Um erro muito comum é achar que o Porto luta pela autocracia por causa da sua importância económica. Não é verdade. Já muito antes do vinho do Porto (sec. XVIII) que o Porto luta pela autocracia. O Porto viveu em luta constante com os bispos que nela habitavam, e que procuravam controlar os poderes da cidade. Rapidamente serão os reis a querer controlar a cidade. Apenas no sec. XVI D. Manuel I conseguiu impôr o "juíz de fora" e revogar a regra que impedia a presença de nobres por mais de 3 dias - contra o que as instituições municipais e a população reagiu muito negativamente (afinal, tinham impedido os bispos de fazer o mesmo durante centenas de anos).
Esta aversão a todo o poder externo (rei, clero, nobreza) sempre caracterizou o Porto. É verdade que os ingleses trouxeram ideias liberais. Mas apenas no Porto residia o espírito proto-republicano onde estas ideias poderiam dar fruto.
Não é por acaso que a luta pela liberdade no país sempre residiu nesta cidade: na guerra civil de 1383-85, na revolução liberais, na luta pela restauração da carta constitucional, na luta pela República, ou mesmo no apoio popular ao Gen. Humberto Delgado...
Há quem apelide esta "luta" de ridícula, mas a verdade é que ela é tanto mais ridícula quanto é evidente que, enquanto o Porto luta pelo que é seu, outros lutam pelo que é do Porto.
Dizem que é um assunto que não tem importância, mas não abdicam do que não é deles. No final de contas, o verdadeiro espírito do provincianismo reside aqui: acham que, na sua rua, sabem o que é melhor para a rua dos outros.
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20070830
20070829
"Guerra" Porto vs. Estado Central
Uma perspectiva histórica...
Há 800 anos que as gentes do Porto afirmam que as instituições da cidade são as mais adequadas para defender os seus interesses.
Há 800 anos que o Estado Central tenta convencer (impôr) às gentes do Porto que os interesses destas serão melhor acautelados pelos governantes da Capital.
Em 800 anos, as gentes do Porto não ficaram convencidas. Quantos mais anos serão necessários para se perceber o que é a democracia?
Há 800 anos que as gentes do Porto afirmam que as instituições da cidade são as mais adequadas para defender os seus interesses.
Há 800 anos que o Estado Central tenta convencer (impôr) às gentes do Porto que os interesses destas serão melhor acautelados pelos governantes da Capital.
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