20081130

Senhora do Salto, Valongo

Sobre direitos de autor ler esta nota. Fonte: http://www.flickr.com/photos/_ferman_/2590077792/

20081129

Metro do Porto assume erro de planeamento

Efectivamente, Abel Coentrão, no Público de hoje, acerta: A implementação das novas composições significa assumir que a linha para a Póvoa deveria ser servida por um sistema suburbano:

Os 60 quilómetros de extensão da rede de metro do Porto costumam ser usados como demonstração da capacidade realizadora da empresa e dos autarcas que, quando passaram a liderar o projecto, conseguiram que ele avançasse até ao que hoje é: um meio de transporte de sucesso, com cada vez mais utilizadores. Sendo isso verdade, acontece que essa mesma extensão impede, ao mesmo tempo, que o sucesso deste empreendimento seja bem maior, como se pode perceber pela menor procura nas linhas B e C, e mesmo no troço da A entre as estações Vasco da Gama e Senhor de Matosinhos.

A procura até tem aumentado nestas linhas, mas a taxa de ocupação continua a ficar, em grande parte do dia, aquém daquilo que seria expectável numa rede de metro. O que não espanta. Qualquer especialista em transportes - e as opções para a segunda fase assim o demonstram - tem esta opinião: se tivéssemos num raio de dez quilómetros a partir do centro do Porto uma rede densa de linhas, com 60 quilómetros de extensão total, os números ultrapassariam, e muito, o recorde de 5,2 milhões de validações registadas pela empresa de Outubro.

Mas não é este o caso. Em relação às linhas B e C, ou Vermelha e Verde, a Metro herdou canais de comboio em via única nas quais a dona, então a CP, não queria, ou não podia, investir, o que lhe poupou algum tempo e dinheiro, mas condicionou todo o desenho da primeira fase. Por culpa desta opção é que existe o famoso "estrangulamento" no Troço Senhora da Hora-Trindade, por onde passam composições de três em três minutos, sendo quase impossível, se necessário, aumentar a oferta.

Também por culpa desta opção é que, de repente, quem na antiga Linha da Póvoa viajava num comboio razoável para o padrão da época no sistema ferroviário português se viu confrontado com a hipótese de passar a ter, em troca, um moderno metro, com janelas imensas. O ideal para ver calmamente a paisagem, numa viagem ainda mais demorada, menos confortável e com o dobro das paragens.

Não fossem os protestos dos utentes, os autarcas que os souberam ouvir e a percepção do antigo gestor da Metro, Oliveira Marques, e esse seria o retrato actual. Mas ainda a nova linha B nem estava construída, e o projecto foi sendo submetido a sucessivas alterações. Duplicou-se uma via que no projecto se previa simples, montou-se uma operação com serviço de metropolitano - em mais de 30 quilómetros!! - ao qual se acrescentou um serviço expresso, mais rápido, a parar em quatro estações entre a Póvoa e Senhora-da-Hora, e, posteriormente, anunciou-se a compra dos famosos tram-train, que esta semana começaram a ser testados.

Os tram-train são, no fundo, a imagem do que é esta linha. Não são comboio, nem são metro. Mas a linha B, essa é cada vez menos uma linha de metro, como o demonstra a opção de duplicar a partir de Janeiro a oferta de expressos, a parar nas estações de maior procura, suprimindo um dos três serviços que, em cada hora, paravam em todas as estações. Ainda que isto ainda não seja equivalente à oferta de um verdadeiro comboio suburbano, estas medidas da Metro são uma forma silenciosa de ir corrigindo um erro de base. A bem dos utentes.

Há formas de corrigir este erro: Colocar o CVE Porto-Minho-Vigo a passar pela linha Vermelha e parar no ASC.

20081128

QREN: JMP tem dois pareceres "inequívocos" que sustentam queixa contra o Governo

A Junta Metropolitana do Porto (JMP) revelou hoje ter dois pareceres, da autoria de Gomes Canotilho e Manuel Porto, que sustentam a queixa apresentada contra o Governo português devido à regulamentação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

"Os dois pareceres são absolutamente inequívocos", afirmou Rui Rio, presidente da JMP, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião deste organismo. Os pareceres já foram anexados às queixas que a JMP apresentou em Julho no Tribunal Administrativo e no Tribunal das Comunidades para exigir "a revogação da norma que permite o desvio de verbas das regiões de convergência para a região de Lisboa e Vale do Tejo".

"É inequívoco que a legislação comunitária não permite esse desvio", frisou Rui Rio, recordando que a JMP "contesta o desvio de verbas das regiões de convergência para objectivos que não são regiões de convergência".

Sobre o estado do PSD, Paulo Morais lê Norteamos 5 meses depois

Após a vitória de MFLeite, em Junho, escrevi:

«Obviamente que em 2009 com um PS com 40%, PSD com 30% e PCP+BE com 25%, a coligação governativa nunca será com a esquerda mas sim à direita. A vitória de MFLeite é o melhor seguro de vida dos interesses oligarquicos e centralistas. É a garantia de mais 5 anos de status quo. Desengane-se quem julga que MFLeite terá preocupações sociais. Paulo Gorjão demonstrou aqui que isto é falso. Também eu já tinha detectado essa mesma manobra demagógica de JPPereira aqui. E também não descerá impostos permitindo que estes sejam usados na «social democracia» dos grandes interesses, PPP, Scuts, Alcochetes, TGVs, Estado Central exagerado e concentrado em Lisboa, (...). Os impostos altos e crédito caro incidirão sobre as PMEs (sobretudo onde elas abundam, a Norte) e classe média e não sobre os grandes projectos com patrocínio estatal. (...)

MFLeite poderia ser útil se tivesse coragem para acabar com estas grandes obras, como em tempos escreveu. Mas não. Nota-se desde já o Bloco Central de interesses, as «máfias» a actuar: Ela própria já disse no 1º debate televisivo que Alcochete, TGV e TTT são para continuar. Conclusão: mais do mesmo.»

Paulo Morais escreve:

«Não vislumbrando alternativa à direita do PS, os eleitores expressarão o seu descontentamento votando à esquerda, no Partido Comunista ou no Bloco, retirando a maioria absoluta a Sócrates. Com uma oposição firme à esquerda, os socialistas procurarão apoios à direita, através de acordos de incidência parlamentar ou, mais previsivelmente, de uma coligação governativa. Face à irrelevância do CDS, será ao PSD que caberá o papel de muleta de Sócrates, viabilizando um novo bloco central. Daqui a cerca de um ano, esta solução será impingida aos portugueses como inevitável e de salvação nacional. Será abençoada pelo presidente da República, a quem, em troca, Sócrates patrocinará provavelmente a reeleição.

O Governo que interprete esta solução institucionalizará, a nível político, o bloco central de interesses que já domina o país no plano económico e social. Assistiremos a um dos mais negros períodos da nossa já moribunda democracia. Os dinheiros do Estado vão correr à tripa-forra nos bolsos dos empresários, banqueiros, advogados e consultores ligados às direcções dos dois partidos do arco governativo, agravando a promiscuidade dominante entre os mundos da política e dos negócios.

Esta nova união nacional promoverá os mega-investimentos públicos que a crise aparentemente justifica, os neokeynesianos doutrinam e o presidente da República apadrinha. Construir-se-á o TGV, desbaratando 15 mil milhões de euros num projecto absolutamente inútil. Além do novo aeroporto de Lisboa, da nova travessia sobre o Tejo e o que mais virá.»

O que se passa é que MFLeite, mesmo agora afirmando correctamente que é contra o investimento público não rentável e favorável a uma descida de impostos, tem uma gestão da oposição tão fraca, tão improvisada, tão pobre, que não é levada a sério. Ela foi mesmo escolhida pelos cavaquistas para ser apenas uma espécie de oposição que não faz danos nem ameaça, como provam as sondagens. Quem a empurrou para a liderança sabia que ela tinha 68 anos, que queria dar apoio aos netos, que era pouco ou nada cativante, que tinha tido um passado incoerente. Quem a escolheu sabia/sabe que ela nunca ganhará eleições, por muito que ela agora diga a verdade. Por isso ela e o PSD é uma marionete ao serviço do Bloco Central e Centralista. E o aventureirismo do PSD Porto tem grandes responsabilidades nisto.

Investimento público

O Governo tem vindo a insistir na importância do investimento público para a revitalização da economia.

Neste contexto, não se compreende a razão porque continua a ignorar a proposta da Sonae e Soares da Costa de investir 1000 milhões de euros no Aeroporto do Norte. Se calhar, estamos a nadar em dinheiro e não sabemos.

20081127

Autarquias do Norte e Aveiro unidas na defesa da gestão autónoma do Aeroporto Francisco Sá Carneiro

Autarquias do Norte e Aveiro, Junta Metropolitana do Porto, CCDRN, Universidades, Associações comerciais e industriais (AEP, ACP, AIMinho, AIDA), empresas (Sonae e Soares da Costa), bl-og-os-fe-ra, e cidadãos. Todos defendem a gestão autónoma. Todo o Norte defende a gestão autónoma. Mas não só. Também o Algarve pede gestão autónoma dos aeroportos.

Até quando continuará o Governo a fazer de conta que não sabe que o monopólio privado não é o modelo desejado pelos portugueses?

Pura especulação ou pura coincidência ?

A Segurança Social tinha um depósito no BPN desde o tempo de Ferro Rodrigues em 1999. Foi levantado nas últimas semanas gerando problemas de liquidez que culminou na nacionalização do banco.

Porque é que esse elevado depósito foi criado ? O que une Ferro Rodrigues a Dias Loureiro ?

João Luís Ferro Rodrigues casou-se com Joana Dias Loureiro em 2003. Elite política lisboeta no seu melhor ! Pinto da Costa à beira destes é um anjinho !

Espero que seja pura coincidência e que esteja a ver mosquitos por corda.

É so esperar

À medida que Socrates ajusta a propaganda irrealista à dura realidade, haverá cada vez menos eleitores crédulos. Ainda bem:

Lisboa política em decadência:

  • É necessário desratizar  (brilhante expressão de António Maria) estas elites políticas lisboetas;
  • Cavaco, o tal que há 20 anos disse que Portugal devia apostar todos os recursos em Lisboa, há muito que não me merece respeito. Este episódio BPN/SLN/Dias Loureiro em que Cavaco procura ocultar amizades com «mafiosos» só revela a má fé com que as elites políticas lisboetas encaram os restantes cidadãos.

Liberdade de imprensa e Regionalismo crescente:

Os Independentes e Regionalistas vão colocando os pontos nos is:

  • Mais um movimento cívico a Norte: Movimento Alternativo do Nordeste;
  • Rui Moreira teve uma pequena pega com Luís Gomes. Eu acho que este esteve bem ao alertar para misturas poluidoras, mesmo que tinha corrido o risco de parecer condicionar liberdade alheia. Rui Moreira sozinho tem valor. Ligado a Rio, PSD ou PS, passa a zero. O proprio percebe isto mesmo e pediu ao DN para desmentir a participação em qualquer reunião com o PS.

Conclusão: Presentemente confluem várias tendências benéficas para o Norte: Regionalismo presente e crescente, implosão do modelo de negócio da comunicação social tradicional, crise mundial nos sectores de crédito barato e fácil, predomonantemente localizados em Lisboa, descrédito crescente da classe política lisboeta. É só esperar.

 

 

 

 

20081126

Da Lisboa Profunda: Campanha de Cavaco financiada por homens do BPN

«Cavaco Silva terá recebido quase 100 mil euros de homens ligados ao BPN. A lei proíbe donativos de pessoas colectivas».

Não há nada de mal em tentar evitar que se saiba que a campanha do PR foi financiada por administradores suspeitos de crime ou convidar para o Conselho de Estado um desses administradores. Mas se Cavaco teme, é porque deve. A imagem de Cavaco impoluto penso que acabou.

A conclusão é clara: Os políticos lisboetas fazem tudo, mesmo moralidade cinzenta, para manterem um nível de vida, ambições, para as quais não tem possibilidades. Não merecem a minha confiança. E cada dia que o Norte confie nestes senhores, será um dia perdido.

Volterei mais logo ao tema.

20081125

Investimento em Infraestruturas

O New Deal tinha como objectivo reduzir o desemprego através de um forte investimento em infra-estruturas. Naquela altura, a sociedade industrial ainda caminhava para a maturidade, e a maioria dos desempregados eram operários pouco ou nada qualificados.

Hoje vivemos numa economia de serviços, e estamos a entrar na economia do conhecimento. Alguém me explica como é que, no curto prazo, estes investimentos vão ajudar a reduzir o desemprego?

E como é que os investimentos que podem absorver mão de obra pouco qualificada são feitos na região de Lisboa e litoral centro (entre Porto e Lisboa), onde se concentra a população mais qualificada do país?

Por isso, por favor arranjem um motivo melhor para que estes investimentos sejam feitos do que a conjuntura de curto prazo. É que baixar impostos é mais eficaz do que investir em infra-estruturas. Que é como quem diz, não preciso da ajuda do Governo para desperdicá-lo. Sei fazer isso sozinho. E até posso cometer a loucura ("ironia") de fazer algo de útil com ele.

Compre Norte

Jorge Fiel assina excelente crónica. É também mais uma ideia para a ACDP.

O poder está na ponta da espingarda.

Ao contrário do presidente da Comissão Europeia e do guru da direita portuguesa bem pensante (qualificativo que acho assenta muito bem ao Zé Pacheco Pereira) nunca fui maoista, que não me inibiu de arranjar uam edição de Pequim do Livrinho Vermelho, belíssimo objecto que consulto de vez em quando.

Mao foi um ditador sanguinário e um refinado estupor, mas agrada-me a simplicidade pragmática dos seus pensamentos, que mergulha as raízes na escola da desarmante sabedoria chinesa fundada por Confúncio.

Uma frase de Mao – “O poder está na ponta da espingarda” - , veio-me à cabeça esta semana à medida que subia a minha indignação com os resultados de uma pesquisa estatística motivada pela divulgação da notícia de que o Norte foi a segunda região europeia onde se registaram mais despedimentos colectivos no período 2002-07.

O Norte está triste e infeliz e tem todas as razões para isso. É a segunda região do país (a seguir a Lisboa) que mais riqueza gera, mas quando chega a hora de a distribuir surge no último lugar, com um rendimento per capita de apenas 80% da média nacional e 57% da média comunitária.

Não me parece saudável um país em que os salários pagos na capital são 50% superiores ao resto do país - e que o poder de compra em Lisboa (135,5 em permilagem do total nacional) seja o triplo do do Porto (44,01).

Como portuense, fico revoltado ao constatar que, no período 1992-2006, de todos os 308 concelhos do país, o Porto foi o que mais poder de compra perdeu (-2,5%) e que no pódio estejam os três concelhos do eixo Lisboa-Cascais, com Oeiras à cabeça (4,5%).

E a mostarda sobe-me que nariz quando vejo que Lisboa absorve 42,5% do total de crédito concedido pelos bancos. Se juntarmos o Funchal a Lisboa, que ficam com 53,9% do dinheiro emprestado pela banca. O Porto contenta-se com um terceiro lugar (11,9%).

Nós, os três milhões nortenhos, não podemos ficar parados. Enquanto os carteiristas de Lisboa nos metem a mão no bolso, o desemprego não pára de crescer (em 2007, o Norte ultrapassou pela primeira vez o Alentejo e tornou-se a região com maior taxa de desemprego) e  a riqueza  não pára de de diminuir (no início dos anos 90, o IRS per capita no Porto era metade do de Lisboa; dez anos depois era apenas 25%).

O grave é que o Governo continua a adiar a Regionalização e apenas contribui para alargar este fosso, como o prova o facto de em 2009, o Norte ir receber segundo valor mais baixo (226 euros per capita), contra 382 euros da média nacional) do plano de investimentos da administração pública (Piddac).

É tempo de dar um murro na mesa e declarar guerra ao centralismo ladrão. De aprendermos com Mao que o poder está na ponta da espingarda – ninguém dá nada a ninguém, se o puder evitar. De aprendermos com João Jardim, que, usando os cotovelos, fez da Madeira a segunda região mais rica do país, com um rendimento 25% superior à média nacional.

Para começar, a AEP devia reconverter a campanha Compre Português por uma campanha Compre Nortenho. E como o Governo é surdo a vozes que não venham da rua e se exprimam na primeira metade dos telejornais, ganhávamos em boicotar a visita ao Norte de governantes, enquanto não for dado um sinal claro de que o roubo vai acabar. Eu estou pronto a atirar o primeiro ovo podre.

Jorge Fiel

20081123

Ah, Cavaco então também era accionista da SLN.

Portanto, Cavaco :

Questões:

Conclusões:

  • Ainda bem que não voto em parentes da «Máfia».
  • Mais uma lição para o Norte: Nunca confiar em políticos do Sistema de Lisboa.
  • Este Regime fede !

 

Histórias de jovens e qualificados emigrantes do Norte 7

Pedro, Engenheiro Informático. Haia, Holanda
Que bela surpresa tive hoje em ter encontrado este blog. E' sempre revigorante ler experiencias de pessoas que tal como eu decidiram viver uma aventura fora de Portugal. Uns de forma definitiva outros como um folego momentaneo mas todos com historias e testemunhos muito interessantes e que podem ajudar a clarificar as duvidas dos mais indecisos.
Penso que a minha aventura e' das mais recentes aqui relatadas mas quero mandar tambem a minha pedra neste charco de experiencias de lusitanos que equacionaram e decidiram dar uma escapadela.
Desde muito cedo comecei a trabalhar na minha area de formacao, Informatica. A partir dos 18 anos comecei com alguns trabalhos em part-time para arranjar uns trocos para os fins de semana mas porque queria atingir rapidamente a minha independencia os 3 ultimos anos do meu curso trabalhei em full-time na mesma empresa.
Nao que tivesse razoes de queixa em viver em casa dos meus pais ou que me sentisse mal no meio social envolvente mas tinha algo a remoer em mim, uma sensacao de que queria algo diferente daquele ambiente controlado, previsivel e confortavel. Apos ter conseguido, com bastante sofrimento, terminar o meu curso de Engenharia Informatica pelo Instituto Politecnico Engenharia do Porto em 2006 senti mais uma vez o bichinho a remoer. Eu nao estava mal, mas queria mais! Tinha um ordenado que dava para viver confortavelmente mas queria comecar a tracar um novo trilho. Sentia que a passagem pela faculdade pouco ou nada tinha alterado a minha rotina diaria e as responsalidades no meu emprego. Estava irrequieto e desanimado. Na altura nunca me passou pela cabeca uma aventura fora de portugal pois largar familia, amigos de sempre e namorada era um passo demasiado grande e arriscado e que por isso nunca o coloquei em consideracao.
Apos uma pesquisa de empregos por todo o pais reparei que a zona com uma melhor e maior diversidade de propostas de trabalho e' Lisboa. Tive algumas propostas e decidi-me por uma empresa que na altura estava a comecar. Era uma empresa de consultoria e diferente do que ate entao estava habituado. Muitas pessoa a receber o ordenado da mesma entidade patronal, mas todos espalhados pelos clientes e apenas com dois pontos de contactos anuais com os colegas: jantar de natal e aniversario da empresa.
Comecei com o peito cheio de ar, entusiasmado e motivado com as condicoes que me eram oferecidas.
Ja ouvi boas e mas experiencias em consultoria. Temos que ter sorte no projecto onde calhamos e com um pouco sorte podemos escolher o que mais se adequa 'a carreira profissional que aspiramos. Infelizmente nao aconteceu comigo e durante 7 meses tive nessa empresa num projecto nada aliciante e onde sentia-me a vegetar. Estando em lisboa nao por necessidade mas como uma aposta que estava a fazer em mim, a ter gastos com casa e viagens todos os fds para Santa Maria da Feira decidi que tinha que fazer alguma coisa. Falei com o meu manager na altura e apos algumas promessas falhadas cheguei a conclusao eu estava a ser um bom negocio para a minha empresa mas nao para mim. Senti que estava num negocio de carnes onde os consultores eram colocados por tempo indeterminado em clientes independentemente o trilho profissional que auspirem ter.
Decidi por procurar outro desafio. Nesta altura ja tinha equacionado a saida de portugal mas foquei a procura dentro de portas. Arranjei um projecto bastante interessance e desafiante numa empresa de producao de software na margem sul de Lisboa e com isso tive mais uma mudanca na minha vida. Arranjar novo espaco para morar, mudar a minha rotina e travar novas amizades. Admito que gosto ritual. Talvez porque sou novo e nao tenho encargos (filhos, casa) decidi dar outro passo.
Passado um mes tive a chamada de um amigo para ir para a Holanda. A empresa estava a contratar e estavam a precisar de pessoas com o meu perfil. Ele ja me tinha abordado a alguns meses atras mas porque estava ainda em periodo de experiencia na actual empresa e ainda nao tinha muitas responsabilidades decidi dar continuidade ao pedido de informacao. A entrevista telefonica correu bem e apos uma entrevista em que fui 'a Holanda, fizeram-me uma proposta.
Regressei a Portugal e nesses dois dias equacionei todas as variaveis da minha vida. Estava numa boa empresa a ter o tipo de trabalho que andava a' procura, num bom ambiente e integrado numa boa cultura empresarial. Conversei com as pessoas que me conheciam melhor, pedi opinioes e tentei dar resposta as perguntas: o que quero, o que tenho a perder, o que tenho a ganhar. Conclui que senao aceitasse mais tarde ia-me arrepender pois dificilmente iria ter uma oportunidade como esta. Tinha um emprego com boas perspectivas de me realizar profissionalmente, um apartamento a minha espera e um peito cheio de ar para encarar as previsiveis dificuldades. Se corresse mal e nao me ambientasse era comprar um bilhete para Portugal. Assim foi e sai com o objectivo de estar um ano e agora faz 5 mes que estou em Haia.
Existem ate agora duas perspectivas: pessoal (social) e profissional.
Como e' a minha primeira experiencia fora de portugal estou a ter uma infinidade de primeiras experiencias que ainda estao a ser sentidas e compreendidas. Existe uma grande comunidade portuguesa por ca e tendo a Holanda uma cultura virada para os estrangeiros nao sinto dificuldades na integracao. Admito que o primeiro mes nao foi facil pois existe muita burocracia a ser tratada e alguns choques culturais e linguisticos a serem ultrapassados mas neste momento ja estou instalado e integrado em varios grupos de amigos. Esta a ser uma excelente oportunidade de interagir com pessoas de diferentes culturas e valores e tendo o pais uma localizacao central rapidamente se acede a varios pais circundantes.
Profissionalmente admito que ate agora nao esta a corresponder as expectativas. Talvez coloque a fasquia alta, talvez seja exigente mas que culpa tenho em querer aquilo que me prometem?! Apos algumas dificuldades administrativas e problemas iniciais na comunicacao interna dentro da empresa neste momento estou integrado numa empresa cliente multinacional onde existe quase o mesmo numero de estrangeiros e holandeses. Estou a ter novos desafios no relacionamento inter-cultural entre pessoas, estilos de trabalho e de expectativas. Considero ate agora positivo este saldo, mas como ambicioso que sou, ainda com espaco para melhoramentos.
O balanco e' francamente positivo e como em quase todos os posts que tenho lido acerca deste assunto partilho a sensacao de arrependimento de nao ter dado este salto mais cedo. Nao aconteceu por falta de coragem ou por desconhecimento consciente das opcoes que existem fora de portugal. Ha sempre um risco a ser ponderado mas penso que o retorno e' sempre positivo. Nao sei qual sera a minha decisao daqui a 7 meses quando fizer um ano que estou ca. Se vou continuar nesta empresa, se continuo pela Holanda ou se vou para outro pais. Depende das motivacoes que me agarrem por ca e as oportunidades que irao aparecer.
As saudades da nossa terra sao muitas e penso que nunca como agora dou tanto valor ao nosso Portugal. Em muitas coisas nao ficamos atras de muitos paises e infelizmente sinto que existe alguma mentalidade negativista que teima em comparar o nosso cantinho apenas naquilo que de nao tao bom temos. Neste momento tenho a certeza que desejo regressar a Portugal. Gosto disto, da vida da cidade, da minha vida, do ritmo, da novidade mas quero voltar as minhas raizes, 'a minha terra. Talvez regresse e me desilusa. Pode acontecer, mas se esse dia acontecer e se ele chegar vou tentando espalhar por ca o orgulho que tenho em ser portugues e aquilo em que somos bons.
Vim 'a procura de uma nova aventura, saborear novas experiencias para regressar a Portugal com outras perspectivas. Talvez aconteca daqui a um, cinco ou dez anos mas com optimismo digo que chegarei com mais bagagem do que quando sai.

20081122

Youtube Live : Início do fim da hegemonia comunicacional de Lisboa







A propósito do episódio da suspensão da Democracia por 6 meses, António Maria descreve como funciona a manipulação comunicacional sedeada em Lisboa: O MSM recebe indirectamente do Governo notícias prontas a difundir e implicitamente sabe que vai receber contratos publicitários do Estado Central:

(...) O actual governo "socialista", que começou por copiar o neo-liberalismo de Tony Blair (exagerando, claro!), sabendo das fragilidades económicas extremas do suposto Quarto Poder na era da globalização internética e blogosférica, seduziu os jornalistas e empresários de comunicação para um verdadeiro pacto com o diabo do poder. Em troca de uma generosa alimentação publicitária de Estado, a independente e ética comunicação social lusitana faria os fretes que fossem necessários à actual maioria e tríade de piratas que a sustenta. E assim foi!

Faltava, porém, um mecanismo de disfarce das operações de contra-informação montadas diariamente pelo actual poder político, ora para fazer propaganda ad nauseam da sua nulidade executiva, ora para esconder até ao limite as verdades inconvenientes (por exemplo, o caso da caricata licenciatura do primeiro ministro, ou o fracasso completo do aeromoscas de Beja), ora para realizar operações integrais de marketing político das suas decisões, por mais idiotas que se afigurem ao comum dos mortais (por exemplo, o caso do inabalável aeroporto da Ota, ou a ópera bufa em volta do portátil da Intel e da Microsoft, alcunhado de Magalhães). O mecanismo apareceu e prospera como nunca. Chama-se "agência de comunicação".

Uma agência de comunicação, em Portugal, é basicamente uma empresa de serviços dedicada à produção e disseminação de informação paga por clientes, e como tal confeccionada e infiltrada no tecido mediático dominante de acordo com as exigências de conteúdo e formais do cliente. Ou seja, a imprensa, trajada a rigor como virgem ética da verdade comunicativa, recebe informação gratuita (lembrem-se que as empresas de média estão virtualmente falidas), embora com uma condição de acessibilidade irrecusável: publicar na hora, não apenas a informação, mas a forma editada da informação, que as agências diligentemente obtêm dos seus clientes e fazem chegar às redacções. (...)

O Norte, aliás o resto do pais, tem que gramar e financiar com impostos para a RTP, toda esta manipulação, quer seja na publicidade negativa contra FCP, Metro do Porto, autarcas ou empresários do Norte, ou aceitar sem argumentação a retórica justificação de investimentos injustificáveis Otas, Alcochetes, TTTs, TGVs, NovAlcantara, Plano Oeste, que o governo quer implementar. Porém, como já tinha descrito no post anterior, o modelo de negócio da comunicação social está em rápida alteração. A Blogosfera já deu cabo da Imprensa e brevemente novas ferramentas darão cabo da rentabilidade das TVs generalistas. Ora, hoje, é precisamente um dia D: Arranca o YouTubeLive, isto é a possibilidade de realizar grátis emissões video ao vivo. Este serviço já é actualmente oferecido por operadores com menor base de utilizadores, pelo que, as emissões video ao vivo cresçerão de forma mais acelerada, como as sondagens aos hábitos de consumo de TV/videos online vão confirmando. É mais um passo para a maior liberdade de produção e difusão de conteúdos multimédia, que contribuirá significativamente para quebrar a hegemonia comunicacional de Lisboa.

PS: Efectivamente ainda não se sabe se o Youtube Live será apenas um evento ao vivo ou se será o lançamento do serviço, prometido pela empresa no início deste ano. Há neste momento várias especulações. De qualquer modo a existência independente dos operadores Ustream.tv e Mogulus.com, confirmam a minha tese.

Só precisamos de esperar mais uns 3 ou 4 anos

Para o Norte sair da situação em que está é fundamental a existência de comunicação social autonoma e actuante. É necessário desconstruir as mensagens interesseiras, parciais e ignorantes que a dita comunicação social nacional difunde e que seja agregadora dos concensos que regionalmente se vão criando em torno de projectos de desenvolvimento, de iniciativa privada ou pública. Isto tudo executado numa lógica de lucro, que necessita de conteúdos interessantes a custo controlado para atingir audiências e vender publicidade.

Apesar dos relatos negativos do «bussoleiro» Rogério Gomes, na minha opinião, nos últimos anos o Norte tem evoluído positivamente em matéria de Comunicação Social, nomeadamente com o aparecimento inovador de «opinion makers» «outsiders» na Blogosfera e com as TVs locais via Internet (GuimaraãesTV, UTADTV, VianaTV, FamalicãoTV, MinhoActual, AveiroTV, ValeSousaTV, DouroTV, BastoTV, etc). É certo que ambos ainda não tem o peso mediático da comunicação social tradicional (Jornais, Rádio, TV), mas para lá caminham. Além disso, há outros factos positivos: Existe o PortoCanal a RNTV/InvictaTV instável e um JN regionalista desde a entrada de Joaquim Oliveira (Não esquecer entretanto que quem emprestou o dinheiro a Joaquim Oliveira foi o BCP gerido actualmente por «mafiosos»... Portanto, pode um dia destes o JN regressar aos tempos de há 3 ou 4 anos atrás... ). Há ainda a entrada do regionalista Luís Costa para a direcção da RTP Porto (devia-se chamar e ser RTP Norte) ou mesmo a ida de Guilherme Costa, natural da AMPorto, para a própria presidência da RTP. No entanto, não espero alterações substânciais neste aspecto. A RTP Porto é uma unidade da RTP que é nacional. Não é nem nunca vai ser trincheira a partir da qual um região prejudicada lança contra-ataques mediáticos, verdadeiros e esclarecedores.

Mas o melhor está por chegar. É que enquanto a Internet for livre, o modelo de negócio da Blogosfera ou TVs Internet é muito mais competitivo do que os tradicionais. Hoje em dia qualquer um publica um blogue ou lê as notícias que lhe interessa através de ferramentas tipo GoogleNews ou GoogleReader. Mesmo na produção de contéudos multimédia, existe gratuitamente o Youtube e outras ferramentas espantosas que permitem produzir InternetTV em directo, tal com um estudio de TV tradicional. Falta ainda uma «killer application» para a recepção dos conteúdos, isto é, um MediaPortal que funcione como o GoogleReader dos videos na nossa televisão da sala de estar. Só precisamos de esperar mais uns 3 ou 4 anos ou menos. Nessa altura os contéudos das InternetTV locais que actualmente tem pouca procura porque o consumidor médio não tem tempo para os ver no PC, passarão a está à distância de um clique no comando à distância do televisor. Aí, a profissionalização, audiências e receitas publicitárias começarão. Sendo editorialmente livres começarão a estar do lado das reinvidicações de desenvolvimento que actualmente são silenciadas/negligências pela comunicação social a nível nacional.

Como afirma e bem a DouroTV, «O futuro da região passa por nós».

A prova de tudo o que afirmo é a disponibilização online do video da conferência dos Olhares Cruzados sobre o Porto, impensável hà 3 ou 4 anos atrás, disponível aqui.

Publicado originalmente a 2008.02.13.

20081121

E esta, também foi ironia?

«Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite» - Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite recusa-se a esclarecer declarações sobre democracia

Estou-me nas tintas para as interpretações de Luís Marques Guedes, pois valem tanto como as de outro português qualquer: todos ouvimos e lemos as mesmas declarações. A interpretação que interessava conhecer é a da própria Manuela Ferreira Leite. Bastava uma frase sua para esclarecer se estava a ironizar ou a falar a sério. Para que não haja dúvidas se ela é uma democrata ou não. Mas Manuela Ferreira Leite prefere não esclarecer e manter-nos na dúvida.

Talvez ela pense que dessa forma não alimenta a polémica. Nada mais errado. A polémica existe enquanto subsistir a dúvida. Normalmente, nesta questão só os não-democratas preferem estar na penumbra.

«Máfias» no sítio do costume: O caso BPP

Um banco que não tem banca de retalho comercial; um banco que não recebe depósitos normais nem concede créditos; um banco que «gere fortunas» e cujo único objectivo é gerar resultados para os accionistas e clientes através de investimentos nos mercados bolsistas, precisamente uma das causas da actual crise, vai ser avalizado pelo Estado?

  • Sede BPP: Lisboa.
  • João Rendeiro: Natural e residente em Lisboa.
  • Principais accionistas nacionais: João Rendeiro (Lisboa), Balsemão (Lisboa), Saviotti (Lisboa).

Mais um episódio do Marxismo-Ieltsinismo, isto é, uso do Estado para benefício privado, no sítio do costume, Lisboa.

 

 

Conselho de Estado

Há um ano LFMenezes ficou fora do Conselho de Estado, provavelmente por má vontade. Quem continuou a aconselhar o Presidente da República foi Dias Loureiro, esse grande empresário do sector bancário.

20081120

Caso BPN: Menezes denuncia ameaças de alguns ex-ministros

"O ex-presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, afirmou, em entrevista à RTPN, que foi alvo de profundas críticas ameaçadoras, algumas, por escrito, de alguns ex-ministros que não queriam que avançasse a fiscalização à supervisão bancária".

"Tive a demissão de membros da minha Comissão Política Nacional, porque eram accionistas de referência do BPN e tinham medo que a supervisão bancária fosse tocar nos interesses, por ventura, de instituições financeiras que não estavam a funcionar de acordo com os padrões de transparência do Estado de Direito", referiu, sublinhando que, nessa altura, "ainda não se falava no BPN, mas apenas do BCP e do papel do Banco de Portugal". - JN

Nova transferência da «carne» para Sul. Por cá ficam os ossos

Para quem não sabe, o CEIIA é um centro situado na Maia que emprega profissionais qualificados. Os projectos podem ser consultados aqui. A transferência para Setúbal já foi equacionado por Basílio Horta. Na altura a CMMaia e o Tecmaia protestaram. O facto de alguém andar à procura deste tema no Google, revela que o assunto poderá estar a ser novamente equacionado. Concretizando-se esta transferência, será mais um padrão usual. Carne para eles, ossos para nós.

Investimentos no Norte

Braga vai ter 2 novos hóteis - um 5 estrelas e um low cost. Braga já precisava e merecia.

Fábrica norueguesa de carros eléctricos a caminho do Norte de Portugal.

20081119

Governo considera participação dos agentes locais na gestão dos aeroportos

"O Governo está a estudar um modelo em que as forças locais possam ter uma participação na gestão dos aeroportos que pode passar, eventualmente, pela abertura do capital a entidades locais, segundo a mesma fonte.

Esta solução daria, de alguma forma, resposta às reivindicações da Junta Metropolitana e da Associação Comercial do Porto, que têm defendido uma gestão autónoma do aeroporto Sá Carneiro." - RTP

Embora entenda que a solução ideal para o país é a existência de concorrência entre aeroportos (já chega de "rendas" garantidas a privados) esta solução pode constituir uma opção aceitável* para o modelo de gestão aeroportuária, dependendo do seu desenho concreto.

* não é a melhor, nem do ponto de vista do interesse público ou equilibrio regional, mas é mais adequada nestes aspectos do que o monopólio "puro".

Bens e Serviços Transaccionáveis, no sítio do costume

Alert ganha maior contrato em TI para medicina privada no Brasil

A Alert Life Sciences Computing assinou com a Unimed BH o maior contrato em tecnologias de informação para medicina privada no Brasil, país onde a tecnológica portuguesa inaugurou esta semana as instalações da sua subsidiária que irá contar com 60 colaboradores. O contrato agora celebrado “é o mais abrangente e importante acordo estabelecido na área da informatização clínica de instituições de saúde privada no Brasil”, garante a Alert em comunicado. Como é prática comum da empresa, não são adiantados valores do negócio.

As soluções a implementar pela Alert na rede Unimed BH “vão permitir eliminar o uso de papel no apoio a episódios clínicos, facilitar a troca de informação entre as várias instituições e os profissionais de saúde e promover uma gestão eficiente da informação clínica centrada no paciente”.

Com 735 mil clientes, a Unimed BH é a maior operadora brasileira de saúde fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, sendo apontada como líder no sector de saúde suplementar em Minas Gerais e integra a maior rede de assistência média do país, enfatiza a Alert. No ano passado, a Unimed BH realizou 4,6 milhões de consultas médicas, 105 mil internamentos, 15,3 mil atendimentos domiciliares de urgências e emergências, além de 11 milhões de exames e terapias complementares.

Além do Brasil, a Alert opera com subsidiárias em Espanha, Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Singapura, contando ainda com distribuidores em 32 países.

Por causa da Alert, «há falta» de programadores na AMPorto.

A Alert, mudou este de instalações do Porto para Gaia.

Bens e Serviços Transaccionáveis, no sítio do costume, como é de esperar.

Situação política

·         As declaraçãoes de MFLeite criaram mais fissuras no PSD. Será que este vai implodir ? Já agora, como se explica que o PSD que tem base eleitoral fora de Lisboa, seja governado por lisboetas (JPPereira, MFLeite, PPCoelho, Cavaco, António Borges, Marcelo) ?

·         Será esta uma oportunidade para o Regionalismo ? No Verão falava-se que PSLopes, AJJardim e Manuel Monteiro estudariam a hipotese de criar um Partido Social Federalista. Será que estes regionalistas/populistas do PSD seguem a bem a situação económica e já abandonaram a defesas de Otas e keynesianismo via sobre-endividamento que em tempos LFMenezes defendeu ?

·         A propósito do Portugal Tecnológico, cada vez mais acredito que Sócrates governa para consumidores de Prozac (em sentido denotativo e conotativo). A avaliar pelas sondagens, funciona.

·         Mais um ponto de situação sobre a situação política nacional por António Maria.

20081118

Fascismo nunca mais, Sra. Manuela Ferreira Leite - Demita-se!

"A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", a propósito da reforma do sistema de justiça.
(...)

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".

"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia". - Lusa e Público

Após estas declarações, espero uma demissão até amanhã, ou a convocação de um congresso extraordinário até ao final da semana e abertura de processo para expulsão do partido. Mas suspeito que a maioria da carneiragem social-democrata vai fazer de conta que isto não foi dito. Rapidamente ficaremos a saber quem são os democratas naquele partido. Será que, mais uma vez, apenas ouviremos a voz de Luís Filipe Menezes?

Resultado da Sondagem

Norteadores ou leitores com outras ideias ou perguntas diferentes, PF contactar norteamos@gmail.com.

20081117

O Norte a salvar-se

Mais indicadores das dificuldades em avançar com obras públicas: Sócrates garante "todo o investimento público que puder". Já assumem que não será possível realizar todo o investimento público. O Norte a salvar-se, como veremos daqui por um ano. (via Balancedscorecard)

 

 

20081116

José Silvano propõe estratégia de desenvolvimento para o Tua

O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, anunciou hoje que vai propor ao Governo a criação de um fundo de 50 milhões de euros para uma estratégia de desenvolvimento a partir da linha do Tua capaz de fazer "cair" a barragem que ameaça a via férrea.

O autarca acredita que a manutenção do vale do Tua, principal atractivo turístico das viagens de comboio, e a reactivação da linha até Bragança, com ligação a Espanha, "será uma mais valia muito maior para o desenvolvimento da região do que a barragem" projectada para a foz do Tua.
Silvano diz que estão já em curso estudos que demonstrarão esta teoria e quer que o Governo crie um fundo de 50 milhões de euros para permitir aos agentes locais privados e públicos avançarem com os primeiros projectos e acções necessárias.

A proposta foi apresentada hoje num debate, em Mirandela, sobre a linha e a barragem promovido pelas câmara e assembleia municipais locais, onde não esteve presente nenhuma entidade responsável pela linha.Na sessão ficou também já decidido organizar um outro debate, mas em Lisboa, em finais de Janeiro, onde pretendem apresentar os estudos e propostas.

Segundo disse à Lusa, o debate terá lugar na gare de Santa Apolónia."Lá conseguiremos sensibilizar mais facilmente, já que não conseguimos que venham cá (os responsáveis nacionais)", disse. De acordo com o autarca, os estudos que vão sustentar a estratégia proposta estão a ser elaborados, um pelos cinco municípios servidos pela linha, e outro no âmbito do Agrupamento Europeu que reúne municípios portugueses e espanhóis de Bragança, Mirandela, Zamora e Salamanca."Os estudos que estamos a elaborar demonstrarão que traz muito mais valia a manutenção da linha e o seu prolongamento até Espanha, em termos turísticos e económicos, do que a construção da barragem".

No debate de hoje em Mirandela, um representante da EDP, a concessionária da futura barragem apresentou como alternativa para o troço da linha que ficará submerso, e serão pelo menos 14 quilómetros, independentemente da cota que vier a ser adoptada. A EDP propõe a construção de um sistema hidráulico tipo elevador para fazer a ligação da estação do Tua, onde é feita a ligação à linha do Douro, à barragem e um percurso de barco na zona inundada. O autarca de Mirandela rejeita as soluções propostas e continua a defender "intransigentemente" a manutenção da linha do Tua.

A maior parte dos cerca de 60 quilómetros da última via férrea do Nordeste Transmontano continua encerrada desde o acidente de 22 de Agosto que provocou um morto e mais de 40 feridos. O relatório ao acidente aponta "defeitos grosseiros" na linha e a desadequação das automotoras do Metro de Mirandela que fazem a ligação.

A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paulo Vitorino, reconheceu sexta-feira, na Assembleia da República "falha humana" neste processo e anunciou que a linha permanecerá encerrada até Março. Neste período deverão ser executados os investimentos e medidas necessários para repor a segurança na linha do Tua, onde num ano e meio ocorreram quatro acidentes com o mesmo número de mortos. O presidente da Câmara e do Metro de Mirandela, José Silvano, disse que já esperava que a linha permanecesse encerrada durante algum tempo e entende que nunca deve abrir sem ter todas as condições de segurança.

Deixemos o Regionalismo seguir o seu caminho

Estamos a ter um debate interessante sobre Regionalismo, Regionalização e partidos regionais. É importante esclarecer alguns pontos:

  • António Alves apresenta cenários de Federalismo, Independência. Esse discurso não é, na minha opinião, pragmático. Não me interessa explorar o «se cá nevasse»;
  • Tiago sempre de boa fé, como todos reconhecem, teve um momento maniqueista ao afirmar que apenas se pode defender a independência ou alinhar em partidos nacionais;
  • Almeida Felizes avança com normas constitucionais para tentar suprimir o debate;

Como afirmei aqui, o Regionalismo, isto é, dar prioridade aos assuntos regionais face aos nacionais/transversais e maior auto-governo é uma ideologia em crescimento no Norte nos últimos anos. A melhor prova disso é compararmos os discursos antes e após Rui Moreira ter sido leito presidente da ACP. Antes era parolo falar destes assuntos. Agora é «in». Abundam regionalistas de aviário nos partidos tradicionais e nas redacções dos jornais.

A minha tese é de que este incremento com as preocupações de desenvolvimento regional, legítimas e de auto-sobrevivência material, acabarão por encontrar um forma de se representar nos locais certos da democracia actual, concretamente autarquias locais e parlamento. Sem furar a lei, é já hoje possível haver candidatos independentes às autarquias e inseridos em partidos nacionais ao parlamento. É uma forma do Regionalismo crescente em Portugal (do Norte até à Madeira) se representar.

Outra forma é o aparecimento a partir da Blogosfera de uma Associação de Cidadãos do Porto, quer se queira quer não, um verdadeiro proto-partido regional. É muito provável que daqui por 1 ano esta associação esteja a apoiar a candidatura de um dos seus membros à CM do Porto e provavelmente seja eleito. Este processo de formalização em organizaçães políticas das crescentes pulsões Regionalistas está de facto a ser lento, a demorar anos, mas é invitável face à situação do Norte. EM toda a Europa há deste tipo de situações e portanto haveremos de lá chegar.

Relativamente à questão constitucional, há soluções, por exemplo, aquela em tempos enunciada por Pinto da Costa, o PPR, o Partido Português das Regiões. Seria um partido nacional com vocação para o desenvolvimento regional.

Uma outra alternativa é de forma significativa um partido nacional adoptar a questão do desenvolvimento regional como prioridade. Em tempos Rui Moreira recomendou que a Direita, que tem a base de apoio fora de Lisboa, adoptasse esta estratégia. Estou à espera que o norteador Ventanias consiga isso mesmo: Convencer realmente o seu partido a defender as regiões fora de Lisboa.

Resumindo: As alternativas ao desenvolvimento do Regionalismo são várias e inevitáveis. Aos militantes e simpatizantes dos partidos tradicionais recomendo humildade democrática. Pedro Arroja, portuense natural de Lisboa escreve ainda este fim de semana que em Portugal os partidos são os principais censores às novas ideias. Criar um tabu à volta do tema é revelador do desconforto e do descuido que os partidos nacionais tem dado ao tema do desenvolvimento regional.

Socorro-me novamente de Rui Moreira relativamente à questão do estatismo. O próprio percebeu que o excesso de zelo liberal neste assunto era prejudicial, e converteu-se à Regionalização.

Regionalização não é o único caminho para reforçar o auto-governo proposto pelo Regionalismo. Já foram várias vezes apontadas alternativas, como seja a Fusão de Autarquias e a deslocalização da Administração Pública sedeada em Lisboa, todas elas, respeitadoras, pelo menos nas intenções, dos interesses dos contribuintes.

Relativamente à utilidade de 1 deputado na Assembleia da Republica, penso que seria alguma. Quem participa e bem numa associação meta-política e promove medidas para o desenvolvimento colectivo, por coerência, não deveria achar inutil um deputado com filiação regional.

Partidos Regionais III

"No limite, 1 [deputado]. Repare que no 2º governo de Guterres o PS obteve exactamente o mesmo nº de deputados que a oposição."

Isso só aconteceu uma vez em 30 anos, e só num desses anos o orçamento foi decidido com base num só deputado da oposição. O que dá uma probabilidade de 3% de um só deputado ter a hipótese de ser útil. Em todo o caso, não existe qualquer garantia de que o partido do governo faça acordos com o "partido regional do norte" e não com outra força política.

Por outro lado, a criação do "partido regional do norte" poderia desencadear a criação de um "partido regional de lisboa". Tendo em conta que é mais fácil eleger deputados no distrito de Lisboa que no do Porto, é fácil imaginar qual teria maior capacidade de "desvio de fundos" para a sua região.

Para além disso, convém relembrar que nos últimos 20 anos, apenas 2 novos partidos conseguiram eleger deputados (directamente): o Bloco de Esquerda e o PSN. O Bloco de Esquerda resulta da fusão de outros partidos anteriores. Foi a única forma que conseguiu para eleger deputados... que começaram por ser eleitos no círculo de Lisboa!

Já o PSN conseguiu a proeza de eleger um deputado sem recorrer a "fusões"... mas também aqui o único deputado que elegeu foi a partir do círculo de Lisboa. E o que conseguiu esse deputado fazer? Rigorosamente nada. Foi eleito num contexto de maioria absoluta do PSD (1991) e a vez seguinte em que se ouviu falar do PSN foi porque tinha batido o record de partido menos votado de sempre...

O sistema eleitoral português está feito de forma a dificultar o aparecimento de novos partidos. Eleger um deputado é uma tarefa hercúlea, e exigiria 2,5% dos votos do círculo do Porto (ou 5% em Braga, ou 15% em Viana do Castelo ou Vila Real, ou 20% em Bragança). Mas, mesmo que se consiga, e tendo em conta o programa proposto, a probabilidade de que esse deputado tenha sucesso na respectiva implementação é muito reduzida.

Para que um partido regional pudesse ter hipóteses de ter uma representação política decente, seria necessário alterar as leis eleitorais actuais (que necessitam ser alteradas em qualquer caso), mas isso apenas pode ser feito através dos 2 partidos do "centrão". As alterações necessárias passam pela criação de um círculo nacional (eventualmente círculos regionais NUTS II) e círculos uninominais.

Ora, com essas alterações ao sistema eleitoral, as regiões não necessitariam de partidos regionais para defender os seus interesses. Logo, os partidos regionais não são a solução, são apenas um remédio. Por outro lado, a ameaça de que uma alteração destas à lei eleitoral conduzisse à eleição de deputados de um partido regional seria suficiente para que os partidos do "centrão" adiassem mais uma vez esta reforma. Mais uma vez os regionalistas ajudariam ao jogo dos centralistas...

Por fim, não dúvido que haja mercado para o regionalismo. Concluo é que esse mercado apenas é capturável pelos 5 partidos que já têm representação parlamentar.

20081115

Partidos Regionais II

Qual o número mínimo de deputados que um partido regional do norte teria de eleger para conseguir cumprir as suas missões? 1, 5, 10, 25?

20081114

Estatismo Regional ? Onde ?

Caro Tiago,

1. « Defender o aparecimento de um partido regional significa defender uma Administração Pública regional muito interventiva»

Errado. Um partido ou candidatos independentes regionalista, isto é sem filiações a hierarquias nacionais ou ambições a governar na capital, poderiam ficar apenas pela candidatura a governo local e parlamento. Poderiam ter políticas mais ou menos liberais, isto é, mais ou menos interventivas na economia. Poderiam ainda defender medidas como por exemplo a Fusão de Autarquias como alternativa à instituição de regiões administrativas, e portanto defender o aumento/consolidação de poder regional sem aumento do peso económico da administração pública. Para o Porto ou AMPorto, um presidente de câmara que não ambicionasse ir para Lisboa ou um deputado na Assembleia da Républica que votasse contra Alcochetes e afins provocariam um substancial aumento do PIB regional...

2. « nem toda a gente no Norte pensa da mesma maneira relativamente ao papel da Administração Pública». Verdade. Os mais liberais nada tem a temer de um partido ou candidatos regionalistas desde que estes defendam, por exemplo, a implementação de uma administração pública regional à custa da eliminação de administração pública central.

3. «que convergência é que um partido regional conseguiria além de reivindicar uma maior descentralização das funções do Estado ?» A mais importante razão para justificar um partido regional seria, fora de Lisboa, reivindicar destribuição territorialmente mais justa do desenvolvimento, investimentos e serviços públicos.

4. « Um único partido regional teria de se basear na defesa de um Governo local poderoso». Vício de raciocínio já explicado no ponto 1.

Resumindo: Tiago, existem corolários precepitados na sua argumentação. É possível, diria, imprescindível, que o Regionallismo seja responsável. Aliás, no meio da indigência, a aposta na responsabilidade no uso dos impostos, será uma forma do Regionalismo vencer.

Partidos Regionais

A verdadeira questão é "Em qual partido é que votaria, partido actual ou novo partido regional, sabendo que o partido regional parte com 0% de votos e os partidos actuais partem com os x% das últimas eleições?"

Uma coisa é o que as pessoas preferem em abstracto. Outra coisa é para onde vai o "voto útil" no momento da verdade. Historicamente, tem ido fundamentalmente para dois partidos.

O Regionalismo como ideologia política já chegou ao Porto

In politics, regionalism is a political ideology that focuses on the interests of a particular region or group of regions, whether traditional or formal (administrative divisions, country subdivisions, political divisions, subnational units). Regionalism centers on increasing the region's influence and political power, either through movements for limited form of autonomy (devolution, states' rights, decentralization) or through stronger measures for a greater degree of autonomy (…). Proponents of regionalism say that strengthening a region's governing bodies and political powers within a larger country would create efficiencies of scale to the region, promote decentralization, develop a more rational allocation of the region's resources for benefit of the local populations, increase the efficient implementation of local plans, raise competitiveness levels among the regions and ultimately the whole country, and save taxpayers money. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Regionalism_(politics)

O Regionalismo como ideologia política já chegou ao Porto. Só os mais distraídos é que ainda não verificaram que o discursos/preocupações/ambições existentes em parte da população residente corresponde a esta ideologia. Agora só falta um partido/organização ou candidatos independentes em que se possa votar. As sondagens, «não científicas», apontam para isso mesmo. Por muito que isto custe aos partidos existentes e respectivos militantes aceitar a concorrência e as regras da democracia, esta é a realidade. É melhor habituarem-se à ideia.

20081113

Tudo o que o Estado precisa de saber sobre a privatização da Ana, está na ZON!!!

Se fosse preciso argumentar com as vantagens da concorrência, para os consumidores em primeiro lugar e para as próprias empresas a mais longo prazo, a história das telecomunicações em Portugal é esclarecedora.

Graças à intervenção da que viria a ser uma das principais operadoras móveis mundiais, desde o início, as telecomunicações móveis em Portugal beneficiaram de um saudável clima concorrencial que foi o grande motivador da criatividade e inovação que resultou, com a posterior e determinada entrada da independente Sonae, nas taxas de cobertura e penetração que rapidamente alcançamos. Mais do que isso até, visto que a utilização do telemóvel - hoje praticamente universal, em Portugal - induz uma apetência por novas tecnologias (o que, ligado à sorte que foi o sistema multibanco português, provavelmente o único legado positivo das nacionalizações de outros tempos, neste caso do sistema bancário, terá certamente contribuído para mitigar a falta de qualidade do nosso sistema educativo).

Mais importante, porém, foi o resultado da OPA da Sonae à PT, que obrigou o Estado a separar a PT da TV Cabo, no que viria a resultar na ZON.

Como por acaso, de repente temos MEO's por todo o lado, a ZON ficou Mobile, etc, etc, etc. É a oferta sempre a aumentar e os preços sempre a baixar...

Perante isto, pergunta-se: de que é que o Estado precisa, para saber que a privatização da Ana em bloco É UMA ASNEIRA?

E porque é que o Estado não abre em simultaneo a possibilidade de aparecerem candidatos à Ana toda e a cada uma das possíveis Aninhas (as correspondentes a cada um dos aeroportos, Sá Carneiro, Faro, Madeira e Açores, conjagando-se, ou não, a Portela com o NAL de Alcochete)?

O que é que o Estado do Centrão quer controlar? De que é que tem medo?

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

Sobre associações

Vítor Silva, n'Os Meus Apontamentos

Sondagem just-in-time

Para responder ao Tiago, nada melhor do que uma sondagem aos leitores do Norteamos e Baixa do Porto.

20081112

A organização que falta

Como já referi aqui, os residentes na AMPorto, assim como Norte em geral, tem que rapidamente passar a ter um pensamento estratégico próprio e verdadeiramente independente. Só assim é que os seus verdadeiros interesses serão constantemente defendidos.

Efectivamente, a AMPorto está refém de várias organizações que representam apenas interesses particulares mas nunca coincidentes com os interesses médios dos residentes. Analisemos então a verdadeira fidelidade de várias organizações:

  • Associações empresariais, nomeadamente a ACP: Está frequentemente alinhada com os interesse médios. Aliás, se suiser ser justo, Rui Moreira é a figura mais representativa dos interesses locais. Porém, não me esqueço da posição que a ACP teve há 10 anos no referendo da Regionalização nem do misterioso desinteresse na recuperação da linha do Douro; A maioria das vezes as associações empresariais apoiam, como é natural, o andamento dos seus negócios.
  • Todos os partidos políticos actuais e seus representantes condicionam a sua agenda à definida em Lisboa. Rio construiu a sua carreira no Porto em função do que precisava de fazer para ganhar notoriedade em Lisboa; Menezes preferiu deixar o PSD instável apoiando PPC, do que defender os interesses do Norte apoiando PSLopes. Os restantes autarcas alinham sempre com a sede do partido em Lisboa. Do PS Porto diz-se isto.
  • As tentativas de abertura à sociedade civil, como por exemplo, o Construir Ideias, acabam sempre por derivar para assuntos transversais de carácter nacional. Não há nenhum interesse em detalhar as estratégias de cada região, como se não fosse importante. O debate intra-Portugal, descentralização, desconcetração é cuidadosamente omitido, porque no fundo, não se quer alterar o status quo. Lamento desiludir o TAF, mas este ocultar das questões regionais revela todo o pensamento da geração nova geração centralista que PPC protagoniza. Aliás PPC já não assume a defesa da Regionalização e já renegou o apoio «leproso» do PSD Porto e Marco António Costa...

A minha opinião é reforçada pela notícia da constituição de uma plataforma para repensar o Porto. Nota-se nesta iniciativa muito oportunismo, muita tentativa de arregimentar a constestação latente, laboriosamente construída pela blogosfera regional, para derrubar Rio em 2009.

Vejamos:

  • O MIC ! O que é o MIC ? Qual o pensamento sobre o Porto ou Norte ?
  • O mediático BE que aparece sempre com as suas demagogias quando há que questionar a autoridade; Apesar do BE rejeitar a privatização da Ana, JTLopes terá capacidade de demover a direcção do seu partido da construção de Alcochete ou TGV Lisboa-Madrid ?
  • Os fornecedores de cultura sem procura que querem impingir a sua oferta, aproveitam para atacar quem lhe colocou moderação após o Porto 2001;

Das organizações presentes no manifesto, apenas a Associação Onda Verde, a Associação de Cidadãos do Porto e a Associação Campo Aberto são verdadeiramente independentes da agenda de Lisboa.

O caminho para os residentes na AM Porto terá que ser este: Conseguirem formular pensamentos próprios, defender os seus legítimos interesses de desenvolvimento e eleger políticos fieis a nível local ou para a Assembleia da Républica, sem estarem dependentes de outras agendas. É a organização que falta. Basicamente um partido regional. Ou uma federação de partidos regionais, replicando esta lógica noutras cidades/regiões e  contornando assim o preceito constitucional.

20081111

Manifesto para repensar o Porto apresentado quarta-feira

Lusa - Vários cidadãos de diferentes quadrantes politicos e independentes do Porto apresentam, quarta-feira em conferência de imprensa, um manifesto sobre o Porto no qual questionam os valores e os princípios da cidade e apelam ao fim da negligência cívica.

A conferência de imprensa, sob o tema «Onde vais cidade? Apresentação de uma proposta cidadã para pensar e mudar o Porto», decorre na Cooperativa Gesto e conta com a presença do sociólogo e dirigente do BE, João Teixeira Lopes, e a professora Natércia Pacheco.

O manifesto, que levanta uma série de questões sobre a carga identitária da cidade, a mobilidade, a mistura social, as políticas de habitação e a sustentabilidade do Porto, foi já assinado por uma série de cidadãos, entre os quais João Teixeira Lopes, José Soeiro, Alda Sousa e Angelina Carvalho (membros do BE), o constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos, Tiago Azevedo Fernandes (do blog «A baixa do Porto»), o geógrafo José Rio Fernandes, professores, filósofos, jornalistas, e artistas como Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero.

Assinaram ainda o manifesto José Leitão (director do Teatro Art'Imagem), Mário Moutinho (director do FITEI), José Rafael Tormenta (Sindicato dos Professores do Norte), Serafim Silva (Associação Onda Verde), Alexandre Ferreira (Associação de Cidadãos do Porto), Nuno Quental (Associação Campo Aberto) e José Maria Silva (Movimento de Intervenção e Cidadania)

O documento apelida de negligência cívica os adiamentos da "acção descentralizada e pluridisciplinar ao nível das freguesias e bairros" e de "um projecto de internacionalização da cidade", salientando a "urgência de propostas que reinventem a participação dos processos de decisão, desde a formulação de orçamentos até à definição das grandes intervenções urbanísticas ambientais".

Depois de assinado, o manifesto será apresentado em reunião plenária e "num fórum de debate e concretização duma alternativa justa, solidária e insurgente", refere o documento que defende a "reapropriação da cidade pelos cidadãos".

COMUNICADO - Sobre o processo de privatização da ANA

COMUNICADO - Sobre o processo de privatização da ANA e o custo-benefício do investimento público para Portugal

A propósito de notícias e opiniões publicadas, referindo as parcerias que as grandes empresas nacionais estão a desenvolver com congéneres europeias para a privatização da ANA, leia-se, para a candidatura à realização das empreitadas públicas do Novo Aeroporto de Lisboa.

  • Será que importa apenas e só quanto se gasta, e não como se gasta?
  • Porquê o eterno e enraizado primado da quantidade sobre a qualidade?
  • Por que é que se assume que todos os recursos públicos têm de ser consumidos em projectos de investimento?
  • Quais são os reais custos das grandes obras e qual o seu objectivo final?
  • Estes custos tomam em consideração a procura, o poder de compra dos utentes dos serviços assim criados?
  • Quais são os procedimentos de avaliação destes grandes investimentos públicos, e quem os executa?
  • Os lucros devem ser baseados na eficácia ou no monopólio?
  • Deve o modelo de privatização privilegiar o encaixe financeiro do Estado ou a competitividade do país e das regiões?

De acordo com estudos efectuados na Suécia, EUA e Brasil, mostrou-se que a grande obra pública pode custar menos 30 a 50% se efectuada por troços menores, atendendo ao efeito da concorrência acrescida em adjudicações de menor dimensão. Há números para se concluir o que se passará em Portugal?

Registámos a preocupação das construtoras portuguesas, que até as levou a solicitar protecção do Governo contra invasões de concorrentes de outros países. Lembramos contudo que haverá formas mais saudáveis de defender a economia nacional.

Assim, propomos que sejam objecto de debate público os critérios de avaliação das propostas dos concorrentes à privatização. Só assim se garantirá a transparência do processo e até a validação técnica das opções a tomar.

Sustentada nas competências especializadas que consegue mobilizar nas áreas da consultoria em arquitectura, engenharias, direito, planeamento financeiro e gestão, a Associação de Cidadãos do Porto vê reforçada a oportunidade de promover ela própria uma candidatura à privatização da ANA.

A Associação de Cidadãos do Porto

20081110

O jovem e bravo elefante

Era uma vez um jovem e bravo elefante. Era ambicioso e destacava-se na manada. Nunca voltava as costas a nada e liderava sempre as deslocações que esta fazia na reserva zoológica do sul de África. Começou a ser notado entre os membros mais velhos. Certo dia, estes, aproveitaram o ímpeto do mais novo e empurraram-no contra as cercas electricas da reserva. O jovem elefante morreu. E os mais velhos atingiram os seus objectivos, fugir da reserva.

Francamente, felicito «os nossos elefantes» pela genial e mediática jogada de 6ªfeira. E espero que meditem nesta pequena história.

20081109

Referendo à Regionalização 1998

Fez ontem 10 anos. 10 anos verdadeiramente perdidos.

20081106

3ª Reunião da Associação de Cidadãos do Porto



A próxima reunião aberta da Associação de Cidadãos do Porto terá lugar sexta-feira, dia 7 de Novembro às 21.30h.

A reunião terá lugar na Fundação Fábrica Social, na rua com o mesmo nome.

A próxima reunião aberta da Associação de Cidadãos do Porto terá lugar sexta-feira, dia 7 de Novembro às 21.30h.A reunião terá lugar na Fundação Fábrica Social, na rua com o mesmo nome. Para quem não sabe onde é, os mapas estão disponíveis n'A Baixa do Porto.

Na sequência das conclusões emanadas da última reunião, o tema central será:

Gestão Autónoma Aeroporto Sá Carneiro:

- Perspectivas Económicas, Sociais e Políticas

- Formas de Actuação Cívica

As inscrições estão disponíveis através do email porto.agora@gmail.com.

Será que a Norte existem menos votantes no Socrates ? Seria um bom indicador de sanidade mental

A ameaça silenciosa aproxima-se:

Com tudo isto Sócrates e as máfias habituais ainda apelam a investimento público concentrado em Lisboa via financiamentos externos, para depois fazem as asneiras que o Pedro relata.

Pedro Arroja tem dito que este governo não chega a Outubro de 2009. As sondagens dizem que Sócrates sobe nas intenções de voto. Será que a Norte existem menos votantes neste PS do que a média nacional ? Seria um indicador de sanidade mental dos residentes se as intenções de voto por cá fossem menores.

20081105

Governo enterra 545 milhões a aeroporto para fazer face a crescimento que não se verifica

No mesmo dia em que a ANA anuncia que prevê um crescimento de apenas 1% no movimento de passageiros nos aeroportos portugueses, Mário Lino tenta explicar porque motivo era necessário enterrar 380 milhões de euros num aeroporto condenado (para não falar na linha de Metro - 165 milhões de euros). A explicação de que sem obras teriam que rejeitar voos (subentenda-se, devido ao crescimento dos passageiros) não convence.

E, para quem tanto argumenta com a maximização do encaixe com a privatização da ANA, que se estima em 1.300 milhões de euros, pelos vistos 545 milhões são tremoços, que é como quem diz, peanuts.

Intrigante

Nem mesmo eu, eterno desconfiado das mafiosidades da oligarquia de Lisboa, consigo compreender este post cheio de mensagens nas entrelinhas. E até fala de bases extremistas no Porto. Será que o «Suevo» tem razão ? Teremos por aí uma invasão moura ?

Qualquer que seja a interpretação disto, a mensagem para o Norte é clara: Temos que criar/consolidar um pensamento político e económico próprio, independente deste tipo de cumplicidades do bloco centralista.

Se dúvidas houvesse: já fede. ( De outra maneira, claro e frontal, escreveu-o ontem Eduardo Damaso: tocar a sério ” nisto ” pode ser o fim do Regime ). Percebe-se, aos poucos a oportuna nacionalização. Mais do que salvar um Banco, ( não se podia oferecer o dito aos sauditas ou aos paquistaneses? ), importa é lançar as condições para que tudo mude para que nada mude. Deixar assentar o pó, safar Constâncio e, com ele, a Mafia do Sistema embrulhada nos seus obscuros negócios ilícitos. O esterco em que se cimenta a nossa dita Democracia e o dito Estado de Direito Democrático onde as estórias de Sócrates são, comparadas com isto, coisa pouca. Afinal, os mesmos de sempre nos golpes de sempre e cumplicidades que ultrapassam o quadro partidário. Não será preciso ir buscar a Cerâmica Campos, em Aveiro. Vamos por outro lado. O Ikbal? Janeiro de 2003. Fraudes eleitorais, ilegalidades várias, violação de estatutos, consecutiva e impunemente, obras na Mesquita, ( tão cuidadosamente visitada em período de eleições, de Cavaco a Santana Lopes ), acusações escritas, graves, assinadas por Mussa Omar ao banqueiro Abdul Vakil, velho amigo do amigo Dias Loureiro, recente número 1 do BPN e o homem do Efisa, entretanto enfiado no Grupo. Esqueçam os accionistas de fachada e sejamos sérios. As denúncias foram sempre desvalorizadas e o banqueiro teve a honra de ser condecorado a 10 de Junho com uma rectaguarda firme de jornalistas de referência, gratos, venerandos e obrigados. De referência. Outros, que tentaram virar as coisas andam por aí. Calados. O Ikbal, administrador do Efisa, seria o herdeiro na CIL, do ” golpismo ” que defende outros ” Interesses “. ( Carta na Al-Furqán de Agosto de 2002, assinada pelo Dr. Mussa Omar, outra vez ). Claro que esta nacionalização é política, uma questão de sobrevivência, e esconde muito do que nunca se saberá. A factura pagamos nós. Afinal haverá matéria explosiva pelo meio. Não é acaso só agora, reformado, Júlio Pereira, ex-director do SEF ser o primeiro a confirmar o que o Poder e a imprensa escondem. ” A Al-Qaeda, ( em Portugal ) é uma ameaça séria ainda que se diga que os elementos radicais são minoritários “. E, acrecenta, o MAI sabe-o. ( Público, ontem ) Como o sabem muitos. Aqueles que teimam, por exemplo, em denunciar os terroristas Tabblighs que, nessas direcções ilegais de Vakil, eram representados pelo polígamo Ismael Lunnat. Que se sentou tranquilamente no acto fundador da Comissão para a Liberdade Religiosa ao lado do inevitável Soares. Há misturas e promiscuidades estranhas num País estranhamente cada vez mais estranho. Claro que com o PGR isto poderia tornar-se engraçado. O que nunca sucederá claro. Ainda vamos ver Oliveira e Costa indemnizado. O Dr. Vakil? Continua Presidente vitalício da CIL, ( o que parece ser francamente importante ), alterou a posteriori Estatutos para legalizar ilegalidades, tirou da frente o Lunnat, silenciou jornalistas e manteve-se amigo de outros, fez sair os holofotes das bases extremistas no Porto ou no Laranjeiro e alindou a imagem do Colégio de Palmela. A lebre para o futuro era outra, não o Ikbal, e acreditem tem sido um sucesso. A banca já é secundária e o assalto deu-se noutro lado. Pois é.

20081104

O costume

Lisboa queima certas pessoas: Fernando Gomes, Daniel Bessa, LFMenezes. Ou são submissos com o sistema ou regressam queimados. Que o diga Miguel Cadilhe. Mais uma vez regressará queimado.

Entretanto, o caso do BPN é cada vez mais um caso de polícia: Segurança Social esconde depósito de 200 000 000 € do BPN.  Histórias mal contadas da capital, pagas pelos contribuintes, envolvendo altas figuras do Estado Central, do PS e PSD. O costume.

 

Governo aproveita crise no BPN para aumentar peso na economia

O BPN propôs ao Estado a entrada em 50% do capital do Banco, através de acções preferenciais (com remuneração garantida). O Governo disse que não, porque ficava mais barato aos contribuintes adquirir 100% do capital e sem acções preferenciais. Importa-se de repetir?

Paulo Rangel tem razão. Trata-se de capitalismo de Estado.

"O Capitalismo de Estado é uma nova forma de capitalismo, caracterizada por manter a exploração dos trabalhadores via extração de mais-valia, tal como no capitalismo privado, mas onde o Estado se transforma no principal proprietário. O Estado possui o monopólio dos meios de produção e extrai a mais-valia e a redistribui, além do investimento no processo de acumulação de capital, entre os burocratas, que passam a usufluir de diversos privilégios, formando uma burguesia de Estado." - Wikipedia

20081103

O FMI "já cá está". O Norte salvou-se.

Hoje é um grande dia, muito maior do que o dia da derrota da OTA. Norte salvou-se por vários anos da Drenagem e sabotagem que Lisboa constantemente exerce. A anunciada emissão de dívida para capitalizar os bancos coloca Portugal a caminho de sérios problemas cuja solução implicará a mudança radical de paradigma. Vejamos os factos:

O risco Portugal está a aumentar. Os financiamentos estão a passar de caros para impossíveis. Continuando cego à realidade, Portugal corre o risco de ser expulso do Euro ou deixar de receber financiamento externo. Para continuarmos no Euro teremos que aceitar e reequilíbrio da balança de transacções correntes, como em 1982, cancelar projectos que requerem endividamento e apostar na economia dos bens e serviços transaccionáveis. Não é/será  necessário uma declaração formal do BCE sobre a situação portuguesa, nem mesmo a vinda efectiva do FMI. As circunstâncias, os mercados, os decisors políticos nacionais e estrangeiros acabarão por implementar o que aqui escrevo. Estes factos macro-económicos tem força incrível e nem mesmo o descaramento propagandístico socrático ou a mafiosidade do bloco centralista de interesses consegue suplantar. Como se tem visto, aliás, nas últimas semanas, com constantes e descredibilizadores quebras de garantias de estabilidade.

Portanto as obras drenadoras, Alcochete, TGV Madrid, TTT, Nova Alcantara terminam definitivamente. Há 1 ano afirmei-o com base no encarecimento do custo de crédito que as tornaria não rentáveis para os privados. Hoje afirmo-o por causa da moratória que as circunstâncias estão a impôr à balança de pagamentos.

O Norte salva-se. O Centro, e Algarve também. É onde existe a economia dos bens e serviço transacionáveis. Lisboa em sentido metafórico, nos próximo 5 anos, será o dia seguinte dos sonhos dos superdragões.

A acção do governo está vedada. O keynesianismo terá que usar pouco financiamento externo e terá que gerar divisas. Ou seja, as obras públicas terão que ser de pequena dimensão e grande produtividade, como reclamava há dias Belmiro. Isto requer uma análise mais fina, só possível de ser gerida com a Regionalização.

No fim de semana MFLeite acertava: «Só tem sentido o apelo à ponderação dos investimentos públicos já previstos e à sua manutenção desde que melhorem a competitividade» Cedo ou tarde, esta marionete acabará por aceitar a Regionalização e deixar cair Alcochete e TGVs, mesmo que os «compromissos externos já tenham sido assumidos»...

É certo que o Norte terá recessão como todo o mundo ocidental. Porém a queda do modelo de desenvolvimento de Lisboa, por Drenagem, abrirá novos horizontes. As prioridades a Norte já não devem ser combater a privatização da ANA ou afins, porque estão completamente enterradas (ao cuidado de Alexandre Ferreira). Deverá ser sim em captar pequeno investimento público gerador de competitividade territorial, nomeadamente nos transportes, reengnhearia da admiinistração pública (Regionalização + Fusão Autarquias) e criar/consolidar um pensamento estratégico próprio.

O que escrevo só passará de aparente para realidade daqui por ano. No entanto respiro já de alívio.

Mas ela não se tinha já ido embora?

Luís Filipe Menezes diz a Ferreira Leite para se calar e ir-se embora

Nota: Aconselho a ler o original e não o "resumo" do Público


Quanto à linha Lisboa-Madrid, discordo totalmente de Luís Filipe Menezes. A obra apenas dará emprego a imigrantes, que o país não consegue absorver no média prazo. Não promoverá a coesão a nível ibérico. Antes pelo contrário, promoverá a drenagem em direcção a Madrid, tal como a A1 fez do Porto em direcção a Lisboa (tal como fará a auto-estrada até Bragança, razão para eu concordar com a proposta de Rui Farinas de substituí-la por uma decente rede de ligações intra-distritais) - e aqui sou apoiado pelo último Nobel da Economia - Paul Krugman. E, por último, porque irá aumentar o nosso défice externo para valores acima dos 10%, o que inevitavelmente resultará na necessidade de redução real dos salários ou do poder de compra (pelo inevitável aumento dos impostos sobre o consumo).

20081102

Regulação

Num momento em que tanto se fala de regulação, convém não esquecer que também em Portugal a regulação existente não cumpriu a sua função. Nem no BPN, nem no BCP. Então, qual o sentido de dar mais poderes a reguladores manifestamente incompetentes? Permitir aos prevaricadores beneficiar ainda mais da falsa sensação de segurança que é suposto o regulador assegurar ao sistema?

Neste tema, Paulo Portas teve a pontaria muito afinada na sua análise.

Resta também perceber qual o fundamento para a nacionalização do BPN. O BPN tem hoje uma administração credível e de competência reconhecida e que, segundo foi noticiado, propôs um plano de reconversão ao Estado. Se o Estado estava disposto a intervir, porque não o fez da forma minimalista? Será para poder assim fazer umas nomeações "políticas", trocando quadros competentes por "boys de confiança"? Ou a velha lógica do centralismo, de nacionalizar prejuízos para depois poder privatizar para um grupo económico "amigo", próximo do círculo de poder? Aguardo explicações.

Safa !

Quem é que se safou a tempo ? Já foi 1º ministro... Por isso se percebe porque andou apelar à calma... Foi para se safar...

Propostas contra a crise

Na linha do que deixou aqui o José Silva, também acredito que as obras públicas de que o País precisa para enfrentar e superar a crise económica que aí vem - por via da contracção do consumo - devem ser sobretudo obras de muito valor acrescentado e, sempre que possível, menor custo (e portanto de menor risco) para quem as vai ter de assumir.

Infelizmente, o que se verifica em Portugal é que todos são óptimos a criticar as opções do Governo, nesta matéria como noutras, e ninguém se apresenta capaz de propor alternativas. Neste caso, de outras obras públicas que reunissem as condições que apontei.

No entanto, há duas que tem sido sobejamente abordadas neste "norteamos" e que merecem reflexão aprofundada de quem queira, de facto, contribuir para um Portugal melhor. São elas a privatização da gestão do aeroporto Sá Carneiro e a modernização da linha do Douro.

Esta última, resulta suficientemente justificada no post do José Silva. Falta agora que as empresas, associações empresariais, sindicatos, universidades e forças políticas, assumam as suas responsabilidades de cidadania e promovam o tema na agenda política nacional, sobretudo tendo em conta o ano eleitoral que se aproxima.

O mesmo se diga em relação à privatização da gestão do ASC. Com a urgência de já haver pelo menos um interessado. Pelo impacto que tal poderia ter no desenvolvimento e recuperação do Norte, e também para a afirmação da megalópolis centrada no Porto, no contexto do Nordeste peninsular, creio que este tema reveste indiscutível interesse à escala nacional. Que bom seria se os meios de comunicação social lhe devotassem mais atenção.

Infelizmente, essa atenção só acontecerá se existir suficiente pressão por parte do público, que é como quem diz das forças vivas que atrás referi. Esperemos que estejam atentas.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.
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