início desta semana. O responsável mantém-se porém ao lado do Conselho de Administração da PT na declaração de que esta OPA é hostil e reafirma a convicção de que o valor oferecido por acção é baixo.

Citado por vários meios de comunicação social portugueses, Ricardo Salgado esclareceu que a liderança de uma empresa de telecomunicações não faz parte da vocação do GES, apesar de considerar a posição do Banco na empresa um activo estratégico. ”
.
In http://tek.sapo.pt/noticias/negocios/ricardo_salgado_nega_que_o_bes_esteja_a_prepa_876062.html
.
“O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, disse esta segunda-feira que vê «com muito interesse» a eventual entrada da brasileira Oi no capital da PT, empresa onde o banco é um dos principais accionistas.”
.
In http://www.agenciafinanceira.iol.pt/empresas/portugal-telecom-pt-oi-brasil-ricardo-salgado-agencia-financeira/1208982-1728.html
.
“A Sonaecom defende que o Governo, ao preferir o projecto da Portugal Telecom, tem agora uma “especial responsabilidade”, ficando “publicamente ainda mais comprometido” em assegurar que a PT será competitiva no mercado nacional das telecomunicações.
A operadora de Paulo Azevedo reage assim ao chumbo da desblindagem dos estatutos na assembleia geral, num comunicado divulgado segunda-feira. A Sonaecom frisou que a sua oferta não chegou “verdadeiramente ao mercado”. No entanto, a operadora continua a acreditar que “do ponto de vista de criação de valor para os accionistas da PT, para os consumidores e para o país, a nossa proposta era seguramente melhor”.”
.
In http://mobile.economico.pt/noticias/sonae-aponta-responsabilidade-ao-governo-na-opa-da-pt_47303.html

.
.
Ou seja, Ricardo salgado é apenas um dos rostos das políticas económicas que em Portugal são prosseguidas há anos em Portugal, que está estabelecido em Lisboa. Podemos estender outros rostos que depois surgem ligados a outras actividades rent seeking promovidas em Portugal, via as famosas Parcerias Público privadas, como por exemplo o Grupo Mello ou até mesmo a Teixeira Duarte, por exemplo.
.
.
Que políticas económicas são essas? São políticas rent seeking, cujas actividades geram rendimentos a determinados capitalistas, que fogem às regras de mercado livre, concorrenciais e abertas. São na generalidade actividades fomentadas por políticos influenciados por lobbies fortemente poderosos, tanto licitamente (financiamento de campanhas políticas legais, dispensa de quadros para exercerem actividade política, forte cruzamento entre actividades económicas e políticas, como caso mais evidente em Portugal, figuras como Miguel Frasquilho, o Manuel Pinho ou até mesmo o Noguera de Leite) como ilicitamente, através da corrupção política. (Ver caso dos sobreiros, envolvendo o próprio BES).
.
.
Estas actividades económicas rent seeking podem também ser vulgarmente conhecidas como actividades fora da alçada do mercado aberto, livre, concorrencial e regulado. Vulgarmente também se designam Bens e Serviços NÂO Transaccionáveis em contraponto aos transaccionáveis ou concorrenciais. E são actividades quase sempre assentes em políticas económicas de governos pouco transparentes, como são o caso dos portugueses. Em Portugal as actividades rent seeking estão quase todas sedeadas em Lisboa, mesmo que parasitagem o resto do país. Um exemplo evidente é o da Brisa, uma empresa que declara lucros (e valor acrescentado bruto) em Lisboa mas sobrevive sem cobrar uma única portagem na capital.

As citações e estas noticias servem para mostrar como funciona Lisboa. O líder do BES promove políticas económicas que criam actividades rent sekking e chega a influenciar positivamente os designios estratégicos do Estado, como no caso do TGV ou do novo aeroporto.


Se em Lisboa e arredores predominam as empresas das actividades rent seeking (como a Brisa, o BES, o BCP, Mellos, etc) no Norte e Centro do país predominam as actividades que sobrevivem a produzir e vender bens e serviços em mercados abertos, livres e concorrenciais. Temos como exemplo, as empresas têxteis, de calçado, metalomecánica, etc. Empresas como a Iberomoldes ou até mesmo Sonae Industria concentram aí as suas actividades e estão bastante dependentes dos mercados abertos e livres para sobreviverem. Denotam quase sempre uma rentabilidade dos capitais próprios baixa, custos de financiamento mais altos, em contraponto às actividades rent seeking, que protegidas pelo poder político, pelos monopólios, oligopólios ou pela falta de regulação, acedem a financimentos mais baratos. E rentabilidades mais altas, quase sempre garantidas pelo Estado.

Este sistema económico promovido por Lisboa tem mesmo raízes culturais e sociológicas profundas. As actividades económicas rent seeking são promovidas normalmente por partidos de esquerda (porque gostam de promover o controlo político, o crescimento do Estado e mesmo o controlo económico da sociedade), partido esses que são sempre ou quase sempre maioritários no Sul e em especial em Lisboa. No Norte, ao contrário, como a própria cultura e relações sociais promovem o espirito livre, empreendedor e crente na funcionamento do livre mercado (basta contrapôr as ideias de um Paulo Azevedo ao de um Ricardo Salgado), na iniciativa privada e na concorrência. Por isso, tradicionalmente o Norte é conservador e de direita (ver alguns trabalhos do Villaerde Cabral) ao passo que Lisboa e arredores, é essencialmente de esquerda e estatista. E parasita. E isto não é assim há apenas recente, tem raízes históricas muito profundas, que até há cerca de 140/150 anos atrás levou a um profundo debate em Portugal, sobre as diferenças entre o Norte e o Sul.

Trabalhos académicos como este, Rent-Seeking and Economic Growth: Western Europe and East Asia: the Cases of Portugal and Taiwan, 1950-2007 , do Luciano Amaral são importantes para perceber as razões do declinio e falência de Portugal, depois de terem quase destruído o resto do pais, em especial o Norte, que paga a chulice de Lisboa. (Aceder aqui: http://apebhconference.files.wordpress.com/2009/09/amaral1.pdf )

Esta actividade parasita, corrupta e “progressista” estará na origem de todas as grandes crises portugueses dos últimos 200 anos. Mas o que importanta entender é o seguinte. A esquerda promove as actividades rent seeking, também por corrupção profunda dos partidos políticos, mas também pela ideologia. Segundo alguns seus ideólogos, como é preciso promover o crescimento económico tem-se que usar o Estado. Aliás, o próprio António Guterres chegou a usar o chamado “modelo social de emprego” para justificar a criação de muitos empregos no Estado, de promover vastas obras públicas através das chamadas PPPs, porque, na sua ideia, como o sector privado não conseguia crescer o suficiente para criar empregos altamente remunerados, teria que o Estado fazer um pressing sobre as empresas, promovendo aumentos salariais muito acima dos aumentos da produtividade. escusado será dizer que este governo de Sócrates apenas continua esta ideologia que promove o rent seeking e a corrupção.

Mas o mais triste foi isto. Os governos do PS, apoiando-se até nas teses dos sindicatos da função pública (sindicatos corruptos, bastante corruptos), sempre promoveram fortes aumentos salarais, bem acima do que os sectores de actividade de bens transaccionáveis, crentes que assim em concorrência com os salários do sector privado, subiriam artificialmente os salários dos sectores abertos á concorrência, acabando por eliminar as empresas que “nem sequer conseguem pagar o salário minimo”.
.
Estas políticas idiotas promovidas por Lisboa (e seus partidos dominantes, PS, PCP e BE), ao invés de puxarem pelo tecido produtivo real, apenas o afundaram. Nada como até saber que esta ideologia corrupta e parasita até é tese de autores estrangeiros. Trabalhos como este, How costly is rent-seeking to diversification: an empirical approach (aceder aqui: http://www.cerdi.org/uploads/sfCmsContent/html/333/waldemar.pdf ) até são baseados na experiência portuguesa.
.
Portanto, hoje o Norte de Portugal tem que levantar a voz contra Lisboa. Novamente, como no passado. Porque, Lisboa culturalmente, politicamente,e até sociologicamente sempre foi e sempre será corrupta e parasita. É assim desde pelo menos os Descobrimentos. Por isso é que Lisboa e os seus partidos políticos mais influentes são estatistas e promovem actividades rent seeking. E por isso é que os partidos políticos portugueses são quase 2socialistas”. Por isso é que o CDS e o PSD são bastante semelhantes ao PS, PCP e até BE. Porque são partidos bastante dominados pelo próprio eleitorado tradicional, já de si parasita. E quanto menos parasita o seu eleitorado, menos estatista. O CDS é menos estatista quanto menos o seu eleitorado tradicional depende dos dinheiros públicos. Assim como o PSD. O PSD é o partido mais liberal entre os 5 porque tem no seu eleitorado tradicional uma importante franja do Norte. Senão, até se poderia pintar de rosa, que passava bem pelo PS, fundado pelo Soares. E, por isso, não é de estranhar que o PS acabe por ser poiso de muita gente de direita (tanto de ex-salazaristas, como o Freitas do Amaral ou até mesmo o Veiga Simão) como até o PS goste tanto de parte dos nossos capitalistas tradicionais.
.
Espero que este longo texto tenha servido para perceber melhor o porquê que o Norte só poderá ser rico e livre no dia em que se desembaraçar das gentes de Lisboa, em especial suas élites corruptas, bem patentes na atribuição de casas camarárias, que foram entregues a jornalistas, como B. Bastos ou até a “empresários” como aquele tipo do CDS e da bola, o Duque. E ainda é mais interessante que esta corrupção generalizada se tenha estendido da direita à esquerda, pois se começou com o Abecassis continuou até pelo menos aos tempos do João Soares.
.
Os do Sul pensam que as actividades da bola são representativas do nosso tipo de élite. Mas não o são. E até como prova interessante do quanto são diferentes no Norte, até o Presidente da Càmara do Porto “deu-se ao luxo” de desprezar os mentecaptos da bola para ser eleito duas vezes.

É por isso que o José Silva do Norteamos destaca duas importantes situações interessantes. O euro é a moeda que serve o Norte e não o sul. O euro beneficia os produtores (tanto na Alemanha como no Norte de Portugal) e prejudica os parasitas, seja na Grécia ou em Lisboa. Por isso o Norte deve fazer tudo para se manter no euro, embora eu já sei que os corruptos e os parasitas de Lisboa vão fazer tudo para sairmos do euro. Outra situação que ele bem defende, é o Norte evitar que a escumalha parasita de Lisboa queira centralizar cada vez mais os centros de decisão políticos, eliminado cada vez mais estruturas intermédias de poder.
.
E outro pequeno comentário.
.
Não é por acaso que o BPI do Ulrich até fez estudos para combater as loucuras de Lisboa e o Tio Ricardo fazia slides bonitos de apoio ás loucuras megalómanas do Sócrates. Isto não é apenas simbólico, é todo um comportamento de que tipo de élites predomina no Norte. E quem diz um Ulrich, diz um Paulo Azevedo, por exemplo. Exemplos de gente que quer viver sem ter o Estado e a mão parasita por detrás dos seus ombros.
.
.
Acho que os do sul, que tanto usam o Bimbo da Costa e alguns seus lambe-botas como tentativa de simbolizar o Norte, deviam pôr os olhos num Vale e Azevedo fugido ou num Flipe Vieira que enriquece demasiado fácil para acreditar na lisura de todas as suas actividades empresariais. Meditem e deixem-se de palermices da bola, porque apenas são expressões de primarismo básico.
.
.
Uma coisa é certa. Em Lisboa a inveja por ferraris ainda hoje se nota em muitos comnetários dos “inteligentes do sul”. mas isso, meus amigos, é problema das vossas conscièncias, não dos empresários nortenhos de sucesso. Esses, merecem bem os ferraris que detêm, pois ao contrário da propaganda sulista, quase sempre são adquiridos sem sequer dever um tostão a um trabalhador. Mas isso, claro, que custa aos invejosos do sul admitir.

Só gostaria de complementar os textos com esta ideia. Quanto mais Lisboa se afunda, mais o Norte se levanta, pois quanto menos actividade parasita do Sul é implementada em Portugal, mais espaço sobra para o tecido produtivo do norte, quase todo na produção de bens e serviços transaccionáveis, rumo á exportação. Por isso não me surpreende muito que as exportações estejam a crescer outra vez bastante, pois as políticas de austeridade sobre o Estado e sobre Lisboa, apesar do continuar do arrastão fiscal, acaba por dar espaço á iniciativa privada.

Por «anti-comuna» aqui: http://blasfemias.net/2011/04/20/sintese-da-execucao-orcamental-2/#comment-352560

PS: Este post é essencialmente dedicado aos lideres do MPN. Alguns deles, apesar de economistas, escrevem que o Norte está em crise. Começo a achar que o objectivo de alguns desse lideres não é a política mas sim outro tipo de negócios. Se os objectivos fossem mesmo o sucesso na política não estariam tão errados.

20090924

A capital do «Crony Capitalism»

During the last 20 years, “Greenspan and Bernanke introduced crony capitalism to the West, which is leading to a lost decade(s),” Jim Rogers writes.

Wikipedia: Crony capitalism is a pejorative term describing an allegedly capitalist economy in which success in business depends on close relationships between businesspeople and government officials. It may be exhibited by favoritism in the distribution of legal permits, government grants, special tax breaks, and so forth.

O neo-liberalismo interesseiro transformou-se em «Crony Capitalism». A capital portuguesa do «Crony Capitalism» é Lisboa e o partido que mais o pratica é o PS, obviamente.

O Capitalismo tem que deixar de ser «Crony». Este deveria ser o cobjectivo de todos os partidos, incluindo o BE e PCP.

O Norte também o tem, embora de reduzida dimensão face a Lisboa: Mota-Engil, Soares da Costa, JP Sá Couto, etc.

20090820

Distinguir o trigo do milho evita raciocínios em «loop»

Jornal de Negócios Online - O Banco Carregosa (sede no Porto) vai abrir uma sucursal em Madrid até ao final deste ano, revelou ao Negócios Pedro Duarte, presidente executivo da instituição financeira.
JAFerraz afirmava, há dias, em entrevista à RTV, que havia poupança nos balcões bancários do interior Norte que não eram canalizados para projectos locais. Sugeria a criação de um Banco Regional. Ora, o que sacontece na realidade é que um banco de investimento sediado no Porto trata de abrir sucursal em Madrid e internacionalizar-se em vez de rumar ao interior Norte.
O mesmo dilema preocupava há dias, Rui Valente e Rui Farinas relativamente à Sonae. Provavelmente, Belmiro emprega mais lisboetas do que portuenses.
Porquê esta aparente contradição ?
O problema destes amigos bloggers é que não compreendem que a actividade económica pode ser dividida de várias formas e uma delas é a divisão considerando a origem territorial da procura. Nesta caso teriamos os sectores dependentes da procura Local/Regional e sectores dependentes da procura Nacional/Internacional, isto é, fora da região onde está situada a empresa/negócio/organismo. Exemplifiquemos.
Sector de procura Local/Regional:

  • Transportes, públicos e privados, de passageiros e mercadorias , com rede local/regional (taxistas, STCP, TUBraga, Internorte, Metro do Porto, Aeronorte, TransMaia, etc) ;
  • Hospitais clínicas, médicos e afins independentes, públicos ou privados (ex.: Hospital da Trofa);
  • Portos e aeroportos individuais;
  • Comércio local, restauração, farmaceuticos individuais;
  • Ensino (Infantários, Escolas, Universidades, públicos ou privados;
  • Pequenos promotores imobiliários, empresas CCOP, e gabinetes arquitectura/engenharia (grande parte dos leitores da Baixa do Porto);
  • Clubes desportivos locais;
  • RTV, PortoCanal, BragaTV, DouroTV, radios locais, semanário Grande Porto, Diário do minho, impressa local, etc;
  • Proprietários de imóveis (via valorização da propiedade e possibilidade de arrendamento) e empresas gestoras de condomínios;
  • Delegações locais dos fornecedores Bens e Serviços não Transaccionáveis (sucursais de bancos, seguros, energia, telecomunicações, correios, repartições de finanças, e da segurança social, lojas, super e hipermercados individuais, etc);
  • Independentes ou pequenos contabilistas, advogados, auditores;
Sector de procura Nacional/Internacional:
  • Grandes promotores imobiliários e lobby betão (Soares da Costa, Mota Engil);
  • Grandes cadeias de distribuição (Sonae);
  • Hotelaria;
  • Exportadores;
  • Sede dos fornecedores de Bens e Serviços Não Transaccionáveis (Bancos, GALP, EDP, PT, ZON, CTT, BRISA, Administração Central, etc)
  • Grandes contabilistas, advogados, auditores, consultores (PWC, Accenture, A Vieira de Almeida, etc)
  • Sede dos grupos de saùde e administraçâo central da saùde;
  • FCPorto, Sporting, Benfica;
  • TVI, SIC, RTP, Antena 1, Publico, JN, DN, etc
  • Transportes de passageiros públicos e privados, passageiros e mercadorias de ambito nacional (Luis Simões, TAP, CP, etc)
A Blogosfera Regionalista, a Rede Norte, os cidadãos legitimamente interessados e preocupados com o seu futuro no território onde actualmente vivem, tem que perceber de uma vez por todas, que é impossível esperar dos agentes económicos cujo mercado é Nacional/Internacional qualquer sensibilidade para a equidade no desenvolvimento territorial. Para eles, naturalmente, não interessa onde está situada a procura ou a riqueza.
Se querem solidariedade, se querem convencer alguém, se querem apoio, tem que se orientar para todos aqueles que estão no primeiro sector. É este o nosso mercado.
É importante distinguir o trigo do milho para evitar raciocínios em «loop».



20090226

Finórios portuenses

Muito se tem escrito e discutido sobre a renegociação da dívida de Manuel Fino (accionista maioritário da portuense Soares da Costa, representante das FIRE-Finance, Insurance, Real-State, nacionais, caídas em desgraça desde 2007) à CGD. Facilidades inaceitáveis e e de caracter «mafioso».
O leitor mais atento exclamará: Afinal não é só Lisboa !!!
A minha tese é que os fornecedores de bens e serviços não transaccionáveis circulam o Terreiro do Paço para venderem por valores inflaccionados e assim aumentarem a sua carteira de negócios. Estas empresas são maioritariamente de Lisboa (sede, gestão, accionistas) com alguns acréscimos, nomeadamente Soares da Costa e Mota-Engil.

PS: O comentador «Suevo» informa que Manual Fino é natural de Portalegre. Não altera a tese. A Soares da Costa está sediada no Porto, assim como a sua administração. Para todos os efeitos o modelo de negócio desta empresa, da Mota-Engil e do imenso sector dos bens e serviços não transaccionáveis de Lisboa é o mesmo. Traficar influências junto da administração central e empresas públicas para potenciar as próprias carteiras de encomendas, à custa dos contribuintes.

20090205

Economia lisboeta em colapso 2

Jornal de Negócios Online - O arrastão

A crónica de PSG revela mais detalhes das dificuldades em série do BCP, CGD, TD, Joe Berardo, Teixeira Duarte, Filipe de Bottom, João Pereira Coutinho, João Rendeiro.
De fora de Lisboa, apenas Manuel Fino, da Soares da Costa.
A solução, vender os aneis com avlor (BCP ao BBVA)

20081128

Investimento público

O Governo tem vindo a insistir na importância do investimento público para a revitalização da economia.

Neste contexto, não se compreende a razão porque continua a ignorar a proposta da Sonae e Soares da Costa de investir 1000 milhões de euros no Aeroporto do Norte. Se calhar, estamos a nadar em dinheiro e não sabemos.

20081127

Autarquias do Norte e Aveiro unidas na defesa da gestão autónoma do Aeroporto Francisco Sá Carneiro

Autarquias do Norte e Aveiro, Junta Metropolitana do Porto, CCDRN, Universidades, Associações comerciais e industriais (AEP, ACP, AIMinho, AIDA), empresas (Sonae e Soares da Costa), bl-og-os-fe-ra, e cidadãos. Todos defendem a gestão autónoma. Todo o Norte defende a gestão autónoma. Mas não só. Também o Algarve pede gestão autónoma dos aeroportos.

Até quando continuará o Governo a fazer de conta que não sabe que o monopólio privado não é o modelo desejado pelos portugueses?

20081105

Intrigante

Nem mesmo eu, eterno desconfiado das mafiosidades da oligarquia de Lisboa, consigo compreender este post cheio de mensagens nas entrelinhas. E até fala de bases extremistas no Porto. Será que o «Suevo» tem razão ? Teremos por aí uma invasão moura ?

Qualquer que seja a interpretação disto, a mensagem para o Norte é clara: Temos que criar/consolidar um pensamento político e económico próprio, independente deste tipo de cumplicidades do bloco centralista.

Se dúvidas houvesse: já fede. ( De outra maneira, claro e frontal, escreveu-o ontem Eduardo Damaso: tocar a sério ” nisto ” pode ser o fim do Regime ). Percebe-se, aos poucos a oportuna nacionalização. Mais do que salvar um Banco, ( não se podia oferecer o dito aos sauditas ou aos paquistaneses? ), importa é lançar as condições para que tudo mude para que nada mude. Deixar assentar o pó, safar Constâncio e, com ele, a Mafia do Sistema embrulhada nos seus obscuros negócios ilícitos. O esterco em que se cimenta a nossa dita Democracia e o dito Estado de Direito Democrático onde as estórias de Sócrates são, comparadas com isto, coisa pouca. Afinal, os mesmos de sempre nos golpes de sempre e cumplicidades que ultrapassam o quadro partidário. Não será preciso ir buscar a Cerâmica Campos, em Aveiro. Vamos por outro lado. O Ikbal? Janeiro de 2003. Fraudes eleitorais, ilegalidades várias, violação de estatutos, consecutiva e impunemente, obras na Mesquita, ( tão cuidadosamente visitada em período de eleições, de Cavaco a Santana Lopes ), acusações escritas, graves, assinadas por Mussa Omar ao banqueiro Abdul Vakil, velho amigo do amigo Dias Loureiro, recente número 1 do BPN e o homem do Efisa, entretanto enfiado no Grupo. Esqueçam os accionistas de fachada e sejamos sérios. As denúncias foram sempre desvalorizadas e o banqueiro teve a honra de ser condecorado a 10 de Junho com uma rectaguarda firme de jornalistas de referência, gratos, venerandos e obrigados. De referência. Outros, que tentaram virar as coisas andam por aí. Calados. O Ikbal, administrador do Efisa, seria o herdeiro na CIL, do ” golpismo ” que defende outros ” Interesses “. ( Carta na Al-Furqán de Agosto de 2002, assinada pelo Dr. Mussa Omar, outra vez ). Claro que esta nacionalização é política, uma questão de sobrevivência, e esconde muito do que nunca se saberá. A factura pagamos nós. Afinal haverá matéria explosiva pelo meio. Não é acaso só agora, reformado, Júlio Pereira, ex-director do SEF ser o primeiro a confirmar o que o Poder e a imprensa escondem. ” A Al-Qaeda, ( em Portugal ) é uma ameaça séria ainda que se diga que os elementos radicais são minoritários “. E, acrecenta, o MAI sabe-o. ( Público, ontem ) Como o sabem muitos. Aqueles que teimam, por exemplo, em denunciar os terroristas Tabblighs que, nessas direcções ilegais de Vakil, eram representados pelo polígamo Ismael Lunnat. Que se sentou tranquilamente no acto fundador da Comissão para a Liberdade Religiosa ao lado do inevitável Soares. Há misturas e promiscuidades estranhas num País estranhamente cada vez mais estranho. Claro que com o PGR isto poderia tornar-se engraçado. O que nunca sucederá claro. Ainda vamos ver Oliveira e Costa indemnizado. O Dr. Vakil? Continua Presidente vitalício da CIL, ( o que parece ser francamente importante ), alterou a posteriori Estatutos para legalizar ilegalidades, tirou da frente o Lunnat, silenciou jornalistas e manteve-se amigo de outros, fez sair os holofotes das bases extremistas no Porto ou no Laranjeiro e alindou a imagem do Colégio de Palmela. A lebre para o futuro era outra, não o Ikbal, e acreditem tem sido um sucesso. A banca já é secundária e o assalto deu-se noutro lado. Pois é.

20081017

ASC em «Damage control»

Estou bastante céptico relativamente ao futuro do ASC e à estratégia da ACP/JMP/Sonae/Soares da Costa. Porquê ? Basicamente porque os agentes regionais são ridiculamente ingénuos. O futuro do ASC está estrategicamente encalhado devido aos erros passados e só nos resta o «damage control».

Vejamos:

  • A ACP/Rui Moreira baseou a sua estrategia para a gestão autónoma em armadilhar compromissos verbais com Teixiera dos Santos/Sócrates. Ora, estes, como é habitual, renegam o que fôr necessário para atingir os seus fins. Não resulta.
  • A JMP com Rio à frente só serve para retirar poder negocial. É que este senhor acha que não se deve berrar com Lisboa. Do lado de lá, já devem dizer «pois, pois, a gente compreende».
  • A participação da Sonae e da Soares da Costa é um caso de «moral hazard», como relata Honório Novo:
    • Efectivamente Belmiro, anda há muitos anos em dissonância cognitiva. Por um lado o Estado Central nega a posse de bancos, OPA à PT e agora a gestão do ASC. Por outro lado ele manifesta-se contra a Regionalização ou contra qualquer outra alternativa que altere o «status quo».
    • A posição da Soares da Costa neste filme é revelador do cínismo e do «lobby» do betão: Há uns anos esta empresa sacou do OGE uma expansão megalómana de fraca qualidade do ASC via Ludgero/Cardoso/Jorge Coelho/Guterres e agora propõe-se gerir o ASC.

É certo que a importancia do ASC me deveria fazer branquear o passado. Porém os erros estratégicos anteriores do poder económcio a Norte, cumplice habitual do Centralismo, AEP/Ludgero/ACP/AIMinho/Sonae/BPI/AICCOPN, continuam a manifestar-se ainda hoje. Efectivamente os privados andaram a baldar-se e agora invocam o desenvolvimento regional. Durantes decadas, foram ingénuos e cumplices com a Drenagem do território, a troco de negócios, incentivos, obras, juros bonificados, licenças administrativas. Agora, não grande tem credebilidade nem geram vaga de fundo da sociedade civil, claro está.

Sobrevalorizam o seu poder, julgando que por serem gigantes no nosso territorio também o são a nível nacional ou ibérico. Efectivamente não tem o peso político, económico, social que tem a mega região de Lisboa e seu bloco de interesses, «máfias», MSM, e população acéfala consumidora de propaganda. Não percebem que são David contra Golias. Desperdiçaram oportunidades de ganhar poder regional há 10 anos e agora é tarde. A gestão autónoma do ASC está condenada ao falanço e a prova disso é o contra ataque da artilharia pesada do Centralismo como revela António Maria a propósito do recente excesso de zelo alfandegário com turistas galegos no ASC:

Nada acontece por acaso! Eu, como alguns amigos galegos cultos e bem informados, temos a mesma teoria: sempre que a Galiza se aproxima de Portugal, alguém de Madrid ou de Lisboa, começa a provocar, e depois a sabotar. Desta vez, creio que as armadilhas estão a ser colocadas por gente do Terreiro do Paço (oriunda da nova loja sino-maçónica, envolvida na especulação da Portela, no assalto à ANA e na ocupação territorial das terras de Alcochete), e ainda por gente da Moncloa e do Palacio de Oriente, que detesta as teorias de Richard Florida sobre as mega-regiões, preferindo manter isolado o seu quintal galego. Porto, organiza-te!!

Resta-nos «damage control», exigir contrapartidas:

  • Direito à participação da JMP ou CCDRN na gestão privada da Ana;
  • CVE Porto-Minho-Vigo a passar no ASC via ramal de Leixões;
  • Muito importante: Reclamar o restabelecimento de algumas rotas TAP para principais aeroportoes europeus, Londres, Paris, Frankfurt em início e fim de dia de forma a permitir deslocações profissionais ao Norte num único dia de trabalho, sem ser por lowcost. Alternativamente, conceder uma taxa aeroportuária excepcional à BA, Luftanhsa ou AirFrance para o fazer.

PS1: Sugestão para as negociasções. Belmiro exigia o «write off» da toda a dívida para ficar com a gestão do ASC. Não poderá ser apenas parte da dívida. Isto é, não se poderá considerar que uma componente foi investimento público e que portanto não transita para os privados ? É que se Belmiro assumisse parte da dívida teria muito maior poder negocial. Depois até poderia revende-la fazendo um peditório pela região. Eu até era capaz de dar para tal.

PS2: Há cerca de 15 dias estive no ASC, na ala sul. A certa altura havia uma porta exterior aberta a cerca de de 20 metros de um difusor de calor. Não percebo nada disto, mas acho revelador de incopetenca na conceção do edifício.

PS3: Enquanto o trafego nos restantes aeroportos desce, no ASC continua a subir.

20080911

Mensagem à Associação de Cidadãos do Porto

Os tempos que correm são bastante agitados e surpreendentes. Breve diagnóstico:

  • Peak Oil. Estamos numa transição para energias mais caras e poluentes. As implicações são imediatas, desde a redução da actividade turística, do trafego aéreo e respectiva necessidade mega-aeroportos, até ao retrocesso na sub-urbanização ou o retrocesso na deslocalização da actividade industrial para a China, que será favorável ao Norte ainda industrial.
  • Recessão. Estamos numa recessão no mundo ocidental, incidindo sobretudo nos sectores FIRE (Financials, Insurance, Real-Estate). No fim de semana passado o governo dos EUA nacionalizou bancos pré-falidos. Por estes dias o 4º maior banco de investimento americano, o Lehman Brothers, está também a falir... O presidente do banco central do Reino Unido diz que este país pode ter a pior recessão dos últimos 60 anos. Soros afirma que o sistema financeiro mundial está "à beira da ruptura"... Rogers dize que “tivemos a pior bolha no crédito da história mundial”, que não se consegue resolver “num, dois ou três anos”.
  • Separatismos. Reaparecimento de separatismos e independências unilaterais, para além do Kosovo e Ossétia do Sul: O Daily Mail do fim de semana dizia que a Belgica enfrenta uma histórica divisão e questiona se o Reino Unido se seguirá com as sondagens a mostrar uma maioria de escoceses a votarem pela independência. Já referi a nossa Macaronésia e há muitos outros casos listados no wikipedia, genuínos ou meros instrumentos das grandes potências. Nem mesmo os EUA escapam, como prova esta reportagem do Pravda sobre os independentistas do ex-russo Alaska.
  • Guerra Fria e EUA. Estamos numa nova Guerra Fria: Sistema anti-míssil na Polónia e república Checa, navios da Nato no mar Negro e navios russos na Venezuela e brevemente em Cuba, Síria e Irão. É inevital a redução de influência dos EUA nos assuntos mundiais e respectiva ascendência de outras potencias como seja o Brasil, Rússia, India e China (BRIC): US waves goodbye to prosperity and democracy. Emmanuel Todd já o tinha escrito, e também tinha antecipado nos anos 70 a implosão da União Soviética.
  • Bloco Central(ista). Em Portugal temos um Bloco ideologicamente Central e territorialmente Centralista em constituição, como já tinha antecipado. É dominado por Cavaco, Sócrates e MFLeite de forma a que os interesses de sempre subsistam. A economia dos Bens e Serviços Não Transaccionáveis sediada em Lisboa e protegida pelo Estado Central prepara-se para continuar o «business as usual» por mais 4 anos. Isto é, a impor as suas margens monopolistas e elevadas sobre as PMEs e famílias do resto do território nacional.
  • Drenagem. A última sabotagem na linha do Tua premite conhecer melhor o que são a maioria dos transmontanos e antecipar o futuro. A probabilidade da barragem não avançar só é sentida em TMAD. Em Lisboa, na sede do MOPTC, da EDP ou do consórcio financiador, o movimento de defesa da linha do Tua não faz estragos nem ameaça. Efectivamente a sabotagem verificada foi executada por quem sente ameaçado os seus interesses nas indemenizações devidas pela construção da barragem. Foram certos transmontanos que sabotaram a linha no último acidente. Esta traição não é nada de novo. Aliás, infelizmente a maioria dos transmontanos emigram ou votam a favor de Lisboa, como se viu no referendo da Regionalização. Como recompensa, os transmontanos podem contar com uma central nuclear no Douro dentro de alguns anos, como afirma o oligarca Patrick Monteiro de Barros. TMAD dá uma antevisão em cerca de 50 anos da Drenagem que acontecerá ao Norte litoral.
  • Desnorte. O Norte estrategicamente à deriva gerou e continua a gerar imbróglios como o do ASC: Há 10 anos a Soares da Costa precisava de facturar. As elites portuenses cúmplices com o Centralismo lá conseguiram sacar do Orçamento de Estado uma modernização megalomana do aeroporto. Agora a gestão da gare não é economicamente viável. A Ryanair já não vem para cá com a sua base. Rui Moreira, Belmiro de Azevedo, Luis Filipe (porque não te calas) Menezes ou Rui Rio bem podem celebrar em Novembro próximo os 10 anos do não à Regionalização.
  • Emigração. No meu círculo de contactos (familiares, colegas, ex-colegas, inclinos), no último ano, 5 pessoas emigraram. Nem todos se dão bem. O portuense «Fomos» começa a detectar problemas no seu trabalho qualificado na Irlanda. Curiosamente em 2008 a Irlanda termina um ciclo de crescimento elevado que se tinha iniciados há mais de 20 anos... A Emigração não é panaceia para o desenvolivmento a Norte. O mundo ocidental, onde estão a maior partes dos nossos emigrantes está em recessão e as remessas já estão a cair.
  • Regionalização. Alguem acredita que em 2009, com a crise actual e protagonistas actuais, a Regionalização entre na agenda eleitoral ? Com muita sorte o PS lançará em 2010 a Regionalização piloto apenas no Algarve, a região mais rica de Portugal a seguir a Lisboa. O Norte pode esperar até 2013 ... Entretanto planos equivalentes à OTA para as regiões adjacentes de Lisboa vão aparecendo... A dupla ética habitual...

Neste contexto foi com agrado que tomei conhecimento da iniciativa de Alexandre Ferreira/Associação de Cidadãos do Porto em organizar um evento, que em princípio participarei. Eis a minha opinião sobre o que pode ou deve fazer este movimento/associação:

  • Participar em eleições. Há vários caminhos:

· Apoiar candidaturas independentes às autarquias;

· Criar um novo partido político cuja ideologia/prática/programa se adeque as preocupação dos associados/simpatizantes, por exemplo, o Partido da Emigração e Regiões;

· Aderir massivamente a um dos pequenos partidos (de formação recente ou não) e enxertar neles as nossas preocupações/soluções. Entre estes saliento o Movimento Esperança Portugal, o Movimento Mérito e Sociedade ou Partido Democrático do Atlantico (saliento a candidatura em 2005 de um cidadão do Vila Real nas listas dete partido, para defender os interesses da sua região). Estes (proto-) partidos tem ainda uma dimensão reduzida e uma infusão significativa de militantes seria suficiente para influenciar decisivamente oo seus programas.

· Ficar apenas pelo «lobby» informal, mas com capacidade de influenciar significativamente a comunicação social e demais partidos existentes e respectivos programas eleitorais;

A «infiltração» nos partidos tradicionais de poder (PS ou PSD) como tenta e defende TAF, não resulta, na minha opinião. Serão sempre nacionais e não regionais. Os políticos de fora de Lisboa que chegam ao poder serão sempre condicionados a terem uma política de defesa da capital e nunca do restante território. Serão quase sempre comedores de migalhas e trocarão a defesa dos seus eleitores pelo seu próprio bem estar. Por exemplo o PSD Porto não apoiou o regionalista PSLoles e preferiu PPCoelho (que renegou posteriormente esse mesmo apoio), por causa de uma questão de lugares de deputado.

  • Adoptar uma ideologia apropriada aos valores a Norte. Este assunto é complexo e demorado. Porém, proponho simplesmente que adopte a nossa cultura individualista que coexiste com a solidariedade social, nomeadamente das IPSS e acção social da Igreja. Portanto um Liberalismo Clássico com Social Democracia apenas para os 10% ou 20% verdadeiramente pobres.
  • Moralizar a vida pública. Não pode haver social democracia para as carteiras de encomendas do sector das obras públicas/project finance/gestão de PPP, para a SoaresdaCosta, Mota-engil, parceiros do Rio ou do Mesquita Machado nas várias PPP que vão criando, ou para os fornecedores privados que querem captar clientes com a actual e conspirativa destabilização da Saude e Educação pública. Há uns meses um representante de negócios português num pais do norte de África, dizia-me que neste momento a corrupção em Portugal é maior do que a que existe nesse continente. É preciso acabar com a lógica da privatização dos lucros e socialização dos riscos ou prejuizos.
  • Focalização nas questão materiais. Concentração nas questões económicas e não nas identitárias, sem as descurar, no entanto. Abandonar as preocupações com o FCP e com o futebol em geral.
  • Não apelar a separatismo ou afins. Oponho-me a uma estratégia de independência do Norte. O sentimento é de facto nascente, mas é utópico. Só serve para auto-iludir os seus defensores. Perante situações difícies ou «ambição de subir na vida» o povo a Norte emigra, vende-se a Lisboa ou aliena-se com FCP, compras em shoppings, idas à praia ou romarias. A execepção são os que me lêem, uma imensa minoria. Acreditar no Pai Natal ou na adesão massiva a um hipotéctico separatismo é o mesmo. É muito mais realista e adulto apostar em evitar mais oportunidades perdidas como a derrota de FNogueira em 1995, o não à Regionalização em 1998, erros na concepção da rede do Metro do Porto ou dimensão das obras no ASC a partir de 2000, a vitoria de Sócrates em 2005, vitória de MFLeite em Maio de 2008, etc.
  • Defender projectos viáveis. Apostar em ideias/projectos públicos exequíveis e que respeitam o contribuinte:

· Simultaneamente implementar a fusão de autarquias e Regionalização, adoptando integralmente o modelo dinamarques (para os mais atentos, informo que alterei leigeiramente a minha opinião sobre o assunto). Pragmaticamente, usar os recursos libertados pelas autarquias fundidas (verbas do OGE, funcionários, pessoal político, instalações) para implementar a Regionalização, calando assim os que a acusam de despesista.

· Repensar o urbanismo e a mobilidade atendento ao fim do transporte barato:

o Antecipar metros no Vouga e Braga;

o Expansão «lowcost» do metro do Porto;

o Recuperação turística/mercadorias da linha do Douro;

o Ligação do CVE Porto-Minho-Vigo aos ASC;

o Criação/recuperação de uma linha de comboio entre Viana-Barcelos-Braga-Guimarães-Felgueiras-Amarante-Marco de Canavezes, aproveitando a linha do Minho e o ramal de Amarante;

o Manter a linha do Tua;

o Avançar com maior empenho na criação de uma rede de ciclovias na AMPorto;

o Antecipar as plataformas logísticas.

· Desconcentrar a administração pública, reivindicando de Lisboa sedes/departamentos de organismos públicos como em tempos foi a API, o INE e o Centro Português de Fotografia ou como ainda subsistem no Porto as Direcções de Recursos Humanos do Exercito Português.

· Aproveitar as oportunidades para retomar o «lobby» contra as obras megalomanas de Lisboa e arredores.

o O maior grupo nacional especializado em PPP/SCUTS, a Brisa, «Crise obriga a cortar investimentos»;

o A portuense mas com modelo de negócio à Lisboeta «Mota-Engil, regista queda de 82,5% nos lucros do primeiro semestre»; A Teixiera Durate está pior;

o Madrid trava TGV: O Governo português não consegue obter resposta definitiva de Madrid para o avanço da rede ferroviária que inclui a ligação Madrid-Badajóz

Todas estes projectos estão a sofrer com a recessão actual que é essencialmente o rebentar de uma bolha de crédito barato. O patrocínio estatal e este tipo de negócios está a falhar em todo mundo. Já o tinha referido aqui. Literalmente os «FIRE on fire» dificilmente conseguirão candidatar-se a estes projectos porque provavelmente irão falir... É a oportunidade para o Norte desferir ataques finais em Alcochetes, novas auto-estradas, TTT, TGV, Expo2 (recuperação da frente ribeirinha do tejo), Plano Oeste, etc;

  • Atenção às infiltrações, escutas e oportunismos. Qualquer associação/lobby/partido de natureza política sofrerá de escutas do CIS, oportunismos e infiltrações
  • Aproveitar a Internet. A Internet veio revolucionar a forma de fazer política. Sugiro que os organizadores do evento façam a transmissão em directo audio e video via Operator11 ou Mogulus. Disponibilizo desde já o Norteamos para o «paste» do sinal video. Provavelmente o Tiago também disponibilizará a Baixa do Porto.

Apelos finais:

  • Caros leitores do Norteamos e Baixa do Porto: Aderir a estas causas, ser simpatizante, divulgar estas preocupações, não tem custos e tem vantagens próprias para o futuro económico que se avizinha;
  • Caros Rui Moreira e Pedro Baptista: Equacionem abandonar os vossos partidos e juntarem-se a esta nova associação/partido/lobby;
  • Caro Manuel Carrelo, considere esta reflexão;
  • Caros responsáveis dos partidos MEP, MMS: Alarguem a vossa base eleitural subscrevendo as preocupações que citei;
  • Caro Manuel Monteiro e a direita em reorganização: Considerem os interesses do Norte;
  • Caro Alexandre Ferreira, considere este contributo para o evento que organiza.
PS: 20080912 10:23: À frente dos acontecimentos: Concorrentes às novas estradas pedem adiamentos - A Mota-Engil, Soares da Costa e Somague pediram à Estradas de Portugal para adiar o prazo final das negociações da Auto-estrada Transmontana e Douro Interior. As empresas invocam dificuldade de financiamento e pedem que o Estado facilite a relação com os bancos. Estes estão a rever em baixa as previsões de tráfego.

20080801

Sonae e Soares da Costa oferecem mil milhões pelo Aeroporto do Porto

Sonae e Soares da Costa oferecem mil milhões pelo aeroporto do Porto
O consórcio formado pela Sonae e pela Soares da Costa oferece mais de 800 milhões de euros, a preços correntes, pela concessão do aeroporto do Porto num horizonte de 25 a 30 anos. Propõe-se ainda contribuir, durante este período, com mais de 200 milhões de euros para um fundo de promoção da região Norte como destino.

Aeroporto do Porto: Políticos e empresários do Norte mobilizam-se por gestão privada autónoma
"Os presidentes da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, e de quatro associações empresariais do Norte vão defender quinta-feira, em conjunto, uma
decisão política que possibilite a gestão privada autónoma do Aeroporto Sá Carneiro.

No final da reunião, Rui Rio afirmou que a JMP, AEP e ACP "acordaram em, a partir de agora, trilhar caminhos em conjunto" no objectivo comum de "procurar que haja uma concessão a privados que permita que o Aeroporto Sá Carneiro tenha uma gestão autónoma", e não integrada num monopólio privado dos três maiores aeroportos do país, na sequência da concessão do novo Aeroporto de Lisboa."
Abertis e Frankfurt na corrida ao aeroporto do Porto
O consórcio Sonae/Soares da Costa está em negociações com sete grande grupos internacionais, cinco europeus e dois sedeados fora da Europa, com vista a seleccionar o parceiro, especialista em gestão aeroportuária, que acompanhará o núcleo nacional na corrida a uma eventual concessão da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Comentário: Para um aeroporto que dá prejuízo, mil milhões de euros (+ fee anual pela concessão) é muito dinheiro.

20080710

Aeroporto do Porto: Junta Metropolitana, AEP e ACP unem-se na defesa de gestão privada autónoma

Estudo defende que infra-estrutura não deve ser incluída em monopólio privado.

Consórcio Sonae/Soares da Costa já fez chegar ao primeiro-ministro estudo sobre gestão do aeroporto. Mais uma vez, autonomia em relação ao aeroporto de Lisboa é a opção defendida.

O consórcio Sonae/Soares da Costa já fez chegar ao primeiro-ministro, José Sócrates, o estudo que elaborou sobre a gestão privada do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (AFSC). E os resultados, de acordo com o presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, vai no mesmo sentido dos que esta entidade já mandara realizar: "É decisivo que haja autonomia [de gestão] no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que este não seja integrado num monopólio privado". O líder da JMP e presidente da Câmara do Porto falava no fim de uma reunião da Junta com representantes da Sonae/Soares da Costa, da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e da Associação Comercial do Porto (ACP).

Da próxima vez que José Sócrates ouvir falar na necessidade de não submeter o AFSC à gestão da ANA é bem provável que o apelo seja feito a várias vozes. A JMP, ACP e AEP acordaram, ontem à tarde, "lutar por este princípio e, a partir de agora, caminhar em conjunto", esclareceu Rui Rio.O próximo passo será enviar ao primeiro-ministro uma carta, assinada por representantes das três entidades, a explicar isso mesmo e algo mais que o autarca não quis, para já, adiantar. "Vamos dizer-lhe que aceitamos o desafio por ele lançado e que temos interesse em fazer parte do debate sobre o futuro do aeroporto", disse Rio, referindo-se ao facto de Sócrates ter admitido que, desde que a região mostrasse capacidade para uma gestão autónoma do AFSC, estava disponível para analisar essa possibilidade.

Ontem, Rio voltou a defender que a integração do AFSC num monopólio da ANA (que incluiria ainda os aeroportos de Lisboa e de Faro) seria prejudicial à Região Norte. "Nesse contexto, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro ficará sempre subordinado a uma lógica de investimento do aeroporto de Lisboa e não do Norte", justificou.

O líder da JMP também não se deixou intimidar pelos resultados de um estudo encomendado pela ANA, dando conta que os privados poderiam ter que esperar vinte anos, antes de obter qualquer lucro com a gestão do AFSC, e que, mesmo assim, seria necessário um acréscimo de passageiros na ordem dos 4,6 milhões de pessoas. "A ANA continua sem nos dar os elementos desse estudo. Pedimo-los há muito tempo, mas continua sem os fornecer", começou por dizer, antes de ironizar: "Se o estudo da ANA é como diz, se o aeroporto dá tanto prejuízo e é um peso tão grande para a ANA, ainda bem que há alguém disposto a pegar nele. Que grande negócio que a ANA tem pela frente."

A JMP encomendou estudos à consultora Deloitte e à Faculdade de Economia da Universidade do Porto que apontavam no sentido da gestão público-privada, com capitais locais, ser o melhor modelo para o AFSC. A entrega da gestão exclusivamente a privados, desde que autonomizada da restante rede aeroportuária, foi considerada pela FEP como a segunda melhor hipótese. O empresário Belmiro de Azevedo já declarou que gerir o AFSC lhe interessa numa vertente exclusivamente privada.

A assinatura dos representantes do consórcio Sonae/Soares da Costa não irá constar da carta a enviar ao primeiro-ministro. Tudo porque a JMP, a ACP e a AEP não querem ficar presas à defesa de um projecto de um grupo económico, explicou Rui Rio. "Estas três instituições não apoiam, em concreto, uma proposta de um grupo económico, mas um objectivo", disse. Ainda assim, ressalvou: "O consórcio Sonae/Soares da Costa dá-nos o conforto de sabermos que há quem possa levar isto avante."

Público - 10.07.2008

20080624

Aeroportos

Lisboa não tem dimensão para dois aeroportos. O Porto não tem capacidade para um aeroporto que seja rendível isoladamente. Ambas as conclusões constam de um estudo encomendado pela ANA.

Com apenas 14 milhões de passageiros/ano de origem, Lisboa não atinge a dimensão crítica para viabilizar dois aeroportos em operação simultânea. Quem o diz são os especialistas do Boston Consulting Group e da Universidade Católica, num estudo encomendado pela ANA.

Os casos de sucesso de cidades com dois aeroportos registam uma capacidade de atracção de cerca de 35 milhões de passageiros/ano, sintetizou o vice-presidente da ANA, Carlos Madeira, num encontro sobre o futuro da Portela, promovido pela Ordem dos Arquitectos.

Manter a Portela operacional depois da inauguração de Alcochete, prevista para 2017, como há quem defenda, está, por isso, fora de causa, no entender a ANA. Até porque, lembrou aquele responsável, “não se pode discriminar companhias”. Além do que as companhias e os passageiros preferem concentrar-se num único local. E o mercado nacional da carga aérea não justifica um aeroporto suplementar.

Em abono da tese, o vice-presidente da ANA lembrou o caso do aeroporto de Mirabel, no Canadá, previsto para ser o maior do mundo mas que fechou as portas 35 anos volvidos, porque o aeroporto que deveria substituir nunca chegou a encerrar.

O ideal será, pois, sustentou Carlos Madeira, em representação da ANA, fechar a Portela em 2017 e transferir de uma vez só, sem transição, todas as operações para Alcochete, garantindo ligações rápidas e cómodas ao NAL.

Para o aeroporto do Porto, o estudo do Boston Consulting Group e da Universidade Católica conclui que a operação independente será de muito difícil rendibilização.

Os autores sustentam que, fora da órbita da ANA, o eventual concessionário privado do aeroporto Francisco Sá Carneiro demoraria 20 anos até começar a ver o seu investimento dar frutos.

A Sonae e a Soares da Costa estão a estudar uma proposta de exploração do aeroporto nortenho para apresentarem ao Governo. Ao “DE”, o CEO da construtora garantiu que os “seus” números são diferentes e apontam para que a exploração da concessão remunere em tempo útil o concessionário. Isto assumindo, sublinhou, que o aeroporto atingirá, com a nova gestão, níveis de performance iguais aos dos melhores do mundo.

20080613

Gestão privada no ASC?

A Sonae e a Soares da Costa ultimam uma proposta sobre a gestão do Aeroporto de Sá Carneiro, na Maia


Se fosse com a Mota-Engil, tinha mais fé...

"Se o Executivo socialista mantiver a abertura, já expressa pelo primeiro-ministro José Sócrates, para uma concessão da liderança, então as firmas poderão aprofundar a proposta para apresentar num futuro concurso público. Antes porém, deverão chegar as posições da Junta Metropolitana ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino."

Como sabemos, o ministro "super" Mário, tem dado largas provas de ser perito em infra-estruturas aeroportuárias. Por esta altura, não deve haver ministro na Europa mais versado nestas questões que o sr. eng. Mário Lino. Não sei como é que a S&SC vão convencer o ministro que o que é possivél existir quem deseje visitar o Porto e o Norte do país, que o Norte também não é um deserto (apesar dos esforços), que há quem faça negócios no norte, que 5 milhões de Portugugues estão mais perto do ASC que Alcochete, e que com uma ajudinha do Lino e dos seus amigos, até Galegos conseguirão usar o ASC!

O comprometer de entidades privadas com o ASC, seria uma grande vantagem para a região, pois levaria a estes grupos a continuarem a dinamizar o Norte para potenciar o seu investimento, algo que está visto, o executivo faz pouco e mal. Infelizmente o ASC continuará a ser sempre refém da integração na restante rede de transportes. Aqui também a falta de senso comum limita o alcance do aeroporto. Basta lembrar a demora para levar o metro ao aeroporto, a actual questão do TGV, etc. Mais uma vez a administração pública mostra incapacidade, incompetência ou simples desinteresse em relação a estas medidas. Eu não peço soluções geniais, basta seguir o exemplo de muitas outras cidades/regiões europeias.

20080520

Leituras 20080520

·         Soares da Costa pré-qualificada em metro na Rússia

·         Bosch investe em Aveiro; Blaupunkt em Braga;

·         Turismo a Norte em conferência

·         Eleições AEP: Entra Paulo Azevedo e sai Couto dos Santos; Tenho mais expectativas nesta renovação do que naquela que actualmente muito se fala.

·         O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está entre as primeiras 100 instituições de Ensino Superior europeias que mais trocam população escolar no âmbito do Erasmus, um programa de mobilidade de alunos e professores.

·         «Fusões» de autarquias acabam por ser resposta à não Regionalização: "Douro Alliance":Cofundadores formalizam terça-feira a génese da "cidade" Vila Real/Régua/Lamego. A ideia tem 20 anos e é uma nova tentativa para dar massa crítica a parte dos 200 000 habitantes do Douro. Relembro que Gaia, 1 única autarquia tem 300000 habitantes, tal como a RAMadeira.

·         Produtores de vinho verde dão lição de gestão aos que temem fusões: Com as exportações de vinho verde a crescer 12%, sete adegas cooperativas da região Norte (Barcelos, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Famalicão, Lousada, Penafiel e Ponte da Barca) decidiram replicar no sector o exemplo da Lactogal no leite e juntaram-se para criar a ViniVerde. Outras sugestões de fusão: Aiminho+AEP+AIRAVeiro; Grupo editorial do Minho+Primeiro de Janeiro+Vida Económica.

 

20080504

PBO (Politicians Buyout)

A única crítica que coloco aos comentadores/bloggers lisboetas, como ABCaldeira, é o facto de eles não detectarem que as «máfias» tem um caracter regional: Lisboa. Cá a norte, se excluirmos a Mota-Engial e Soares da Costa, não existem empresas envolvidas neste tipo de negócios. O grosso da economia a Norte é de PMEs que tentam exportar, concorrem com estrangeiros e investem em I&D, sendo a Efacec e Bial os recordistas nacionais no sector privado ! Mais um contributo para a detecção do Marxismo-Yeltsinismo, um Neo-liberalismo, nada liberal e muito «Palermo» ! Vejamos então o conceito:

(...)No novo paradigma do poder, o que é novo - que o salazarismo não tinha, nem sequer o marcelismo teve - é a perceptível manobra de conquista de quotas de capital de grandes grupos económicos por protagonistas políticos, muito para além do tráfico das comissões e distribuição de luvas que a democracia representativa acolhe ou não resolve. Isto é, na linha putínica que já aqui foi denunciada, o despudor está a chegar ao take-over de grandes grupos financeiros e económicos por dirigentes políticos. Não se trata já de pagamento de serviços por contratos e negócios, mas a contrapartida de cedência de partes de capital, numa evolução para aquilo que posso cunhar ser o PBO (Politicians Buyout) - a tomada do capital de grandes grupos financeiros e económicos por políticos influentes. «É um grupo económico dependente do favor do Estado? Nós queremos uma parte do seu capital!»

Em Portugal - País que é nosso e Estado que é deles - é indecorosa a promiscuidade intestina de relacionamento, a circulação de protagonistas do PS entre o Governo e grandes grupos económicos, a protecção de abusos de posição dominante e cartéis (simulando repressão...), a divisão, arbitrada pelo poder, da escassa receita pública entre os maiores grupos económicos em negócios de natureza financeira que quase nada acrescentam ao bem-estar do povo, transferindo apenas alguns cobres para mais uma leva de imigrantes pobres, sem sequer a contrapartida de criação de empresas industriais de base tecnológica por esse grupos, sem investimento, sem criação de riqueza.

Esse desprezo dos grandes grupos económicos portugueses pela criação de investigação e desenvolvimento aplicados e indústrias de base tecnológica - inclusivamente, nos próprios grupos que o Estado detém ou participa, como a Caixa Geral de Depósitos, os CTT, a EDP, a REN, a PT, a Galp! - decorre do facto de ser muito menos arriscado e mais lucrativo no curto e médio prazo aproveitar as oportunidades financeiras (financeiras, financeiras, exclusivamente financeiras!) que o Governo PS lhes proporciona. Para disfarçar anuncia-se e reza-se desde há três anos um diletante Plano Tecnológico que produz convénios universitários e artigos científicos, em lugar de produtos comercialmente viáveis lançados no mercado. Em vez de criação de riqueza de base tecnológica, assistimos pasmados - e sem reacção partidária concreta, com a excepção do Bloco de Esquerda - à transferência directa de dinheiro do Estado para os grandes grupos económicos, em gigantescos negócios financeiros, intermediada por uma série de protagonistas pê-éssicos.

Leituras recomendadas